Houthis

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Houthis
الحوثيون‎
al-Ḥūthiyyūn
أنصار الله
Ansar Allah
Participante na Rebelião Houthi no Iêmen
Revolução Iemenita
Crise Iemenita
Guerra Civil Iemenita (2015–presente)
Conflito no sul da Arábia Saudita
Intervenção militar no Iêmen (2015–presente)
Houthis Logo.png
Datas 1994-presente (armado desde 2004)
Ideologia Renascimento Zaidita
Nacionalismo árabe
Nacionalismo iemenita
Anti-imperialismo[1][2][3]
Anti-sionismo
Antiamericanismo
Objetivos Defender os interesses dos Zaiditas
Defender a independência do Iêmen
Acabar com a influência da Arábia Saudita no Iêmen
Organização
Líder Hussein Badreddin al-Houthi (morto em 2004)
Abdul-Malik al-Houthi
Orientação
religiosa
Zaidismo
Sede Sana, Iêmen
Área de
operações
Iêmen
Arábia Saudita
Efetivos 100.000[4]
Relação com outros grupos
Aliados Países:
 Irão
 Síria
 Coreia do Norte
 Rússia (alegado)
 Catar (alegado)
Eritreia (alegado)
Grupos:
Iémen Forças leais a Ali Abdullah Saleh (2014-2017)
Congresso Geral do Povo (2014-2017)
InfoboxHez.PNG Hezbollah
Shiism arabic blue.svg Ahrar al-Najran
Inimigos Países:
Iêmen (Governo de Hadi)
Arábia Saudita
 Emirados Árabes Unidos
 Bahrein
 Egito
Jordânia
Kuwait
 Marrocos
Senegal
Sudão
Somália
 Estados Unidos
 Reino Unido
 França
 Canadá
 Israel
Grupos:
Iémen Forças leais a Ali Abdullah Saleh (a partir de 2017)
Iêmen do Sul Movimento do Sul
AQMI Flag asymmetric.svg Al-Qaeda na Península Arábica
AQMI Flag asymmetric.svg Estado Islâmico

Houthis (em árabe, الحوثيون, transl. al-Ḥūthiyyūn, também chamados al-Houthis, em alusão ao nome de seus dirigentes, Hussein Badreddine al-Houthi e seus irmãos) é a denominação mais comum do movimento político-religioso Ansar Allah, (em árabe أنصار الله, transl. anṣār allāh : 'partidários de Deus')[5] majoritariamente xiita zaidita (embora inclua também sunitas)[6] do noroeste do Iêmen.[7]

Hussein Badreddin al-Houthi, líder do grupo, foi morto em setembro de 2004, por forças do exército iemenita.[8] Outros integrantes da liderança houthi, incluindo Ali al-Qatwani, Abu Haider, Abbas Aidah e Yousuf al-Madani (um genro de Hussein al-Houthi) também foram mortos pelas forças governamentais iemenitas.[9] [10]

Parte do grupo tem sido referida como um "poderoso clã",[11] denominado Ash-Shabab al-Mu'min (em árabe, الشباب المؤمن; em português, Jovens Crentes) [12] ou Jovens Crentes. [10]

História[editar | editar código-fonte]

Os houthis se constituíram como grupo político nos anos 1990, após a unificação do Iêmen (antes dividido em Iêmen do Norte e Iêmen do Sul). Antes da unificação, o Iêmen do Norte, de população majoritariamente zaidita, era uma república nacionalista árabe instalada nos anos 1960, após um golpe militar e uma longa guerra civil que pôs fim ao teocrático Reino do Iêmen, expulsando os imãs zaiditas, que haviam governado o território desde o final do século IX (ca. 897). Em 1990, quando ocorre a unificação do país, o presidente do antigo Iêmen do Norte, Ali Abdullah Saleh, é eleito presidente da nova República do Iêmen. Saleh se manteve no cargo até 2012, quando foi destituído, na esteira de revoltas populares ocorridas durante a chamada Primavera Árabe - com apoio dos houthis, violentamente combatidos por seu governo.[13]

Mais recentemente, porém, Saleh acabou por se aliar aos houthis,[14] quando o Iêmen foi levado a nova guerra civil, quando os insurgentes capturaram a capital iemenita, Sana'a, obrigando o presidente Abdrabbuh Mansur Hadi a sair do país.

Luta armada[editar | editar código-fonte]

Armado a partir de 2004, em 2005 o movimento contava com 1.000 a 3.000 combatentes;[15] a partir de 2009, esse número era estimado em 2.000 a 10.000.[16] De acordo com Ahmed Al-Bahri, os houthis tinham um total de 100.000-120.000 seguidores, incluindo combatentes armados e partidários desarmados.[17]

Mapa do Iêmen com as principais cidades e países limítrofes
Mapa do Iêmen: a área verde corresponde ao território de atuação dos houthis em dezembro de 2016.

Os houthis afirmam que suas ações são para a defesa de sua comunidade e contra a discriminação por parte do governo. O governo do Iêmen, por sua vez, acusa-os de querer derrubá-lo e instituir uma lei religiosa xiita,[18] desestabilizar o governo e "fazer uma agitação com sentimento de antiamericano".[19]

O governo iemenita também acusou os houthis de ter ligações com patrocinadores externos, especialmente o governo iraniano.[20] Por sua vez, os houthis rebateram as acusações, afirmando que o governo iemenita é apoiado por agentes externos, notadamente a Arábia Saudita e a Al-Qaeda[21][22][23] [24]

Em menos de um mês (de 26 de março a 13 de abril de 2015), os ataques contra os houthis produziram 3.897 feridos e resultaram na morte de aproximadamente 2.600 civis, incluindo um grande número de crianças e mulheres. A Arábia Saudita e seus oito aliados árabes justificam os ataques pela necessidade de defender a legitimidade do presidente iemenita, Abdrabbuh Mansur Hadi, além de suprimir a ameaça que os houthis supostamente representariam para a Arábia Saudita, e principalmente evitar que o Irã estenda sua influência na região por meio dos rebeldes. [25]

Referências

  1. «Houthis are fighting "Western Imperialism"». PressTV 
  2. «Will Yemen kick off the War of the two Blocks?'». Russia Today 
  3. Plotter, Alex (4 de junho de 2015). «Yemen in crisis». Esquire 
  4. Houthis Kill 24 in North Yemen, 27 de novembro de 2011
  5. Ataques contra aldeia sunita do Iémen deixam 26 mortos e 120 feridos. A Verdade, 31 de outubro de 2013.
  6. «Derribando mitos acerca de los hutíes en Yemen, un país devastado por la guerra · Global Voices en Español». Global Voices en Español. 3 de abril de 2015 
  7. «Ansar Allah vows to defeat al-Qaeda in Yemen». 22 de outubro de 2014. Consultado em 23 de janeiro de 2016 
  8. Deaths in Yemeni mosque blast. Al Jazeera, 2 de maio de 2008.
  9. Press TV Saudi soldier, Houthi leaders killed in north Yemen, 19 de novembro de 2009
  10. a b «Hothi / Houthi / Huthi. Ansar Allah al-Shabab al-Mum'en / Shabab al-Moumineen ('Believing Youth')». GlobalSecurity.org 
  11. What Is Yemen's Houthi Rebellion? Por Pierre Tristam
  12. Regime and Periphery in Northern Yemen - The Huthi Phenomenon. Por Barak A. Salmoni, Bryce Loidolt, Madeleine Wells. Prepared for the Defense Intelligence Agency. Rand National Defense Research Institute
  13. Arábia Feliz. Por Salem Nasser. Brasileiros', 21 de outubro de 2016.
  14. «Yemen's Saleh declares alliance with Houthis». Al Jazeera. 11 de maio de 2015 
  15. Philips, Sarah (28 de julho de 2005). Cracks in the Yemeni System. Middle East Report Online.
  16. «Pity those caught in the middle». The Economist. 19 de novembro de 2009 
  17. Ahmed Al-Bahri: Expert in Houthi Affairs, 10 de abril de 2010
  18. «Deadly blast strikes Yemen mosque». BBC News. 2 de maio de 2008. Consultado em 23 de janeiro de 2016 
  19. Sultan, Nabil (10 de julho de 2004). Rebels have Yemen on the hop. Asia Times Online.
  20. Wikileaks. Kuwait Interior Minister sounds alarm on Iran; offers assurances on GTMO returnees and security. Data: 17 de fevereiro de 2010.
  21. «Saudi, al-Qaeda support Yemen crackdown on Shias». Press TV. 29 de agosto de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 
  22. «Al-Qaeda Fighting for Yemeni Government Against Houthi Shia Rebels...». 29 de dezembro de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 
  23. «Yemen employs al-Qaeda mercenaries: Houthis». Press TV. 28 de outubro de 2009. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 
  24. Dostoiévski no Iêmen, por Salem Nasser. Brasileiros, 22 de maio de 2015
  25. Houthis denunciam a morte de mais de 2.500 civis desde o início da ofensiva no Iêmen. R7, 13 de abril de 2015.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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