História do Maranhão

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Bandeira oficial do Estado do Maranhão.

A História do Maranhão, uma unidade federativa costeira localizada no nordeste do Brasil, começa com o descobrimento das terras da nação, em 1500.

Período pré-cabralino[editar | editar código-fonte]

Na época do Descobrimento do Brasil, o atual Estado do Maranhão era povoado por diferentes tribos indígenas. Os primeiros habitantes do Maranhão faziam parte de dois grupos indígenas: os tupis e os jês. Os tupis habitavam o litoral. Já os jês habitavam o interior. Os dois povos indígenas que pertencem ao grupo tupi são os guajajaras e os urubus. Os guajajaras e os urubus apenas foram pacificados em pleno século XX. Os dois povos indígenas do grupo jê são os timbiras e os sacamecras. Diversas tribos do Piauí entraram no Maranhão. Isso ocorreu no século XVIII. Naquela época, esses povos indígenas piauienses escaparam para evitar que os brancos os caçassem.

Expedições europeias[editar | editar código-fonte]

Não existem notícias feitas com exatidão a respeito das primeiras expedições que começaram a explorar a costa maranhense. Reza a crença que, em 1500, o espanhol Vicente Yáñez Pinzón já navegou por toda a costa norte do Brasil. A viagem feita por Pinzón na costa norte do Brasil tem origem em Pernambuco e destino na foz do rio Amazonas. No meio da viagem, o navegador espanhol já atravessou o litoral do Maranhão. O mapa Terra Brasilis foi feito em 1519, de autoria do cartógrafo português Lopo Homem. Nesse mapa de domínio público, aparecem escritos alguns nomes de acidentes geográficos da costa maranhense. A partir de 1524, os franceses começaram a frequentar o litoral do Maranhão. A explicação para o motivo dessa frequência é que o litoral do Maranhão foi esquecido pelos portugueses. Naquele lugar, os franceses trocavam com os indígenas produtos da região por objetos que trouxeram da Europa.

Em 1531, Martim Afonso de Sousa chegou ao Brasil. Esse homem foi o comandante da primeira expedição que começou a colonizar a região. O militar e nobre português exigiu que Diogo Leite fosse responsável pela exploração do litoral norte. Diogo Leite aproximou-se da foz do rio Gurupi. Atualmente, o rio Gurupi serve de divisa entre os Estados do Maranhão e do Pará. A divisa entre os dois atuais estados brasileiros ficou por muito tempo conhecida como "abra de Diogo Leite”.

Início da colonização portuguesa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Brasil Colônia

Em 1534, quando Dom João III dividiu a Colônia Portuguesa no Brasil em Capitanias Hereditárias, os portugueses ainda não chegaram a colonizar o Maranhão. Um ano depois, o monarca português concedeu a terra a três fidalgos que eram homens de sua confiança. Foram eles: João de Barros, Fernando Álvares de Andrade e Aires da Cunha. Ambos os primeiros idealizaram seu plano para a tomada de posse da capitania. Os dois donatários encarregaram sua execução a Aires da Cunha. Aires da Cunha veio ao Brasil, no mesmo ano da doação. Durante a viagem, dez veleiros, 900 homens de armas e 130 a cavalo estavam a caminho. Mas a frota afundou nas costas maranhenses devido a violento temporal e o capitão faleceu, assim como a maior parte dos integrantes. Os sobreviventes fundaram um núcleo de povoamento denominado Nazaré e passaram a explorar o terreno através dos acidentes geográficos fluviais. Entretanto, os indígenas não lhes favoreceram essa ocupação. Do núcleo de povoamento, não restou nada. Quando essa povoação foi destruída, os portugueses abandonaram-na.

Em 1539, foi a vez de outro fidalgo lusitano denominado Luís de Melo da Silva. Esse homem também teve seu navio afundado no litoral maranhense. Entretanto, retornou para Portugal em 1554. João de Barros, em 1555, mandou seus descendentes João e Jerônimo para a donataria. Naquela época, os franceses já tinham entrado ali. De acordo com narrativa de Jerônimo dirigida ao monarca português, estiveram na capitania 17 naus de franceses. Os franceses edificaram, com materiais de construção da época, casas de pedra e faziam comércio com os indígenas.[carece de fontes?]

França Equinocial[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: França Equinocial
Ilustração da obra de Claude d'Abbeville, "Histoire de la mission..." (Paris, 1614): levantamento da cruz na colônia francesa.

As naus vindas da França continuaram a navegar no século XVI. Da tripulação dos três navios que se direcionavam ao Maranhão a maioria das pessoas permaneceu no terreno, após o fracasso da expedição. O comandante dos três navios foi o capitão Jacques Riffault. Um dos tripulantes, Charles Des Vaux, estudou o idioma indígena e prometeu que trouxesse-lhes demais franceses para governá-los e defendê-los. De retorno à França, Des Vaux adquiriu do rei Henrique IV que Daniel de la Touche, senhor de La Ravardière, fosse junto com o tripulante ao Maranhão, para comprovar as maravilhas que lhe narrara. Foi prometida a conquista do novo território para a coroa francesa.

Depois do falecimento de Henrique IV, La Ravardière retornou à França. Naquele país europeu lutou num período de 15 anos pelo projeto de fundação da denominada França Equinocial. François de Razilly, senhor de Aumelles e Razilly, e Nicolas de Harlay, senhor de Sancy, barão de Molle e de Grosbois, estiveram interessados pelo empreendimento. A rainha regente da França e Navarra, Maria de Médici, permitiu que participassem os religiosos da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos na expedição.

A esquadra francesa era constituída de três navios. Os comandantes dessa esquadra foram La Ravardiére e Razilly. Ambos foram solidários com Nicolas de Harlay. A esquadra deixou o porto de Cancale, na atual região francesa da Bretanha e chegou em 26 de julho de 1612 numa enseada maranhense. Deram o nome de Sant'Ana à ilha de menor porte onde chegaram a encostar o navio. A pequena ilha recebeu esse nome em honra à santa do dia. Ali levantaram a primeira cruz latina feita de madeira em solo maranhense. Os tripulantes da embarcação ficaram nessa ilha. Enquanto isso, Charles Des Vaux começou a conversar com os indígenas na ilha de Upaon-Açu. O segundo nome da ilha foi ilha do Maranhão e posteriormente ilha de São Luís. Ali, em 12 de agosto, foi celebrada a primeira missa solene. Foi escolhido o lugar da primeira fortificação. Com a cooperação dos indígenas, edificaram a primeira capela. Em 8 de setembro foi levantada a cruz na ilha de Sant'Ana. Abençoou-se o terreno e a fortificação recebeu o nome de Forte de São Luís. A origem do nome da cidade é uma homenagem ao rei santo da França Luís IX. Esse foi o início da cidade de São Luís.

Dois dos religiosos da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos participaram da viagem na frota da Marinha da França. Ambos os religiosos foram os primeiros a narrar em um livro essas primeiras jornadas da história maranhense. Claude d'Abbeville foi autor da obra Histoire de la mission des pères capucins en l'isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614; História da missão dos padres capuchinhos na ilha de Maranhão e terras circunvizinhas). Esse religioso indicou os primeiros anais da região. A região foi apresentada como um paraíso terrestre. Essa visão paradisíaca foi também a do religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos Yves d'Évreux. Esse outro religioso foi autor da obra Suite d'histoire des choses plus mémorables advenues en Maragnan, ès annés 1613 et 1614 (1615; Continuação da história das coisas mais memoráveis acontecidas no Maranhão, nos anos de 1613 e 1614). No livro, o frade capuchinho relata os costumes e leis da sociedade. O livro enriquece o conhecimento do idioma nativo. Para a língua indígena foram traduzidas as principais orações do cristianismo.

Os franceses não se restringiam à tarefa de colonizar a região: carregavam em direção a Paris indígenas do Maranhão. O bispo de Paris realizou o batismo de três índios—Itapucu, depois denominado Luís Maria, que conduziu os outros indígenas ao Palais du Louvre e proferiu discurso ao monarca francês no seu idioma; Uaruajá (Luís Henrique) e Japuaí (Luís de São João), cujos padrinhos foram Luís XIII e Maria de Médici.

As narrativas dos franciscanos atribuíam também o forte de São Luís como difícil de ser conquistado. É sabido que o forte era tido como inconquistável por mais que fosse atacado por uma armada real. Enquanto isso, colonizadores vindos da Espanha e Portugal também buscavam a conquista do território. Em 19 de novembro de 1614, o português Jerônimo de Albuquerque. Esse homem comandava suas naus e seus homens. O administrador colonial lusitano ganhou contra a invasão francesa na Batalha de Guaxenduba. Os franceses na ilha e os portugueses no continente ensaiaram um descanso. Depois mandaram emissários a Madri e a Paris. Então, a proposta seria essa: a ilha seria dos franceses, e o continente, dos portugueses.

Em julho de 1615, Francisco Caldeira de Castelo Branco exigiu que La Ravardière abandonasse a terra que conquistou. Jerônimo de Albuquerque mudou-se para a ilha, construiu o Forte de São José de Itapari e passou a lutar. Em 17 de outubro, nove navios com mais 900 homens, armas, dinheiro, plantas e gado, se aproximaram da baía de São Marcos. O comandante dessa frota de nove navios foi Alexandre de Moura. A frota portuguesa desafiava a fortaleza inconquistável dos franceses. Durante o confronto entre as tropas francesa e portuguesa, Jerônimo de Albuquerque atacava por terra. La Ravardière não resistiu: em 3 de novembro devolveu a colônia, o forte, os navios e as armas. De Pernambuco, o francês foi para a Lisboa. Em Lisboa esteve aprisionado antes de voltar à França.

Ocupação holandesa[editar | editar código-fonte]

Maragnon, de Frans Jansz, 1645
São Luís do Maranhão em mapa de 1629 por Albernaz I

Na época da invasão holandesa no Maranhão esteve aprisionado o aventureiro Gedeon Morris. Depois esse homem estaria no comando da guarnição de Flandres na capitania brasileira do Ceará. As notícias transmitidas por Gedeon Morris a respeito das condições de vida em São Luís foram ouvidas interessadamente pelos invasores do Recife. Os portugueses defendiam com dificuldade seu entendimento. A paz entre Portugal e os Países Baixos estava firmada. Naquela época, em novembro de 1641 uma frota holandesa penetrou pela barra de São Luís e depois desceu pelo Desterro e destruiu a cidade. A frota holandesa foi encabeçada por Pieter Baas. O governador Bento Maciel Parente foi aprisionado irresistivelmente. Bento Maciel Parente era veterano do sertão e assassino de indígenas.

Dez meses após a investida estrangeira, os lavradores portugueses se revoltaram contra invasão holandesa. Isso foi em conspiração com os religiosos da Companhia de Jesus que foram auxiliados por mamelucos e indígenas fiéis. Antônio Muniz Barreiros era o líder da revolta. Faleceu durante o conflito. Foi substituído por outro senhor de engenho denominado Antônio Teixeira Melo. O outeiro da Cruz naquela época ficava fora das portas da cidade. Esse local religioso foi palco dos encontros de grande crueldade. Os neerlandeses dizimaram os habitantes que ainda ficavam no pequeno burgo. Esses estrangeiros lançaram-lhe as mulheres nuas no mato. Entregaram essas pessoas aos indígenas cearenses, que os abandonaram ou mandaram como escravos aos anglo-barbadianos. Mas estes não aceitaram a compra.

Em Tapuitapera, atual município de Alcântara, no continente, Teixeira de Melo recebeu emissários do príncipe Maurício de Nassau. Maurício de Nassau lhe ofereceu o governo dos portugueses do Maranhão. Se a proposta fosse aprovada, o político teuto-neerlandês já teria se recolhido a São Luís. Mas como a proposta foi recusada, a luta continuou até fevereiro de 1644. Nessa data, os holandeses se retiraram depois de um período de 27 meses de ocupação intranquila. Desses 27, 17 meses foram um longo período de lutas.

Sobrou dos holandeses a ruína do casarão onde residiu o governador Pieter Baas. Este casarão foi derrubado em 1939. A vista do porto e a planta da cidade foram registradas por Frans Post. Os originais desses desenhos hoje são parte integrante da exposição permanente no Museu Britânico. As gravuras foram reproduzidas no grande livro de Gaspar Barlaeus sobre o Brasil holandês. Depois a gravuras foram copiadas depois para a obra de santa Teresa sobre os conflitos militares entre Portugal e os Países Baixos.

Revolta de Beckman[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Revolta de Beckman

A Coroa Portuguesa decidiu criar a Companhia de Comércio do Maranhão em 1682. Essa era a fórmula daquela época para o desenvolvimento da nas regiões que os europeus colonizaram como os seguintes objetivos: o sistema de estanco a ser monopolizado, que teve o privilégio garantido para o comércio de produtos primeiramente necessários; a compra exclusiva e obrigatória de toda a produção do estado; e o fornecimento comprometido de escravos vindos da África, mais adequados para a dureza atarefada da agricultura em terras de clima equatorial, como forma de compensação proibitiva da caça ao indígena.

Mas a estratégia não surtiu efeito, ou seja, houve a degeneração do sistema: para a compra, o pagamento do indivíduo que representava a companhia era muito barato. Durante a venda, as cobranças eram cada vez maiores; a continuação dos religiosos da Companhia de Jesus no Brasil era a luta contra a escravidão indígena; havia fraude nos pesos e medidas; dos escravos que os portugueses prometiam não houve aparecimento; e as fazendas e os gêneros eram de qualidade inferior.

A transformação da indignação foi em revolta. O mais importante líder do movimento foi Manuel Beckman. Beckmann nasceu em Lisboa. Seu pai era alemão e sua mãe portuguesa. A profissão de Beckmann era a de senhor de engenho no Mearim. Consta que foi assinado pelos conspiradores um papel em círculo. O objetivo desse documento era para que ninguém tivesse o direito de acusação contra nenhum deles por liderar o motim. Foi confundido por Beckmann a liberdade instintiva do comércio com o preconceito feroz contra o escravo: a vulnerabilidade era do indígena vitimado. A prisão doméstica do capitão-mor Baltasar Fernandes estava perante a custódia da esposa. Em seu colégio, ficou a incomunicabilidade do jesuítas. O fechamento das entradas do estanco armazenado foi definitivo.

Não era desejo da Junta dos Três Estados (clero, nobreza e povo) a independência. Naquela época esta junta já estava constituída. O governo colonial do Brasil enviou Tomás Beckman ao reino de Portugal. Tomás era irmão de Manuel. Foi explicado por ele ao monarca lusitano que não houve revolta contra Tomás. O desejo dos conspiradores foi ser livre para comerciar—o motivo era o fechamento do estanco armazenado—e para a caça ao indígena. Por essa razão, foram expulsos pelos conspiradores os religiosos da Companhia de Jesus, que embarcaram em dois navios.

Decidiu-se criar uma guarda cívica e foram demitidos funcionários que não tiveram certeza se eram leais. Foi enviado por Beckmann um ministro plenipotenciário a Belém. Manuel Beckman dirigiu-se a Alcântara. Entretanto, não foi apoiado em ambos os lugares. Não foi aceito por Beckman uma proposta de corromper o governador Francisco de Sá de Meneses. Entretanto, foi iniciado o fracasso da chama do levante. São Luís recebeu o novo governador Gomes Freire de Andrade em 15 de maio de 1685. O militar português era comandante de uma tropa formada por 150 soldados, que confraternizaram com os soldados terrestres. Os mais importantes conjurados foram embora. O desembarque foi presenciado por Beckmann e apenas no dia posterior serviu como refúgio seu engenho. Em seu engenho ocorreu o aprisionamento do líder da revolta. A explicação para o motivo da prisão de Beckmann é essa: traiu seu afilhado Lázaro de Melo.

Foi concluído pela abertura da devassa que a introdução e a manutenção do sistema de estanco era sinônimo de calote, engano e hostilidade. Mas Gomes Freire assinou sentença lavrada contra Jorge de Sampaio, Francisco Deiró e Manuel Beckman. Foi feita a declaração de culpa destes três homens por serem criminosos contra a autoridade real. Veio a fuga de Deiró e seu enforcamento em efígie. O padecimento de Sampaio e Beckman foi causada pela coragem da pena de morte. Foi declarada a extinção por Gomes Freire do contrato do estanco. Os jesuítas foram devolvidos pela mesma pessoa que extinguiu o estanco e acertado o governo.

A continuidade dos jesuítas era a disposição dos indígenas em aldeias no início do século XVIII. As oscilações das ordens do monarca estavam num dilema: ou a declaração de guerra contra os gentios ou não atacar os que já foram conciliados. A chegada da capitão-mor Bernardo Pereira de Berredo e Castro foi em 1718. Os mineradores ainda não exploravam o cobre no Brasil em 1749. Até essa época, eram utilizados como moeda novelos de algodão ou varas de pano. A partir de 1755 a vida dos indígenas passou a pertencer a um novo regime: foi a declaração da liberdade da raça, por mais que o seu serviço fosse pedido pelos colonizadores. Entretanto, nesse caso a obrigação do colono seria o fornecimento de alimentação e de uma pequena quantidade de dinheiro. A extinção da Companhia de Jesus foi em 1760. A prisão e o embarque de 86 padres fez com que fossem as escolas fossem fechadas, que as iniciativas de povoamento fossem retraídas e que a língua geral fosse abandonada.

Marquês de Pombal e o Maranhão[editar | editar código-fonte]

Adotando ao modelo de déspota esclarecido, D. José I nomeou a Primeiro-Ministro, em Portugal, o Marquês de Pombal que teve importante papel na História do Maranhão.

Pombal fundou o Vice Reino do Grão-Pará e Maranhão com capital em Belém e subdivido em quatro capitanias (Maranhão, Piauí, São José do Rio Negro e Grão-Pará). Além disso, expulsou os jesuítas e criou a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão cuja atuação desenvolveu a economia maranhense.

Na fase pombalina, a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão incentivou as migrações de portugueses, principalmente açorianos, e aumentou o tráfico de escravos e produtos para a região. Tal fato fez com que o cultivo de arroz e algodão ganhasse força e logo colocou o Maranhão dentro do sistema agroexportador. Essa prosperidade econômica se refletiu no perfil urbano de São Luís, pois nessa época foi construída a maior parte dos casarões que compõem o Centro Histórico de São Luís que hoje é Patrimônio Mundial da Humanidade. A região enriqueceu e ficou fortemente ligada à Metrópole, quase inexistindo relação comercial com o sul do país.

Mas os projetos do Marquês de Pombal foram abalados quando subiu ao trono D. Maria I que extinguiu a Companhia de comércio e muitas outras ações do Marquês na Colônia.

Independência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Independência do Brasil

A Capitania do Maranhão teve como último governador o Marechal do Exército de Portugal Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca. A qualidade desse político foi a de um excelente administrador. O militar português imprimiu o jornal mais antigo já publicado no estado, O Conciliador do Maranhão, fato que marca a chegada da tipografia em território maranhense. Mas naquela época, a independência já era prevista pelo sentimento de nativismo. As duas forças que concorreram para a independência foram: uma decisiva e outra circunstancial. A força decisiva era a rebelião local. Apoiavam a rebelião local os cidadãos do Piauí e os sertanejos cearenses. Foi repetido pelos cidadãos do Piauí e sertanejos cearenses os mesmos caminhos que os índios andaram 300 anos antes na Serra da Ibiapaba. A segunda força foi circunstancial, quando estiveram presentes os navios de Lord Thomas Cochrane. Em 1823, o imperador Pedro I do Brasil contratou Lord Thomas Cochrane para ser o comandante da esquadra brasileira em combate com os colonizadores vindos de Portugal. Quando o almirante inglês esteve presente no Brasil, foi desencorajado por ele qualquer resistência tentada por parte dos colonizadores vindos de Portugal que moravam em São Luís.

Os separatistas já haviam feito o domínio das terras em direção ao litoral. Foi completada a vitória por Cochrane e assegurada a independência durante a entrada no porto e foram obrigados a se render os reforços portugueses que chegaram nos dias anteriores. Foi iniciada uma fase de disputas pelo governo. Marcou esta fase de disputas políticas o contraste entre o nativismo exaltado e o conservadorismo moderado. As disputas políticas foram redundantes em violências contrárias aos portugueses. A linha radical teve como principal representante o profissional do direito provisionado Miguel Inácio dos Santos Freire Bruce. O advogado provisionado expulsou todos os colonizadores vindos de Portugal. A redução da expulsão foi para os portugueses que não tivessem propriedade ou não fossem profissionais.

Enquanto ocupava o cargo de primeiro presidente provincial, Lord Cochrane acusou Bruce por causa da veiculação das ideias pró-república, pelo que foi preso e deposto pelo oficial da marinha britânica. O almirante inglês mandou o infrator ao Rio de Janeiro, onde foi julgado inocente. O principal expoente da tendência moderada foi José Félix Pereira de Burgos. Nomeou-se ainda primeiro comandante de armas na vila de Itapecuru (atual Itapecuru-Mirim). Foi passado então o comandante para o lado em que se encontravam os independentes. Foi assegurado a eles que o vale fosse dominado totalmente. Em troca desse favor, a ação dos portugueses foi limitada.

Os reis Dom João VI de Portugal e Dom Pedro I do Brasil tiveram como amigo pessoal o bispo D. Joaquim de Nazareth. Foi defendido por Sua Excelência Reverendíssima que o Brasil fosse unido diretamente com Portugal e que fossem desmembradas as que se chamavam "províncias austrais". O então religioso era amigo pessoal de João VI de Portugal e de Pedro I do Brasil. A força da exaltação nativista era maior que a do nacionalismo liberal de Bruce. Bruce era um nacionalista liberal e a exaltação nativista tinha estreita relação com o desejo de república. As principais pessoas que representavam o nacionalismo exaltado foram o boiadeiro baiano Salvador Cardoso de Oliveira, Domingos da Silva e o capitão-do-mato João Ferreira do Couto. O boiadeiro baiano Salvador Cardoso de Oliveira foi o primeiro defensor da independência e que fez a sua junção com os cidadãos do Piauí e do Ceará, na margem oriental do rio Parnaíba. Domingos da Silva era conhecido pelo apelido de Matrauá e foi um dos participantes do movimento revolucionário da Balaiada. O capitão-do-mato João Ferreira do Couto esteve à frente de uma guerrilha formada por quarenta homens. Manga do Iguará foi invadida e o comandante do contingente local morreu assassinado.

Houve uma reunião entre Salvador Cardoso de Oliveira e os independentes do Piauí no dia 12 de março de 1823. No dia seguinte, a primeira tropa que lutou pela independência do Brasil, que era formada por oitenta homens, foi o contingente militar que teve a participação na batalha do Jenipapo. No final de março, no arraial de São João dos Matões, piauienses e maranhenses, que vieram da margem oriental do rio Parnaíba, saudaram o imperador e a independência foi jurada. No dia 17 de abril, o brigadeiro português João José da Cunha Fidié veio do Piauí para invadir Caxias. No dia 18 de junho, o tenente-coronel José Félix Pereira de Burgos foi passado para os independentes e o resto da tropa se rendeu. O tenente-coronel José Félix Pereira de Burgos era comandante-geral de Itapecuru-Mirim. Entre 18 e 20 de julho, ou seja, num período de três dias, Burgos, através de uma câmara geral, fez quatro membros eleitos para a direção do governo civil, e deixou que o povo da capital indicasse mais três pessoas. Escolheram a própria pessoa cujo sobrenome era Burgos para ser o governador das armas. No dia 23 de julho, a junta de São Luís foi intimada pelo novo governo para a independência a ser proclamada. E, no dia 10 de agosto, em Caxias, Fidié foi demitido a si mesmo e o tenente-coronel Luís Manuel de Mesquita rendeu-se.

Naquela época, em São Luís, a junta provisória reuniu um conselho e foi pronunciada por ela a independência. Por parte da tropa foi tentada a proclamação, mas receberam a tiros, nas imediações do palácio do governo, os soldados que juravam fidelidade ao comandante português marechal Agostinho de Faria. Durante o dia 14, no porto de Itaqui foram atracados sete navios com tropas vindas de Portugal, que escapavam da derrota em território baiano. A junta dissolveu a câmara e a tropa que era contra a independência foi comunicada, no momento em que foi deliberado o envio de emissários aos chefes independentes para a negociação de armistício, até a solução do caso pelos monarcas Pedro I do Brasil e João VI de Portugal. No dia 26 de junho, o porto de São Luís recebeu a entrada do almirante Cochrane. Dois dias depois, Cochrane proclamou a independência.

Pelos interesses conflituosos, mas especialmente os sentimentais, entre brasileiros que nasceram no Brasil e brasileiros naturalizados foi tomada a época compreendida entre as décadas de 1800 e 1850 do século XIX. A radicalidade foi do nativismo. A agitação invadiu São Luís, ao sabor dos acontecimentos do governo. A grande classe baixa, os mestiços de brancos com índios e os trabalhadores braçais da escravidão, não tinham limitação em estar presente nos acontecimentos, porém muitos deles eram tomados em parte dessa multidão oprimida. Entre 1838 e 1840, houve o susto da sociedade no terrível movimento revolucionário da balaiada. Depois de vencer os balaios, foi estabilizado o domínio dos caucasianos e reafirmada a estrutura da sociedade.

Desde 1771 teve início a escravidão. Geralmente, a atividade econômica dos imigrantes vindos de Portugal era o comércio. Houve a continuidade da chegada dos imigrantes portugueses pelo porto de São Luís. Era feita domesticação dos indígenas como caboclos. A profissão dos indígenas nas fazendas era a de agregados ou vaqueiros e na capital a de artífices. Em São Luís, era sofrida pelos indígenas a habilidade dos pretos concorrentes, escravos ou na maioria das vezes alforriados, e dos economicamente desprivilegiados vindos da Europa. Pelas famílias europeias de baixa renda era trazida de Portugal dos outros países europeus a ciência artesanal que não precisa de capital.

Segundo reinado[editar | editar código-fonte]

Para a Província do Maranhão, foi criada pelo segundo reinado uma prosperidade sem preocupação. Esta prosperidade despreocupada surgiu nos ombros dos trabalhadores braçais da escravidão e somente as paixões políticas a cortavam. A chegada dos presidentes não era acostumada com os costumes da terra. Os presidentes foram embora após a primeira eleição ou com o gabinete abolido. Nos tempos do Brasil imperial, o Maranhão era famoso, ao lado de São Luís, pelos seus belos sobrados, pela sua "civilidade" sofisticada. Isso fez da província o lugar ideal para quem desejava começar a vida ou buscar tranquilidade depois de um dia de estresse no trabalho. Por essa razão, foram enviados pelos partidos políticos seus representantes famosos: o futuro marquês de Paranaguá, Pedro Leão Veloso, Leitão da Cunha, Lafayette Rodrigues Pereira, Sousa Carvalho, Franklin Dória, Silvino Elvídio Carneiro da Cunha e José Manuel de Freitas.

Na segunda metade do século XIX, passou a ser integrado territorialmente o Maranhão. Especialmente, devido ao fato de que Cândido Mendes de Almeida tivesse esforçado, que pelos decretos imperiais foram declarados como parte integrante do Maranhão os territórios de Carolina (anteriormente quem disputava essa região era Goiás) e do Turiaçu. Isso fez com que fosse deslocada a divisa com o Pará em direção ao Guarani e incorporado de maneira definitiva a porção norte-ocidental. Nessa região, a localização geográfica das antigas comunidades quilombolas deu origem aos vários municípios do Maranhão.

República[editar | editar código-fonte]

Cartão-postal de São Luis editado por volta de 1910

Desde o movimento revolucionário da balaiada, a Província do Maranhão tornou-se política e socialmente estável. A atividade econômica da agricultura na época era o trabalho escravo e de uma vez ou outra a estabilidade política e social teve desafios excessivos. Mas havia a persistência do ideal republicano. Como foi visto antes, Lord Cochrane depôs e prendeu Bruce, primeiro presidente da Província do Maranhão que Pedro I do Brasil nomeou, devido à veiculação das ideias pró-república. Como Bruce foi acusado, o conselho de guerra ouviu a sua resposta e foi julgado inocente; mas o acontecimento, por sua vez, teve expressividade. Em 1824, pelos chefes da Confederação do Equador que nasceram no Ceará, foram enviados emissários ao povo maranhense, na certeza de que seu liberalismo permitiria a participação revolucionária. Os chefes cearenses da Confederação do Equador estiveram presentes no Maranhão com as forças expedicionárias. As forças expedicionárias tiveram decisão no processo da independência. Em 1829, os revolucionários leram proclamações republicanas em Pastos Bons.

Por quem a província teve como último presidente, o desembargador Tito Augusto Pereira de Matos, depois que foi abolido o regime monárquico, foi passado a administração ao tenente-coronel João Luís Tavares. Tavares integrava uma junta de sete cidadãos, dois quais cinco são militares e dois são civis. Foi entregado o poder pela junta ao primeiro governador que Manuel Deodoro da Fonseca nomeou em 17 de dezembro de 1889. A chegada ao Rio de Janeiro foi de Pedro Augusto Tavares Júnior. A Assembleia Legislativa promulgou a primeira constituição política estadual datada de 4 de julho de 1891. Em 1892, mais precisamente no dia 28 de julho, foi promulgada uma nova constituição, acrescida das emendas em 1898, 1904 e 1919.

Século XX[editar | editar código-fonte]

O século XX teve como primeiro governador do Maranhão o senhor João Gualberto Torreão da Costa. Durante a administração de Benedito Pereira Leite, pelo presidente eleito do Brasil Afonso Pena, o Maranhão foi visitado em 1906. O movimento revolucionário que entrou no Brasil Meridional tornou-se mais extensa e os revolucionários depuseram o governador José Pires Sexto em 1930. A Assembleia Legislativa aprovou uma nova constituição do estado datada de 16 de outubro de 1934, durante administração de Antônio Martins de Almeida. A Assembleia Legislativa emendou a constituição estadual em 1936 e a administração de Paulo Martins de Sousa Ramos tomou posse. Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas nomeou Sousa Ramos como interventor.

Com a Segunda República, foi aprovada pela Assembleia Constituinte estadual uma nova constituição datada de 28 de julho de 1947. José Sarney da Costa tomou posse do governo estadual em 1966. Por iniciativa de Sarney foi iniciado o período modernizador "Maranhão Novo", dos quais se destacavam o porto de Itaqui a ser construído e a rodovia São Luís-Teresina a ser pavimentada. Pelo contrário, apenas nas posteriores décadas, com os recursos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), foi sobrevindo o que mudou na economia estadual, com a solidez das repercussões no Maranhão: foi entrado em operação a Usina Hidrelétrica de Boa Esperança em 1970 e em 1973 ocorreu a inauguração da indústria papeleira (Cepalma), onde a matéria-prima da região é utilizada. Foi inaugurada a primeira etapa da indústria aluminífera do consórcio Alumar em 1984. Esta fábrica de alumínio foi o primeiro projeto do programa Grande Carajás. Teve o início da construção do Centro de Lançamento de Alcântara em 1987.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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