Homeopatia

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Homeopatia (do grego ὅμοιος + πάθος transliterado hómoios - + páthos = "semelhante" + "doença") é uma forma de terapia alternativa pseudocientífica, iniciada pelo alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), quando em 1796 publica a sua primeira dissertação. Baseia-se no princípio similia similibus curantur (do latim: "semelhante pelo semelhante se cura"), ou seja, o suposto tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável.[1][2] A homeopatia reconhece os sintomas como uma reação contra a doença. A doença seria uma perturbação da energia vital e a homeopatia provocaria o restabelecimento do equilíbrio.[1][2] O processo homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático doses extremamente diluídas de compostos que são tidos como causas em pessoas saudáveis dos sintomas que pretendem contrariar, mas supostamente potencializados através de técnicas de diluição, dinamização e sucussão que liberariam energia.[2] Supostamente, o sistema de cura natural da pessoa seria estimulado a estabelecer uma reação de restauração da saúde por suas próprias forças, de dentro para fora.[3] Este processo seria para a pessoa como um todo e não somente para a doença.[2][4][5]

Pesquisas científicas têm mostrado que os remédios homeopáticos não são eficazes[6] e seu mecanismo de funcionamento é implausível.[7][8][9][10]consenso na comunidade médica e científica internacional de que a homeopatia é uma pseudociência[11][12][13][14] e charlatanismo.[15] Embora alguns estudos individuais aleguem resultados positivos e sugiram maiores estudos,[16][17] numerosos estudos indicam sistematicamente que homeopatia não é mais efetiva que o placebo.[7][8][18][19] Ainda assim, em vários casos, a relutância em buscar tratamento médico convencional, preferindo a homeopatia (por opção pessoal ou indicação de um praticante) tem levado a complicações e até mortes.[20][21]

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha os seus estados membros a regular a Homeopatia de forma a garantir a inocuidade dos produtos que são comercializados sem prescrição médica. A OMS reconhece que, apesar de se verificar um aumento da utilização de produtos homeopáticos, são poucos os estados com regulamentação aplicável. Segundo esta organização, é necessário contrariar a ideia de que não existem riscos na administração de produtos homeopáticos devido às altas diluições.[22] O documento de Estratégia da OMS sobre medicina tradicional 2002 - 2005 “aborda as questões de segurança, qualidade e eficácia da medicina tradicional (MT) e medicina complementar e alternativa (MCA). O principal objectivo destas estratégias é desenvolver um guia técnico de controlo de qualidade e segurança para produtos de MT/MCA.”[22]

Os defensores da homeopatia referem-se regularmente aos documentos produzidos pela Organização Mundial de Saúde afirmando que esta promove a implantação desta prática em todos os sistemas nacionais de saúde.[23][24][25][26][27][28][29] Todavia, a OMS condena o uso da homeopatia contra doenças graves como malária, tuberculose, aids, gripe e diarreia infantil.[30] No Brasil, é considerada como especialidade médica desde 1980, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, tendo sido incluída no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2006[31] e instituida em 2017 pelo MEC como disciplina obrigatória na graduação em Farmácia.[32] Em muitos países não é sequer considerada especialidade médica.[22] Em 2015 o National Health and Medical Research Council (NHMRC) da Austrália declarou não existirem condições de saúde tratáveis com a homeopatia e que o uso da homeopatia pode colocar a saúde das pessoas em risco.[33] Em 2019, as academias francesas de Medicina e Farmácia condenaram o gasto de dinheiro público em remédios homeopáticos, e também a existência de títulos acadêmicos em homeopatia.[34]

Generalidades[editar | editar código-fonte]

Selo alemão comemorativo dos 200 anos de homeopatia, repetindo a máxima de Hahnemann: similia similibus curantur

Homeopatia é considerada uma filosofia (lato sensu) holística, vitalística, pelo fato de interpretar doenças e enfermidades como causadas pelo desequilíbrio ou distúrbio de uma hipotética[35] energia vital ou força vital no organismo de quem as apresenta. Desse modo, ela vê tais distúrbios como manifestações em sintomas únicos e bem definidos. Sustenta que a força vital tem o poder de se adaptar a causas internas ou externas. É a "lei da suscetibilidade" homeopática, sob a qual um estado mental negativo pode atrair entidades hipotéticas chamadas "miasmas", as quais invadem o organismo e produzem os sintomas das doenças.[36] Hahnemann, contudo, rejeitou a ideia de ser a doença "algo separado, uma entidade invasora" e insistiu em que ela é parte de um "todo vital".[37]

Homeopatia Olha para os Horrores da Alopatia, uma pintura de 1857 de Alexander Beydeman, mostrando figuras históricas e personificações da homeopatia, observando a brutalidade da medicina do século 19.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Nos séculos 18 e 19, a medicina convencional era bastante ineficaz e mutas vezes prejudicial. Práticas como sangrias e purgas eram usadas indiscriminadamente, e misturas complexas com efeitos perigosos eram frequentemente administradas aos pacientes. Um exemplo dessas misturas perigosas é o melaço de Veneza, composto por 64 substâncias, incluindo ópio, mirra e carne de víbora[38]. Esses tratamentos geralmente pioram os sintomas e podem ter resultados fatais. [39] Hahnemann rejeitou essas práticas - que haviam sido exaltadas por séculos [40]   - como irracionais e desaconselháveis.[41] Ele defendeu o uso de drogas únicas em doses mais baixas e promoveu uma visão imaterial e vitalista de como os organismos vivos funcionam.[42] Embora os tratamentos em si não tivessem efeito, eles eram muito mais seguros do que a maioria das práticas médicas da época.[43] Ao fim, o resultado de um tratamento inócuo associado a um repouso apropriado era geralmente superior ao da medicina convencional praticada no momento do início da homeopatia.

O conceito de Hahnemann[editar | editar código-fonte]

Monumento a Samuel Hahnemann em Washington, com a inscrição "Similia Similibus Curentur" - Semelhante cura semelhante.

O termo "homeopatia" foi cunhado por Hahnemann e apareceu pela primeira vez em 1807. [44]

Hahnemann teve a ideia da homeopatia enquanto traduzia um tratado médico do médico e químico escocês William Cullen para o alemão. Sendo cético em relação à teoria de Cullen sobre o uso de cinchona na cura da malária, Hahnemann ingeriu um pouco de casca especificamente para investigar o que aconteceria. Ele teve febre, tremores e dores nas articulações, sintomas similares aos da própria malária. A partir daí, Hahnemann passou a acreditar que todos os medicamentos eficazes produzem, em indivíduos saudáveis, sintomas semelhantes aos das doenças que tratam, de acordo com a "lei dos similares" proposta por médicos antigos. [45] Um relato dos efeitos da ingestão de casca de cinchona, observado por Oliver Wendell Holmes, e publicado em 1861, não conseguiu reproduzir os sintomas relatados por Hahnemann.[46] :128 A lei de Hahnemann sobre similares é um ipse dixit que não deriva do método científico.[47] Isso levou ao nome "homeopatia", que vem do em grego: ὅμοιος hómoios, "-simiilar" e πάθος páthos, "sofrimento".

Trabalhos científicos posteriores mostraram que a cinchona cura a malária porque contém quinina, que mata o parasita Plasmodium falciparum que causa a doença; o mecanismo de ação não tem relação com as idéias de Hahnemann. [48]

"Provações"[editar | editar código-fonte]

Hahnemann começou a fazer teste para descobrir que efeitos as substâncias produziam em seres humanos, um procedimento que mais tarde se tornaria conhecido como "provação homeopática". Esses testes exigiam que os indivíduos testassem os efeitos da ingestão de substâncias registrando claramente todos os seus sintomas, bem como as condições auxiliares sob as quais eles apareciam. [49] Ele publicou uma coleção de provações em 1805, e uma segunda coleção de 65 preparações apareceu em seu livro; Materia Medica Pura (1810). [50]

Como Hahnemann acreditava que grandes doses de medicamentos que causavam sintomas semelhantes apenas agravariam a doença, ele defendia diluições extremas das substâncias. Ele desenvolveu uma técnica para fazer diluições que acreditava preservar as propriedades terapêuticas de uma substância ao mesmo tempo que removia seus efeitos nocivos.[51] Hahnemann acreditava que esse processo despertava e aprimorava "os poderes medicinais espirituais das substâncias brutas".[52] Ele reuniu e publicou uma visão completa de seu novo sistema médico em seu livro Organon da Arte de Curar (1810), cuja 6ª edição, publicada em 1921, ainda hoje é usada pelos homeopatas. [53]

Miasmos e doenças[editar | editar código-fonte]

Uma preparação homeopática feita a partir de chá de pântano : a diluição "15C" mostrada aqui significa que a solução original foi diluída para 1/1030 da sua força original. Dado que o número de moléculas nessa pequena amostra é muitas ordens de magnitude menor que 1030, a probabilidade de que ela contenha mesmo apenas uma molécula da erva original é extremamente baixa.

No Organon, Hahnemann introduziu o conceito de "miasmas" como "princípios infecciosos" subjacentes à doença crônica.[54] Hahnemann associou cada miasma a doenças específicas e pensou que a exposição inicial a miasmas causa sintomas locais, como doenças da pele ou venéreas. Se, no entanto, esses sintomas foram suprimidos pela medicação, a causa foi se aprofundou e começou a se manifestar como doenças dos órgãos internos. [55] A homeopatia sustenta que tratar doenças aliviando diretamente seus sintomas, como às vezes é feito na medicina convencional, é ineficaz porque toda "a doença em geral pode ser atribuída a alguma tendência latente, profunda, subjacente, crônica ou herdada".[56] O miasma imputado subjacente ainda permanece, e as doenças profundas podem ser corrigidas apenas removendo a perturbação mais profunda da força vital.[57]

As hipóteses de Hahnemann para a causa direta ou remota de todas as doenças crônicas (miasmas) eramoriginalmente apenas três: psora (coceira), sífilis (doença venérea) ou sicose (doença da verruga). [58] Desses três, o mais importante era a psora, descrita como relacionada a qualquer doença pruriginosa da pele, supostamente derivada de sarna suprimida, aqual se afirmava ser a base de muitas outras doenças. Hahnemann acreditava que a psora era a causa de doenças como epilepsia, câncer, icterícia, surdez e catarata. Desde a época de Hahnemann, outros miasmas foram propostos, alguns substituindo uma ou mais das funções propostas pela psora, incluindo miasmas de tuberculose e câncer . [55]

Hahnemann cunhou a expressão " medicamento alopático ", que era usado para se referir pejorativamente à medicina ocidental tradicional. [59]

A teoria do miasma de Hahnemann permanece controversa nos círculos homeopáticos mesmo nos tempos atuais. A teoria foi criticada como uma explicação desenvolvida por Hahnemann para preservar o sistema de homeopatia diante de falhas no tratamento e por ser inadequada para cobrir muitas centenas de tipos de doenças, bem como por não explicar as predisposições de doença, nem fatoresgenéticos, ambientais e o histórico de doenças particular de cada paciente. [60] :148–9

Século 19: popularidade e críticas iniciais[editar | editar código-fonte]

A homeopatia alcançou sua maior popularidade no século 19. Foi introduzida nos Estados Unidos em 1825 por Hans Birch Gram, um estudante de Hahnemann. [61] Durante o século 19, dezenas de instituições homeopáticas apareceram na Europa e nos Estados Unidos,[62] e em 1900 havia 22 faculdades homeopáticas e 15.000 praticantes nos Estados Unidos.[63] Como a prática médica da época dependia de tratamentos ineficazes e muitas vezes perigosos, os pacientes de homeopatas geralmente obtinham melhores resultados do que os médicos da época. [64] Os preparativos homeopáticos, mesmo que ineficazes, quase certamente não causariam danos, tornando os usuários de preparados homeopáticos menos propensos a serem mortos pelo tratamento que deveria estar ajudando-os. [53] O relativo sucesso da homeopatia no século 19 pode ter levado ao abandono dos tratamentos ineficazes e prejudiciais da sangria e purga, além de ter iniciado o movimento em direção a uma medicina mais eficaz e baseada na ciência. Um dos motivos da crescente popularidade da homeopatia foi o aparente sucesso no tratamento de pessoas que sofrem de epidemias de doenças infecciosas.[65] Durante as epidemias do século 19 de doenças como a cólera, as taxas de mortalidade nos hospitais homeopáticos eram frequentemente mais baixas do que nos hospitais convencionais, onde os tratamentos usados na época eram frequentemente prejudiciais e pouco ou nada fizeram para combater as doenças.

Desde o seu início, no entanto, a homeopatia foi criticada pelo meio científico. Sir John Forbes, médico da rainha Vitória, disse em 1843 que as doses extremamente pequenas de homeopatia eram ridicularizadas como inúteis, "um ultraje à razão humana".[66] Em 1853, James Young Simpson declarou em 1853 sobre os medicamentos altamente diluídos: "Não há veneno, por mais forte ou poderoso, faria com que um bilionésimo ou decilionésimo afetasse minimamente um homem ou machucasse uma mosca".[67] O médico e autor americano Oliver Wendell Holmes, Sr. também foi crítico vocal da homeopatia e publicou um ensaio intitulado Homeopatia e seus delírios familiares (1842). [46]Os membros da Sociedade Homeopática Francesa observaram em 1867 que alguns dos principais homeopatas da Europa não apenas abandonavam a prática de administrar doses infinitesimais, como também não a defendiam.[68] A última escola nos EUA que ensinava exclusivamente homeopatia foi fechada em 1920. [53]

Ressurgimento no século 20[editar | editar código-fonte]

Segundo Paul Ulrich Unschuld, o regime nazista na Alemanha era fascinado pela homeopatia e gastou grandes somas de dinheiro na pesquisa de seus mecanismos, mas sem obter um resultado positivo. Unschuld argumenta ainda que a homeopatia nunca mais se firmou nos Estados Unidos, mas permaneceu mais profundamente estabelecida no pensamento europeu.[69] Nos Estados Unidos, a Lei de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos de 1938 (patrocinada por Royal Copeland, senador de Nova York e médico homeopata) reconheceu as preparações homeopáticas como medicamentos. Na década de 1950, havia apenas 75 homeopatas puros praticando nos EUA.[70] No entanto, em meados do final da década de 1970, a homeopatia retornou significativamente e as vendas de algumas empresas homeopáticas aumentaram dez vezes.[71] Alguns homeopatas creditam o esse ressurgimento ao homeopata grego George Vithoulkas, que realizou "uma grande quantidade de pesquisas para atualizar os cenários e refinar as teorias e práticas da homeopatia", começando na década de 1970, [72] [73] mas Ernst e Singh consideram que a causa real tenha ligação com a ascensão do movimento da Nova Era.[40] De qualquer maneira, as principais redes de farmácias reconheceram o potencial comercial da venda de preparações homeopáticas.[74] A Food and Drug Administration realizou uma audiência em 20 e 21 de abril de 2015 solicitando comentários públicos sobre a regulamentação de medicamentos homeopáticos.[75] O FDA citou o crescimento das vendas de medicamentos homeopáticos vendidos sem receita, que foram de US$ 2,7 bilhões em 2007. [76]

Bruce Hood argumentou que o aumento da popularidade da homeopatia nos últimos tempos pode ser devido às consultas relativamente longas que os médicos estão dispostos a dar a seus pacientes e a uma preferência irracional por produtos "naturais", que as pessoas pensam serem a base dos preparativos homeopáticos. [77]

Século 21[editar | editar código-fonte]

Desde o início do século 21, uma série de meta-análises mostrou ainda que as alegações terapêuticas da homeopatia não têm justificativa científica. [78] Em um relatório de 2010, o Comitê de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Comuns do Reino Unido recomendou que a homeopatia não recebesse mais financiamento do NHS devido à sua falta de credibilidade científica; o financiamento acabou em 2017. [79] Em março de 2015, o Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália (NHMRC) publicou um documento informativo sobre a homeopatia, que concluiu que 'não existem condições de saúde para as quais haja evidências confiáveis de que a homeopatia seja eficaz". As reações ao relatório provocaram manchetes mundiais, sugerindo que o NHMRC havia constatado que a homeopatia é ineficaz para todas as condições.[80]

Em 2018, as farmácias australianas ignoraram as recomendações para uma proibição homeopática no âmbito mais amplo do governo federal, aceitando apenas três das 45 recomendações feitas pela resenha da Pharmacy Remuneration and Regulation, entregue em setembro de 2017 ao ministro da Saúde Greg Hunt.[81]

Em 2019, o governo canadense parou de financiar a ajuda homeopática a Honduras. A instituição de caridade Terre Sans Frontières (TSF), de Quebec, recebeu US$ 200.000 em cinco anos do Programa de Cooperação Voluntária da Global Affairs. [82] A TSF apoia "curas" homeopáticas da doença de Chagas.[83]

Em julho de 2019, o ministro da saúde francês anunciou que os reembolsos da previdência social para medicamentos homeopáticos serão eliminados antes de 2021. Na França, há muito tempo, há uma crença mais forte nas virtudes dos medicamentos homeopáticos do que em muitos outros países, e lá se localiza o maior fabricante mundial de medicamentos para medicina alternativa, a Boiron.[84]

Princípios da homeopatia[editar | editar código-fonte]

Glóbulos de sacarose usados em homeopatia como veículos dos remédios

Além da visão holística impressa em toda a obra de Hahnemann, ou seja, a visão do todo sobre as partes, há quatro princípios que orientam a prática homeopática, quais sejam:

  • Lei dos Semelhantes: Resultado de suas releituras dos Clássicos e, sobretudo, de suas próprias experiências, anuncia esta Lei universal da cura: similia similibus curantur. Exemplificando, um medicamento capaz de provocar, em uma pessoa sadia, angústia existencial que melhora após diarréia e febre, curaria uma pessoa cuja doença natural apresente essas características.
  • Experimentação na pessoa sadia: A fim de conhecerem as potencialidades terapêuticas dos medicamentos, os homeopatas realizam provas, chamadas patogenesias; em geral são eles mesmos os experimentadores. Tipicamente não se fazem experiências com animais. Uma condição básica para a escolha dos provandos é que sejam saudáveis. Esses medicamentos são capazes de alterar o estado de saúde da pessoa saudável e justamente o que se busca são os efeitos puros dessas substâncias.
  • Doses infinitesimais: A preparação homeopática dos medicamentos segue uma técnica própria que consiste em diluições infinitesimais seguidas de sucussões rítmicas, ou seja: mistura-se uma pequena quantidade de uma substância específica em muita água e/ou álcool e agita-se bastante. A tese é de que essa técnica "desperte" as propriedades latentes da substância. Isso é chamado de "dinamização" ou "potencialização" do medicamento.
  • Medicamento único: Primeiro o homeopata avalia se a natureza individual está a "pedir" intervenção com medicamento, pois esse é um dos meios que o médico tem para auxiliar a pessoa, não o único. Sendo o caso, usa-se um medicamento por vez, levando-se em conta a totalidade sintomática do paciente. Só assim é possível ver seus efeitos, a resposta terapêutica e avaliar sua eficiência ou não. Após a primeira prescrição é que se pode fazer a leitura prognóstica, ver se é necessário repetir a dose, modificar o medicamento ou aguardar a evolução.[carece de fontes?]

Hahnemann enunciou os princípios da homeopatia no final do século XVIII[carece de fontes?]. Depois de Hahnemann, a homeopatia expandiu-se, tendo seu desenvolvimento e sua aceitação atingido diferentes níveis nas várias regiões do mundo. Por exemplo, na Índia e no Brasil a homeopatia faz parte das políticas oficiais de saúde.[carece de fontes?] Já na Argentina está banida das políticas públicas, chegando a ser praticamente proibida em algumas províncias.[carece de fontes?]

Escolas da homeopatia[editar | editar código-fonte]

  • Unicismo: Prescrição de um único composto homeopático, igualmente a Hahnemann.[85]
  • Pluralismo: É chamado também de alternismo, dois compostos homeopáticos administrados em horas distintas, um complementando o outro.[3]
  • Complexismo: São prescritos dois ou mais compostos homeopáticos que podem ser administrados simultâneamente. A indústria produz em larga escala compostos homeopáticos ditos complexos, que tem objetivos de tratar doenças particulares, não considerando a lei dos semelhantes.[86]
  • Organicismo: O composto homeopático é prescrito conforme o órgão doente. Esta prática aproxima-se muito da alopatia.[87]

Paradigmas Conceituais[editar | editar código-fonte]

Todas as dúvidas só fazem sentido na medida em que muitos antigos defensores da homeopatia utilizavam-se de conceitos ultrapassados e não comprovados pela comunidade científica moderna em geral, como a teoria dos humores, e interpretações alternativas de teorias de difícil compreensão, para justificar mecanismos de ação dos princípios ativos ultradiluídos. Entretanto, atualmente já existem vários instrumentos e inclusive patenteados no mundo inteiro, que comprovam o diagnóstico homeopático pela resposta energético-frequencial[carece de fontes?], também conhecido como biorressonância e a sua comprovada demonstração prática através do seu imediato efeito ao nível mental e que também não deixam quaisquer dúvidas quanto a eficácia de seu efeito biológico posterior[carece de fontes?], assim cada vez mais a ciência médica, com o apoio da física vem elucidando os mecanismos sutis envolvidos nos processos de adoecimento e manutenção da saúde, relacionados com a questão energética[carece de fontes?].

A questão da superdiluição[editar | editar código-fonte]

A maioria dos cientistas acredita que diluir substâncias tanto quanto é feito na Homeopatia diminuiria drasticamente o efeito que a substância em questão possui. No entanto, toda a questão da denunciada inexistência de matéria de soluto para o princípio ativo em soluções homeopáticas ocorre por conta das diluições acima de 11 CH (décima-primeira centesimal Hahnemaniana). Como o número de Avogadro vale 6,02 x 10−23 mol (1 mol-grama), esse número será alcançado apenas na 12 CH (10−24). Nas diluições menores (5 CH, 3 CH, 3x, 5x) e na própria 6a. centesimal, as mais usadas, existe matéria de soluto além da água. Apenas para fins de comparação (e de reflexão significativa), a concentração de alguns hormônios no sangue é da ordem de picogramas (10−12 gramas). Isso corresponde exatamente a 6a. diluição centesimal[88]. Os efeitos devastadores e abrangentes dos hormônios mostram que não existe uma relação linear em quantidade de matéria e efeito orgânico. Segundo o método científico, ainda não se conhece experimento científico que — conforme contestação científica — corrobore a eficácia da homeopatia para além de um mero efeito placebo. As vacinas são um exemplo do uso de substâncias em pequenas quantidades ou atenuadas com vistas a prover um efeito desejável.

Exemplificações[editar | editar código-fonte]

Em dias quentes é tradicionalmente comum na Índia e na China tomarem chá quente. De forma inusitada, a bebida provoca uma reação no corpo que é percebida como um resfriamento. Teoricamente, está ocorrendo o princípio da cura pelo similar, ou equilíbrio interno através do "despertar" de um mecanismo intrínseco ao corpo humano. Há quem acredite que houve a resposta da energia vital, em que o fator calórico foi reconhecido e como resposta a esta informação, e por isso o organismo passou a se esfriar. Similarmente, a homeopatia faria acordar a resposta energética correta.

Verifica-se[quem?] que nossa energia vital tem forças naturais para debelar infecções, inflamações, ou mesmo estados de choque, a depender da energia vital, dando-lhe o correto estímulo, por entrar em ressonância com o órgão ou organismo e assim produzir a resposta de cura.[carece de fontes?] Assim sendo, passamos a entender perfeitamente o porque que muitos experimentos homeopáticos passaram a ser classificados como charlatanices: simplesmente porque caíram na armadilha da padronização alopática de querer dar um só tipo de medicação para cada doença, ao invés de avaliar individualmente a resposta adequada para cada um com base na sua própria resposta energética.[carece de fontes?]

Ainda assim, não podemos nos esquecer que no início do século XX ainda não existiam antibióticos, a eficácia dos hospitais homeopáticos era bem superior à dos alopáticos[carece de fontes?] por não produzir os efeitos colaterais nem os riscos das técnicas antiquadas de alopatia. Isso provavelmente deu espaço para que a tradição homeopática ganhasse credibilidade.[carece de fontes?]

Preparo dos compostos homeopáticos[editar | editar código-fonte]

Almofariz e pilão usados para trituração e moagem de sólidos insolúveis a serem empregados em compostos homeopáticos, inclusive conchas de ostras, quartzo e outros constituintes.

O preparo dos compostos homeopáticos segue princípios e técnicas bem definidos e simples em si [a questão da validade não é aqui discutida]. De ordinário, há as seguintes etapas:

  1. Extração dum princípio mineral ou vegetal da fonte;
  2. Pulverização (trituração e moagem) do insumo, quando necessário;
  3. Dissolução num veículo adequado, aquoso, hidroalcóolico etc.;
  4. Diluição em sequência centesimal hahnemanniana;
  5. Sucussão, Dinamização ou Potencialização ou ainda sucussão.

Quadro de diluições[editar | editar código-fonte]

As soluções homeopáticas — frequentemente ditas simplesmente diluições homeopáticas — preparam-se segundo uma sequência centesimal. Eis a regra para esse preparo:

"Toma-se uma parte da substância curativa pura e dilui-se-a em 99 partes de solução hidroalcoólica a 70% (i.e., 70% de álcool etílico e 30% de água): esta é a primeira diluição ou primeira potência (CH1). Depois, da diluição resultante, toma-se 1(uma) parte e dilui-se-a novamente com 99 partes de solução alcoólica a 70%; esta é a segunda diluição ou segunda potência (CH2). E assim por diante".[89] A homeopatia considera que quanto maior a diluição seguida da sucussão, tanto maior será a potência do preparado.

É digno de nota que a diluição primordial é de "1 parte do soluto para 99 partes do solvente (no caso, a solução essencial hidroalcoólica citada)". Se se considera que a parte do soluto — usualmente ínfima em massa e em volume — ao ser adicionada ao solvente resulta uma solução que reúne o volumes do soluto (volume algo alterado por interações físico-químicas moleculares, v.g., solvatação etc.) e o volume do solvente, pode-se, sem erro significativo, dizer que o volume da solução é de 100 partes; logo a concentração do soluto (na solução, uma fração volumétrica) será de 1:100 ou 0,01 ou 10−2. Representa-se-o, na homeopatia, por 1C, C1, 1CH ou CH1, que se lê "1ª concentração (diluição ou potência) centesimal hahnemanniana.

Já que as diluições sucessivas são, de ordinário, centesimais, a seguinte generalização representa matematicamente esse processo:

CHx = 10–2.x (em base decimal), ou, equivalentemente, CHx = 100–x (em base centesimal), que expressa diretamente a ideia de diluição centesimal.

Esta expressão relaciona as duas escalas: a escala Centesimal Hahnemanniana (C ou CH) e a escala Decimal Comum (D ou X) para representação das diluições, apresentadas no quadro a seguir.

Escala Centesimal Hahnemanniana (dita Escala CH)
Escala Decimal Comum (dita Escala D ou X)
Concentração química (diluição) do soluto [em partes por 10 X]
Nota
½C, ½CH, C½, CH½
1D, D1, 1X, X1
1 para 10 (C = 10−1)
Considerada a menor diluição hahnemanniana, todavia a menor "potência", pelo método homeopático.
1C, 1CH, C1, CH1
2D, D2, 2X, X2
1 para 10² (C = 10−2)
Maior diluição que 1X, isto é, contém menor quantidade de soluto para mesma quantidade de solvente, porém considerada de maior "potência" pelo princípio das doses infinitesimais da Homeopatia.
2C, 2CH, C2, CH2
4D, D4, 4X, X4
1 para 104 (C = 10−4)
3C, 3CH, C3, CH3
6D, D6, 6X, X6
1 para 106 (C = 10−6)
4C, 4CH, C4, CH4
8D, D8, 8X, X8
1 para 108 (C = 10−8)
Máxima concentração permitida para o elemento químico arsênio em água potável, segundo a ciência contemporânea[90]
6C, 6CH, C6, CH6
12D, D12, 12X, X12
1 para 1012 (C = 10−12)
7C, 7CH, C7, CH7
14D, D14, 14X, X14
1 para 1014 (C = 10−14)
12C, 12CH, C12, CH12
24D, D24, 24X, X24
1 para 1024 (C = 10−24)
Conforme a Físico-química moderna (limitação quantitativa imposta pela Constante de Avogadro), essa diluição tem cerca de 60% de probabilidade de conter pelo menos uma molécula do soluto original para cada mol deste utilizado no seu preparo.
30C, 30CH, C30, CH30
60D, D60, 60X, X60
1 para 1060 (C = 10−60)
Diluição defendida por Hahnemann para a maioria dos casos: conforme a Físico-química moderna (limitação quantitativa imposta pela Constante de Avogadro), em média, isso significaria administrar dois bilhões de doses por segundo a seis bilhões de pacientes por quatro bilhões de anos para oferecer uma única molécula do soluto original para algum paciente.
200C, 200CH, C200, CH200
400D, D400, 400X, X400
1 para 10400 (C = 10−400)
Diluição do popular composto homeopático Oscillococcinum, preparado homeopático reportado "anti-gripal completo, eficaz na prevenção e no tratamento de influenzas". Comparado ao número estimado de partículas do Universo observável e inferível (cerca de 1080) [carece de fontes?], o número 10400 vale (1080)5, a quinta potência do número total estimado de partículas!

Compostos homeopáticos[editar | editar código-fonte]

Repertório da 'Materia medica' homeopática, de Kent.

Para uma lista de medicamentos homeopáticos, veja Lista de remédios homeopáticos.

Homeopatia no Brasil[editar | editar código-fonte]

A prática da homeopatia chegou ao Brasil em 1840, pelas mãos do médico francês Dr. Benoit Jules Mure (Bento Mure) que, na cidade do Rio de Janeiro, fundou a primeira escola para o seu ensino: o Instituto Homeopático Brasileiro. Os diversos insumos então utilizados vinham da Europa. Dr. Mure e seu amigo, Dr. João Vicente Martins, ministravam os cursos e o interesse dos farmacêuticos era crescente.

A cisão da homeopatia da prática médica deu-se por volta de 1851, por parte dessa instituição acadêmica. Com o Decreto nº 9554 de 1886, os farmacêuticos ganharam o poder de manipular medicamentos.

Com o passar dos anos surgiram leis específicas para a farmácia homeopática, e com muitos esforços da classe médica e farmacêutica, foi elaborado o Decreto nº 78841, aprovando a 1ª edição da Farmacopéia Homeopática Brasileira. Entretanto, apenas em 1980 é que o Conselho Federal de Medicina reconheceu a homeopatia como especialidade médica.

Homeopatia na Saúde Pública[editar | editar código-fonte]

Na Inglaterra, o comité da ciência e tecnologia da Casa dos Comuns declarou que as "políticas governamentais de homeopatia não eram baseadas em provas fiáveis", sugerindo que o serviço nacional de saúde deixe de apoiar tratamentos que não são cientificamente provados.[91]

Gastos com homeopatia no Sistema Único de Saúde (SUS)[editar | editar código-fonte]

O Instituto Questão de Ciência, valendo-se da Lei de Acesso à Informação, tentou aferir exatamente quanto se gasta com as Práticas Integrativas Complementares (PICs) nas capitais brasileiras. A grande maioria das prefeituras simplesmente não sabe quanto gasta com essas práticas, que inclui a homeopatia. Apenas a cidade de Vitória (ES) dispunha de dados detalhados referente aos gastos em conjunto nas seguintes práticas integrativas: fitoterapia, homeopatia, acupuntura, musicoterapia, auricoloterapia, yoga e xian gong. O valor mínimo total gasto, por ano, para manter estas práticas é de R$ 1.540.522,00. Vitória tem 362 mil habitantes, portanto gasta R$ 4,20 em PICs, por pessoa, por ano. Comparativamente, uma dose de vacina de febre amarela custa R$ 3,50 ao erário. Isso quer dizer que com o dinheiro gasto com PICs em Vitória, seria possível vacinar quase meio milhão de brasileiros.[92]

Apreciações críticas[editar | editar código-fonte]

Contrárias à homeopatia[editar | editar código-fonte]

Escassez de indícios de eficácia[editar | editar código-fonte]

Alguns cientistas consideram a homeopatia como um resquício pseudocientífico dos tempos da alquimia. Os resultados iniciais atribuídos à homeopatia podem ser explicados como efeito placebo. Alega-se que os medicamentos homeopáticos foram cientificamente testados (no chamado estudo duplo-cego, para controlar os efeitos placebos) várias vezes e alguns desses testes produziram resultados positivos. A maioria dos cientistas atribui isso a flutuações aleatórias, uma vez que os resultados quase não são mensuráveis, não podem ser reproduzidos de modo confiável e há uma grande quantidade de testes em que a homeopatia falha. Além disso, o modo básico como os testes são realizados leva uma pequena fração dos testes a produzirem falsos resultados positivos. Normalmente isso é evitado por meios estatísticos, mas quando uma grande quantidade de testes é realizada, um ou dois produzirão resultado positivo por efeitos aleatórios.

Homeopatia não se acha pacificamente inserida como especialidade médica em todos os países. Mesmo aqueles que lhe conferem alguma aceitação oferecem-lhe certas restrições, ou de natureza institucional (as comunidades científico-médicas, os conselhos ou as ordens médicas etc.) ou de cunho legal (as disposições normativas pertinentes na ordem jurídico-política de cada país). Consideram-se questionáveis, sob a óptica da metodologia científica vigente, tanto o princípio como as técnicas, que deveriam ser provados e aprovados segundo os cânones do método científico moderno. Em particular, citam-se:

  1. Os altos níveis de diluição (variando de acordo com o medicamento), que conduziriam eventualmente à ineficácia por efetiva inexistência de princípio ativo (os homeopáticos são tão diluidos que, em doses comuns, chega a ser impossível haver uma única molécula do princípio ativo em toda a solução);
  2. A inexistência de estudos acadêmico-científicos específicos que comprovem a eficácia de tal método (sobretudo estudos de duplo-cego);
  3. Todos os estudos científicos produzidos até agora concluem pela ineficácia da homeopatia (eficiência idêntica a um placebo).

Em agosto de 2005, a revista científica The Lancet publicou uma metanálise de 110 experimentos homeopáticos placebo-controlados e 110 experimentos médicos convencionais, baseados no "Programa para Avaliação de Medicinas Alternativas" do Governo da Suíça. No artigo os pesquisadores apresentam sua conclusão de que afinal "os efeitos clínicos da homeopatia são nada mais que efeitos placebo".[93]

O Parlamento do Reino Unido também fez uma análise da eficácia de remédios homeopáticos. Os resultados apontam que as explicações científicas para a homeopatia não são convincentes. O governo britânico recomenda a interrupção imediata desse tipo de remédio no serviço público de saúde daquele país.[94]

Um medicamento homepático preparado a partir da espécie vegetal Ledum palustre ssp.. A diluição 15CH aqui exibida, segundo o método da química analítica moderna, não deve conter sequer uma só molécula do princípio original.

Na pesquisa de qualquer fármaco, um trabalho científico deve ter algumas características específicas para ter valor real. Deve, pois, ser:

  1. Duplo-cego (ou seja, nem o terapeuta, nem o paciente sabem o que vai ser tomado, placebo ou fármaco);
  2. randomizado (pacientes com mesmo diagnóstico - ver abaixo - são sorteados aleatoriamente para uso de placebo ou fármaco em estudo);
  3. Prefencialmente multicêntrico (com trabalhos feitos em institutos de saúde diferentes para ver se método é reprodutível);
  4. Feito por pesquisadores independentes e sem vínculos de interesse.

Samuel Hahnemann (reputado recriador da Homeopatia, na transição dos séculos XVIII e XIX), sem qualquer base científica para a época, utilizou um processo de diluições seqüenciais para preparar seus medicamentos. Ele diluía extratos de certas ervas e minerais naturais, à razão de uma parte de medicamente para dez partes de água, o que resultava em concentração (ou diluição) de 1:10; agitava a solução e, então, diluía por outro fator de dez, resultando ao final em uma diluição de 1:100. Uma terceira repetição do processo produzia diluição de 1:1000 e assim por diante. Cada diluição subsequente adicionaria outro zero à direita. Ele repetia o processo várias vezes. Diluições extremas são rapidamente obtidas por esse método. Por meio da química analítica, sabe-se que analiticamente o limite de diluição é alcançado quando sobra apenas uma molécula do medicamento no meio veículo. À luz dessa evidência, efetivamente além desse ponto, nada mais pode restar para se diluir.

Em um sem número de medicamentos homeopáticos, por exemplo, a diluição de 30X é basicamente o padrão. A notação 30X significa que a substância foi diluída em uma parte em dez e agitada, e o processo, então, repetido sequencialmente trinta vezes. A diluição final é de uma parte de medicamento em 1030 (um nonilhão) partes de água. Isso está além do limite de diluição. Para ser exato, em uma diluição de 30X seria necessário beber 7874 galões [30 m³ ou 30 000 litros] da solução para se esperar encontrar apenas uma única molécula de medicamento.

Comparado a muitas preparações homeopáticas, mesmo 30X é concentrado. Oscillococcinum, o remédio homeopático padrão para a gripe, é produzido a partir de fígado de pato, mas o seu uso generalizado na homeopatia cria pouco risco à população de patos: a diluição padrão é de 200C. C significa que o extrato é diluído em uma parte em cem e agitado, repetindo-se duas centenas de vezes. Isso resultaria em uma diluição de uma molécula de extrato para cada 10400 moléculas de água — isto é, 1 seguido de 400 zeros.

Park destaca que Hahnemann provavelmente não estava ciente do limite da ultradiluição porque ele desconhecia o número de Avogadro, uma constante física que torna possível calcular o número de moléculas em uma amostra com uma certa massa de uma substância. Explica o sucesso que a homeopatia teve no início comparando com o uso, à época, de tratamentos verdadeiramente perigosos: "Os médicos ainda tratavam os pacientes com sangria, lavagens e freqüentes doses de mercúrio e outras substâncias tóxicas. Se o nostrum infinitamente diluído de Hahnemann não fazia nenhum bem, ao menos não fazia nenhum mal, permitindo às defesas naturais do paciente corrigirem o problema." Park explica, ainda, como os modernos homeopatas concordam que realmente não há nenhuma molécula de medicamento em seus remédios, mas que o líquido inexplicavelmente se "lembra" da substância após o processo de diluição. Como essa pseudomemória da substância é obtida, nunca foi satisfatoriamente explicado. Os críticos também apontam a dissociação espontânea da água em ácido e base (o que explica porque seu pH é 7). A quantidade de ácido em um medicamento homeopático, embora pequena, é geralmente muito maior do que a quantidade de agentes ativos. Estudo realizado na Universidade de Toronto demonstrou existir a "memória da água" sem a presença do soluto, mas persistente por apenas 50 femtossegundos (1/20.000.000.000.000 de segundo).[95]

A suposta "memória da água" também parece se comportar de forma curiosamente seletiva, pois só se lembra dos ingredientes que o preparador do medicamento deseja[carece de fontes?]. Supondo que a amostra inicial de água, com a qual se dilui pela primeira vez um medicamento homeopático, contivesse eventuais traços de impurezas (ferrugem de canos ou outros elementos indesejáveis), concluir-se-ía que os seus efeitos também seriam dinamizados. Mesmo que um preparador atestasse ser pura ("sem" impureza) a amostra de água inicial, o próprio argumento da "memória da água" indicaria que efeitos de contaminações passadas poderiam estar presentes, ainda que nenhuma molécula de impureza fosse detectada.

Recentemente, céticos em relação à homeopatia consumiram diante do público grandes quantidade de medicamentos homeopáticos a fim de demonstrar sua falta de efeito. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch, consumiram caixas inteiras de pílulas homeopáticas para dormir no começo de suas palestras públicas. SKEPP[96], um grupo de céticos belgas, realizou uma conferência de imprensa na qual céticos tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. Ninguém passou mal.[97]

A questão da atenção médica[editar | editar código-fonte]

Consultas realizadas por homeopatas costumam ser mais demoradas e seus questionários mais extensos. Estas características conferem subjetivamente ao paciente um atendimento mais "humanizado" proporcionando um ambiente de maior confiança e empatia por parte de ambos, fortalecendo a relação médico-paciente. Sabe-se que este tipo de relação aumenta a eficácia dos efeitos placebos de toda e qualquer terapia, seja alopática, homeopática ou outra qualquer.[98]

Outra crítica aos trabalhos a favor da homeopatia é o diagnóstico da patologia a ser tratada. Se uma pessoa apresenta queixa de dor de cabeça, as causas catalogadas pelos neurologistas podem chegar a mais de uma centena. Ou seja, diversas doenças podem ser a causa de sintomas comuns. Alguns estudiosos duvidam que a maioria dos homeopatas consiga apenas através de uma consulta clínica classificar dentro de estritos critérios médicos todos os pacientes para toda uma vasta gama de queixas (e quase sem exames). Para tanto os homeopatas se valem de teorias empíricas próprias de funcionamento de órgãos e sistemas orgânicos. Evidentemente os pacientes que serão estudados para finalidade de trabalho científico deverão ser catalogados pelas suas doenças e não pelas suas queixas (sintomas).[carece de fontes?]

A questão da tradição[editar | editar código-fonte]

Outra crítica à homeopatia é de que os argumentos em seu favor levariam muito em consideração práticas consolidadas sem questionamentos e de que seu conhecimento se pautaria em demasia nas afirmações de Hahnemann acriticamente sem a existência de estudos científicos que a comprovem.

Placebo em bebês e outros[editar | editar código-fonte]

Argumenta-se frequentemente que evidências do efeito favorável da homeopatia em bebês, animais domésticos e plantas seriam provas de que a homeopatia não agiria por efeito placebo, pois estes não estariam suscetíveis a esse efeito. No entanto, bebês e animais domésticos estão sujeitos aos efeitos benéficos do aumento de cuidados e atenção e do efeito placebo, motivo que os remédios e compostos devem ser testados com testes de duplo cego mesmo quando usados em bebês ou animais [99][100][101]. Até hoje não existe um teste duplo-cego que possa comprovar o uso de placebo.

Favoráveis à homeopatia[editar | editar código-fonte]

Os defensores da homeopatia[quem?] asseveram que ela contempla o ser humano não de modo fragmentário, mas numa visão integrada, vendo-o como um todo onde corpo e psique são indissociáveis e, assim, necessitam ser abordados como um ente único. Neste aspecto — observam — ela se aproxima das medicinas clássicas orientais e do que viria a formar, no século XX, o pensamento sistêmico. No entanto, resta demonstrar que tal maneira de agir aumenta a probabilidade de cura do paciente.

Luc Montagnier, virologista francês distinguido com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2008 pela descoberta do vírus da Aids, surpreendeu a comunidade científica ao manifestar seu apoio à medicina homeopática, em uma entrevista publicada na revista Science de 24 de dezembro de 2010.[102] No entanto, cabe ressaltar que Luc Montagnier nunca produziu nenhum estudo evidenciando a eficácia do método homeopático.

Estudos controlados e experimentos clínicos[editar | editar código-fonte]

No relatório Homoeopathy: review and analysis of reports on controlled clinical trials, a OMS afirmou que o método terapêutico se mostrou superior ao placebo em experimentos controlados, sendo "equivalente à medicina convencional no tratamento de doenças, tanto em homens quanto em animais". Em resposta, a revista The Lancet afirmou que "o relatório é baseado em dados positivos e esquece os negativos encontrados em outros estudos" e que "a OMS não deveria promover a homeopatia, da mesma forma que o fez com a acupuntura." A OMS, por sua vez, disse que o relatório era apenas preliminar, tendo o objetivo de estimular mais pesquisas sobre o assunto. [103]

Dana Ullman, em seu livro de 1995, The Consumer's Guide to Homeopathy, dedica um capítulo a "Evidências Científicas para a Medicina Homeopática". Cita um estudo de 1991 que afirma:

" Três professores de medicina dos Países Baixos, nenhum deles homeopata, fizeram uma metanálise de 25 anos de estudos clínicos usando medicamentos homeopatas e publicaram seus resultados no periódico British Medical Journal. Essa metanálise cobriu 107 estudos controlados, dos quais 81 mostraram que medicamentos homeopáticos foram eficazes, 24 se mostraram ineficazes e 2 foram inconclusivos. Os professores concluíram, 'A quantidade de resultados positivos veio como uma surpresa para nós'. " [carece de fontes?]

Uma revisão de 1997 avaliou 89 estudos e concluiu que os resultados da meta-análise não são compatíveis com a hipótese de que os efeitos clínicos da homeopatia são completamente devidos ao placebo[104]. No entanto os pesquisadores não encontraram, com base nesses estudos, provas suficientes de que a homeopatia seja eficaz para condições clínicas específicas. Em um outro estudo, que revisou 110 outros, Shang e colaboradores [105] mostraram que os estudos de homeopatia não são imparciais, e, quando esta imparcialidade é levada em consideração, há uma fraca evidência para um efeito específico dos medicamentos homeopáticos, enquanto há fortes evidências de efeitos específicos de intervenções convencionais. Este achado é compatível com a noção de que os efeitos clínicos da homeopatia podem ser efeitos placebo.

Aceitação da homeopatia nos países[editar | editar código-fonte]

A aceitação da homeopatia como uma forma autônoma e válida de medicina depende da legislação de cada país. Eis o panorama conforme vigente até esta data (15 de maio de 2010):

  • Austrália: à semelhança do que ocorre no Reino Unido, a homeopatia é legalizada como prática médica, por ato do parlamento. No entanto, no ano de 2017, o governo australiano encerrou aos subsídios a 17 medicinas ditas alternativas, entre as quais a homeopatia.[106]
  • Bélgica: a homeopatia é reconhecida, desde que praticada por médicos. Cerca de 25% da população belga utiliza por vezes medicamentos homeopáticos.
  • Brasil: a partir de 1979 a homeopatia passou a constar no Conselho de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira e em 1980, do rol de especialidades do Conselho Federal de Medicina, deixando de fazer parte das medicinas alternativas e passando a constituir parte do que hoje se chama medicinas integrativas. O SUS - Sistema Único de Saúde - a inclui em suas rotinas de atendimento e hoje está estabelecida como política de Estado. Há no País médicos, veterinários e odontólogos, além de farmacêuticos, psicólogos e agrônomos, que trabalham oficialmente com homeopatia. Há também a formação em homeopatia ministrada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) onde não se exige graduação na área de saúde, e nem mesmo um curso superior, formando os chamados "terapeutas homeopatas", atividade que tem causado muita controvérsia. Todavia são poucas as faculdades de medicina no país que reconhecem a homeopatia como especialidade médica. A maior parte dos cursos de medicina (sobretudo os das universidades públicas e particulares de ponta) não reconhecem esta modalidade e nem a introduzem em suas ementas. Entre as poucas universidades que permitem o ensino de tais práticas, a maioria deixa a critério dos alunos a opção entre estudá-las ou não, ao definirem as disciplinas relacionadas ao método como eletivas.[107][108] Porém em 2017 o MEC instituiu a disciplina como obrigatória na graduação em farmácia.[32]
  • França: a homeopatia segue as regras estabelecidas por Philippe de Lyon, que só aceita as potências até CH30. Estes medicamentos, prescritos por médicos, são reembolsados pelo sistema público de saúde. Quase todas as farmácias francesas vendem medicamentos homeopáticos.[carece de fontes?] As Academias Nacionais Francesas de Medicina e Farmácia publicaram um comunicado conjunto condenando o gasto de dinheiro público em remédios homeopáticos, e também a existência de títulos acadêmicos em homeopatia em cursos superiores de suas áreas.[34]
  • Índia: há mais de 120 escolas de homeopatia, ligadas a universidades e a hospitais, das quais 19 são mantidas pelo governo.[carece de fontes?]
  • Países Baixos: a homeopatia não tem reconhecimento oficial, mas uma lei de 1996 garante o direito de cada pessoa escolher entre o tratamento pela medicina oficial ou por outra forma de terapia.
  • Portugal: a Ordem dos Médicos não reconhece a homeopatia como especialidade médica. No entanto, existem duas associações, uma em Lisboa (SPH) e outra no Porto (SPMH), que aceitam apenas médicos como membros. As farmácias em Portugal vendem medicamentos homeopáticos com autorização do Infarmed.
  • Reino Unido: a homeopatia é legalizada como prática médica. Um ato do parlamento britânico de 1950 (Ato da Faculdade de Homeopatia) reuniu as leis e regulamentos sobre a prática da homeopatia.
  • República Checa: há cerca de mil médicos homeopatas clássicos, que não receitam apenas remédios homeopáticos porque as companhias de seguro não cobrem os gastos.
  • Romênia: a homeopatia foi legalizada em 1969, e é exercida apenas por médicos. Há cerca de setecentos homeopatas no país.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Secundária[editar | editar código-fonte]

Primária[editar | editar código-fonte]

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