Histologia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Imagem em grande aumento de corte histológico de fígado corado com hematoxilina e eosina, observado em microscópio óptico. Várias células estão presentes. Observar núcleos com nucléolos (em cor azul-roxo) e citoplasma (em cor de rosa).

Histologia (do grego hystos = tecido + logos = estudo, conhecimento) é também denominada Anatomia Microscópica ou Biologia Tecidual.[1][2][3] Estas denominações se referem ao ramo da biologia que estuda a estrutura microscópica e as funções das células, tecidos e órgãos que compõem os organismos animais e vegetais.[2][3] É uma importante disciplina de Graduação e Pós-graduação das áreas de ciências biológicas e da saúde.[3][2] Além disso é uma importante área de pesquisa científica na área de Biologia e de Saúde. A Histologia pode ser conceitualmente classificada em Histologia Animal, com enfoque em animais, Histologia Humana, com enfoque em seres humanos, Histologia Vegetal, com enfoque em vegetais, dentre outras.

A Histologia se desenvolveu após a invenção do microscópio de luz, também denominado microscópio óptico ou microscópio fotônico.[3] Caracteriza-se por utilizar iluminação por luz visível e um sistema de lentes que produzem uma imagem aumentada de um objeto. O microscópio como conhecemos hoje começou a ser utilizado na Europa por volta de 1620. Sua invenção é atribuída a várias pessoas, entre as quais Zacharias Janssen e Hans Lippershey.

O microscópio óptico, inicialmente muito simples, foi sendo progressivamente aperfeiçoado e muitos tipos de microscópios foram desenvolvidos, por exemplo microscópio de polarização, microscópio de contraste de fase, microscópio invertido, microscópio confocal de varredura a laser e vários outros instrumentos. Os microscópios eletrônicos pertencem a uma outra família de microscópios caracterizados por utilizarem feixes de elétrons para obtenção de imagens ou para conhecer composição química de espécimes.

História[editar | editar código-fonte]

Dentre os primeiros estudiosos que utilizaram o microscópio para descrever células e tecidos pode-se citar Robert Hooke e Marcello Malpighi. Robert Hooke foi o primeiro a descrever as células em 1665 ao examinar delgadas fatias de cortiça. Estava, portanto, examinando células vegetais. Malpighi examinou cortes de órgãos sadios e patológicos e descreveu um grande número de estruturas, várias das quais receberam o seu nome, como por exemplo os corpúsculos de Malpighi presentes nos rins e atualmente denominados corpúsculos renais.

O termo tecido já havia sido introduzido por volta de 1800 pelo cientista francês Marie François Xavier Bichat. Este foi quem primeiro descreveu os vários tipos de tecidos do corpo e as associações entre os tecidos para constituir os órgãos. Por estas razões Bichat é considerado o pai da Histologia. Meyer, em 1819, deu o nome de Histologia à ciência que descreve a estrutura microscópica dos tecidos e órgãos dos animais e dos vegetais.

O gradual desenvolvimento técnico dos microscópios resultou principalmente da fabricação de lentes cada vez mais adequadas para a observação de cortes histológicos. Os microscópios de luz possuem basicamente dois conjuntos de lentes: as lentes oculares que ficam próximas do olho ou de um sistema de captura de imagem (aparelho fotográfico, câmera LCD) e as lentes objetivas, situadas próximas do objeto. As lentes objetivas são as maiores responsáveis pela obtenção de imagens com altas resoluções, o que garante a observação de grande número de detalhes dos objetos. Estas lentes, isoladas ou em associação de duas, três ou quatro, permitiram o exame cada vez mais preciso das estruturas que compõem os seres vivos.  

Muitas metodologias foram desenvolvidas para obter informações de cortes histológicos, como a Radioautografia in situ, a Histoquímica, a Imunocitoquímica, a Hibridização in situ, a Estereologia.[2][3] Estas metodologias fizeram com que a Histologia passasse a investigar cada vez mais profundamente o funcionamento das células que constituem os tecidos e órgãos.

Graças aos aperfeiçoamentos contínuos dos vários tipos de microscópios, associados a metodologias de estudo apoiadas nestes aparelhos, as pesquisas em Histologia permitiram desvendar a estrutura e a função de tecidos e órgãos e geraram conhecimentos que levaram à grande revolução ocorrida nos últimos 100 anos na Biologia animal, Botânica, Medicina Humana e Veterinária.

Métodos de estudo dos tecidos biológicos[editar | editar código-fonte]

Na maioria dos tipos de microscópios um feixe luminoso deve atravessar o objeto para se formar uma imagem. Por esta razão os objetos que queremos observar necessitam ser muito delgados e, além disso, transparentes ou translúcidos.

Células colocadas sobre uma lâmina de vidro são muito delgadas e transparentes e não oferecem obstáculo relevante para a passagem de um feixe luminoso e para a formação de uma boa imagem. Por outro lado, tecidos e órgãos animais são espessos e opacos. Para que estes possam ser observados por microscópios necessitam ser cortados em fatias muito delgadas. A seguir serão descritos resumidamente procedimentos necessários para obtenção de fatias delgadas de tecidos e órgãos animais, metodologias que em conjunto são denominados Técnicas Histológicas.

A maneira mais utilizada para estudar os tecidos e órgãos ao microscópio óptico é a observação dos preparados histológicos.[2][3] O preparado histológico é constituído por um ou mais cortes de tecidos ou órgãos dispostos sobre uma lâmina de vidro, a lâmina histológica. Os cortes são protegidos por uma delgada lâmina de vidro denominada lamínula.

De maneira bastante resumida pode-se dizer que a obtenção de um preparado histológico envolve processos físicos e químicos de corte, fixação, desidratação, diafanização (ou clareamento) e coloração, os quais envolvem diversos instrumentos e compostos químicos.[2][3]

Como a observação de espécimes ao microscópio óptico é feita por transparência é necessário que tecido e órgãos forneçam cortes finíssimos, através da sua inclusão num bloco de parafina, para ser cortado num micrótomo. Depois de cortado, retirada a parafina e colocado numa lâmina, o corte é corado. Essas lâminas então podem ser finalmente observadas ao microscópio óptico.

Tipos de tecido[editar | editar código-fonte]

Os animais são formados, pelo menos, de dois tipos de tecido: o tecido epitelial, com função de revestimento e proteção, e o tecido conjuntivo, com função principal de preenchimento. Um exemplo de animais formados de apenas dois tecidos são os poríferos. Além disso, os animais podem apresentar ainda mais dois tipos de tecidos, o tecido muscular e o tecido nervoso, como é no caso dos seres humanos e na maiorias dos outros animais. Esses quatro tipos principais de tecidos também podem apresentar outros subtipos.[2]

Os vegetais são formados por dois tipos de tecidos: o tecido meristemático e o tecido adulto. Eles são responsáveis pela formação dos demais subtipos ou simplesmente tipos de tecidos vegetais.

Subtipos de Tecido[editar | editar código-fonte]

Todos os subtipos de tecidos são originados a partir desses tipos básicos (por exemplo, as células sangüíneas são classificadas como tecido conjuntivo, já que se originam na medula óssea).

  • Endotélio: no revestimento de vasos sanguíneos e vasos linfáticos.
  • Mesotélio: no revestimento das cavidades pleural e pericárdica.
  • Mesênquima: nas células de preenchimento entre os órgãos, incluindo células de gordura, músculos, ossos, cartilagens e tendões.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Histórico | Bioquímica e Biologia Tecidual». www.ib.unicamp.br. Consultado em 18 de fevereiro de 2018 
  2. a b c d e f g JUNQUEIRA, Luiz C. & CARNEIRO, José. Histologia Básica. 9ª Edição. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan S.A., 1999. ISBN 85-277-0516-8.
  3. a b c d e f g ABRAHAMSOHN, Paulo. Histologia. 1a edição. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan S.A. 2016. ISBN 978-85-277-2981-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre Biologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.