História das ideias

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A história das ideias é um campo de pesquisa da história que lida com a expressão, preservação e mudança nas ideias humanas ao longo do tempo. É uma disciplina irmã (ou uma aproximação particular) da história intelectual. O trabalho na história das ideias pode envolver pesquisa interdisciplinar em história da filosofia, história da ciência e em história da literatura. Na Suécia, a história das ideias tem sido uma disciplina distinta desde a década de 1930, quando Johan Nordström, um académico de literatura, foi indicado professor da nova disciplina na Universidade de Uppsala. Atualmente, várias universidades ao redor do mundo possuem cursos neste campo, usualmente como parte de um programa de graduação. Em relação a história das ideias ao longo do século XX o domínio historiográfico conhecido como História das Ideias e/ou História Intelectual foi palco de discussões em torno da definição sobre o que seriam as “ideias” enquanto objeto de estudo por parte do historiador e as possibilidades de abordá-la teórica e metodologicamente. Sobre as ideias existem duas leituras sobre sua relação com a história: uma primeira, como proposição ontológica, que afirma a existência “real” das ideias na história no sentido de matéria do conhecimento histórico, e uma segunda, como proposição epistemológica, que realça a validade de certo tipo de conhecimento histórico no qual as ideias constituem seu objeto de estudo. A primeira proposição conduziu à elaboração de histórias baseadas na premissa de que as ideias se apresentam ou se desenvolvem na história de maneira independente ou autônoma em relação às demais regiões ou instâncias do real. A segunda proposição contribuiu para o desenvolvimento do que denominamos como história das ideias. Para se pensar as ideias e/ou pensamento enquanto proposição epistemológica é importante ressaltar uma definição sobre “ideia”. Um conceito tradicional propunha a ideia como sendo uma interpretação representacional de um objeto ou fato, como o legado pela via cartesiana, que defendia que no ser humano o sentido forneceria a existência do corpo, mas a razão evidenciaria a certeza do cogito por meio da transformação da “realidade do mundo exterior” em ideias dessa “realidade”. A operação de converter as coisas em objeto seria a representação, cujo suporte, o sujeito, seria precisamente o cogito. No entanto, o cerne da tradição cartesiana viu-se abalado no século XX pelas reflexões sobre a linguagem, as quais demonstraram, como no caso dos estudos de Wittgenstein, que a linguagem seria uma atividade realizada em diversos contextos de ação que só poderiam ser compreendidos no horizonte contextual de um “jogo de linguagem”, o qual saliente que o falar da linguagem é parte de uma atividade ou forma de vida. Estas reflexões contribuíram para se pensar na história das ideias como as ideias significam, se articulam umas às outras e são transmitidas ou recebidas no âmbito de um processo mais geral que é o da produção do sentido em determinados contextos históricos.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Ricardo Oliveira da Silva. História das Ideias: abordagens sobre um domínio historiográfico. In: Revista Brasileira de História & Ciências Sociais. Vol. 07, nº 13, jul. 2015.

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