Horace Bianchon

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Horace Bianchon, médico, é um personagem da Comédia Humana de Honoré de Balzac[1].

Nascido em 1797, originário de Sancerre, Bianchon aparece pela primeira vez na Comédia em 1818 em César Birotteau[2]. Sobrinho de Jean-Jules Popinot e discípulo de Desplein, estudande brilhante, íntegro, fiel na amizade e de boa companhia, é reecontrado ao longo de toda a obra, em que cuida de praticamente todos os personagens.

É uma personalidade às vezes indispensável (é encontrado sem cessar), mas pouco definida (muito pouco se conhece de sua vida privada). Bianchon é o equivalente literário do padre, tipo de benfeitor da humanidade que se apaga diante de sua função.

Faz parte do Cenáculo, grupo que inclui homens de talento nas disciplinas mais diversas: desenho, pintura, poesia, escrita, ciências, de que Louis Lambert também faz parte. Aqui se encontram, entre outros, o pintor Joseph Bridau, o caricaturista Jean-Jacques Bixiou, o escritor Daniel d'Arthez e, mais tarde, o dândi Lucien de Rubempré.

A lenda diz que Balzac, delirando no leito de morte, mandou chamar Bianchon para salvá-lo. Mas a anedota não é confirmada[3].

Aparições[editar | editar código-fonte]

1818 - Horace é primo de Anselme Popinot, o fiel empregado de César Birotteau. Ele faz apenas uma curta aparição neste romance, para ir ao baile de César Birotteau e encontrar seu primo. Ele é ainda estudante de medicina.

1819 - Em Le Père Goriot[4], sempre estudando, ele frequenta os cursos de Cuvier e toma seu jantar como pensionário externo da casa Vauquer, onde faz amizade com Eugène de Rastignac. Eugène lhe confia a situação desperadora do pai Goriot quando este último entra em decadência. Bianchon prodigaliza todos os cuidados possíveis com o velho homem, em vão. Ele alerta Vautrin, mais tarde, de uma palavra dita por mademoiselle Michonneau e Poiret: Engana-a-morte (apelido do fugitivo disfarçado no mundo do crime). Ele ameaça abandonar a pensão por causa destes dois espiões.

1821 - Em Illusions perdues[5], ele encontra Lucien de Rubempré, que lhe apresenta Daniel d'Arthez e cujo manuscrito, imperfeito, pede algumas correções. Bianchon e d'Arthez intervem. Bianchon é agora um interno no Hôtel-Dieu. Neste mesmo ano, ele tem uma curiosa aventura enquanto era enviado por Desplein ao leito de um doente próximo a Vendôme. Ele contará mais tarde essa história (La Grande Bretèche) em Autre étude de femme[6].

1822 - Bianchon trata de Coralie, a amante de Lucien de Rubempré, sem ter sucesso em salvá-la.

1823 - Depois de ver seu mestre Desplein, um ateu, entrando na igreja de Saint-Sulpice, ele descobre que seu mestre mantém anualmente uma missa para um antigo benfeitor (A Missa do Ateu)[4].

1824 - Ele frequenta o salão de Célestine Rabourdin, onde ele reencontra também Lucien de Rubempré, Eugène de Rastignac, Hippolyte Schinner, Octave de Camps, o juiz Granville, Andoche Finot, Monsieur du Châtelet, Mestre Derville, sociedade diversificada a quem é gentil, ainda que mantida suas distâncias.

1827 - Ele que denuncia os feitos de que é vítima Pierrette Lorrain em Pierrette[7], e ele que propõe que a jovem seja submetida a uma trepanação para curá-la. Ele ajuda seu mestre nesta operação delicada.

1828 - É frequentemente recebido por toda Paris. Mas ele cuida também da marquesa de Listomère por uma crise de orgulho (Étude de femme[8]) e Agathe Bridau (a mãe de Philippe e Jospeh Bridau) doente e sem um tostão (La Rabouilleuse)[6].

1829-1930 - Bianchon é o médico onipresente em Splendeurs et misères des courtisanes[9], correndo do leito do barão de Nucingen (doente de amor) ao de Esther van Gobseck, que se envenena para não ser possuída por aquele. Ele tenta também salvar a filha do espião de polícia Peyrade, Lydie, sequestrata, violada e tornada louca.

1831 - Ele é o médico de Raphaël de Valentin (La Peau de chagrin)[10].

1835-1836 - Médico do Hôtel-Dieu, ele obtem um cadeira em La Muse du département[6] e se torna o primeiro médico do hospital. Ele é ao mesmo tempo feito oficial da Legião da Honra.

1844 - Depois de ter cuidado do conde Anselme Popinot em Le Cousin Pons, Élisabeth Fischer em La Cousine Bette[11], ele se torna um dos práticos mais célebres de Paris, mas não deixa de se apressar para ir ao leito de Véronique Gralsin em Le Curé de village[12].

1846 - Ele aparece ainda uma vez em La Femme auter, mencionado por Bixiou. Mas seu destino não é selado.

Referências

  1. Ver o verbete "BIANCHON, Horace" em Repertory of the Comédie Humaine, em inglês.
  2. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VIII
  3. Anne Marie Meininger e Pierre Citron. Introduction à Les Héritiers Boisrouge. Pleiade, tomo XII. P. 397
  4. a b Honoré de Balzac, op. cit., volume IV
  5. Honoré de Balzac, op. cit., volume VII
  6. a b c Honoré de Balzac, op. cit., volume VI
  7. Honoré de Balzac, op. cit., volume V
  8. Honoré de Balzac, op. cit., volume II
  9. Honoré de Balzac, op. cit., volume IX
  10. Honoré de Balzac, op. cit., volume XV
  11. Honoré de Balzac, op. cit., volume X
  12. Honoré de Balzac, op. cit., volume XIV

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]