História de Cuba

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Mapa das Índias Ocidentais, México (Nova Espanha) com Cuba no centro, de Herman Moll, 1736.
Indígenas de Cuba. Gravura de 1558.

A pré-história de Cuba, a maior das ilhas do Caribe, refere-se ao período compreendido entre c. 8000 a.C. - datação aproximada da presença dos primeiros povos indígenas na ilha [1] - e a chegada de Cristóvão Colombo à América, em 1492.

A história escrita da ilha começa com a penetração da Espanha e a criação da Capitania Geral de Cuba, cujo governo é instalado em Havana. Em 1762, a cidade foi ocupada brevemente pelo Reino da Grã-Bretanha, porém retornou à posse da espanhola depois de uma troca pelo território da Flórida, que atualmente pertence aos Estados Unidos. Uma série de rebeliões durante o século XIX não logrou pôr fim ao domínio espanhol. mas, paralelamente, as tensões entre a Espanha e os Estados Unidos acabariam por engendrar a Guerra Hispano-Americana, em 1898. Após o fim do conflito, naquele mesmo ano, Espanha e Estados Unidos firmam o Tratado de Paris, que estabelecia a cessão das colônias espanholas de Guam, Filipinas, Porto Rico e Cuba aos Estados Unidos. Assim, a ilha deixava de ser colônia da Espanha para se tornar território ocupado pelos EUA. Ainda em 1898, instala-se um governo militar americano em Cuba, sob a chefia do general John L. Brooke. [2] Em 20 de maio de 1902 termina a ocupação americana, estabelecendo-se uma república e passando-se o poder a um recém-eleito governo cubano. Cuba conquistava assim, formalmente, a sua independência.

Mas, durante as primeiras décadas do século XX, os interesses norte-americanos ainda predominavam em Cuba, e os Estados Unidos continuavam a exercer grande influência política e econômica sobre a ilha. Isto terminou em 1959, quando o ditador Fulgencio Batista foi deposto pelos revolucionários liderados por Fidel Castro. Foi então promulgada uma nova constituição, a chamada Lei Fundamental, em 7 de fevereiro de 1959, na qual ainda não estava expressa a opção pelo socialismo.[3] A rápida deterioração das relações com os Estados Unidos levou à aliança da ilha com a União Soviética, e à transformação de Cuba numa república socialista. No entanto, formalmente, a definição de Cuba como "um Estado socialista de trabalhadores" só aparecerá na Constituição de 1976.[4]

Fidel Castro ocupou o poder desde 1959, inicialmente como primeiro-ministro e, depois de 1976, como presidente, cargo que exerceu até 2006, quando delegou seus poderes ao seu irmão mais novo, Raúl. Finalmente, em 19 de abril de 2011, Castro retirou-se oficialmente da vida política do seu país.[5][6] Fidel morreu em 25/11/2016.

Cuba era povoada por indígenas, os quais chamavam a ilha de Bohío, quando foi visitada por Cristóvão Colombo na sua primeira viagem, em 24 de outubro de 1492. Colombo pensava que aquela terra era parte do continente asiático e pertencente aos domínios do Grande Khan (o rei da Ásia, descendente de Genghis Khan). Colombo deu àquele território o nome de La Juana, em homenagem à filha dos Reis Católicos. Apenas em 1509, Sebastião de Ocampo provou que Cuba era uma ilha, quando começou a sua colonização.

A cidade de Havana foi fundada por Diego Velázquez de Cuéllar, primeiro governador da colônia, em 1514.

Durante quatro séculos, Cuba foi uma colônia explorada pela Espanha. Após o esgotamento dos metais preciosos ainda em meados do século XVI a produção açucareira tornou-se a base de sua economia, a partir do século XVIII, nos moldes de uma monocultura extensiva, baseada na mão-de-obra do escravo africano. No século XIX, os Estados Unidos já eram o maior comprador do açúcar cubano.

Migrações pré-hispânicas em direção a Cuba[editar | editar código-fonte]

Segundo indicam os registros arqueológicos, Cuba teria sido povoada mediante diversas migrações procedentes tanto da América do Norte como da América do Sul, distinguindo-se os seguintes movimentos populacionais:

  • Primeira migração: 6.000 a. C. Desde o Golfo do México e América do Norte. Caçadores paleolíticos provenientes do Mississipi, da Flórida e das Bahamas, teriam migrado em busca de preguiças-gigantes (Megalocnus rodens), do peixe-boi, do almiqui, da jutia e outros animais.
  • Segunda migração: 2.500 a. C. proveniente da América Central e América do Sul, especialmente das áreas correspondentes aos atuais territórios do México, de Honduras e da Venezuela. Esses povos se estabeleceram na costa sul de Cuba (Ciénaga de Zapata, Isla de Pinos e Guanahacabibes) como pescadores de plataforma e coletores de litoral. Usavam facas, percutores, almofarizes e outros artefatos. Possivelmente tinham uma organização matrilinear e enterravam seus mortos.
  • Terceira migração: 500 a. C. desde a Flórida e do vale do Missisippi. Esses povos se assentaram em Matanzas e se espalharam pela costa norte.
  • Quarta migração: século VI d. C.. Primeira migração de taínos desde as Antilhas. Esses povos estabeleceram-se principalmente na zona oriental de Cuba, nas imediações da atual Banes. Introduziram o milho, a mandioca, o tabaco e muitos utensílios de cerâmica. Praticavam rituais e tinham uma organização social.
  • Quinta migração: primeira metade do século XV d. C. Esses povos utilizaram a mesma rota migratória usada por seus antecessores e se assentaram em Mayarí. Segundo o Padre de las Casas, eram caribes, procedentes da costa da Venezuela, e eram mais adiantados. Cultivavam milho e mandioca, produziam artefatos de cerâmica. Foram precedidos pelos ciboneis (aruaques) e pelos supostamente mais antigos povoadores da ilha - os guanajatabeis.

Primeiros movimentos de emancipação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra de Independência Cubana

O primeiro movimento de independência de Cuba, a chamada Grande Guerra registrou-se entre 1868 e 1878, conduzido pelo criollo Carlos Manuel Céspedes, um latifundiário educado na Europa que defendia os princípios liberais do Iluminismo.

Em 10 de outubro de 1868, a partir de seu engenho de açúcar, à frente de duzentos homens, Céspedes levantou-se contra o governo espanhol, proclamando a independência de Cuba. Entre as primeiras providências de seu governo, proclamou a liberdade de todos os escravos que se unissem ao exército revolucionário. Essa medida teve como resultado imediato o aumento do seu efetivo para doze mil homens e a oposição dos demais latifundiários, que se viram privados da mão-de-obra escrava. Enquanto isso, a Espanha ampliou o seu contingente militar na ilha, e Céspedes acabou deposto em 1873. A resistência, entretanto, prolongou-se até 1878, quando as tropas espanholas retomaram o controle da ilha.

Nesse meio tempo, surgiu um novo líder revolucionário: José Martí. Detido aos 16 anos de idade por ter fundado um jornal revolucionário (La Patria Libre), foi condenado a trabalhos forçados e posteriormente deportado para a Espanha. Uma vez libertado, viveu no México, na Venezuela e nos Estados Unidos, onde passou a articular uma nova revolução para a independência de Cuba. Em 1892 fundou o Partido Revolucionário Cubano, visando angariar recursos para o seu projeto. Em 1895, desembarcou em Cuba e deu início a uma nova guerra de independência, na qual pereceu um mês após iniciado o conflito. Entretanto, mesmo após a sua morte, os combates prosseguiram até 1898, quando, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a luta pela independência foi abortada, e Cuba passou a ser colônia dos Estados Unidos.

A explosão do USS Maine: a guerra hispano-americana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra hispano-americana

Em 1898, o USS Maine, um navio de guerra norte-americano ancorado em Havana, repentinamente explodiu. Sem que se soubesse de imediato qual foi a causa, a imprensa e o governo dos Estados Unidos culparam a Espanha.

Sob o pretexto da explosão do navio, os Estados Unidos declaram guerra à Espanha. O presidente William McKinley assinou a Resolução Conjunta em 20 de abril de 1898, que declarava:

… que o povo de Cuba é e por direito deve ser livre e independente, … que os Estados Unidos por intermédio da presente declaram não ter vontade nem intenção de exercer soberania, jurisdição ou domínio sobre esta Ilha, exceto para sua pacificação, e assevera sua determinação, quando a mesma seja atingida, de entregar o governo e o domínio da Ilha a seu povo.

A Resolução Conjunta autorizou o presidente a usar a força para eliminar o governo espanhol em Cuba. Assim, os Estados Unidos declararam guerra contra a Espanha, passando a atacar territórios espanhóis quer no Caribe quer no Pacífico, invadindo-os.

Fim do domínio espanhol[editar | editar código-fonte]

Derrotados, os espanhóis retiraram-se, e Cuba assinou com os Estados Unidos o Tratado de Paris (1898), que pôs fim à dominação espanhola na ilha, a qual se tornou um protetorado americano. Foi então nomeado, pelos Estados Unidos, um Governador-Geral - general norte-americano John Brooke, cujo governo começou a implementar medidas econômicas que beneficiavam apenas os Estados Unidos. Determinou-se, por exemplo, que todos os produtos cubanos seriam exportados, a preços baixíssimos, apenas para os Estados Unidos, que os revendiam por preços bem mais elevados.

Ocupação estado-unidense e a Emenda Platt[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Emenda Platt

Cuba permaneceu ocupada pelos Estados Unidos até 1902, sendo liberada depois da aprovação de uma emenda à Constituição cubana que dava o direito aos Estados Unidos de invadir Cuba a qualquer momento em que os interesses econômicos dos Estados Unidos fossem ameaçados. A chamada Emenda Platt permaneceu, mantendo Cuba como um protetorado estado-unidense, até 1933.

Ao fim da Guerra Hispano-Americana, os insurgentes cubanos não foram convidados à mesa de negociação da paz com a Espanha. Assim, tiveram que aceitar imposições - como a ocupação militar de 1891, que se estenderia até 1903. Embora essa ocupação atendesse aos interesses estadunidenses, houve um legado positivo a ser recordado:

1) Eliminou a fome

2) Melhorou as condições sanitárias, reduzindo a incidência de doenças. A atuação do dr Carlos Finlay foi decisiva na erradicação da febre amarela.

3) Estabeleceu um sistema público de educação

4) Reformou a universidade

5) Estabeleceu um sistema eleitoral nacional e local

6) Convocou uma assembleia nacional, com base no sufrágio universal masculino (uma inovação, à época)

Golpe militar[editar | editar código-fonte]

Em 1924, em meio à crise econômica e a protestos estudantis, o liberal Gerardo Machado foi eleito presidente. Machado lançou um programa de diversificação da economia, que, no entanto, fracassou. Os protestos contra seu governo recrudesceram e foram reprimidos com rigor. À medida que seu governo se fechava, grupos estudantis enveredavam pelo terrorismo. Esse foi o contexto da formação do Diretório Estudantil.

Machado caiu e seu sucessor, Carlos Manuel de Céspedes y Quesada (filho de Carlos Manuel de Céspedes) não conseguiu se estabilizar. Uma revolta de suboficiais entrega o poder ao Diretório Estudantil, em 1933. O golpe militar foi liderado pelo sargento estenógrafo Fulgêncio Batista. Pela primeira vez na história cubana, um afrodescendente chegava ao poder.

O governo dos estudantes, cuja chefia de Estado coube ao médico Ramón Grau San Martín, expropriou engenhos estadunidenses, redistribuiu terras, limitou a jornada de trabalho e restringiu a imigração caribenha. Seus opositores eram vários (o governo dos Estados Unidos, os capitalistas cubanos, os comunistas, os oficiais das Forças Armadas), por razões distintas: .

Após quatro meses de governo do Dr. Grau, o sargento Fulgêncio Batista tomava o poder. Seu governo duraria de 1933 a 1944.

Eleição de 1940[editar | editar código-fonte]

Batista, que já ocupava a Presidência desde 1933, foi eleito democraticamente em 1940 por meio de sufrágio universal. Em 1944, perderia as eleições para Ramón Grau. Mas, após acusações de corrupção, que comprometeram a credibilidade do governo, Batista retornou ao poder em 1952, por meio de um golpe apoiado por diversos partidos políticos, inclusive o Partido Socialista Popular (Partido Comunista Cubano).

Após o golpe de Batista, Cuba progrediu economicamente, porém sua economia ainda era fraca e havia um forte desequilíbrio na distribuição de renda. A ilha, mesmo sendo a maior economia do Caribe, em 1958 era apenas a oitava economia (considerando o PIB) entre os 20 maiores países latino-americanos[7] e um dos mais pobres do Caribe, considerando o PIB per capita. Além disso, havia também um grande desequilíbrio entre a área rural e urbana.

A área urbana possuía forte infraestrutura, e o capital proveniente do submundo ítalo-americano financiava grande parte da economia. Em 1958, havia um total de 500 prostitutas em Havana, sendo a prostituição a atividade mais rentável da ilha[carece de fontes?][carece de fontes?].

A prostituição, a corrupção e negociatas caracterizaram a Era Batista, e, pouco a pouco, a classe média afastou-se do regime.

Revolução Cubana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Revolução cubana

Movimento estudantil[editar | editar código-fonte]

Na esteira dos protestos alimentados pelo descontentamento das classes média e baixa da população em relação ao governo Batista, os jovens começaram a se mobilizar, movidos por ideias revolucionárias. Os estudantes, liderados por José Antonio Etcheverria, criaram um Diretório Estudantil Revolucionário que patrocinou um grupo armado e atacou, em março de 1953, o palácio presidencial. Etcheverria foi morto e o diretório disperso.

Fidel Castro[editar | editar código-fonte]

Outro grupo de estudantes iniciou nova movimentação, liderado por um estudante de Direito chamado Fidel Alejandro Castro Ruz.

Numa ação de guerrilha urbana, o grupo atacou o quartel de La Moncada. Na ação, alguns dos atacantes foram mortos. Fidel Castro foi capturado, julgado e condenado a 15 anos de prisão. Libertado pouco depois, por interferência de alguns religiosos, viajou para o México. Lá conheceu um jovem médico argentino, aspirante a revolucionário - Ernesto Guevara Lynch de la Serna, conhecido como "El Che".

El Che[editar | editar código-fonte]

Che Guevara ajudou Fidel na formação de um movimento revolucionário chamado Movimento 26 de Julho, composto de jovens estudantes que iniciaram uma luta contra Batista que durou 25 meses. Em 7 de novembro de 1958, el Che começou sua marcha para Havana. No dia 1º de janeiro de 1959, Batista põe-se em fuga, acompanhado por todos os dignitários de sua ditadura.

Em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução Cubana contra o ditador Fulgencio Batista. Castro não era comunista. Aliás, os comunistas apoiavam Batista, e não confiavam em Fidel.

Fidel Castro mobiliza a juventude cubana e consegue eliminar o analfabetismo - que era de 40% - em apenas um ano, empregando cem mil jovens nessa empreitada. Também realizou uma reforma agrária, desapropriando propriedades dos americanos, que foram indenizados pelo valor informado na declaração do imposto de renda do exercício anterior (muito abaixo do valor real). Isso provocou grande descontentamento entre os proprietários americanos e levou o governo dos Estados Unidos a considerar o líder cubano como um inimigo a ser eliminado. Assim, tratou de desestabilizar economicamente o novo governo cubano, impondo, em 1960, o embargo econômico, comercial e financeiro a Cuba e, paralelamente, treinando ex-militares de Batista, para invadir a ilha. Isso obrigou Fidel a se aproximar da União Soviética e, dois anos, mais tarde instaurar um regime de orientação marxista e partido único.

Invasão da Baía dos Porcos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasão da Baía dos Porcos

Entre 17 e 21 de abril de 1961, cerca de 1.500 exilados cubanos - na sua maioria, ex-militares recrutados, patrocinados e treinados pela CIA dos Estados Unidos - tentaram uma invasão frustrada na Baía dos Porcos. Foram rechaçados: 300 deles morreram e 1.200 foram aprisionados. Julgados pela multidão no estádio em que foram mantidos presos, quando Fidel perguntou o que fazer com eles a multidão gritou: "Paredão!" Fidel Castro, entretanto, preferiu tentar trocá-los por tratores, (à razão de um trator para cada 50 prisioneiros) e devolvê-los a Miami. Não conseguiu os tratores, mas recebeu cerca de USD $50 milhões em alimentos e medicamentos, pela libertação dos exilados.

Crise dos mísseis de Cuba[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Crise dos mísseis de Cuba

Devido à aproximação das relações do regime cubano com a URSS, que estava em plena Guerra Fria com os Estados Unidos, assistiu-se a um aumento de tensão entre os dois países, sobretudo pelo apoio militar soviético a Cuba. Em 1962, após a tentativa de invasão da baía dos Porcos, Khrushchov decidiu instalar secretamente um conjunto de mísseis soviéticos na ilha. Diante da possibilidade de Cuba possuir mísseis apontados para os Estados Unidos, o presidente americano, John Kennedy, considerou invadir a ilha ou bombardear as rampas de lançamento dos mísseis. Afinal, optou por decretar o bloqueio naval a Cuba, o que impedia os cargueiros russos de chegar à ilha. Na mesma época, Cuba foi expulsa da OEA.

Khrushchev acabou por retirar os mísseis do território cubano, em troca do compromisso dos Estados Unidos de respeitarem a soberania de Cuba e não voltarem a tentar invadir a ilha, além de desmontarem bases de mísseis na Turquia, fato que só foi divulgado recentemente nos Estados Unidos.[carece de fontes?]

Embargo econômico[editar | editar código-fonte]

Depois do fracasso da operação na Baía dos Porcos (1961), os Estados Unidos agravaram o bloqueio a Cuba, alegando desrespeito contínuo de direitos humanos pelo regime castrista, e ameaçando sanções a qualquer país que mantivesse relações econômicas com a ilha. Em resposta, a União Soviética passou a absorver todas as exportações cubanas, de modo que, a partir daí, a economia cubana passou a depender quase que inteiramente do apoio soviético. Para os americanos, a inserção de Cuba - situada a 120 km da Flórida - na órbita de influência soviética, em plena guerra fria, continuava a ser um grande problema.

Com o fim da União Soviética, a economia cubana entra em colapso. Cuba precisava reabrir-se economicamente para o mundo, porém, dada a força do bloqueio econômico estado-unidense, o país continuou isolado, enquanto sua população enfrentava graves problemas de desabastecimento, inclusive de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.

Fim da exclusão da OEA[editar | editar código-fonte]

Em 3 de junho de 2009, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou por consenso a anulação da resolução de 1962, que expulsava a ilha da organização.[8][9] Na época, a expulsão ocorreu sob pressão dos Estados Unidos, no contexto da Guerra Fria, quando a ilha se aproximava do bloco socialista soviético. Contudo todos os governos do continente restabeleceram contato com a ilha, com exceção dos Estados Unidos.

Um grupo de trabalho instituído para debater o assunto apresentou a proposta à chanceler hondurenha, Patrícia Rodas, que presidia a Assembleia Geral. A proposta então foi aceita por aclamação. A decisão histórica permite que Cuba seja reincorporada caso manifeste vontade, embora o governo cubano já tenha declarado em várias ocasiões não ter interesse em retornar.[9] No mesmo dia 3 de junho, o ex-presidente Fidel Castro, em artigo publicado no Granma, acusava a OEA de ter aberto as portas "ao cavalo de Tróia [os Estados Unidos] que apoiou as reuniões de cúpula das Américas, o neoliberalismo, o narcotráfico, as bases militares e as crises econômicas."[10] Nos últimos anos, governos de esquerda do sub-continente também têm defendido a formação de um grupo regional alternativo à OEA, sem a presença dos Estados Unidos.[9]

Horas antes da resolução da assembleia da OEA, sete deputados americanos, a maioria deles republicanos partidários, haviam apresentado um projeto de lei que suspende o apoio financeiro dos Estados Unidos à organização, caso Cuba seja readmitida como país-membro do grupo.[11]

Referências

  1. Presencia humana en Cuba data de hace 8,000 a 10,000 años, según arqueólogos. El Nuevo Herald, 10 de agosto de 2013
  2. Mario Riera Hernández, Cuba Política: "Primera Intervención Americana", p. 8. Impreso: Impresora Modela S.A
  3. «Ley Fundamental de 1959» (PDF). Bibliojuridica.org 
  4. «Constituição da República de Cuba» (em espanhol). Pdba.georgetown.edu 
  5. «Raúl Castro é confirmado novo chefe do Partido Comunista de Cuba com Machado Ventura como vice». O Globo. Consultado em 19 de abril de 2011 
  6. «Raul Castro to lead Cuba's Communist Party» (em inglês). CNN. Consultado em 19 de abril de 2011 
  7. «Dados históricos de PIB». The Conference Board and Groningen Growth and Development Centre, Total Economy Database. Ggdc.net. Janeiro de 2007. Consultado em 12 de outubro de 2007 
  8. Estadão (3 de junho de 2009). «Texto integral da resolução da OEA que revoga suspensão a Cuba». Estadão.com.br 
  9. a b c «OEA readmite Cuba no grupo, após 47 anos de expulsão». UOL. 3 de junho de 2009. Consultado em 3 de junho de 2009 
  10. Granma (3 de junho de 2009). «El caballo de Troya» (em espanhol) 
  11. «Republicanos apresentam projeto para suspender apoio à OEA». Estadão.com.br. 3 de junho de 2009 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gott, Richard. Cuba (a New History). London, Yale University Press, 2004

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bandeira de Cuba Cuba
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