Hixame ibne Abdal Malique

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Hixame.
Hixame
10º Califa Omíada
Dirrã de Hixame
Reinado 724 – 743
Antecessor(a) Iázide II
Sucessor(a) Ualide II
Dinastia Omíadas
Nome completo Hisham ibn Abd al-Malik ibn Marwan
Nascimento 691
Morte 6 de fevereiro de 743
Filho(s) Maslama, Moáuia, Saide, Solimão
Pai Abdal Malique

Hixame,[1][2] Hixeme[3] ou Híxem[4] ibne Abdal Malique (em árabe: هشام بن عبد الملك, lit. 'Hisham ibn Abd al-Malik') foi o décimo califa omíada e que reinou de 723 até a sua morte em 743. Como seu irmão Ualide I, Hixame foi um grande patrono das artes, estimulando a tradução de diversas obras primas da literatura e da ciência para o árabe. Ele também foi um defensor da educação e construiu muitas escolas por todo o império.

Hixame morreu de difteria numa quarta-feira, 6 de fevereiro de 743 e foi sucedido por seu sobrinho Ualide ibne Iázide ibne Abdal Malique (Ualide II).

Reformas[editar | editar código-fonte]

Herdando o califado de seu irmão Iázide II, Hixame recebeu também um império com diversos e variados problemas. Ele foi, porém, um líder competente e conseguiu manter a unidade do califado omíada. Foi durante o seu governo que as reformas iniciadas no tempo de Omar ibne Abdalazize (Omar II) foram revigoradas. Ele retomou a interpretação estrita da xaria patrocinada por Omar e exigiu-a de todos os seus súditos, inclusive a sua própria família. Foi também durante o seu reinado que se iniciou uma aproximação com os barmecidas persas.

Campanhas militares[editar | editar código-fonte]

Sob o reinado de Hixame, os ataques constantes contra os bizantinos continuaram. Um dos comandantes de seu exército era o incansável Maslama, meio-irmão de Hixame. Ele lutou contra os bizantinos em 725-726 (107AH) e, no ano seguinte, capturou Cesareia. Outro era o filho de Hixame, Moáuia ibne Hixame, que, em 110AH tomou o forte de Samalu na Cilícia. Dois anos depois, Moáuia capturou a fortaleza de Carsiano na Capadócia. Em 114AH, ele capturou Acrune (Acroino) e seu colega, Abdallah al-Battal, capturou um comandante bizantino.

Em 120AH Solimão ibne Hixame capturou um forte bizantino conhecido como Siderune ("Forte de Ferro") e, no ano seguinte, Maslama capturou partes da Capadócia e atacou os ávaros da Eurásia. Teófanes, o Confessor[5], afirma que os árabes foram completamente derrotados na Batalha de Acroino, com apenas alguns conseguindo retornar em segurança. Ele conta que uma luta interna entre os bizantinos (entre Constantino V e o usurpador Artabasdo) facilitou os ataques da temporada de 741-742 por Solimão ibne Hixame e que resultaram em muitos escravos bizantinos nas mãos árabes. Este último ataque aparece também na obra de Atabari[6].

No Norte da África, a disseminação da doutrina dos carijitas combinada com a impaciência local resultaram na Revolta Berbere. Em 740, uma grande força berbere cercou um exército omíada em Uadi Xerife, que lutou até a destruição completa. Hixame despachou então uma força de 27.000 sírios para esmagar os rebeldes, que também fracassou e terminou destruída em 741. No ano seguinte, Handala ibne Safuane começou a ter alguns sucessos, mas terminou cercado em Cairuão. Ele liderou uma tentativa desesperada de romper o cerco que acabou por desorganizar os berberes, matando milhares deles e, assim, restabeleceu o domínio omíada na região.

Hixame também enfrentou uma revolta dos exércitos de Zaíde ibne Ali, o neto de Huceine ibne Ali, que, ao contrário da anterior, foi facilmente esmagada. Na Espanha, os conflitos internos dos anos anteriores foram eliminados e o governador de Hixame, Abderramão ibne Abdalá, conseguiu juntar um grande exército e invadiu o Reino dos Francos. Ele cercou Bordéus e avançou pelo Vale do Loire, até ser detido na Batalha de Tours por Carlos Martel. Este ataque marca o limite da conquista árabe na Europa Ocidental.

Apesar dos sucessos de Hixame, os abássidas continuavam a ganhar força, principalmente no Iraque e no Grande Coração. Eles ainda não estavam em posição de desafiar o califa, que mandou prender e executar diversos líderes do grupo.

Obras[editar | editar código-fonte]

Hixame construiu um complexo palacial em Jericó conhecido como Khirbet al-Mafjar cerca de um quilômetro e meio a norte do Tell as-Sultan em 743, duas mesquitas, um pátio, mosaicos, e outros items que podem ser vistos hoje in situ, apesar de terem sido parcialmente destruídos no terremoto de 747.

Referências

  1. Azevedo 1939, p. 124-125.
  2. Franca 1994, p. 105.
  3. Domingues 1997, p. 170.
  4. Alves 2014, p. 564.
  5. Teófanes, o Confessor, p. 103
  6. Atabari, v. 26, p. 68

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alves, Adalberto (2014). Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: Leya. ISBN 9722721798 
  • Azevedo, Luís Gonzaga (1939). História de Portugal Vol. 2. Lisboa: Edições Bíblion 
  • Domingues, José D. García (1997). Portugal e o Al-Andalus. Lisboa: Hugin. ISBN 9728310471 
  • Franca, Rubem (1994). Arabismos: uma mini-enciclopédia do mundo árabe. Pernambuco: Fundação de Cultura Cidade do Recife 
  • The End of Expansion: The Caliphate of Hisham A.D. 724-738/A.H. 105-120 by Jere L. Bacharach and Khalid Y. Blankinship, Albany, SUNY Press, 1989. (em inglês)
  • Atabari, História v. 24 "The Empire in Transition", trad. David Stephan Powers, Suny, Albany, 1989. (em inglês)
  • Teófanes, o Confessor, Crônica, trad. Harry Turtledove, University of Pennsylvania Press, Philadelphia, 1982. (em inglês)