Iáziges

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Mapa da fronteira do Danúbio mostrando os iáziges no canto superior esquerdo, na planície entre o Danúbio e o Tisza
Invasão do império no final do século II ("Guerras Marcomânicas"), a última grande ação dos iáziges contra o Império Romano
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Iáziges ou jáziges[1] (em latim: Iazyges ou Jazyges) eram um antigo povo nômade sármata que emigrou da Ásia Central para as estepes da moderna Ucrânia por volta de 200 a.C. e, no século seguinte, avançou até o território da moderna Hungria e Sérvia, assentando-se na Dácia. Desta época em diante, estiveram permanentemente em guerra com os romanos até serem assimilados no século IV.

História[editar | editar código-fonte]

Século I a.C.[editar | editar código-fonte]

Os iáziges apareceram pela primeira vez nos registros na costa do mar de Azov, conhecido pelos gregos antigos como "lago Maeotis" no relato de Ptolemeu com o nome de "Iazyges Metanastae" ("iáziges nômades/migrantes"). De lá, os iáziges continuaram avançando par ao oeste ao longo da costa do mar Negro até a região da moderna Moldávia e o sul da Ucrânia.

Seus guerreiros serviram como aliados do rei do Ponto Mitrídates VI Eupátor em suas guerras contra a República Romana (88–84 a.C.). Entre 78 e 76 a.C., os romanos enviaram uma expedição punitiva além do Danúbio numa tentativa de amedrontar os iáziges.

O principal inimigo de Roma no baixo Danúbio nesta época eram os dácios. Em 7 a.C., quando o Reino da Dácia fundado por Burebista começou a ruir, os romanos se aproveitaram e encorajaram os iáziges a se assentarem na planície Panônia, entre os rios Danúbio e Tisza.

Século I[editar | editar código-fonte]

Os iáziges se dividiam entre homens livres e servos, os chamados sármatas limigantes (em latim: sarmatae limigantes), que levavam uma vida diferente e eram provavelmente oriundos de um povo diferente escravizado pelos iáziges nômades. Eles se revoltaram em 34, mas foram sufocados com ajuda dos romanos. O Império Romano queria anexar a Dácia, mas os iáziges se recusaram a cooperar. Ainda nômades, eles moviam seus rebanhos pelo território que corresponde hoje ao norte da Romênia todos os verões até a costa do mar Negro, uma rota que seria impedida pela conquista romana da Dácia. O imperador Domiciano ficou tão preocupado com eles que interrompeu sua sua campanha contra os dácios para atacar os iáziges e os suevos, uma tribo germânica que também vivia às margens do Danúbio numa nova campanha.

No início de 92, os iáziges, aliados aos sármatas propriamente ditos e à tribo germânica dos quados, cruzaram o Danúbio e invadiram a província romana da Panônia (um território que corresponde à moderna Croácia, o norte da Sérvia e o oeste da Hungria). Em maio, os iáziges derrotaram a Legio XXI Rapax, que foi depois debandada em desgraça. Os combates perduraram até a morte de Domiciano em 96.

Entre 101 e 105, o imperador Trajano finalmente conquistou os dácios, criando a província da Dácia. Em 107, Trajano enviou um de seus generais, Adriano, para submeter os iáziges. Em 117, Trajano morreu e foi sucedido por Adriano, que rapidamente atuou para proteger e consolidar as conquistas de Trajano. Os romanos mantiveram a Dácia, mas os iáziges permaneceram independentes, aceitando apenas uma relação de clientela com Roma.

Enquanto Roma permaneceu como o principal poder militar, a situação se manteve, mas, no final do século II, o Império já demonstrava o desgaste de seu tamanho. No verão de 166, enquanto os romanos estavam ocupados em sua guerra contra os partas, os povos do norte do Danúbio, marcomanos, naristes, vândalos, hermúnduros, lombardos e quados, atravessaram novamente o rio para saquear as províncias vizinhas. Os iáziges se juntaram à horda e mataram Calpúrnio Próculo, o governador romano da Dácia. Para contê-los, a V Macedonica, uma veterana das guerras romano-partas, foi transferida da Mésia Inferior para a Dácia Superior, nas vizinhanças do inimigo. O imperador Marco Aurélio passou o resto da vida tentando restaurar a situação no local nas chamadas Guerras Marcomânicas. No outono de 169, ele partiu de Roma com seu genro e principal aliado, Cláudio Pompeiano. Os romanos juntaram suas forças e tentaram subjugar as tribos independentes (principalmente os iáziges), que viviam na época no Danúbio e na Dácia romana. Em 170, os iáziges derrotaram e mataram Marco Cláudio Frontão, governador da Mésia Inferior. Operando a partir de Sírmio (moderna Sremska Mitrovica, Sérvia), às margens do rio Sava, Marco Aurélio concentrou sua atenção nos iáziges que viviam na planície do Tisa em sua "expeditio sarmatica". Depois de duros combates, os iáziges foram levados ao limite de suas forças.

Todos os mais importantes iáziges da corte do rei Zântico (em latim: Zanticus) se apresentaram perante Marco Aurélio para aceitarem uma paz, uma grande mudança de postura para os iáziges, que já haviam prendido seu segundo rei, Banadaspo (em latim: Banadaspus) justamente por tentar negociar com Marco Aurélio[2]. Na mesma época, um antigo aliado do imperador, Avídio Cássio, iniciou uma revolta no oriente que irritou profundamente Marco Aurélio e forçou-o à mesa de negociação com os iáziges, algo que ele não queria fazer[3]. O tratado entregou aos romanos cerca de 100 000 cativos, um número que demonstra que os iáziges ainda podiam fazer. O tratado com quados e marcomanos foi similar, com a exceção de que os iáziges só poderiam viver numa distância do Danúbio que era o dobro da distância estabelecida para as demais tribos. De imediato, os iáziges providenciaram aos romanos 8 000 cavaleiros para servirem como auxiliares, sendo que 5 500 deles já foram embarcados para servir ao exército imperial romano na Britânia[2]. A vitória de Marco Aurélio foi tão decisiva que os iáziges nunca mais apareceram como uma ameaça à Roma.

Século III[editar | editar código-fonte]

Por volta de 230, os vândalos asdingos invadiram o norte do território dos iáziges. Eles e a nova coalização de tribos germânicas, que contava com alamanos e francos, eram agora os principais riscos à segurança romana. Mas, em data tão tardia quanto 371, os romanos entenderam ser adequado construir um posto comercial fortificado, Comércio, para controlar o comércio com os iáziges.

Resultado e legado[editar | editar código-fonte]

Durante a Antiguidade Tardia, os registros históricos ficaram muito mais difusos e os iáziges geralmente deixam de ser mencionados enquanto tribo. No século IV, dois povos sármatas são mencionados, os argaragantes e os limagantes, que viviam em lados opostos do Tisza.

Referências

  1. Cruz 1952, p. 37; 39.
  2. a b Dião Cássio, p. 126 (em inglês)
  3. Dião Cássio, p. 127

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Wikisource-logo.svg Vários autores (1911). «Iazyges». In: Chisholm, Hugh. Encyclopædia Britannica. A Dictionary of Arts, Sciences, Literature, and General information (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  • Bennett, Julian: Trajan: Optimus Princeps (1997) Indianapolis University Press, Bloomington (em inglês)
  • Birley, Anthony: Marcus Aurelius: A Biography (1987) Yale University Press, New Haven. (em inglês)
  • Bunson, Matthew: Encyclopedia of the Roman Empire (1994) Facts on File Inc., NY (em inglês)
  • Christian, David. A History of Russia, Mongolia and Central Asia. Vol. 1. Blackwell: 1999. (em inglês)
  • Cruz, Antônio da (1952). Prosódia de nomes próprios pessoais e geográficos. Petrópolis: Editora Vozes 
  • Kerr, William George: A Chronological Study of the Marcomannic Wars of Marcus Aurelius (1995) Princeton, NJ: Princeton University Press, 1995, 295 p. (em inglês)
  • Macartney, C.A.: Hungary: A Short History (1962) Edinburgh University Press, Edinburgh. (em inglês)
  • Maenchen-Helfen, J. Otto: The World of the Huns (1973) University of California Press, Berkeley. (em inglês)
  • Strayer, Joseph R., Editor in Chief: A Dictionary of the Middle Ages (1987), Charles Scribner's Sons, NY (em inglês)