História do Chade

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As pinturas rupestres encontradas indicam que a região era habitada por populações de caçadores e coletores no Neolítico e na Idade do Ferro. Os primeiros vestígios de vida humana encontrados no Chade, do neolítico, pertencem a cavernícolas negroides que habitavam as regiões de Borcu, Enedi e Tibesti. O progressivo ressecamento do mar interior chadiano, porém, provocou o despovoamento dessa área a partir de 7 000 a.C.

A posição do lago Chade na convergência de estradas vindas de Trípoli, de Cartum e do Sudão ocidental, contribuiu para as migrações de outros povos desde o início da era cristã. No século VIII, surgiu, no oeste do atual Chade, o Império de Canem, rapidamente islamizado, que submeteu os demais reinos, especialmente o de Baguirmi, escravagista, que surgiu no século XVI. Após um primeiro apogeu no século XII, seus soberanos foram vencidos pelos saôs e bulalas, e se refugiaram no Bornu. O reino renasceu no século XVI, tendo Bornu como centro.

A partir do século XI, os árabes estabeleceram-se na região e começaram a islamizar os Estados do Canem e Bornu, mas estenderam sua influência a todas as regiões em volta do lago Chade no século XVI, além de contribuírem para a intensificação do tráfico de escravos durante vários séculos.

Comissário Émile Gentil (1866–1914)

Entre o séculos XVIII e XIX, grande parte do Chade estava sob controle dos conquistadores negros árabes Rabeh e Zubayr. No século XIX, o lago Chade tornou-se ponto de convergência dos exploradores europeus, entre os quais se destacou Eduard Vogel, que iniciaram a colonização com apoio dos sultões locais, que sofriam constantes ameaças dos negreiros árabes, em especial o conquistador sudanês Rabá. Expedições francesas avançaram na região, tendo o pretexto do combate ao tráfico negreiro facilitado a submissão da região à França.

Após o incidente de Fashoda (1898), um acordo franco-britânico, em 22 de abril de 1900, incorporou o Chade na zona de colonização francesa, apesar de o controle total só ter sido obtido em 1912. Em 1922, o Chade passou a fazer parte da África Equatorial Francesa, sob a administração do comissário Émile Gentil, iniciando-se a exploração de seus depósitos minerais. Os franceses introduziram a influência ocidental nas estruturas tribais tradicionais, de início pela via militar e depois pela econômica e comercial.

O presidente Tombalbaye na parada de celebração do aniversário de 10 anos da independência

Em 1940, com o governador Félix Éboué, foi a primeira colônia a aderir à França Livre. Em 1958, tornou-se em República autônoma dentro da Comunidade Francesa e uma república completamente independente em 1960, tendo como Presidente da República o líder do Partido Progressista Chadiano, François Tombalbaye, também conhecido como N'Garta Tombalbaye. Desde então o país luta para manter a unidade entre os povos muçulmanos de língua arábica do norte, e os bantos, mais desenvolvidos economicamente, do sul e do oeste.

O Estado independente[editar | editar código-fonte]

Em 1962, foi adotada uma Constituição pela qual se proibia a atividade política de oposição ao governo. Nesse mesmo ano, o país associou-se à Comunidade Econômica Europeia. O presidente Tombalbaye confrontou-se com dois movimentos clandestinos de oposição, o de Abba Siddick, conhecido como Frolinac (Frente de Libertação Nacional), e o de Hissène Habré. Em 1968, houve a secessão do Norte, islamizado, sob a liderança da Frolinac. Em 1969, a França ofereceu ajuda ao governo chadiano contra a rebelião sustentada pela Líbia. Tombalbaye foi deposto por um golpe de Estado e assassinado em 1975.

Mapa do Chade com a Faixa de Aouzou (em azul), ocupada pela Líbia
Desenho do presidente Hissène Habré

Félix Malloum, o novo Presidente, também teve que enfrentar movimentos de oposição, assim como as pretensões territoriais da Líbia, que ocupou uma faixa do território chadiano em 1977. Malloum foi obrigado a retirar-se em 1979. Assumiu então o cargo de primeiro-ministro Hissène Habré, que obrigara Malloum a exilar-se.

Eclodiu uma guerra civil, que afetou o país inteiro, especialmente a capital, N'Djamena, tendo durado até 1987, quando a França e os EUA intervieram. Em 1980, Goukounin Oueddei, ajudado pela Líbia, tornou-se Presidente depois de romper com Hissène Habré, com quem formara um "governo de unidade nacional". Em 1981, o Chade assinou com a Líbia um acordo de fusão. Houve uma aproximação gradual da França com G. Oueddei. Entre 1982 e 1995, o Chade viveu uma época de terror. A luta pelo poder centrada em entre Ouedei e Habré, este à frente das Forças Armadas do Norte (FAN), esteve na origem de sucessivos massacres, fazendo milhares de mortos e de refugiados.

Em 1982, as forças de H. Habré ocuparam N'Djamena, evacuada pela Líbia. H. Habré tornou-se Presidente da República. Em 1983, a França voltou a prestar ajuda a H. Habré, enquanto a Líbia ocupou os palmeirais do norte do país. Em 1984, as forças francesas retiraram-se em virtude de um acordo franco-líbio, não respeitado pela Líbia. Em 1986, a França instalou um dispositivo de proteção militar do Chade. Parte da oposição chadiana aderiu ao presidente. Em 1987, as tropas de H. Habré obtiveram importantes vitórias sobre os líbios (reconquista de Faya-Largeau). Em 1988, o Chade e a Líbia restabeleceram relações diplomáticas, mas a paz interna permaneceu frágil.

Em 1990, H. Habré foi deposto por um golpe de Estado e Idriss Deby, seu antigo comandante militar, foi instalado no poder, com apoio pela Líbia. Decidiu-se estabelecer o processo democrático, mas a Assembleia Constituinte de maio de 1992 foi adiada e houve tensões na capital, N'Djamena, sem soluções para os problemas econômicos e sociais. Uma Carta Constitucional promulgada em 1992 criou um Conselho Ministerial e um Conselho Consultivo da República, assim como aboliu o Conselho de Estado, criado após o golpe. Em outubro de 1993, uma tentativa de golpe de Estado foi sufocada e seu líder foi morto.

Ante o acirramento dos conflitos políticos, uma conferência nacional foi instalada em 1993 para dar continuidade ao processo de democratização do país. Em 1994, a Líbia devolveu ao Chade a faixa ocupada desde 1973. Em 1995, a ação dos sindicatos e das associações de defesa dos direitos do Homem conseguiu devolver a paz ao país. Em 1996, I. Déby venceu a eleição presidencial (reeleito em 2001). Atualmente o país vive um regime político transitório em que o primeiro-ministro governa com uma assembleia legislativa. O poder central continua em confronto com importantes movimentos rebeldes.

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