Hun Sen

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Hun Sen
ហ៊ុន សែន
Hun Sen em 2019
Primeiro-ministro do Camboja
Período 26 de dezembro de 1984
a atualidade
Chefes de Estados Heng Samrin
Chea Sim
Norodom Sihanouk
Norodom Sihanouk
Antecessor(a) Chan Sy
Presidente do Partido Popular do Camboja
Período 20 de maio de 2015
a atualidade
Antecessor(a) Chea Sim
Ministro de Relações Exteriores
Período 1988-1990
Antecessor(a) Kong Korm
Sucessor(a) Hor Namhong
Período 10 de janeiro de 1979
a Dezembro de 1986
Antecessor(a) Ieng Sary
Sucessor(a) Kong Korm
Presidente da Assembleia Nacional
Período 14 de junho de 1993 a atualidade
Dados pessoais
Nascimento 5 de agosto de 1952 (69 anos)
Peam Kaoh Sna, Stung Trang, Kampong Cham, Camboja, Indochina Francesa
Cônjuge Bun Rany (m.1976)
Partido Partido do Povo Cambojano
Assinatura Assinatura de Hun Sen

Hun Sen (Kampong Cham, 5 de agosto de 1952) é o atual primeiro-ministro do Camboja.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Político comunista[editar | editar código-fonte]

Com um pouco mais de vinte anos, adentrou à guerrilha do Khmer Vermelho que combatia o governo de Lon Nol, apoiado pelos Estados Unidos. Em 1975, tomou parte da tomada da capital, Phnom Penh, durante a qual perdeu um olho na batalha.[2]

Na última fase do domínio do Khmer Vermelho, de 1975 a 1979, se virou contra Pol Pot e passou para a fileira dos vietnamitas.[3] Em 1980, depois que o Vietname invadiu o Cambodja e desbancou o Khmer Vermelho, tornou-se um dos principais expoentes do novo governo. Assumiu com apenas 28 anos o cargo de ministro do exterior. Além disso, era um dos membros de destaque do comitê central do Partido Popular Cambodjano.[4]

Enquanto ministro do exterior, desenvolveu uma função fundamental nos tratados de paz, em Paris, assumindo uma notoriedade muito vasta. Foi assim que, quando os vietnamitas começaram a negociar uma pacificação entre o governo de Phnom Penh e a resistência realista de Norodom Sihanouk, então aliada do Khmer Vermelho, Hun Sen, em 1985, foi nomeado presidente do conselho de ministros, substituindo Chea Sim, morto algumas semanas antes. Em 1987, o seu governo foi acusado pela Anistia Internacional de torturar prisioneiros políticos.[5]

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Em 1991, quando Norodom Sihanouk aceitou colaborar com o governo, Hun Sen se tornou o líder efetivo do Cambodja, ultrapassando também Heng Samrim. Em particular, no mesmo ano, obteve o controle do PRPK, que se tornou Partido Popular Cambodjano, PPC, enquanto a República Popular do Kampuchea foi transformada no provisório "Estado do Cambodja", do qual Hun Sen se tornou imediatamente o primeiro-ministro.[6]

Após as eleições de 1993, foi todavia obrigado a dividir o cargo, ficando com a qualificação formal de segundo primeiro-ministro.[7] O líder do partido realista (Funcinpec), príncipe Norodom Ranariddh, filho do então rei Norodom Sihanouk, passou a primeiro-ministro. Entretanto, a influência de Sen permanecia muito extensa, graças ao fato de muitos funcionários do governo e militares fazerem parte do PPC.[8]

A luta pelo poder entre os dois continuou até 1997, quando Hun Sen promoveu um feroz golpe de estado acusando Norodom Ranariddh de fomentar a anarquia militar para tomar o controle da capital. Houve violência intensa na capital e em outras zonas do país.[7] Ung Huot se tornou o novo primeiro-ministro, uma vez que o rei foi obrigado a aceitar o fato como consumado. As eleições de 1998 permitiram a Hun Sen retomar todo o poder.[9]

Primeiro-ministro do Camboja[editar | editar código-fonte]

As eleições de julho de 2003 deram força à nova situação política.[10] O PPC obteve a maioria relativa (47%), mas não teve o numerário para formar um governo. Somente na metade de 2004 o PPC conseguiu alcançar um acordo com o Funcinpec, dando vida a um governo de coalização. Hun Sen tornou-se primeiro-ministro, enquanto Norodom Ranariddh se tornou presidente da Assembléia Nacional.

No curso do seu governo, Hun Sen tomou importante medidas como uma revisão constitucional que removeu a obrigação do voto de dois terços da Assembléia Nacional para formar um governo. Além disso, tomou uma decisão muito controversa, em 2007, quando permitiu a venda de terras para investidores estrangeiros, expulsando os ocupantes anteriores. Do ponto de vista da política externa, reforçou os laços com o Vietname. Atualmente o país vizinho é o terceiro importador de bens cambodjanos. Empenhado em reforçar as ligações com as nações da área, além disso, em 2006, recebeu o premier chinês Wen Jiabao, louvando a China como a amiga mais fiel do Cambodja. Permaneceram, porém, frias as relações com a Tailândia em referência a algumas questões de fronteira, que em 2008, levaram até mesmo a alguns conflitos perto do templo Preah Vihear.[11]

Em 2004, Norodom Sihamoni se tornou o novo rei, após a abdicação de Sihanouk. Em 2007, se tornou senador vitalício do Parlamento Mundial dos Estados pela Segurança e a Paz.

A autoridade de Hun Sen foi novamente reforçada nas eleições de julho de 2008,[12] visto que o PPC conquistou 58% os votos. Tendo o numerário suficiente para governar, permitiu ao Funcinpec, que conquistara apenas 5%, em comparação com os 20% de 2003, permanecer na coalização, mas impondo ao general Nek Bhun Chhay como novo chefe do partido.[13]

Atualmente Hun Sen é o chefe de governo com o maior tempo de mandato no sudeste asiático. Os seus opositores o acusam de ser um ditador que domina com o uso da força, ou de estar a serviço do Vietname. Seus defensores alegam que ele serve apenas ao povo cambodjano. O relatório Global Witness o acusou de corrupção, e em particular, de negociar a cessão para proprietários privados de matérias primas cambodjanas unicamente para vantagem pessoal.[14]

A carreira política de Hun Sen começou como membro do Khmer Vermelho, alcançando a posição de comandante de batalhão. Conjuntamente com Heng Samrin e Chea Sim foi incumbido de implementar campos de trabalhos forçados e de extermínio de "indesejáveis" no leste do Cambodja.[15]

Em 1977, desentendeu-se com Pol Pot e foi forçado a fugir para o Vietname. Aí juntou-se à Frente Unida pela Salvação Nacional da Campucheia. Regressou ao Camboja, em 1978, quando o Vietname invadiu e expulsou o regime de Pol Pot.[16] O Vietname estabeleceu a República Popular da Campucheia na qual Hun Sen se tornou um membro proeminente.[17] Apoiado pelos vietnamitas, Hun Sen rapidamente chegou à posição de primeiro-ministro da República Popular.[18]

É o único líder do Partido Popular Cambojano (PPC), que governa o Camboja desde a invasão vietnamita que derrubou o regime do Khmer Vermelho, em 1979. Desde a restauração da democracia multi-partidária, em 1993, o PPC está no governo em coligação com o partido monárquico FUNCIPEC. O país tem registrado uma administração neoliberal desde a ascensão dele ao poder.[19]

Referências

  1. «Hun Sen: Cambodia's strongman prime minister». BBC News (em inglês). 27 de julho de 2018 
  2. «Hun Sen | prime minister of Cambodia». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 8 de julho de 2020 
  3. «From Khmer Rouge to Khmer Riche: what's next for Cambodia?». South China Morning Post (em inglês). 28 de março de 2020. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  4. Wright, George. «Hun Sen 'win-win' legacy debated on Khmer Rouge fall anniversary». www.aljazeera.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  5. «30 Years of Hun Sen». Human Rights Watch (em inglês). 12 de janeiro de 2015. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  6. «Camboja aprova lei polêmica que dá poderes extraordinários ao premiê». R7.com. 29 de abril de 2020. Consultado em 8 de julho de 2020 
  7. a b «A Talk with Prime Minister Hun Sen». www.culturalsurvival.org (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  8. «Hun Sen: The ex-Khmer Rouge soldier keeping his grip on Cambodia». France 24 (em inglês). 28 de julho de 2018. Consultado em 8 de julho de 2020 
  9. «Folha de S.Paulo - Hun Sen domina capital do Camboja - 08/07/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  10. Cambodia’s 2003 Election: “Hun Sen is Always the Prime Minister”Consultado 02 de outubro de 2020.
  11. «Prime Minister of Cambodia». www.fmprc.gov.cn. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  12. Fitzgerald, Patrick. «The Hun Sen guide to winning an election in Cambodia». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  13. «Cambodia's 2008 election: the end of opposition?». openDemocracy (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  14. «Hostile Takeover». Global Witness. Consultado em 2 de outubro de 2020 
  15. Sochua, Mu. «The path for Hun Manet to become Cambodia's next leader is set». www.aljazeera.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  16. «Folha de S.Paulo - Camboja anuncia rendição de Pol Pot - 19/06/97». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  17. «Hoje na História: 1975 - Capital do Camboja cai nas mãos do Khmer Vermelho». operamundi.uol.com.br. Consultado em 8 de julho de 2020 
  18. «Hun Sen Tempers Speculation Son Will Be Next Cambodian Leader | Voice of America - English». www.voanews.com (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2020 
  19. Cambodia’s Remarkable Journey