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Homem-orquestra

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Homem-orquestra
Um homem-orquestra
tocando em Calgary.

Um homem-orquestra[1] (também conhecido por banda de um homem só[2]) é um músico que interpreta vários instrumentos musicais simultaneamente.[3] Geralmente, isso inclui certo número de instrumentos de sopro amarrados ao pescoço, um bumbo preso às costas do músico, pratos entre os joelhos, um banjo, ukulele, acordeão[4] ou guitarra nas mãos, e uma harmônica montada numa estrutura de arame em frente à boca.

Características

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Um homem-orquestra pode incorporar quaisquer instrumentos à sua performance, desde baterias eletrônicas MIDI presas ao peito e, com pedais nos pés (mecanismo por vezes denominado «bate-pés»[5]), a tamborins, pandeiretas, cavaquinhos, violas, flautas, gaita-de-foles, clarinetes, bandolins[5] e maracas.

A expressão "homem-orquestra" também é usada coloquialmente para descrever um artistas multi-instrumentistas, isto é, artistas musicais que tocam todos os instrumentos de uma canção, misturando as diversas partes tocadas num estúdio de gravação.[6] Igualmente, com o uso de técnicas de gravação, há artistas contemporâneos que são capazes de realizar solos ao vivo como "homens-orquestra".

História

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Vic Ellis, de Sussex.
Flautistas-tamborileiros em iluminura do manuscrito Cantigas de Santa Maria, século XVIII.

Os mais antigos relatos conhecidos de múltiplos instrumentos musicais sendo tocados simultaneamente datam do século XIII, com a flauta de tamborileiro e o tamboril. A flauta de tamborileiro era uma flauta simples, com três buracos; o tamboril é conhecido nos dias de hoje como caixa. Ainda pode ser ouvido em regiões rurais da França, Espanha, Portugal, Inglaterra[7] e entre os bascos e catalões.

A combinação de violão e gaita (da forma usada por músicos tais como Tex Williams, Jimmy Reed, Bob Dylan, Neil Young e Ray Dorset do Mungo Jerry) é tão comum hoje em dia, que já não se considerada exemplo de homem-orquestra.

Um dos mais famosos expoentes modernos dos múltiplos instrumentos foi Jesse Fuller, que inventou o baixo acionado com o pé, o "fotdella". Outro digno de menção foi Fate Norris, do The Skillet Lickers, uma banda de country dos anos 1920 e início dos anos 1930.

O britânico Don Partridge tornou famosa a indumentária típica do homem-orquestra (bumbo nas costas, violão e harmônica) pelas ruas do continente europeu, e foi provavelmente o primeiro músico de rua a entrar para a "Lista das 10 Mais" da UK Singles Chart, com os sucessos "Rosie" e "Blue Eyes" em 1968.[8]

Exemplos modernos

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Dentro dos exemplos modernos de homens-orquestra incluem-se intérpretes tais como Hasil Adkins e Sterling Magee, mais conhecido como "Mister Satan" do duo Satan and Adam.

Em Portugal, destacam-se os casos dos músico Noiserv[9][2] e Da Cruz One Man Band.[10]

Na Galiza, conta-se o caso de Cesar Prado.[5]

No Brasil, conhece-se Mauro Bruzza, Homem-banda de Porto Alegre (Rio Grande do Sul).[11]

Ver também

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Referências

  1. Infopédia. «homem-orquestra | Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 14 de julho de 2025 
  2. a b Portugal, Rádio e Televisão de. «Noiserv - Musicais - RTP». www.rtp.pt. Consultado em 14 de julho de 2025 
  3. S.A, Priberam Informática. «homem-orquestra». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 14 de julho de 2025 
  4. Interior, Jornal O. (15 de fevereiro de 2020). «Ovo de Colombo: Noiserv, o "homem orquestra"». Jornal o Interior. Consultado em 14 de julho de 2025 
  5. a b c «Cesar Prado, o último homem orquestra da Península Ibérica». Lux. Consultado em 14 de julho de 2025 
  6. «Visão | Bob Log III, o super-homem-orquestra do rock and roll está de volta a Lisboa». Visão. 16 de agosto de 2018. Consultado em 14 de julho de 2025 
  7. «Pipe and Tabor – The home of The Taborers Society». 18 de jul. de 2025 
  8. Rice, Tim (1985). Guinness British Hit Singles, 5th edition. Londres, Reino Unido: Guinness World Records Limited. p. 163. ISBN 0-85112-429-1 
  9. Pereirinha, Tânia. «Noiserv, o "homem-orquestra" que compôs a banda sonora de "O Sargento na Cela 7" (sem recorrer a piaçabas, só instrumentos convencionais)». Observador. Consultado em 14 de julho de 2025 
  10. «DA CRUZ ONE MAN BAND». www.cm-albergaria.pt. Consultado em 14 de julho de 2025 
  11. «A arte de rua é minha liberdade». Revista Bastião. Consultado em 1 de setembro de 2014 

Ligações externas

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