Ho Chi Minh
| Hồ Chí Minh | |
|---|---|
| Hồ Chí Minh | |
| Primeiro-ministro do República Democrática do Vietname | |
| Período | 1945 até 1955 |
| Presidente do República Democrática do Vietname | |
| Período | 1946 até 1969 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 19 de maio de 1890 Nghe An, Indochina Francesa |
| Morte | 2 de setembro de 1969 (79 anos) Hanói, Vietname do Norte |
| Partido | Partido Comunista do Vietname |
| Profissão | Estadista |
| Assinatura | |
Hồ Chí Minh (Kiem Lan, 19 de maio de 1890 – 2 de setembro de 1969) foi um revolucionário e estadista vietnamita. Nguyễn Sinh Cung nasceu na província de Nghệ An e somente mais tarde seria mundialmente conhecido como Hồ Chí Minh ("aquele que ilumina").[1] Embora Ho desejasse ser cremado, ele foi embalsamado e seu corpo actualmente encontra-se no seu mausoléu em Hanoi.[2]
Índice
Biografia[editar | editar código-fonte]
Em 1911 começa a trabalhar como cozinheiro num navio francês, em que visita o mundo todo. Instala-se em Londres em 1915; e com 21 anos de idade parte para a França, onde vive como jardineiro e garçom. Envolve-se com os movimentos socialistas Franceses e, em 1920, ajuda a fundar o Partido Comunista Francês. Em 1923 vai para Moscovo estudar táticas de guerrilha e entra para o Comintern, braço internacional do Partido Comunista Russo.[3][4] Dois anos depois, é enviado para a China, país de onde é expulso em 1927. Vive em vários países até chegar a Hong Kong, de onde dirige o movimento anti-imperialista na Indochina, dominada pela França desde 1854.
Preso pelos Ingleses em 1930, consegue escapar e refugia-se em Moscovo. Em 1941 funda a Liga pela Independência (Viet Minh), para lutar contra os Franceses. Durante a II Guerra Mundial utiliza a guerrilha no combate aos japoneses, invasores da Indochina. No fim do conflito, forma um Estado independente ao norte da região, o Vietname. A França contra-ataca e a Guerra da Indochina só termina em 1954, com a vitória do Việt Minh. O país é dividido em dois. Ho Chi Minh, presidente do Vietname do Norte, treina e aparelha as forças da Frente de Libertação Nacional do Vietname do Sul (Vietcong), que visam reunificar o país, o que leva à Guerra do Vietname. Morre em Hanói em 2 de setembro de 1969. Em 30 de abril de 1975 um tanque Norte-Vietnamita entrou no palácio presidencial do regime Sul-Vietnamita, apoiado pelos Estados Unidos, encerrando mais de dez anos de conflito. Saigon, antiga capital do Vietname do sul, foi rebatizada posteriormente com o nome de Ho Chi Minh.
Em 1976 o Vietname vira independente.
A Batalha de Dien Bien Phu[editar | editar código-fonte]
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Personalidades
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O comandante das tropas francesas no Vietname, general Navarre, construiu uma fortaleza em Dien Bien Phu para conter a rota de fuga dos Vietnamitas para Laos e forçar uma batalha frontal. Mas, em contrapartida o general Vo Nguyen Giap, braço direito de Ho Chi Minh, cercou a fortaleza de Navarre com trincheiras. Quando os combates se iniciaram em Março de 1954, mais de 70 mil soldados do Vietname encurralaram o inimigo. Os Franceses foram atacados pela artilharia, enquanto os seus helicópteros e aviões eram vítimas de baterias anti-aéreas. A resistência durou 57 dias. Mais de sete mil soldados Franceses morreram e 11 mil foram capturados. A França estava totalmente derrotada.[3]
A Guerra do Vietname em números[editar | editar código-fonte]
O conflito, que perdurou por quinze anos, alcançou proporções catastróficas. Os Estados Unidos perderam 58.224 soldados e, ainda, levaram para casa mais de 300 mil feridos e mais 2.000 capturados. A Austrália, aliada dos norte-americanos, mandou 57 mil homens para o cenário de guerra. Devido à guerra ser travada no território Vietnamita houve um alto número de baixas civis pelo lado vietnamita e não apenas militares. A Nova Zelândia, também aliada dos EUA, contribuiu para aumentar os números: 38 mortos e 186 soldados feridos. O conflito acabou numa perda táctica para França, Japão e Estados Unidos.
As inúmeras faces de Ho Chi Minh[editar | editar código-fonte]
Ho Chi Minh nasceu no distrito de Nam Dan da província de Nghe An. O seu nome verdadeiro foi Nguyen Sinh Cung. Ele era pródigo em pseudônimos, muitos usados para despistar inimigos e outros por fetiche. Quando se alistou a navio que o levou à Europa usou Nguyen Van Ba. Já na liderança do Partido Comunista da Indochina, criou o jornalista Tran Dan Tien, para se auto-entrevistar e divulgar as suas ideias. Ao todo, eram dez alcunhas. O apelido Ho Chi Minh possui duas acepções. Muitos defendem que este era o nome de um mendigo, surrupiado pelo líder do Vietname. Outra corrente afirma que Ho Chi Minh significa "aquele que traz a verdade" ou "aquele que ilumina", e por isso foi escolhida como alcunha oficial. Ho Chi-Minh também é acusado por seus oponentes de ter mantido, desde a década de 1950, censura, repressão e culto à personalidade em seu período de liderança no Vietnã.
As Doze Recomendações de Ho Chi Mihn[editar | editar código-fonte]
As raízes da nação estão nas pessoas.
Na guerra de Resistência e na reconstrução nacional, a principal força está no povo. Assim, todas as pessoas no exército, na administração e nas organizações de massa que estão em contato ou que convivem com o povo devem lembrar e levar consigo as seguintes doze recomendações.
Seis proibições:
1 - Não danificar da maneira de nenhuma maneira a terra e as plantações ou as casas e bens das pessoas.
2 - Não insistir em comprar ou tomar emprestado o que as pessoas não desejam vender ou emprestar.
3 - Não levar galinhas vivas para as casas das pessoas nas montanhas.
4 - Nunca faltar com a palavra.
5 - Não ofender a fé e os costumes das pessoas (como mentir perante o altar, levantar os pés mais alto que o coração, tocar música em casa, etc.)
6 - Não fazer ou falar coisas que façam as pessoas pensarem que as desprezamos.
Seis permissões:
1 - Ajudar as pessoas em suas tarefas diárias (colher, juntar lenha, carregar água, costurar, etc.).
2 - Sempre que possível comprar mercadorias para aqueles que vivem longe dos mercados (facas, sal, agulhas, fios, canetas, papel, etc.).
3 - Nas horas livres, contar pequenas estórias divertidas e simples úteis à Resistência, mas não revelar segredos.
4 - Ensinar à população a escrita nacional e a higiene básica.
5 - Estudar os costumes de cada região para se familiarizar com eles, de forma a criar uma atmosfera de simpatia no início e então explicar às pessoas gradualmente que diminuam suas superstições.
6 - Mostrar às pessoas que você é correto, diligente e disciplinado.
Atualidade[editar | editar código-fonte]
Atualmente, ainda é mantido no Vietnam gigantesco culto a Ho Chi-Minh: sua imagem é presente em quase todas as construções, em salas de aula (tanto as públicas quanto as privadas) e altares de famílias. Todos os textos que contenham críticas a Ho Chi-Minh são censurados e seus escritores são presos, por atentarem contra a revolução popular. Além disso, o Partido Comunista do Vietnam bane quaisquer textos que digam sobre relações amorosas envolvendo Ho Chi-Minh, para manter acerca do glorificado Ho Chi-Minh uma imagem puritana ao público vietnamita, realçando a imagem de Ho como "o pai da revolução"[5] e de um "celibatário casado somente com a causa da revolução".[6] Um editor de jornal no Vietnã foi demitido de seu posto em 1991 por publicar uma história sobre Tang Tuyet Minh.[7] De acordo com o governo do Vietnã Ho Chi-Minh não teve esposa e nem filhos.[8]
Referências
- ↑ Trần Quốc Vượng. «Lời truyền miệng dân gian về Hồ Chí Minh». BBC Vietnamese. Consultado em 24 de abril de 2014
- ↑ William J. Duiker; 2000; Ho Chi Minh: A Life, pagina 78; Theia.
- ↑ a b Obituary in The New York Times, 4 September 1969, acessado em 24 de abril de 2014
- ↑ Cf. Duiker (2000), p.92
- ↑ Dinh, Thuy. «The Writer's Life Stephen B. Young and Hoa Pham Young: Painting in Lacquer». The Zenith by Duong Thu Huong. Da Mau magazine. Consultado em 24 de abril de 2014
- ↑ Baker, Mark (15 de agosto de 2002). «Uncle Ho: a legend on the battlefield and in the boudoir». Sydney Morning Herald. Consultado em 24 de abril de 2014
- ↑ Ruane, Kevin. «The Vietnam Wars». Manchester University Press. p. 26. ISBN 0-7190-5490-7. Consultado em 24 de abril de 2014
- ↑ (em vietnamita) Việt Hoài (20 de maio de 2013). «Mỗi hiện vật là một câu chuyện bình dị về bác». Tuổi Trẻ. Consultado em 4 de julho de 2013