Iarim-Lim I

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Iarim-Lim.
Iarim-Lim I
Grande rei de Iamade
Reinado ca. 1780 - ca. 1 764 a.C.
Antecessor(a) Sumu-Epu
Sucessor(a) Hamurabi I
Cônjuge Gásera
Descendência Hamurabi I
Sibtu
Nascimento século XVIII a.C.
Morte ca. 1 764 a.C.
Pai Sumu-Epu
Mãe Sumuna-Abi
Religião mitologia amorita

Iarim-Lim I, Jarim-Lim I ou Yarim-Lim I (r. ca. 1780 - ca. 1 764 a.C. segundo a cronologia média) foi o segundo rei de Iamade (Halabe) em sucessão de seu pai Sumu-Epu.

Vida[editar | editar código-fonte]

Início do reinado e conflitos[editar | editar código-fonte]

Mesopotâmia e Síria ca. 1 764 a.C.. Os principais poderes do período eram Iamade, Catna, Mari, Andarique, Assíria, Babilônia e Esnuna

Iarim-Lim foi filho e sucessor do primeiro rei iamadita Sumu-Epu e sua rainha Sumuna-Abi. O Reino de Iamade estava sendo ameaçado pelo rei assírio Sansiadade I, que havia cercado Iamade através de sua aliança com Carquemis e Ursu ao norte, Catna ao sul e pela conquista de Mari a leste, onde nomeou seu filho Iasma-Adade no trono.[1] Iarim-Lim ascendeu ao trono após seu pai ser morto em 1 780 a.C. durante suas campanhas contra Sansiadade[2] e foi capaz de erguer-se contra ele ao aliar-se com o Hamurabi da Babilônia e Ibalpiel II de Esnuna. Credita-se à sua aliança com Hamurabi um ataque a retaguarda do exército assírio que teria salvo a Babilônia de uma invasão.[3]

Em 1 777 a.C., Iarim-Lim conquistou a cidade de Tutul, na confluência dos rios Balique e Eufrates. Ele nomeou seu aliado, Zimri-Lim, o herdeiro do trono de Mari que estava vivendo em sua corte, como rei. Quando Sansiadade morreu em 1 776 a.C., ajudou Zimri-Lim a readquirir seu trono em Mari e repelir Iasma-Adade. A aliança entre Mari e Iamade foi cimentada com o casamento real entre Zimri-Lim e a filha de Iarim-Lim, Sibtu, e dois dias após a cerimônia de casamento a rainha Sumuna-Abi faleceu.[4] Em paralelo, Ibalpiel II de Esnuna explorou a morte de Sansiadade para encabeçar uma política expansionista, avançando em direção a Assíria e causando um abalo na aliança,[5] sobretudo após aliar-se com o Elam, o inimigo de Hamurabi, e que por sua vez era aliado de Iarim-Lim.[6]

Relações com Mari[editar | editar código-fonte]

A ascensão de Zimri-Lim ao trono com ajuda de Iarim-Lim I afetou o estatuto de Mari, com Zimri-Lim referindo-se a Iarim-Lim como sue pai e agindo sob orientação da principal divindade de Halabe, o deus dos trovões Adade, do qual Iarim-Lim foi o mediador.[7]

Os tabletes de Mari registram muitos eventos que revelam a subordinação de Zimri-Lim, como nas duas ocasiões que exigiu a extradição de seus subordinados da corte de Iarim-Lim I: o primeiro caso foi relatado a um rei vassalo de Zimri-Lim que o chamou de irmão em vez de pai e a exigência foi negada;[8] no segundo caso a negociação ocorreu através do embaixador mariota Daris-Libur, que estava solicitando em nome de seu rei alguns subordinados, mas Iarim-Lim recusou o pedido duas vezes antes de concordar numa terceira tentativa.[9]

Em outro situação, o embaixador mariota Nur-Sin em Halabe escreveu para seu mestre solicitando a concessão duma propriedade chamada Alatum para Adade (neste caso Iamade),[10] e em outro caso, Ibalpiel ofereceu a paz e fixou as fronteiras com Zimri-Lim que enviou emissários para Iarim-Lim solicitando autorização que foi negava, levando Zimri-Lim a recusar o tratado em três ocasiões diferentes.[11]

Fim do reinado e sucessão[editar | editar código-fonte]

"Não há rei que é poderoso sozinho. 10 ou 15 reis seguem Hamurabi, o governante da Babilônia, um número similar [aqueles] de Rim-Sin de Larsa, um número similar de Ibalpiel de Esnuna, um número similar de Amudepiel de Catanum, mas 20 seguem Iarim-Lim de Iamade."

Tablete enviado para Zimri-Lim de Mari descrevendo a autoridade de Iarim-Lim I.[12]

Iarim-Lim estendeu sua influência a vários outras cidades-Estado importantes na Síria através de alianças e vassalagem, incluindo Ursu e o rico reino de Ugarite.[3] A relação entre Catna e Iamade também parece ter melhorado durante o reinado de Iarim-Lim.[2] Os exércitos de Iamade realizaram campanhas tão longe quanto o Elam na atual fronteira sul do Iraque-Irã e um tablete descoberto em Mari relevou a extensão destas intervenções militares na Mesopotâmia: o texto inclui uma declaração de guerra a Der e Dinictum em retaliação por seus feitos malignos, um lembrete ao rei de Der pela ajuda militar prestada a ele por 15 anos e o estacionar de 500 navios de guerra iamaditas por 12 anos de Dinictum.[13]

Pelo tempo de sua morte em ca. 1 764 a.C., Iarim-Lim tinha mais de 20 reis como vassalos ou aliados. Segundo o historiador William J. Hamblin, ele era em seu tempo o "mais poderoso governante no Oriente Próximo fora do Egito".[3] Iarim-Lim foi sucedido por seu filho Hamurabi I.[14]

Referências

  1. Hamblin 2006, p. 258.
  2. a b Bryce 2009, p. 773.
  3. a b c Hamblin 2006, p. 259.
  4. Radner 2011, p. 258.
  5. Bryce 2009, p. 257.
  6. Hinz 1973, p. 264.
  7. Emerton 1980, p. 75.
  8. Crouch 2012, p. 86.
  9. Crouch 2012, p. 88.
  10. Crouch 2012, p. 85.
  11. Heimpel 2003, p. 44.
  12. Dalley 2002, p. 44.
  13. Sasson 1969, p. 2-3.
  14. Frayne 1990, p. 783.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bryce, Trevor (2009). The Routledge Handbook of the Peoples and Places of Ancient Western Asia: The Near East from the Early Bronze Age to the Fall of the Persian Empire. [S.l.]: Routledge. ISBN 1134159080 
  • Crouch, C. L.; Stokl, Jonathan; Zernecke, Anna Elise (2012). Mediating Between Heaven and Earth: Communication with the Divine in the Ancient Near East. [S.l.]: Bloomsbury Publishing USA. ISBN 0567446247 
  • Dalley, Stephanie (2002). Mari and Karana: Two Old Babylonian Cities. [S.l.]: Gorgias Press. ISBN 1931956022 
  • Emerton, J. A. (1980). Prophecy: Essays presented to Georg Fohrer on his sixty-fifth birthday. [S.l.]: Walter de Gruyter. ISBN 3110837412 
  • Frayne, Douglas (1990). Old Babylonian Period (2003–1595 BC). Toronto: University of Toronto Press. ISBN 978-0-8020-5873-7 
  • Hamblin, William J. (2006). Warfare in the Ancient Near East to 1600 BC - Holy Warriors and the Dawn of History. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-25589-9 
  • Heimpel, Wolfgang (2003). Letters to the King of Mari: A New Translation, with Historical Introduction, Notes, and Commentary. [S.l.]: Eisenbrauns. ISBN 1575060809 
  • Hinz, Walther (1973). «Persia c. 1800-1550 B.C.». The Cambridge Ancient History - Vol. II Part 1 - The Middle East and the Aegean Region ca. 1800-1380 B.C. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-08230-7 
  • Radner, Karen; Robson (2011). The Oxford Handbook of Cuneiform Culture. Oxford: OUP Oxford. ISBN 0199557306 
  • Sasson, Jack M. (1969). The Military Establishments at Mari. [S.l.]: Gregorian Biblical BookShop