Historicismo

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Historicismo (ou ainda historismo) designa, em termos gerais, uma forma de abordagem dos fenômenos e das culturas humanas. De acordo com Ernst Troeltsch, o termo remete a uma "historicização fundamental de todo o pensamento acerca dos seres humanos, sua cultura e seus valores".[1] O historicismo constitui, assim, a base de uma visão de mundo tipicamente moderna e ocidental. Esta fundamenta-se na noção de que as configurações do mundo humano, num dado momento presente, sempre são o resultado de processos históricos de formação, os quais são passíveis de ser mentalmente reconstruídos e, portanto, compreendidos.

A perspectiva historicista surgiu no espaço acadêmico da Europa ocidental na segunda metade do século XVIII. Ao longo do século XIX e até as primeiras décadas do século XX, o historicismo obteve um forte impacto social, sobretudo na Alemanha.

Variantes do historicismo[editar | editar código-fonte]

Historicismo hegeliano[editar | editar código-fonte]

O posicionamento historicista proposto por Hegel sugere que não há um critério objetivo para determinar a melhor teoria de análise de um determinado objeto de estudo. De acordo com esse viés, a ciência, filosofia ou quaisquer outras disciplinas, estão fadadas à sua historicidade.

Historicismo popperiano[editar | editar código-fonte]

Karl Popper usou o termo historicismo em seus livros The Poverty of Historicism e The Open Society and Its Enemies, dizendo que "an approach to the social sciences which assumes that historical prediction is their primary aim, and which assumes that this aim is attainable by discovering the 'rhythms' or the 'patterns', the 'laws' or the 'trends' that underlie the evolution of history ("uma abordagem das ciências sociais, que pressupõe que a previsão histórica é o seu objectivo primordial, e que pressupõe que este objectivo é atingível por descobrir os "ritmos" ou "padrões", as "leis" ou as "tendências" que estão subjacentes à evolução da história")" (pág. 3 de The Poverty of Historicism, itálicos no original). Karl Popper escreveu isso em referência à teoria de história de Hegel, criticando-a duramente.

Novo historicismo[editar | editar código-fonte]

Desde a década de 1990, alguns pensadores pós-modernos têm utilizado o termo historicismo para descrever a visão de uma verdade absoluta, principalmente sobre questões filosóficas que persistiram ao longo dos séculos.

O termo "novo historicismo" é também empregado para a vertente do pensamento literário que interpreta os poemas, as peças de teatro como a expressão de superestruturas da sociedade. Stephen Greenblatt é o nome mais proeminente desse pensamento.

Historicismo bíblico[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Historicismo (escatologia)

Nos círculos cristãos, o termo historicismo se refere à interpretação profética dos protestantes.

Trabalhos relevantes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Troeltsch, Ernst (1961). Der Historismus und seine Probleme, 1. Buch: Das logische Problem der Geschichtsphilosophie, Aalen: Scientia , S. 9 [texto publicado originalmente em 1922].