Ibaneis Rocha

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Ibaneis Rocha
19.º Governador do Distrito Federal
Período 1 de janeiro de 2019
até a atualidade
Vice-governador Paco Britto
Antecessor Rodrigo Rollemberg
Dados pessoais
Nascimento 10 de julho de 1971 (49 anos)
Brasília, DF
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Maria Mercedes
Pai: Ibaneis Rocha Barros
Alma mater Centro de Ensino Unificado de Brasília
Partido MDB (2017-presente)
Profissão advogado
linkWP:PPO#Brasil

Ibaneis Rocha Barros Junior (Brasília, 10 de julho de 1971),[1][2] é um advogado e político brasileiro, filiado ao MDB e atual Governador do Distrito Federal.

Exerceu diversas funções na seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), tendo-a presidido entre 2013 e 2015.

Em 2018, candidatou-se ao cargo de governador do Distrito Federal, alcançando 41,01% dos votos válidos (634.008 votos) no primeiro turno e derrotando no segundo turno o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) com 69.79% dos votos válidos (1.042.574 votos).[3][4][5] Rocha é o primeiro governador do Distrito Federal nascido na própria capital do país, embora radicado no Piauí.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do administrador Ibaneis Rocha Barros, já falecido,[6] e da auxiliar de enfermagem Maria Mercedes,[7] nascidos nas cidades de Riacho Frio e Ribeiro Gonçalves, no Piauí, Ibaneis Rocha nasceu no Hospital de Base do Distrito Federal, quando seus pais tiveram que passar um período em Brasília. Viveu sua infância no interior do Piauí, se fixando, aos 8 anos de idade, na cidade onde seus pais moravam, Corrente, no extremo sul do estado. [8]

Lá cursou o ensino médio no Colégio São José, tendo antes concluído o ensino fundamental no Colégio Irmãs Mercedárias, também naquela cidade. Durante a juventude, Ibaneis Rocha trabalhou como feirante, empacotador e comerciante.[1] Casou-se com uma moradora de Corrente, a advogada Luzineide Getro de Carvalho, filha de Aderson Lobato de Carvalho, Vice-Prefeito de Corrente entre 1989 e 1993 e com ela teve seu filho Mateus. Em casamento anterior, com a contadora Luzineide de Carvalho, teve outros dois filhos: Caio e João Pedro. [9][8]

Carreira na advocacia[editar | editar código-fonte]

Retornando a Brasília para os estudos, Ibaneis se graduou em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), depois de morar de favor por muito tempo na casa de sua tia Nelci, em Sobradiho, DF. Depois, pela Universidade Mackenzie de São Paulo, fez pós-graduação em Direito processual do trabalho e Direito processual civil. [8] Em 1990, abriu seu próprio escritório de advocacia na Capital da República, onde trabalhou como advogado em várias categorias do serviço público durante boa parte de sua vida.[1]

Em razão da dedicação à profissão, entre os anos de 2008 e 2009, Ibaneis Rocha foi vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), entre 2007 e 2010, ocupou o cargo de Secretário-Geral da Comissão Nacional de Prerrogativas do Conselho Federal da OAB, entre 2013 e 2015, presidiu a seccional da OAB no Distrito Federal, enfrentando, nessa eleição, uma chapa formada por uma família tradicional no ramo de Direito, e, em 2016, assumiu como diretor do conselho federal e corregedor-geral da entidade para um mandato de três anos.[10][1][11]

Trajetória política[editar | editar código-fonte]

Após 25 anos atuando como advogado, Ibaneis Rocha concorreu pela primeira vez a um cargo público aos 47 anos de idade quando se candidatou ao cargo de Governador do Distrito Federal. Oficializou sua candidatura no dia 5 de agosto de 2018,[12] tendo como seu vice o empresário Paco Britto (Avante) em uma chapa composta inicialmente pelo MDB, Avante, PP, PSL, PPL e PSC, mas este último deixou a aliança para apoiar o ex-governador Rogério Rosso, do PSD.[13] Ibaneis afirmou que o governador Rodrigo Rollemberg ofereceu-lhe a vaga de vice-governador em sua chapa, o que rejeitou, preferindo continuar com sua própria candidatura.[14]

Na primeira pesquisa Ibope, Ibaneis obteve apenas 2% das intenções de votos, empatando com os candidatos Fátima Sousa (PSOL) e Alexandre Guerra (Novo), ficando à frente apenas de Renan Rosa (PCO) e Antônio Guillen (PSTU) e ficando atrás da ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (PROS), do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), do deputado federal Alberto Fraga (DEM), do ex-governador e atual deputado federal Rogério Rosso (PSD), do General Paulo Chagas (PRP) e de Júlio Miragaya (PT).[15]

Em uma semana, Ibaneis chegou a crescer 14 pontos percentuais, alcançando a marca de 34% das intenções de voto, superando com ampla vantagem os demais oponentes.[16] Na última pesquisa antes do primeiro turno, Ibaneis tinha 43% de intenções de votos válidos, enquanto a segunda colocada Eliana Pedrosa tinha apenas 14%.[17]

No dia 7 de outubro de 2018, no primeiro turno das eleições gerais no Brasil, alcançou a marca de 41,97% dos votos válidos contra 13,94% de Rodrigo Rollemberg e 11,24% de Rogério Rosso, sendo impulsionado pela busca da renovação na política.[18]

No segundo turno das eleições, Ibaneis conseguiu o apoio do terceiro colocado na disputa ao Palácio do Buriti, Rogério Rosso (PSD), e do senador eleito Izalci Lucas (PSDB).[19][20] Rocha também recebeu apoio do Patriota, que apoiou Eliana Pedrosa (PROS) no primeiro turno;[21] do Podemos, que apoiou Rogério Rosso;[22] do governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM);[23] do senador Cristovam Buarque e de seu partido, o PPS, que foi candidato à reeleição na chapa de Rogério Rosso e foi derrotado, 16 anos após seu mandato;[24] do ex-deputado federal Jofran Frejat e de todo o PR; dos partidos DC e PSDB, que compunham a chapa de Alberto Fraga (DEM); do candidato Paulo Chagas, do PRP; do PRB, do SD e do PSC, que compunham a chapa de Rogério Rosso; e do PTB, do PHS e do PMB, que fizeram parte da chapa de Eliana Pedrosa (PROS).[25]

Em 28 de outubro de 2018, alcançando a soma de 1.042.574 votos (69,79% dos votos válidos), Ibaneis Rocha foi eleito governador do Distrito Federal e venceu o então governador Rodrigo Rollemberg do Partido Socialista Brasileiro, que ficou em segundo lugar com a soma de 451.329 votos (30,21% dos válidos).[4]

Governador do Distrito Federal[editar | editar código-fonte]

Situação de emergência na saúde[editar | editar código-fonte]

Em uma das primeiras ações de seu governo, Ibaneis Rocha assinou um decreto declarando situação de emergência na saúde pública do Distrito Federal, permitindo que o governo nomeie aprovados em concursos, faça compras sem licitação, autorize a realização de horas extras pelos servidores, faça contratações temporárias e se utilize da declaração pleitear verba federal. O relatório utilizado para a declaração afirma que a falta de leitos e de profissionais, armazenamento inadequado de medicamentos e cabeamentos de internet e de energia expostos são questões recorrentes em todos os hospitais. Em 2015, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, do PSB,também decretou situação de emergência na saúde, estendendo o decreto por dois anos e meio. [26][27]

Escolas cívico-militares[editar | editar código-fonte]

Ibaneis Rocha iniciou no Distrito Federal um programa de gestão compartilhada das escolas públicas da unidade federativa. No modelo, a Polícia Militar fica responsável pela segurança, no dia a dia dos estudantes e na promoção de atividades esportivas e musicais, além de se tornar obrigatório aos estudantes um padrão de corte de cabelo. Para a implementação das medidas, o governo se utilizou de votações para analisar a proposta. [28] O governador, no entanto, não respeitou os resultados das urnas, anunciando que mesmo as escolas que rejeitaram a proposta passariam por essa implementação da gestão, fato que gerou a demissão de seu secretário da educação, Rafael Parente, contrário a medida. [29] Sobre a imposição das mudanças, o governador afirmou que quem achasse ruim deveria ir a justiça, que a votação tinha caráter meramente consultivo e que tinham sido manipuladas. Na Câmara, a postura foi criticada pelos parlamentares Leandro Grass (Rede), Fábio Felix (Psol) e Arlete Sampaio (PT). [30]

Restrições ao Passe Livre[editar | editar código-fonte]

Ibaneis Rocha anunciou mudanças no Passe Livre Estudantil. Em uma primeira versão, o governo tentava criar um passe parcial em que os alunos pagassem até um terço do valor na catraca. Após protestos de estudantes no Eixo Monumental, anunciou um novo projeto, entregue a Câmera Legislativa do Distrito Federal, que prevê mudanças nas regras, que passaria a valer para alunos da rede pública e bolsistas da rede privada, dos que utilizam programas de financiamento como Fies e ProUni e de usuários com renda familiar de até três salários mínimos. A justificativa para as mudanças é que a gratuidade, segundo o governo, aumentaram muito o custo do transporte público no DF. [31] Após a falta de apoio explícito entre os parlamentares distritais e a continuidade dos protestos, o líder do governo na Câmara, o deputado Cláudio Abrantes, do PDT, anunciou a retirada do projeto de lei para eventuais reformulações. [32]

Contratos suspeitos para limpeza de hospitais[editar | editar código-fonte]

Em julho de 2019, o desembargador Mário-Zam Belmiro Rosa, do TJDFT, suspendeu contratos para limpeza de hospitais públicos de Brasília por suspeitas de irregularidades e ilegalidades, na medida em que durante o processo de contratação, propostas de preços mudaram e documentos foram entregues após o final do prazo estipulado pelo governo, o que foi refutado pela empresa contratada. A empresa foi contratada sem licitação e de caráter emergencial, para realizar serviços de limpeza, higienização, conservação, asseio e desinfecção dos hospitais da rede pública do DF em até 180 dias. [33] Após anular a contratação, o governo exonerou 22 servidores que estavam envolvidos no processo.

Museu da Bíblia[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2019, visando agradar o eleitorado e os parlamentares evangélicos, Ibaneis Rocha assinou um termo de compromisso para viabilizar, por meio de recursos de emendas parlamentares, a construção do Museu da Bíblia, que seguiria um projeto elaborado por Oscar Niemeyer em 1987. A ideia do governador é, após conseguir a autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para ser iniciado, pois a área prevista para a construção está tombada, que o monumento seja entregue no menor prazo possível até o fim de seu mandato, se tornando, segundo o governador a maior obra de Brasília.[34]

Carros Elétricos[editar | editar código-fonte]

Ibaneis Rocha viabilizou, em parceria com empresas privadas, um projeto de concessão de carros elétricos ao governo distrital que, segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação poderia gerar economia de até R$ 8 milhões de reais por ano para o governo, além de diminuir a emissão de gás carbônico. O projeto consiste em usar os veículos elétricos, de forma compartilhada, para deslocar servidores públicos em trajetos curtos a trabalho, substituindo automóveis do governo. O governador também anunciou um projeto de lei que isenta o pagamento de IPVA para veículos elétricos no Distrito Federal. [35]

Desempenho em eleições[editar | editar código-fonte]

Ano Eleição Candidato a Partido Coligação Vice Votos % Resultado
2018 Eleições distritais Governador MDB MDB/Avante/PP/PSL/PPL Paco Britto

(Avante)

634.008 (1º - Primeiro turno)

1.042.574 (1º - Segundo urno)

41,97% (1º - Primeiro turno)

69,79% (1º - Segundo turno)

Eleito[3]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Processo contra deputados distritais[editar | editar código-fonte]

Em seu primeiro mês de mandato como governador, Ibaneis Rocha ameaçou processar os deputados distritais que votassem contra um projeto de lei que prevê a extensão do modelo de gestão do Hospital de Base, em que se permite compras sem licitação caso ela não fosse aprovada. [36] Posteriormente, porém, o governador recuou na declaração de que processaria parlamentares. Na manhã deste sábado, disse acreditar que tanto os deputados da base quanto os da oposição querem o melhor para a sociedade e que não tem havia necessidade de entrar com ação judicial contra eles.[37]

Parque da Disney[editar | editar código-fonte]

Ibaneis Rocha afirmou em entrevista que estaria realizando estudo e conversando com representantes da Disney para viabilizar a construção de um parque no Distrito Federal. A Disney no entanto, desmentiu o governador e afirmou que, embora o Brasil seja um mercado atrativo, não há planos para a construção de parques no país. No dia seguinte Ibaneis afirmou que gostaria de ter algum parque na unidade federativa e não necessariamente da Disney, anunciando atrativos para que isso fosse viabilizado. [38]

Proibição de atendimento a pacientes do Entorno[editar | editar código-fonte]

Ibaneis Rocha anunciou um decreto que visava proibir que hospitais públicos do Distrito Federal antedessem pacientes do Entorno em meio a pandemia do COVID-19, o que, segundo o governador, seria justificado pelo estado de calamidade provocado pela pandemia. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que recebeu a notícia com preocupação e tristeza e que o vírus teria chegado à população por meio de Brasília, que tem um poder aquisitivo mais alto. Posteriormente, Ibaneis anunciou a suspensão das medidas até a inauguração de um hospital de campanha em Águas Lindas, em Goiás. [39]

Referências

  1. a b c d Meireles 2018.
  2. Gazeta do Povo 2018.
  3. a b Isto É 2018.
  4. a b G1 DF - Eleições 2018.
  5. Toda Política 2018.
  6. Lima 2017.
  7. Tahan 2019.
  8. a b c 2 Mader 2018.
  9. Marques 2018.
  10. OAB DF 2016.
  11. «Discurso em 14/07/2014 às 16:48» 
  12. G1 DF - Candidatura 2018.
  13. 1 Furquim 2018.
  14. Barbieri 2018.
  15. G1 DF - Pesquisa Ibope 2018.
  16. Estadão 2018.
  17. IBOPE Inteligência 2018.
  18. Tahan & Alcântara 2018.
  19. Furquim & Barbieri 2018.
  20. 1 Mader 2018.
  21. 2 Furquim 2018.
  22. Teixeira 2018.
  23. 1 Vinhote 2018.
  24. 2 Vinhote 2018.
  25. 3 Vinhote 2018.
  26. «Ibaneis decreta situação de emergência na saúde do Distrito Federal» 
  27. «Veja o que muda na saúde do DF com o decreto de estado de emergência» 
  28. «Gestão compartilhada com PM é aprovada em três de cinco escolas públicas do DF onde houve votação no sábado» 
  29. «Novo secretário de Educação do DF é nomeado após impasse sobre PM nas escolas» 
  30. «'Quem achar ruim que vá à Justiça', diz Ibaneis sobre impor gestão compartilhada com PM em escolas que rejeitaram modelo» 
  31. «Governo quer manter passe livre para a rede pública do DF, mas cobrar de alunos da rede privada» 
  32. «Ibaneis retira projeto de lei que restringe passe livre no DF, diz líder do governo na Câmara Legislativa» 
  33. «Após suspeitas de irregularidades, Ibaneis anula contrato de R$ 67 milhões para limpeza de hospitais no DF» 
  34. «GDF quer construir Museu da Bíblia com projeto de Oscar Niemeyer» 
  35. «Servidores do GDF passam a usar carros elétricos compartilhados em deslocamentos» 
  36. Viriato, Ana (18 de janeiro de 2019). «Ibaneis diz que vai processar distritais por mortes na saúde, caso projeto não seja aprovado» 
  37. Braziliense, Correio; Braziliense, Correio (19 de janeiro de 2019). [https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2019/01/19/interna_cidadesdf,731587/nao-tenho-problemas-com-polemica-avisa-ibaneis-rocha.shtml «"N�o tenho problemas com pol�mica", avisa Ibaneis Rocha - Cidades»]  replacement character character in |titulo= at position 3 (ajuda)
  38. «Após Disney desmentir governo do DF, secretário confirma intenção de trazer 'algum parque' para Brasília» 
  39. «Ibaneis recua e suspende decreto para proibir atendimento no DF a pacientes do Entorno» 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]