História do alfabeto latino

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A inscrição Duenos, datada do século VI a.C., mostra a forma mais antiga do alfabeto latino antigo.

O alfabeto latino é o sistema de escrita alfabético mais utilizado no mundo.[1] É o alfabeto padrão da língua portuguesa e a maioria das línguas da Europa ocidental e central e das áreas colonizadas por europeus. Se originou no século VII a.C. na Itália e modificou-se continuamente pelos últimos 2500 anos até se estabelecer como um dos sistemas de escrita dominantes do mundo atual. Ele tem raízes no Alfabeto semítico e seus derivados, o Fenício, Grego e Etrusco. O valor fonêmico de algumas letras mudaram, algumas letras perderam e ganharam, e alguns estilos de escrita foram desenvolvidos.

Origens[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Alfabeto itálico antigo

Acredita-se que os latinos tenham adotado a variante ocidental do alfabeto grego no século VII a.C. a partir de Cumas, uma colônia grega no sul da Itália (Magna Grécia); este alfabeto latino arcaico era apenas um entre diversos alfabetos itálicos antigos que surgiram na época.

A partir do chamado 'alfabeto de Cumas' derivou-se o alfabeto etrusco, do qual os latinos acabaram por adotar 21 letras (de um total de 26).

A mitologia romana creditava a introdução do alfabeto a um certo Evandro, filho de Sibila, supostamente 60 anos antes da Guerra de Troia - porém não há qualquer base histórica consistente para este conto.

Alfabeto latino arcaico[editar | editar código-fonte]

O alfabeto original latino era:

Alfabeto latino original, nas letras equivalentes modernas
A B C D E F Z H I K L M N O P Q R S T V X

As inscrições em Latim mais antigas não faziam a distinção entre /g/ e /k/, representando ambos por C, K e Q de acordo com a posição. K era usado antes do A; Q era usado antes de O ou V; C era usado em outro lugar. Isto é explicado pelo fato de que a língua etrusca não fazia esta distinção. C originou-se como uma forma variada da letra grega Gamma (Γ) e Q da letra grega Qoppa (Ϙ). Posteriormente no Latim, K sobreviveu apenas em algumas formas, como Kalendae; Q sobreviveu apenas depois do V (representado por /kw/), e C foi usado em qualquer outro lugar. Mais tarde, a letra G foi inventada para fazer a distinção entre /g/ e /k/; Era originalmente um C com um diacrítico adicional.

Fonética[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ortografia e pronúncia latinas
  • C tinha o valor fonêmico de /g/
  • I tinha o valor fonêmico de /i/ e /j/.
  • V tinha o valor fonêmico de /u/ e /w/.

Período do latim antigo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: latim antigo

O K perdeu espaço para C, que agora tinha o valor de /g/ e /k/.

Provavelmente durante o século III a.C., o Z deixou de ser usado e uma nova letra, G, foi colocada em seu lugar - de acordo com Plutarco, por obra de um personagem mítico, Espúrio Carvílio Ruga - de maneira que C = /k/, G = /g/.

Alfabeto latino antigo nas letras equivalentes modernas
A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T V X

Período do latim clássico[editar | editar código-fonte]

Uma tentativa, feita pelo imperador romano Cláudio, de introduzir três letras adicionais foi pouco duradoura, porém pouco antes, após a conquista da Grécia pelos romanos no século I a.C., as letras Y e Z foram, respectivamente adotadas e reintroduzidas do alfabeto grego e colocadas ao fim do latino, que passava a ter 23 letras:[2]

Letra A B C D E F G H I K L M
Nome ā ē ef ī el em
Pronúncia (AFI) /aː/ /beː/ /keː/ /deː/ /eː/ /ef/ /geː/ /haː/ /iː/ /kaː/ /el/ /em/
Letra N O P Q R S T V X Y Z
Nome en ō er es ū ex ī Graeca zēta
Pronúncia (AFI) /en/ /oː/ /peː/ /kʷuː/ /er/ /es/ /teː/ /uː/ /eks/ /iː ˈgraika/ /ˈzeːta/

É digna de destaque a ausência de algumas letras, como j. Os romanos utilizavam i, no lugar de j; a palavra "justiça", por exemplo, era grafada "iustitia" no latim clássico.[3]

Os nomes latinos de algumas das letras são motivos de debate. No entanto, em geral, os romanos não utilizavam os nomes tradicionais (derivados das línguas semitas), como em grego; os nomes das consoantes plosivas eram formados acrescentando-se /eː/ ao som (com a exceção de C, K, e Q, que precisam de vogais diferentes para diferenciá-los), enquanto os nomes das continuantes consistiam ou do som puro, ou do som da consoante precedido por /e/. A letra Y, quando introduzida, provavelmente era chamada de hy /hyː/, como em grego (o nome upsilon ainda não era usado), porém foi mudado para i Graeca ("i grega") à medida que os falantes do latim passaram a ter dificuldade de distinguir entre /i/ e /y/. Z recebeu seu nome grego, zeta.

A escrita romana cursiva, também chamada de maiúscula cursiva ou capitalis cursiva, era a forma cotidiana de escrita à mão, utilizada para cartas, por mercadores em seus relatórios de negócios, por alunos estudando o alfabeto romano, e até mesmo por imperadores dando ordens em seus despachos. Existia um estilo mais formal de escrita, baseado nas maiúsculas quadradas romanas, porém o cursivo era utilizado para uma escrita mais rápida e informal. Foi utilizada com mais intensidade do século I a.C. ao século III d.C., porém provavelmente esteve em uso antes mesmo disto.

Antiguidade Tardia[editar | editar código-fonte]

O alfabeto latino se espalhou da Itália, juntamente com o Latim, para todas as terras que cercavam o Mar Mediterrâneo, com a expansão do Império Romano. A metade oriental do império, incluindo a Grécia, a Ásia Menor, o Levante e o Egito, continuaram a usar o grego como língua franca; porém o latim era falado majoritariamente na metade ocidental do império, e à medida que as línguas românicas ocidentais, entre elas o francês, italiano, português, espanhol e o catalão, evoluíram a partir do Latim, elas continuaram a se utilizar o alfabeto latino, adaptando-o às suas necessidades.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências