Hun Sen

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Hun Sen
Nascimento 5 de agosto de 1952 (68 anos)
Kampong Cham
Cidadania Camboja
Progenitores Pai:Hun Neang
Cônjuge Bun Rany
Ocupação diplomata, político
Prêmios Ordem Nacional José Martí, Prêmio Confúcio da Paz, Medalha Nacional de Ouro
Religião Teravada
Página oficial
http://www.samdechhunsen.gov.kh
Assinatura
Hun Sen sig.png

Hun Sen (Kampong Cham, 5 de agosto de 1952) é o atual primeiro-ministro do Camboja.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Político comunista[editar | editar código-fonte]

Com um pouco mais de vinte anos, adentrou à guerrilha do Khmer Vermelho que combatia o governo de Lon Nol, apoiado pelos Estados Unidos. Em 1975, tomou parte da tomada da capital, Phnom Penh, durante a qual perdeu um olho na batalha.[2]

Na última fase do domínio do Khmer Vermelho, de 1975 a 1979, se virou contra Pol Pot e passou para a fileira dos vietnamitas.[3] Em 1980, depois que o Vietname invadiu o Cambodja e desbancou o Khmer Vermelho, tornou-se um dos principais expoentes do novo governo. Assumiu com apenas 28 anos o cargo de ministro do exterior. Além disso, era um dos membros de destaque do comitê central do Partido Popular Cambodjano.[4]

Enquanto ministro do exterior, desenvolveu uma função fundamental nos tratados de paz, em Paris, assumindo uma notoriedade muito vasta. Foi assim que, quando os vietnamitas começaram a negociar uma pacificação entre o governo de Phnom Penh e a resistência realista de Norodom Sihanouk, então aliada do Khmer Vermelho, Hun Sen, em 1985, foi nomeado presidente do conselho de ministros, substituindo Chea Sim, morto algumas semanas antes. Em 1987, o seu governo foi acusado pela Anistia Internacional de torturar prisioneiros políticos.[5]

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Em 1991, quando Norodom Sihanouk aceitou colaborar com o governo, Hun Sen se tornou o líder efetivo do Cambodja, ultrapassando também Heng Samrim. Em particular, no mesmo ano, obteve o controle do PRPK, que se tornou Partido Popular Cambodjano, PPC, enquanto a República Popular do Kampuchea foi transformada no provisório "Estado do Cambodja", do qual Hun Sen se tornou imediatamente o primeiro-ministro.[6]

Após as eleições de 1993, foi todavia obrigado a dividir o cargo, ficando com a qualificação formal de segundo primeiro-ministro.[7] O líder do partido realista (Funcinpec), príncipe Norodom Ranariddh, filho do então rei Norodom Sihanouk, passou a primeiro-ministro. Entretanto, a influência de Sen permanecia muito extensa, graças ao fato de muitos funcionários do governo e militares fazerem parte do PPC.[8]

A luta pelo poder entre os dois continuou até 1997, quando Hun Sen promoveu um feroz golpe de estado acusando Norodom Ranariddh de fomentar a anarquia militar para tomar o controle da capital. Houve violência intensa na capital e em outras zonas do país.[7] Ung Huot se tornou o novo primeiro-ministro, uma vez que o rei foi obrigado a aceitar o fato como consumado. As eleições de 1998 permitiram a Hun Sen retomar todo o poder.[9]

Primeiro-ministro do Camboja[editar | editar código-fonte]

As eleições de julho de 2003 deram força à nova situação política.[10] O PPC obteve a maioria relativa (47%), mas não teve o numerário para formar um governo. Somente na metade de 2004 o PPC conseguiu alcançar um acordo com o Funcinpec, dando vida a um governo de coalização. Hun Sen tornou-se primeiro-ministro, enquanto Norodom Ranariddh se tornou presidente da Assembléia Nacional.

No curso do seu governo, Hun Sen tomou importante medidas como uma revisão constitucional que removeu a obrigação do voto de dois terços da Assembléia Nacional para formar um governo. Além disso, tomou uma decisão muito controversa, em 2007, quando permitiu a venda de terras para investidores estrangeiros, expulsando os ocupantes anteriores. Do ponto de vista da política externa, reforçou os laços com o Vietname. Atualmente o país vizinho é o terceiro importador de bens cambodjanos. Empenhado em reforçar as ligações com as nações da área, além disso, em 2006, recebeu o premier chinês Wen Jiabao, louvando a China como a amiga mais fiel do Cambodja. Permaneceram, porém, frias as relações com a Tailândia em referência a algumas questões de fronteira, que em 2008, levaram até mesmo a alguns conflitos perto do templo Preah Vihear.[11]

Em 2004, Norodom Sihamoni se tornou o novo rei, após a abdicação de Sihanouk. Em 2007, se tornou senador vitalício do Parlamento Mundial dos Estados pela Segurança e a Paz.

A autoridade de Hun Sen foi novamente reforçada nas eleições de julho de 2008,[12] visto que o PPC conquistou 58% os votos. Tendo o numerário suficiente para governar, permitiu ao Funcinpec, que conquistara apenas 5%, em comparação com os 20% de 2003, permanecer na coalização, mas impondo ao general Nek Bhun Chhay como novo chefe do partido.[13]

Atualmente Hun Sen é o chefe de governo com o maior tempo de mandato no sudeste asiático. Os seus opositores o acusam de ser um ditador que domina com o uso da força, ou de estar a serviço do Vietname. Seus defensores alegam que ele serve apenas ao povo cambodjano. O relatório Global Witness o acusou de corrupção, e em particular, de negociar a cessão para proprietários privados de matérias primas cambodjanas unicamente para vantagem pessoal.[14]

A carreira política de Hun Sen começou como membro do Khmer Vermelho, alcançando a posição de comandante de batalhão. Conjuntamente com Heng Samrin e Chea Sim foi incumbido de implementar campos de trabalhos forçados e de extermínio de "indesejáveis" no leste do Cambodja.[15]

Em 1977, desentendeu-se com Pol Pot e foi forçado a fugir para o Vietname. Aí juntou-se à Frente Unida pela Salvação Nacional da Campucheia. Regressou ao Camboja, em 1978, quando o Vietname invadiu e expulsou o regime de Pol Pot.[16] O Vietname estabeleceu a República Popular da Campucheia na qual Hun Sen se tornou um membro proeminente.[17] Apoiado pelos vietnamitas, Hun Sen rapidamente chegou à posição de primeiro-ministro da República Popular.[18]

É o único líder do Partido Popular Cambojano (PPC), que governa o Camboja desde a invasão vietnamita que derrubou o regime do Khmer Vermelho, em 1979. Desde a restauração da democracia multi-partidária, em 1993, o PPC está no governo em coligação com o partido monárquico FUNCIPEC. O país tem registrado uma administração neoliberal desde a ascensão dele ao poder.[19]

Referências

  1. «Hun Sen: Cambodia's strongman prime minister». BBC News (em inglês). 27 de julho de 2018 
  2. «Hun Sen | prime minister of Cambodia». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 8 de julho de 2020 
  3. «From Khmer Rouge to Khmer Riche: what's next for Cambodia?». South China Morning Post (em inglês). 28 de março de 2020. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  4. Wright, George. «Hun Sen 'win-win' legacy debated on Khmer Rouge fall anniversary». www.aljazeera.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  5. «30 Years of Hun Sen». Human Rights Watch (em inglês). 12 de janeiro de 2015. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  6. «Camboja aprova lei polêmica que dá poderes extraordinários ao premiê». R7.com. 29 de abril de 2020. Consultado em 8 de julho de 2020 
  7. a b «A Talk with Prime Minister Hun Sen». www.culturalsurvival.org (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  8. «Hun Sen: The ex-Khmer Rouge soldier keeping his grip on Cambodia». France 24 (em inglês). 28 de julho de 2018. Consultado em 8 de julho de 2020 
  9. «Folha de S.Paulo - Hun Sen domina capital do Camboja - 08/07/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  10. Cambodia’s 2003 Election: “Hun Sen is Always the Prime Minister”Consultado 02 de outubro de 2020.
  11. «Prime Minister of Cambodia». www.fmprc.gov.cn. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  12. Fitzgerald, Patrick. «The Hun Sen guide to winning an election in Cambodia». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  13. «Cambodia's 2008 election: the end of opposition?». openDemocracy (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  14. «Hostile Takeover». Global Witness. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  15. Sochua, Mu. «The path for Hun Manet to become Cambodia's next leader is set». www.aljazeera.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  16. «Folha de S.Paulo - Camboja anuncia rendição de Pol Pot - 19/06/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  17. «Hoje na História: 1975 - Capital do Camboja cai nas mãos do Khmer Vermelho». operamundi.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  18. «Hun Sen Tempers Speculation Son Will Be Next Cambodian Leader | Voice of America - English». www.voanews.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  19. Cambodia’s Remarkable Journey