Homem de armas

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Um homem de armas alemão do final do século XV, por Albrecht Dürer.
Uma armadura de um homem de armas do século XVI.

O homem de armas era um soldado do período da Alta Idade Média até o Renascimento. Ele era bem versado em vários tipos de armas, como lança, espada, faca, arco e flecha, além de diversos tipos de combate, a ou montado num cavalo, sempre de armadura completa (leve ou pesada). Um homem de armas pode ser um cavaleiro ou um nobre, a serviço de alguém hierarquicamente superior a ele ou de uma companhia mercenária. Tais homens poderiam servir mediante pagamento ou obrigação feudal. Por muitas vezes, os termos cavaleiro e homem de armas são frequentemente utilizados de forma intercambiável, porém embora todos os cavaleiros equipados para a guerra serem homens de armas, nem todos os homens de armas são cavaleiros.[1]

O termo deriva do inglês man-at-arms, que por sua vez é uma renderização bastante direta dos francês homme d'armes, na Idade Média, embora outros nomes eram dados a esses homens. Na França, ele também era conhecido como lance ou glaive, enquanto na Alemanha era Spiess, Helm ou Gleve e em outros lugares como bacinet.[2] Na Itália o termo usado era barbuta[3] e na Inglaterra no final do século XIV, os homens de armas eram conhecidos como lances (ou "lança", em português).[4]

A função militar de um homem de armas era agir como cavalaria pesada; eles também frequentemente lutavam a pé como infantaria pesada, particularmente nos séculos XIV e XV. No curso do século XVI, os homens de armas foram sendo substituídos por outros tipos de cavalarias, como os demi-lancer (em alemão lanzierer) e os couraceiro (em francês cuirassier), caracterizados por armadura mais restrita e armamentos além da lança pesada.[1]

Em meados do século XVI, o uso dos homens de armas já estava em grande declínio. O último combate registrado onde os homens de armas lutaram pela Inglaterra foi na Batalha de Pinkie Cleugh (setembro de 1547), onde foram muito bem sucedidos. Eventualmente, o uso mais extenso de armas de fogo e táticas de cavalaria acabou por extinguir essa classe de guerreiros.[1]

Referências

  1. a b c Oman, Sir Charles W. C. (1998). History of the Art of War in the 16th Century, Greenhill Books. ISBN 0-947898-69-7
  2. Contamine (1984), p. 126.
  3. Mallett (1974), pp. 31-2.
  4. Bell et al. 2013, pp. 101-2.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ayton, Andrew (1994). Knights and Warhorses. Woodbridge: Boydell. ISBN 0851157394 
  • Bell, Adrian; Curry, Anne; King, Andy; Simpkin, David (2013). The Soldier in Later Medieval England. Oxford: OUP. ISBN 9780199680825 
  • Church, S. and Harvey, R. (Eds.) (1994). Medieval knighthood V: papers from the sixth Strawberry Hill Conference 1994. Boydell Press, Woodbridge.
  • Contamine, Philippe (1984). War in the Middle Ages. Oxford: Blackwell. ISBN 0631131426 
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  • Curry, A. (ed.) (1994) Arms, armies and fortifications in the Hundred Years War. Boydell & Brewer, Woodbidge.
  • Edge, David; Paddock, John Miles (1988). Arms and Armour of the Medieval Knight. London: Defoe. ISBN 1870981006 
  • Fowler, Kenneth (1980) [1967]. The Age of Plantagenet and Valois. London: Ferndale Editions. ISBN 0905746090 
  • Gravett, C. (2006). Tudor Knight. Osprey, Oxford.
  • Mallett, Michael (1974). Mercenaries and their Masters, Bodley Head, London, ISBN 0370105028
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  • Nicholson, Helen J. (2004). Medieval warfare: theory and practice of war in Europe, 300-1500. Palgrave Macmillan.
  • Potter, David (2008). Renaissance France at War. Woodbridge: Boydell. ISBN 9781843834052 
  • Prestwich, Michael (1996) Armies and Warfare in the Middle Ages: The English Experience, New Haven: Yale University Press ISBN 0300076630
  • Rogers, Clifford J. (2008). "The Battle of Agincourt", in The Hundred Years' War (Part II): Different Vistas, ed. L. J. Andrew Villalon and Donald J. Kagay, Leiden: Brill: 37-132.
  • Simpkin, D, (2008) The English aristocracy at war: from the Welsh wars of Edward I to the Battle of Bannockburn. Boydell Press, Woodbridge.
  • Vale, Malcolm (1981). War and Chivalry. London: Duckworth. ISBN 0715610422