História de Andorra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A história de Andorra, um pincipado europeu localizado nos Pirenéus, é muitas vezes ligada à de Espanha e França, que sempre respeitaram a sua independência.

O principado de Andorra foi durante séculos um território essencialmente agrícola e de pastorícia, onde a prática da caça era frequente. Segundo algumas lendas, Carlos Magno teria sido o fundador de Andorra. No entanto, Andorra foi povoada desde a Pré-história e o antigo povo dos "Andosinos" é mencionado em escritos da Antiguidade. Mas a independência de Andorra é reconhecida pela primeira vez na época carolíngia quando forma um Estado da Marca de Espanha para proteger o império das invasões árabes.

Durante muito tempo isolada e pouco povoada, Andorra cultivou costumes arcaicos, com um sistema de administração de partilha do trono entre o chefe de Estado francês e um bispo catalão e o "Conselho da Terra", um dos mais velho parlamento europeu. Durante a segunda metade do século XIX, o principado conheceu uma forte oposição entre conservadores e apoiantes da democratização e abertura ao turismo. No século XX, a construção de infraestruturas tais como estações de esqui, estradas e hotéis, tornam Andorra num grande centro turístico e comercial, graças a taxas muito baixas sobre alguns produtos de consumo, mais caros no resto da Europa.

Origens[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

Os únicos vestígios que foram encontrados em Andorra e que remetem para a pré-história são utensílios de pedra encontrados na Balma de la Margineda, um abrigo rochoso que serviu durante o Paleolítico Superior aos grupamentos nómadas dos redores (principalmente a Arieja, no sul da França atual e o Segre, no norte da Catalunha atual) para a caça, pesca e recolecção em épocas estivais, pois usavam a Andorra como caminho de conexão entre a França e a Catalunha. Fenómeno que, no entanto, só foi possível pelo desgelo que sofreu a Europa após o último período glacial chegar ao seu fim. O aquecimento do clima e a aparição de vegetação e alimento, principalmente o “isard”, uma cabra de montanha típica da zona e, aliás, símbolo nacional do país, levou várias populações dos redores a deslocar-se para a Balma da Margineda, situada perto da capital andorrana.[1] [2] [3]

A constatação de aumento da população na Balma da Marginda no VI milénio aC tem vindo a confirmar que aqueles primeiros caçadores migraram para os modos de vida do neolítico. Foram encontrados cereais e outros elementos (vasos, cerâmica, habitáculos...) na Balma da Margineda, mas também no parque natural Vall del Madriu (declarado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO), que levam a conclusão que progressivamente a caça foi abandonada pela agricultura e o sedentarismo.[4] [5] [6] [7]

Não é possível falar de habitáculos propriamente neolíticos para referir os vestígios do Vale do Madriu. A geografia condicionou durante muito tempo a evolução das populações que viviam em Andorra. Os primeiros sedentários foram-se adaptando lentamente às novas correntes. Por esse motivo o bronze andorrano não é tão rico como o iraniano ou grego. Não entanto também existem vestígios do período, principalmente na aldeia de Prats (em Canillo), onde foi achada uma fossa e gravuras rupestres sobre rocha, popularmente conhecidas como “Roc de les Bruixes” (do catalão, Rocha das Bruxas).[8] [9] [10]

Existem também restos de ferro tipicamente ibéricos, facto que vem confirmar as fontes literárias. Textos escritos pelos próprios romanos designam os andorranos com o nome de “andosins”. O Grau de l’Antuix é um claro exemplo de vestigem do Ferro. Trata-se de uma aldeia ibérica encontrada perto de Escaldes-Engordany, onde também foram achadas sepulturas e moedas que, neste caso, não se conseguem datar com grande precisão. Há especialistas que situam-nas mais perto de Roma do que do mundo ibérico. Os topónimos andorranos têm provocado certa controvérsia. Há quem procure a sua origem na língua basca, outros a remetem à religião cristã. Não há consenso neste assunto, mas é provável que naquela época se falasse alguma língua aparentada com o basco.[11] [12] [13]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Conquista de Roma da península ibérica.

O processo de romanização foi tardio. Os historiadores preferem falar de aculturação. Não existem grandes vestígios romanos em Andorra. Apenas uma sepultura encontrada em Sant Julià de Lòria, no sul do país. Encontrou-se também vinho em Santa Coloma, facto que levou a conclusão de que Andorra foi incorporada a Strata Ceretana, uma via terrestre de conexão com o império e por onde se transportava vinho para a localidade da Seu d’Urgell (no norte da Catalunha, justo a tocar com a fronteira andorrana), que depois vendia-o às aldeias mais próximas.[14] [15] [16]

Os andorranos são referidos por Políbio nos textos que relatam a passagem de Aníbal nos Pirineus. Políbio conta que Aníbal “somete as tribos dos ilergetes, bargúsios, aeronosis e andosins” na sua viagem em direção à Itália. Mas pensa-se que os “andosins” teriam tentado resistir tanto a Aníbal como a Roma. Esta hipótese é elaborada a partir das experiências de outras areas da península, pois Roma só conseguiu impor-se realmente em território ibérico depois de quase 50 anos de guerra. É a única referência escrita de Roma que fala sobre Andorra. Por tanto, a tentativa de dar um relato de resistência pode ser visto como uma interpretação exagerada, para satisfazer um certo realce nacionalista.[17] [18] [19]

Grandes Invasões[editar | editar código-fonte]

No século V as ocupações germânicas transformaram a paisagem europeia, além de fazer cair o império romano. Não se encontraram testemunhos em Andorra da chegada dos povos germânicos, mas há evidências de que Andorra foi incorporada à marca hispânica. Para controlar o avance das camadas germânicas Roma decidiu construir barragens ajudando-se das fronteiras naturais. Os Pirineus constituem uma verdadeira barragem natural de montanhas. O objetivo era usá-las acrescentando torres de vigilância e muros de contensão. Andorra ficou precisamente incorporada à barragem da marca Hispânica. O castelo do Roc d’Enclar, hoje destruído, terá sido utilizado provavelmente com este fim. Por outra parte, não se acharam restos arqueológicos que testemunhem da presença de visigodos em Andorra, mas é bastante provável isso ter acontecido. Também é difícil afirmar uma possível ocupação muçulmana em Andorra. Encontraram-se necrópoles perto das igrejas românicas andorranas com objetos de filiação islâmica. Isto permite expor a hipótese que os muçulmanos sarracenos estiverem em Andorra ou por perto. [20] [21] [22]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Os condados catalães[editar | editar código-fonte]

Condados Catalães

Em 788 Carlos Magno ordena uma batalha contra os árabes nos Pireneus. Isso marca a verdadeira criação de Andorra. O território andorrano fica integrado novamente à marca militar hispânica, dentro do condado militar da Seu d’Urgell. A Seu d’Urgell, hoje uma localidade catalã, fazia parte integrante dos 13 condados que, com o decorrer da Idade Média, passam a serem conhecidos como “condados catalães”. No século IX iniciam um processo de separação após a morte de Carlos Magno devido às incursões árabes no seu próprio território. Efetivamente, as razias muçulmanas obrigaram-nos a pedir ajuda ao rei franco, mas este, preocupado pela instabilidade interna (lutas fraticidas de poder) e externa (incursões vikings e hungaresas), não socorre. Em 987 os Condados Catalães decidem unilateralmente prestar vassalagem ao conde de Barcelona, desligando-se do rei Capeto. Nasce à chamada “Catalunha Velha”, Vifredo I de Barcelona torna-se de facto monarca. É neste contexto que Andorra se terá originado. Mas a tradição popular considera que Andorra foi doada em 800 por Carlos Magno como mostra de reconhecimento aos andorranos por terem-no ajudado a combater contra os muçulmanos. Esta lenda vai inclusive mais longe e garante Carlos Magno ter salvado os andorranos dos sarracenos. Mesmo se incluída no próprio hino de Andorra, o relato é falso.[23] [24] [25] [26] [27] [28] [29]

As Pareagens[editar | editar código-fonte]

Os primeiros documentos medievais que falam sobre Andorra datam do século IX. Concretamente, assinalam que o contado de Urgell recebera em 843, por parte do rei franco Carlos II de França, a Andorra. Mas progressivamente os condes urgelenses despreocupam-se das terras andorranas para aproximar-se ao conde barcelonês. Esta vontade leva-os a vender Andorra ao bispado de Urgell. Em 1133 todas as terras nos Pirineus, Andorra incluída, são finalmente entregues ao bispado urgelense. Tendo conseguido grande poder com a aquisição, o bispo de Urgell inicia por sua vez um processo de vassalagens que leva-o à assinatura da Pareagem (em catalão “Pariatge”), documento que historiadores interpretam como a independência de facto de Andorra.[30] [31] [32] [33]

Efetivamente, o bispo da Catedral de Urgell encontra-se repentinamente com um território invejado pelos condados mais próximos. Não podendo defender-se fisicamente, resolve enfeudar a família Caboet. Esta garante a defesa de Andorra e das terras de Urgell em troca de uma gestão amplia sobre o território andorrano. Mas em 1185 o viscondado de Castelbo casa-se com a família Caboet: é o ponto de partida para um verdadeiro conflito armado. A família Castelbo praticava o catarismo, um movimento cristão de ascetismo extremo, condenado pela Igreja Católica. Esta, preocupada pelo avance do catarismo na Europa, resolve de uma cruzada que virá a justificar a Inquisição. O bispo da Seu d’Urgell é imediatamente alvo de violência catar. Quando em plenas cruzadas albigenses o condado de Foix decide casar-se com os Castelbo a crise chega ao apogeu. Catar e ansioso de se ligar as linhagens catalãs, o contado de Foix protagoniza diferentes campanhas bélicas em Andorra, saqueando a Catedral de Urgell.[34] [35] [36] [37]

Em 1278 ambas as partes decidem assinar finalmente a paz atravês da chamada Pareagem. Uma Pareagem era um acordo que se assinava entre nobres para resolver problemas relacionados com a posse de terras. O bispo de Urgell e o condado de Foix resolvem declaram-se soberanos de Andorra, concretamente príncipes de Andorra, daqui o nome de co-principado de Andorra, em troca de fazerem as pazes. Mas a pesar de tudo não se consegue impor a paz. O condado de Foix tinha decidido construir um castelo no Roc d’Enclar (hoje Andorra), interpretado pelo bispo da Seu d’Urgell como uma ameaça e declaração de guerra. Voltam os confrontos armados. Em 1288 assina-se uma segunda e definitiva Pareagem, que levará o sistema de co-principado até aos nossos dias.[38] [39] [40] [41]

Conselho da Terra[editar | editar código-fonte]

Gravura de Raimundo de Lúlio, s. XVIII
Ver também: Arte românica

O fato dos co-príncipes terem a soberania sobre Andorra não implica que os seus habitantes fossem súbditos fieis e domáveis. Prova disso, a criação do parlamento andorrano no ano 1419 numa ação conjunta entre as diferentes localidades daquela época que pretendiam desta forma diminuir a ação dos co-príncipes. O parlamento, chamado de Conselho da Terra (em catalão, Consell de la Terra) e proposto por Andreu Alàs, virá com o tempo representar a voz do povo, num contexto de nacionalismo. Este passa efetivamente a representar a vontade popular expressada através de representantes políticos escolhidos em eleições. Por exemplo, no caso de Rádio Andorra ou da Segunda Guerra Mundial, o parlamento foi o responsável de gerir as relações entre andorranos e exteriores; mesmo se tutelada até a independência de 1994. O parlamento andorrano é considerado como um dos mais velhos parlamentos europeus. No entanto, o parlamento medieval andorrano era estamental, pouco democrático e unicamente representativo das administrações locais do país. As mulheres e classes pobres não podíam parcitipar na política e só os chamados "prohoms" é que tinham direito de serem eleitos.[42] [43] [44] [45] [46]

Ver também: Países Catalães

Por outra parte, a Idade Média é considerada como o período de criação e expansão da língua catalã. O catalão é uma língua romana, ou seja, derivada do latim que foi originando-se por volta do século VII. O seu máximo representante, a mesmo título que Luís de Camões para a língua portuguesa, é Raimundo Lúlio, escritor, filósofo e poeta, além de teólogo. Em 1162 a união dinástica entre Raimundo Berengário IV de Barcelona e a rainha Petronila de Aragão, marca o início da expansão do catalão nos territórios que atualmente se incluem nos chamados Países Catalães (veja mais no S. XIX), por estes reis terem decidido empreender a guerra contra os muçulmanos. Andorra, incluída, na confederação de Aragão, também chamada confederação catalano-aragonesa, é considerada como um dos territórios berço do catalão: os Caboet teriam deixado escritos em língua catalã.[47] No entanto, o episódio da Reconquista é mais conhecido nos Países Catalães pelo nome de Jaime I o Conquistador, por ser o principal responsável da tomada de Maiorca, Valência e feudos da Ocitânia, transformando-se em rei de Valência, da Catalunha e de Maiorca. Junto do românico, a língua e culturas catalãs constituem a base da identidade atual andorrana. Neste sentido o território andorrano possui um vasto património românico. A Igreja de Sant Joan de Caselles seria uma amostra do conjunto amplio de igrejas românicas ou pré-românicas andorranas.[48] [49] [50] [51] [52] [53] [54]

Época Moderna[editar | editar código-fonte]

Guerras de Religião[editar | editar código-fonte]

União dos direitos de consenhoria dos condados de Foix à coroa francesa[editar | editar código-fonte]

Durante a época moderna o título de co-príncipe de Andorra por parte do lado francês desloca-se progressivamente até chegar ao rei de França através de matrimónios diversos que tinham por objetivo acrescentar o poder do condado de Foix. Esta sequência teve lugar durante as diferentes guerras da época moderna, nomeadamente as de religião. O Condado de Foix, tendo resolvido finalmente as diferenças que mantinha com o co-príncipe episcopal, decide casar-se com a família dos Béarn e durante o período de 1302 até 1391 vão se suceder vários varões desta dinastia. Depois será o turno da família dos Grailly. Durante a Guerra Civil Catalã (1462-1472) a coroa navarrense recebe Andorra. E, finalmente, a crise de sucessão na coroa francesa desatada durante a oitava guerra de religião, desloca o título para o rei de França em 1572. Concretamente, Enrique III não tinha filhos e a situação inquietava a família dos Valois. O sucessor legítimo, o rei navarrense e co-príncipe andorrano, era protestante, o que defrontou diferentes monarquias entre si. Em 1572 finalmente Enrique III de Navarra converte-se ao catolicismo, troca de nome (Enrique IV) e consegue ser tronado rei de França. Isto permite o final das guerras de religião em França, mas não só. A partir desse momento o título de co-príncipe de Andorra passa para a coroa francesa.[55] [56] [57] [58] Do lado episcopal, não houve quaisquer tipo de alteração e o posto sempre foi ocupado pelo bispo da Seu d'Urgell, pois um bispo não se pode casar. No entanto, foi a petição da monarquia espanhola que a partir de 1521 os bispos começaram a ser nomeados diretamente pelo rei castelhano. Por trás escondem-se motivos ideológicos. Durante a época moderna a monarquia hispânica tenta substituir os eclesiásticos catalães por castelhanos com a intenção de castelhanizar o território, pois reivindicava, por exemplo, Andorra e todos os territórios (Catalunha, Navarra,...) que constituíam reinos a parte, incorporados, no entanto, muitas vezes através de matrimónios à própria coroa hispânica.[59] [60]

Reforma e Contrarreforma[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Reforma Protestante e Contrarreforma
A igreja romana Sant Joan de Caselles, em Canillo.

A população andorrana da Idade Moderna era extremadamente católica. O livro do Manual Digest (ver mais na Guerra de Sucessão espanhola mais em frente) anota episódios de queima de bruxas ou perseguição por motivos religiosos, embora emascarados sob banditismo. Também refere os muçulmanos como invasores. O tom utilizado é altamente religioso, com explicações e crenças populares que descrevem rituais de bruxedo "descontrolados" com bailes "enrolados entre cuzinhos" e que podiam levar os intrusos a serem transformados em "gatos pretos". Este fervor religioso explica-se em parte pela presença do bispo como príncipe e co-soberano do país.[61] [62] [63] [64] [65]

No entanto, a Andorra foi alvo de saqueios e turbulências provocadas pela sua suposta implicação com o protestantismo. O facto de ter um co-príncipe católico, o bispo, e outro protestante, o rei de Navarra, levou a várias acusações de protestantismo com represálias. A Igreja de Sant Serni de Canillo, por exemplo, foi saqueada como resposta às acusações de alujamento de huguenotes, considerados "pragas". Mas o elemento mais visível deste fervor religioso vem dado pelo co-príncipe episcopal. Implanta o Tribunal da Inquisição dos Vales de Andorra, uma simples filial do tribunal inquisitório espanhol, legitimando-o pela venda de "cavalos luteranos" por parte dos andorranos. A sua presença foi vista como uma tentativa de castelhanização da população andorrana e como uma vulneração, do lado francês, dos direitos do co-príncipe e rei de França. Tanto que no ano 1601 o rei Enrique IV de França resolve proibir o Tribunal da Inquisição dos Vales de Andorra e substituí-lo pelo Tribunal de Cortes, outro tribunal inquisitório emascarado, mas conforme às exigências do monarca francês.[66] [67] [68]

Junto do Tribunal de Cortes, a Casa de la Vall (sé do parlamento andorrano) constitui uma das grandes novidades do período no país. Antes da aquisição da Casa de la Vall (do catalão, Casa do Vale) em 1702, o parlamento reunia-se nos pórceres das Igrejas andorranas, o que confirma uma vez mais a religiosidade da sociedade andorrana daquela altura. Mas devido ao clima de montanha, o Conselho da Terra, que sofre mutação entretanto para Conselho Geral (em catalão, Consell General), resolve comprar a casa do D. Antoni Busquests para se reunir. Trata-se duma casa rural, transformada com o tempo em parlamento e que na atualidade é utilizada como Museu. As sessões parlamentárias faziam-se depois de rezar numa capela situada justo em frente do hemiciclo parlamentar. O Conselho Geral reuniu-se nela até 2014 quando foi estreada a nova sé, situada logo em frente do antigo parlamento.[69] [70] [71] [72] [73]

Outro elemento que vem confirmar a presença notável do catolicismo na sociedade andorrana é a arte barroca. Quando na Europa se expandiu o barroco, este chegou a Andorra muito timidamente. Não existem igrejas propriamente barrocas em Andorra. As condições económicas muitas vezes não permitiam a sua construção, embora as igrejas andorranas fossem ampliadas para incorporar retábulos barrocos no interior. O exterior não sofre quase nenhuma alteração. As igrejas continuam num estilo românico rural, com algumas pinceladas lombardas. Os retábulos representam na maioria dos casos padroeiros. O culto à padroeira andorrana, a Nossa Senhora de Meritxell, intensifica-se.[74] [75]

Guerra de Sucessão e Guerra dos Segadores[editar | editar código-fonte]

Guerra dos Segadores[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra dos Segadores

Durante a Guerra dos Segadores os andorranos apoiam os catalães na revolta contra Castela. Estava em jogo diminuir a influência e dominação que Castela exercia sobre Portugal, Catalunha, reino de Valência, reino de Navarra e Andorra. Efetivamente, enquanto Portugal aproveita a ocasião para revoltar-se contra a coroa castelhana, em 1641, Luís XIII de França e co-príncipe de Andorra, é proclamado rei da Catalunha como represália contra Castela. A proclamação de Luís XIII de França como rei catalão obriga o bispo e também co-príncipe de Andorra a fugir para Castela, pois apoiava a monarquia castelhana. Assim, durante o conflito a soberania andorrana vai ser posta em questão. Neste caso, Luís XIII usurpa do poder do bispo e obriga os andorranos a alugarem tropas francesas, além de pagarem impostos a monarquia francesa. O parlamento andorrano não aceita a situação, mas durante 10 anos não pode fazer nada. No final da guerra, em 1652, apresentam-se condições péssimas de rendição para com os catalães, Andorra vê-se afetada. O Tratado dos Pirinéus, que marca o fim da guerra, despossui a Catalunha de parte do seu território, nomeadamente o condado de Rossilhão e o metade do condado de Cerdanha. A situação é vivida com grande receio por parte dos andorranos. Os motivos parecem ser óbvios: a Catalunha não consegue restaurar a sua soberania. O único reino da coroa castelhana a obter vitória será Portugal em 1668. A Catalunha retorna a autoridade ao rei castelhano, Filipe IV, e o co-príncipe e bispo andorrano volta do exílio.[76] [77] [78] [79] [80]

Guerra de Sucessão de Espanha[editar | editar código-fonte]

Decreto do Novo Plano

O primeiro elemento a evocar da Guerra de Sucessão Espanhola para Andorra é o coroamento de Carlos III de Áustria como herdeiro legítimo dos territórios da coroa de Aragão. Carlos III de Áustria será, por tanto, além de rei catalão, também co-príncipe de Andorra. É provável os andorranos terem simpatizado com Carlos de Áustria, mas certa historiografia simpatiza-os com o bando francês; seguramente devido a fato de o rei francês ter sido co-príncipe. Mas a parte que afeta diretamente Andorra tem a ver com o assedio de Barcelona. A derrota de 1714 na Catalunha é vista como o final das instituições catalãs. Barcelona não aguenta e cai em 11 de setembro de 1714, atualmente dia nacional da Catalunha.[81] [82] [83] [84]

Desde Andorra a derrota preocupa. Exemplo disso é a redação do Manual Digest, Politar Andorrà e Llibres de Privilegis após a publicação dos Decretos do Novo Plano. Estes abolem as Constituições Catalãs, ou seja, a soberania do Principado da Catalunha, mas também, impõem o castelhano na administração, escolas, tribunais,... O período chamado de Decadência vai tomar outra velocidade. A língua catalã sofre a partir do casamento entre Isabel a Católica e Fernando de Aragão um período de retrocesso, repressão, castelhanização forçada e empobrecimento. Este fenómeno é devido à vontade da coroa castelhana de impor o castelhano como idioma do império. Com os Decretos de Novo Plano esta situação vai agravar-se consideravelmente. Em Andorra a entrada do Tribunal Inquisitório já foi percebida como uma tentativa de castelhanizar o território. Não deixam de ser, por tanto, estes os motivos que levam a tanta preocupação em Andorra.[85] [86] [87] [88] [89]

Os decretos vieram para destruir as instituições catalãs, começando pela própria língua.[90] Em reação o parlamento andorrano resolve pedir ao letrado Antoni Fiter i Rossell a redação do Manual Digest. Trata-se de um memorando que recolhe a história, instituições e caráter dos andorranos. O autor dedica um capítulo a explicar por que os andorranos não são catalães. Por exemplo, diz claramente que “no espiritual e temporal eclesiástico, no secular, no físico, e natural, e no moral, no idioma, no modo, na moda de vestir, nos costumes, no génio, sem dúvida, [Andorra] é ligada a Catalunha, como parte, e porção de dito Principado”, mas que pelas “instituições, economia, política” não é catalã (cap. III). Não tendo suficiente, redata-se outro memorando, chamado Politar Andorrà e, finalmente, o parlamento pede a redação do Llibres de Privilegis (do catalão, Livros de Privilégios). Este último tinha por objetivo deixar escritos os acordos comerciais e de outro caráter que os co-príncipes teriam doado a Andorra.[91] [92] [93] [94]

Paralelamente, o próprio co-príncipe episcopal inicia uma importante correspondência com a coroa castelhana para, uma vez mais, fazer compreender que Andorra não é Catalunha. O Manual Digest tinha sido elaborado como manual prático para os políticos andorranos saberem-se defender perante Castela. Por esse motivo, foi escondido durante cerca de 100 anos. Só os membros do Conselho Geral tinham conhecimento da sua existência. Afinal também estavam em jogo as instituições, língua e soberania andorranas.[95] Os primeiros sinais vieram com a abolição das doações aduaneiras feitas à Catalunha. A correspondência do bispo terá tido os seus resultados, graças a Sentença de Manutenção, Andorra consegue ser reconhecida como território a parte implicitamente.[96] [97] [98]

Mas a questão ainda levanta dúvidas na atualidade. Tanto que Marc Forné, antigo presidente do país, declarou em mais de uma ocasião que Andorra não faz parte dos Países Catalães partindo do principio que Andorra não foi convidada a assinar o Tratado dos Pirineus (veja mais em Guerra dos Segadores).[99] Esta afirmação do antigo presidente andorrano não é verídica. É difícil afirmar que Andorra já era um Estado em 1714, embora haver um verdadeiro debate sobre a questão nessa altura.[100] Os argumentos dos andorranos não catalanistas (nacionalismo catalão) costumam evocar as Pareagens como documento que garante a independência do país. No entanto, até princípios de século XX as ambiguidades em Andorra serão definitivamente palpáveis entre aqueles que se consideram andorranos, catalães ou ambos. Uma questão que vai se repetir em várias ocasiões: na revolução de 1933, durante a Segunda República Espanhola, durante a proclamação da República Catalã em 1931,... Culturalmente, em qualquer caso, o vínculo é evidente.[101] [102] [103] [104] [105]

Sociedade e economia andorranas[editar | editar código-fonte]

Museu Farga Rosell, antiga fábrica de ferro, base da economia andorrana da Época Moderna

Marcada pela peste, a economia da Andorra na Época Moderna cresce entre os séculos XII e XIV, diminuindo os episódios de fome vividos durante o medievo. Combina-se agricultura, indústria artesanal, metalurgia, tabaco e comércio. O tabaco constitui a grande novidade, mas também a base da economia andorrana porque permitia ganhar dinheiro com o contrabando. Prática que, embora combatida e condenada pelas monarquias hispânica e francesa, conseguirá perdurar até os nossos dias. A mortalidade e natalidade continuaram a serem elevadas, embora a população tivesse aumentado como consequência do crescimento económico. A fisiocracia e o mercantilismo não tiveram grande repercussão na sociedade andorrana, com a exceção do comércio que permitiu a chegada das primeiras companhias comerciais e mercantis modernas. A Época Moderna constitui, neste sentido, um ponto chave. O parlamento andorrano consegue ajudando-se das Pareagens certos Privilégios que virão justificar mais tarde a autonomia do território. É o caso da exoneração de impostos.[106] [107] [108]

Como sucedia no resto do continente europeu, a politica do país estava dominada pela aristocracia local, chamada de “focs” ou “prohoms”, única a poder votar e participar na vida politica, mas que representava apenas o 4% da população. Efetivamente, só se sentava no Conselho da Terra quem tinha dinheiro para pagar e que descendia de famílias ricas e com pais andorranos. A sociedade andorrana adota o estilo de vida chamado de “casa pairal”, ou seja, o estamento tradicional catalão. Quer dizer, o sistema de “casa pairal” estabelece um “cabeça de casa” de sexo masculino para cada lar, chefe absoluto do património familiar e, por tanto, dono da mulher e do futuro dos seus filhos. Os herdeiros deviam, neste sentido, casar por conveniência com outra família cujo poder patrimonial pudesse vir acrescentar o familiar. Só um membro da família tinha direito a casar, passando a receber o título de “hereu” para homens ou “pubilla” para mulheres. Os outros irmãos deviam abandonar a casar após o casamento.[109] [110] [111]

Revolução francesa[editar | editar código-fonte]

A Revolução Francesa não teve consequências imediatas sobre a Andorra. O país vivia completamente afastado quando ela se desencadeou. Pode-se afirmar que encontrava-se em situação de isolamento intencionado. A sociedade era totalmente estratificada, com uma economia extremadamente rural, pouco aberta e com mentalidades ainda muito influenciadas pela Igreja Católica. Perante as ambições expansionistas da coroa castelhana e francesa, esta atitude permitia conservar as instituições (ex.: parlamento) e os privilégios comerciais (ex.: impostos) nascidos após a assinatura das Pareagens, além do sistema de "casa pairal". No entanto, com o tempo terão lugar revoltas, influenciadas pelo ideal francês, no território andorrano. Será necessário aguardar ao século XIX para ver os primeiros efeitos a aparecerem.[112] [113]

Porém, a Revolução Francesa trouxe certos elementos fundamentais que vieram desestabilizar o país, pondo-o num beco sem saída. O primeiro foi decapitação do rei francês e co-príncipe de Andorra em 1789. Este acontecimento implica que com a evolução política que vai sofrer a França, o título de co-príncipe passa de mãos reais para republicanas, tendo o presidente da República Francesa como titular. Depois virá o questionamento da soberania e economia andorranas através da renúncia e contestação da Pareagem de 1288 por parte do presidente da câmara da Arièje (sul da França) que, achando o documento feudal e reconhecendo unicamente a República como autoridade legítima, resolve não autorizar o pagamento da "quèstia".[114] [115]

A "quèstia" era um imposto feudal estabelecido pela Pareagem de 1288. Obrigava os andorranos a pagarem uma quantia determinada a cada um dos co-príncipes de maneira alternada, como mostra de vassalagem. Renunciando a receber o pagamento de tal imposto, o presidente da câmara renunciava, de facto, a Andorra, o que deixava o país em mãos do co-príncipe da Seu d'Urgell. A coroa espanhola podia, a partir desse momento, vir reclamar Andorra usando o bispo como simples administrativo porque, afinal, o co-príncipe episcopal era escolhido pela própria monarquia hispânica. Eis aqui a importância da Pareagem. A Pareagem tinha servido aos andorranos como ferramenta para conseguirem instituições próprias (ex.: parlamento), autonomia e certos privilégios comerciais (ex.: exceção de pagar impostos). Rasgando-a, perdiam privilégios e autonomia, a base da economia e sobrevivência do país. É por esta razão que os andorranos consideram a Pareagem como documento atestando a independência do país.[116] [117]

O regime de terror, assim como a situação de guerra que vivia a França, não permitiu num primeiro momento fazer qualquer tipo de movimento em favor de restabelecer a Pareagem. Mas finalmente no ano 1801 uma delegação andorrana designada pelo Conselho da Terra consegue convencer Napoleão Bonaparte através de uma carta da necessidade de manter a Pareagem em vigor. Napoleão aceita em 1806, assinando um decreto pelo qual a Pareagem fica restabelecida. O problema parecia ter sido resolvido.[118] [119]

S. XIX[editar | editar código-fonte]

Guerras Napoleónicas[editar | editar código-fonte]

Andorra no Império Napoleónico (1812-1814).

Entre 1807 e 1814 Napoleão Bonaparte traz a guerra para a Península Ibérica. Chamada Guerra Peninsular em Portugal, Guerra da Independência em Espanha, Campanha de Espanha em França e Guerra do Francês nos Países Catalães, se cada nação da o seu próprio nome ao acontecimento, é que o conflito é visto de formas diferentes por cada uma delas. Para os andorranos a guerra volta a questionar a soberania do país. Napoleão, que tinha restabelecido em 1806 o co-principado através do decreto que legalizava novamente as Pareagens, resolve anexar a Catalunha e Andorra durante a guerra. Andorra fica dentro da Catalunha, inserida por sua vez no império francês como departamento. A Europa que caiu sob a tutela napoleónica foi distribuída de várias maneiras. Havia territórios anexados e geridos diretamente por Napoleão (ex.: Catalunha), territórios geridos por membros da sua família (ex.: Espanha) e outros territórios simpatizantes. A derrota de Napoleão na batalha de Waterloo restabelece as fronteiras anteriores e Andorra torna as Pareagens de 1288. No entanto, se o Congresso de Viena reconhece o território do micro-estado de São Marino, Andorra não é mencionada.[120] [121] [122] [123] [124]

Por outra parte, será durante este período que a bandeira andorrana terá tomado a sua forma. Diferentes artigos de imprensa afirmam que a bandeira andorrana constituía-se das cores catalãs medievais (roxo e amarelo) antes de 1866. Napoleão terá acrescentado a cor azul a bandeira andorrana para simbolizar a titularidade da França sobre Andorra. No entanto, não é possível confirmar esta afirmação e o único elemento da bandeira andorrana documentado é o seu escudo. Na parte esquerda, os emblemas representam a bandeira catalã (quatro barras de cor vermelha e amarela) e o báculo do bispado de Urgell; ou seja, o co-príncipe episcopal e o seu domínio territorial. A parte direita representa o co-príncipe francês (bandeira do condado de Foix) e o seu património (emblema da família dos Bearn). Quanto as cores catalãs da bandeira, amarelo de fundo e quatro faixas vermelhas, representam ouro e sangue. As origens das cores da bandeira catalã também não são muito claras.[125] [126]

Guerras Carlistas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerras Carlistas

Nova Reforma e Revolução de 1881[editar | editar código-fonte]

Revolução Industrial[editar | editar código-fonte]

Nova Reforma[editar | editar código-fonte]

Revolução de 1881[editar | editar código-fonte]

A Renaixença[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Renaixença

S. XX[editar | editar código-fonte]

Até 1970, o direito de voto era exclusivo dos homens de Andorra, a partir da terceira geração. Atualmente, o voto é extensivo a todos os andorranos de primeira geração, com idade igual ou superior a 28 anos, cujos pais sejam estrangeiros. O número de eleitores é diminuto, em relação ao total da população, cerca de 70% da qual é composta por residentes estrangeiros que têm vindo a reivindicar os seus direitos políticos e de cidadania. A imigração, controlada através de um sistema de quotas, é essencialmente proveniente, e por esta ordem, de Espanha, de Portugal e da França. Antes de 1993, o país não possuía qualquer constituição formal, tendo, à época, todas as moções e propostas submetidas a delegados permanentes (representantes dos dois chefes de estado) para aprovação.

Em 1976 foi criada uma organização política, tecnicamente ilegal, o Partido Democrático de Andorra, que forneceu as bases de um futuro sistema democrático. Oscar Riba Reig tornou-se no primeiro primeiro-ministro do país em 1981, e em 1982 foi nomeado um Conselho Executivo chefiado pelo Primeiro-Ministro. Tal provocou a separação entre os poderes legislativo e executivo. Em Julho de 1991 foram estabelecidos laços formais com a Comunidade Europeia.

Em Maio de 1993 foi adoptada uma nova Constituição, concedendo a independência ao país em todos os aspectos menos o da segurança externa, que continuou sob a responsabilidade da França e da Espanha. As primeiras eleições directas tiveram lugar em Dezembro de 1993, tendo sido formado um Governo de coligação liderado pelo Primeiro-Ministro, Oscar Riba Reig. Em 1994, Andorra tornou-se um membro de pleno direito das Nações Unidas e do Conselho da Europa. A coligação de Reig, o Grupo Nacional Democrático, perdeu o apoio dos independentes em Dezembro de 1994 e Marc Forné Molné, da União Liberal, substituiu-o no cargo.

Durante 715 anos, desde 1278 a 1993, Andorra foi governada inicialmente por dois senhores, o bispo de Urgell, da Catalunha, e o conde de Foix, que passou a pertencer à coroa francesa, e após a revolução passou a ser representado pelo Presidente da República Francesa. O Principado de Andorra, é governado em conjunto e, atualmente, o chefe catalão, o bispo de Urgell, é escolhido pelo Vaticano e o francês, pelo chefe de estado gaulês. Embora a Constituição de Andorra tenha mantido este sistema, o governo transformou-se numa democracia parlamentar e um principado constitucional. É o único principado parlamentar do mundo. Durante muito tempo, pobre e isolado, a Andorra montanhosa começou a prosperar a partir da segunda guerra mundial, através da indústria do turismo. A expansão da economia tem atraído muitos imigrantes da zona da Catalunha, e de Portugal, França e Espanha. Um fator que atrai mais negócios e clientes é o fato da ausência de imposto de renda. O Principado de Andorra tem uma forte afinidade com o catalão: a língua oficial é o catalão, as suas instituições são baseadas na lei catalã, e um grande número de pessoas que são catalães, e o principado inteiro é parte da diocese de Urgell, divisão eclesiástica espanhola da Catalunha.


Referências

  1. http://www.elcami.cat/principat-andorra/andorra/andorra-vella/margineda
  2. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  3. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  4. http://www.elcami.cat/principat-andorra/andorra/andorra-vella/margineda
  5. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  6. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  7. http://whc.unesco.org/en/list/1160
  8. http://www.elcami.cat/principat-andorra/andorra/andorra-vella/margineda
  9. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  10. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  11. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  12. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  13. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  14. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  15. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  16. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  17. https://books.google.ad/books?id=4tjlZwEACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  18. https://books.google.ad/books?id=mc8wPwAACAAJ&redir_esc=y&hl=ca
  19. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  20. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  21. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  22. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  23. «Himne d'Andorra (hino de Andorra)». andorraantiga.com. 
  24. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  25. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  26. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  27. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  28. http://edmaps.com/html/catalonia_in_seven_maps.html
  29. http://fpgabnam.wbl.sk/mapa_-_europa_pred_rokom_1200.jpg
  30. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  31. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  32. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  33. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  34. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  35. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  36. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  37. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  38. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  39. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  40. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  41. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  42. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  43. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  44. Govern d'Andorra, Llibres per a escolars. Col·lecció Història, Geografia i Institucions d'Andorra: l'Edat Mitjana i Antiga a Andorra Editorial Andorrana [S.l.] 
  45. http://www.casadelavall.ad/pt/consell-general
  46. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  47. http://www.bnc.cat/Fons-i-col-leccions/Tresors-de-la-BC/Els-Greuges-de-Guitart-Isarn-senyor-de-Caboet
  48. http://llengua.gencat.cat/web/.content/documents/publicacions/catala_llengua_europa/arxius_2/cat_europa_catala_07.pdf
  49. http://www.cercat.com/lincaweb/htm/historia.html
  50. http://blogs.cpnl.cat/nivelldtarragona/files/2011/12/hist.-lleng.-1-els-or%C3%ADgens-de-la-llengua-catalana.pdf
  51. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  52. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  53. http://visitandorra.com/pt/summer/o-que-fazer/arte-romanica/
  54. http://www.xtec.cat/crp-baixllobregat6/homilies/C05b.htm
  55. Jordi Planellas. Història digital d'Andorra Aloma Editors [S.l.] 
  56. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  57. http://www.larousse.fr/encyclopedie/divers/guerres_de_Religion/140624
  58. http://www.elperiodic.ad/documents/revistes/especialconstitucio.pdf
  59. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  60. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  61. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  62. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  63. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  64. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  65. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0064390.xml
  66. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  67. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  68. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  69. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  70. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  71. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  72. http://www.alomaeditors.com/portfolio-posts/historia-digital-dandorra/
  73. http://www.casadelavall.ad/?set_language=pt
  74. http://www.editorialandorra.com/component/virtuemart/guies/el-romanic-a-andorra-detail?Itemid=0
  75. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  76. Xavier, Hernàndez F. Història de Catalunya Dalmau [S.l.] 
  77. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  78. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  79. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  80. http://www.portoeditora.pt/produtos/ficha/historia-de-portugal-1-e-2-ciclos?id=184348
  81. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  82. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  83. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  84. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0046497.xml
  85. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  86. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  87. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  88. http://www.conselldemallorca.net/?&id_parent=316&id_class=1851&id_section=1852&id_son=1281&id_grandson=1285
  89. http://www.xtec.cat/~aribas4/llengua/historia/historia.htm
  90. http://www.enciclopedia.cat/EC-GEC-0046497.xml
  91. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  92. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  93. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  94. Rossell, Antoni Fiter (1748). Manual Digest [S.l.: s.n.] Consultado em (01-03-2016). 
  95. http://www.ccma.cat/tv3/alacarta/telenoticies-vespre/cronica-dandorra-la-intervencio-de-bpa/video/5481816/
  96. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  97. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  98. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  99. http://www.llibertat.cat/2008/08/l-excap-del-govern-marc-forne-desvincula-andorra-del-concepte-de-paisos-catalans-4651/Imprimir
  100. Rossell, Antoni Fiter (1748). Manual Digest [S.l.: s.n.] Consultado em (01-03-2016). 
  101. http://www.racocatala.cat/forums/fil/165436/interessant-article-diari-dandorra-posicionament-dandorra-davant-proces-dindependencia-cat
  102. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  103. http://www.cossetania.com/la-cruilla-andorrana-de-1933-la-revolucio-de-la-modernitat-939
  104. http://www.theguardian.com/travel/2016/apr/23/boys-girls-books-roses-st-georges-day-catalonia-world-book-day
  105. http://www.diariandorra.ad/index.php?option=com_k2&view=item&id=48703&Itemid=435
  106. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  107. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  108. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  109. Guillamet Anton, Jordi. Nova aproximació a la història d'Andorra Revista Altaïr [S.l.] 
  110. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  111. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  112. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  113. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  114. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  115. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  116. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  117. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  118. Armengol Aleix, Ester. Andorra: un profund i llarg viatge Govern d'Andorra [S.l.] 
  119. Marta, Llop Rovira (1998). L'Edat Moderna a Andorra (S. XVII al XVIII) Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  120. http://www.larousse.fr/encyclopedie/pays/Saint-Marin/142522
  121. Cullell, Vicente Moreno. . "La guerra del francès: la Catalunya napoleònica". Sàpiens.
  122. Peruga, Guerrero (1998). La crisi de la societat tradicional S. XIX Editorial Andorrana, Govern d'Andorra [S.l.] 
  123. http://blogs.sapiens.cat/socialsenxarxa/categoria/historia/6-historia-contemporania/6-1-historia-del-mon-contemporani/03-leuropa-napoleonica/
  124. http://media.diercke.net/omeda/800/100770_091_3.jpg
  125. http://www.andorraantiga.com/historia-de-la-bandera-i-l-escut-d-andorra.html
  126. http://www.xtec.cat/~aquixal/L_autentic_origen.htm

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Bandeira de Andorra Andorra
Bandeira • Brasão • Hino • Cultura • Demografia • Economia • Forças Armadas • Geografia • História • Portal • Política • Subdivisões • Imagens