Ibiúna

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Município da Estância Turística de Ibiúna
"Cidade da Terra Preta"
Bandeira da Estância Turística de Ibiúna
Brasão da Estância Turística de Ibiúna
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 24 de março
Fundação 24 de março de 1857 (159 anos)
Gentílico ibiunense
Lema "A agricultura é nosso forte."
Prefeito(a) João Mello (PSD)
Localização
Localização da Estância Turística de Ibiúna
Localização da Estância Turística de Ibiúna em São Paulo
Estância Turística de Ibiúna está localizado em: Brasil
Estância Turística de Ibiúna
Localização da Estância Turística de Ibiúna no Brasil
23° 39' 21" S 47° 13' 22" O23° 39' 21" S 47° 13' 22" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Macro Metropolitana Paulista Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2008
Microrregião Piedade Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2008
Região metropolitana Sorocaba
Municípios limítrofes Alumínio, Cotia, Juquitiba, Mairinque, Miracatu, Piedade, São Lourenço da Serra, São Roque, Tapiraí e Votorantim.
Distância até a capital 70 km
Características geográficas
Área 1 059,689 km² [1]
População 76 432 hab. Censo IBGE/2010[2]
Densidade 72,13 hab./km²
Altitude 996 m
Clima subtropical Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,746 alto Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento/2000[3]
PIB R$ 1 252 456 mil IBGE/2013[4]
PIB per capita R$ 16 645,93 IBGE/2013[4]
Página oficial

Ibiúna é um município brasileiro do estado de São Paulo, situa-se na Região Metropolitana de Sorocaba, na Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e na Microrregião de Piedade. Localiza-se a uma latitude 23º39'23" sul e a uma longitude 47º13'21" oeste, estando a uma altitude de 996 metros. Sua população no censo de 2010 era de 80.228 habitantes.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome da cidade vem da língua tupi e significa "terra preta", através da junção das palavras yby ("terra") e un ("preta").[5]

Estância turística[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Estância turística (São Paulo)

Ibiúna é um dos 29 municípios paulistas considerados "estâncias turísticas" pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. O município também adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de "estância turística", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade foi colonizada por portugueses, italianos, japoneses e árabes. Surgiu a partir de uma fazenda que tinha como ponto central uma capela onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores.

Foi sede, em 1968, do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes,[6] que resultou na prisão de 719 estudantes[7].

A antiga prefeitura, que funcionava no prédio onde funcionou a Telesp, foi construída onde fora, outrora, antigo cemitério. À época da construção, o cemitério foi aterrado. Moradores antigos contam episódios de crânios e restos humanos espalhados pelo centro da cidade, nos anos 1970.

Entre os primeiros portugueses a chegar a Ibiúna, podemos destacar, dentre outros, Benedito Domingues e João Cafezal Domingues, que segundo consta, deram origem às famílias Anselmo Domingues e Paulo Domingues. Sendo essas duas famílias da mesma raiz, de origem portuguesa, a maioria dos descendentes se estabeleceu no Bairro dos Paulos, nas encostas da Serra de Paranapiacaba.

Dentre outras famílias de origem portuguesa, podemos citar: Dias de Moraes, Vieira Cardoso, Vieira Branco, Vieira de Góes, Coelho Ramalho, Geremias, de Pontes, Pinto, Camargo, Oliveira, Duarte, Machado, Soares, Freitas, Rolim, Coelho, Mello etc., que fizeram parte de todo o passado durante o período colonial, em atividades de desbravamento das matas, início da agricultura e construção das primeiras vilas. Muitos dos descendentes de portugueses, devido ao tempo em que as famílias se encontram em solo ibiunense, perderam os laços e o sentimento de identificação com suas origens, porém, carregam ainda inúmeros costumes e traços marcantes da cultura portuguesa (religião, lendas etc.).

O elemento italiano chegou ao município entre 1890 e 1891, tendo entre seus representantes famílias como Falci, Nieri, Guarnieri, Pecci, Nanni, Guazzelli, Sandroni, Bini, Dal Fabbro, Romano, Ferracini, Giancoli, Folena, Giponi, Marcicano, Duganieri, Latarullo etc. Hoje, seus descendentes estão espalhados pelo município. Da mesma forma que o elemento português, possuem pouca relação com a pátria de seus antepassados, contudo, mantendo laços religiosos com a cultura de que fazem parte.

O elemento árabe chegou a Una em 1898. Fizeram parte do progresso do município na área de comércio. Representado por meio das famílias: Assef, Habibe, Hadade, Riskalah, Musa, Gebara, Elias, Rahal, Issa, Chedid, Juni, Jorge, Sales, Marum, Salite, Hanzi. Os árabes inseridos no município foram de origem cristã, como a família libanesa Salomão e os Khury, católicos de origem.

Os japoneses chegaram ao município a partir de 1932, tendo como seus precursores os irmãos Maeda. A imigração nipônica se tornou mais efetiva nos anos que se seguiram com o assentamento das famílias Samano, Arizono, Muramatsu, Kikonaga, Kawakami, Kaneko, Ideriha, Nakayama, Nakamura, Nakajima, Watanabe, Takafuji, Matsuda, Saito, Saitow, Miyaji, Setoguti, Morita, Miazaky, Murioka, Yoshito, Mikami, Teramae, Sokoda, Sugahara, Suetsugo, Furuya, Yasuhara, Kitadani e tantas outras que juntas formaram a maior colônia de imigrantes instalada no município. Logo após o período da II Guerra Mundial, a vinda de japoneses se tornou intensa, tanto de imigrantes quanto de japoneses já instalados no Brasil que migraram para Una (atual Ibiúna).

Os japoneses formaram uma comunidade próspera, contando com cooperativa agrícola, pensionato para filhos de japoneses terem acesso à educação nas escolas do centro da cidade e extensas plantações agrícolas, inserindo cultivo em escala da batata e do tomate (este último, tirou proveito do clima ameno do município durante as noites no verão, algo que é benéfico para a cultura do tomate).

A imigração japonesa foi tão marcante que existe até um bairro com nome japonês (Bairro dos Samano). A Escola Estadual Professora Laurinda Vieira Pinto, nos anos 1960 e 1970, registrou índices de 30 a 40% alunos japoneses / filhos de japoneses. Atualmente, apesar do grande número de famílias de origem japonesa no município, a maioria opta por cursar a escola em colégios particulares.

O elemento indígena, como sinalizado pelo historiador radicado em Ibiúna, José Gomes Linense, pertencia ao grupo Tupi Guarani; apesar de existir o relato de que, em 1648, já se conhecia alguns grupos de indígenas no local, sua estadia era curta, visto que as terras de Ibiúna eram compostas por montanhas e vales escuros, de clima mais frio. Contudo, pode-se notar que houve miscigenação entre os indígenas locais e os imigrantes e colonos portugueses.

O elemento africano (negro), esteve presente como escravo, nas fazendas que o município continha. Contudo, a presença de famílias originalmente ibiunenses e de matriz africana é bem pequena. Há, contudo, muitos pardos, mestiços de branco com negro, sobretudo com origens em famílias de migrantes nordestinos, que chegaram ao município a partir das décadas de 1960 e 1970.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Distritos existentes: Carmo Messias e Paruru (Lei Municipal Número 401, de 1997) O município de Ibiúna se localiza na bacia fisiográfica do Paranapiacaba, apresentando, a sede municipal, as seguintes coordenadas geográficas: latitude S.23'39'20' - longitude W.Gr.47'13'31' e distante em linha reta da capital do estado em 63 km. A localização geográfica do município de Ibiúna é a região sudeste do estado de São Paulo, nas encostas da Serra do Paranapiacaba. A totalidade do município insere-se na zona geográfica temperada, pois Ibiúna localiza-se abaixo do Trópico de Capricórnio. O referido trópico atravessa o município vizinho a norte, Mairinque, numa região que fica a cerca de 40 km de distância do bairro Dois Córregos.

Topografia[editar | editar código-fonte]

A topografia do município é bastante variável, uma vez que esta se localiza nas encostas da serra do Paranapiacaba, normalmente ondulada, acidentada e montanhosa. A maioria das terras possuem declividade superior a doze por cento, podendo atingir cem por cento nas regiões mais altas. Por esta razão, a maior parte da agricultura local é desenvolvida nas terras de encostas e meia encosta, devido à ausência generalizada de planícies. Possui 62,9 por cento da Represa de Itupararanga em suas terras. Pontos de maior altitude: Morro da Figueira (cerca de 1.000 metros de altitude) e Laje do Descalvado (cerca de 1.200 metros de altitude, no Bairro do Salto), no Parque Jurupará.

As áreas mais baixas do município se encontram nos vales dos principais rios e córregos. O processo de colonização das terras de Ibiúna, principalmente realizado por portugueses e seus descendentes, além de italianos e japoneses, que se aventuraram pela extensa zona rural do município de Una, sempre deu-se em zonas baixas, próximas dos corpos de água. Nestes vales, se encontram as áreas de menor altitude, por volta dos 860 metros acima do nível do mar.

Um exemplo disso está nos bairros Gabriel, Piaí e Paiol Grande, cujos núcleos de povoação se formaram em áreas próximas dos rios. Para a vida agrícola do município que começava a surgir, viver próximo das águas era fundamental para atividades agrícolas e pecuárias, servindo também para a subsistências das populações, visto que produtos tradicionais, como a farinha de milho, fabricada de forma artesanal, dependia de monjolos para existir.

As cercanias de tais bairros, cheias de morros e montes, possui considerável altitude. Vamos citar como exemplo o próprio bairro dos Gabriel: com uma altitude de cerca de 860 metros em suas zonas mais baixas, rapidamente se ganha altitude. Assim, o bairro dos Gabriel de Cima (Antigo Bairro dos Corá), se localiza em altitude média de 930 metros acima do nível do mar. No Morro do Timiano, divisando o Gabriel de Cima com as encostas do Paiol Grande, temos uma altitude elevada, que chega aos 1.025 metros de altitude.

Saindo do bairro dos Gabriel, em direção ao bairro dos Domingues, a altitude média encontrada é de 930 metros. O Morro da Bandeira, situado nos altos do Morro Grande, alcança a altitude de 980 metros. A estrada do Verava, próxima ao bairro dos Domingues, está localizada em altitude próxima de 970 metros, de onde se pode avistar, com facilidade, as instalações da estação meteorológica da aeronáutica, no município vizinho de São Roque (Alto da Serra).

A Capela de São Sebastião fica localizada a 1.000 metros de altitude. Morros próximos se localizam a até 1.193 metros acima do nível do mar. (Coordenadas 23.83611S e 47.1946W).

A maior parte das terras, conforme observado, se encontram em zonas de altitude superior aos 900 - 950 metros acima do nível do mar.

Uma pequena parcela do município, no extremo sul, próximo das divisas com Juquitiba, temos as menores altitudes, em torno de 700 metros de altitude.

Altitudes:

Morro Paiol Grande / Fazenda Santa Maria: 1.016 metros (23.77334S, 47.18805W)

Gabriel de Baixo: 865 metros.

Gabriel de Cima: 930 metros.

Morro Timiano (Gabriel de Cima / Paiol Grande): 1.025 metros.

Estrada do Verava (Bairro Domingues): 970 metros.

Morro da Bandeira (Bairro Morro Grande): 980 metros.

Bairro Piaí baixo: 865 metros.

Morro da Figueira: 1.000 metros.

Prefeitura Municipal: 900 metros.

Morros do Bairro dos Boavas (Água Mata Atlântica): 1.032 metros.

Cachoeira da Zica (Alves): 1.000 metros.

Bairro Tibúrcio: 875 metros.

Bairro do Rogério (Igreja Católica): 906 metros.

Escola Verava (Bairro Estância Bela Vista): 940 metros.

Serra do Verava: 1.007 metros (23.75646S, 47.10537W).

Bairro dos Paulos: 900 metros.

Serra do Abreu (Verava): 1.033 metros (23.79411S, 47.05536W).

Morro Bairro dos Pires: 1.042 metros.

Bairro Ressaca: 920 metros.

Bairro Murundu (Morros): 1.034 metros ( 23.7971S, 47.254 W).

Bairro Claudios: 1.000 metros.

Serra do Pocinho: 1.207 metros (23.93623S, 47.19584W).

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Ibiúna é o subtropical, com verões amenos chuvosos e invernos amenos e sub-secos, tendo temperatura média anual em torno de dezoito graus centígrados, sendo o mês mais frio julho, com média de treze graus centígrados e o mês mais quente fevereiro, com média de 22 graus centígrados. A precipitação média anual gira em torno de 1 400 milímetros. Geadas ocorrem durante todo o outono e inverno, quando existem influências das massas de ar polares que afetam a região nesta época do ano. Ibiúna é considerada como uma das cidades mais frias da região onde se localiza, segundo o senso comum.

Temperatura máxima já registrada 38°C.

Temperatura mínima já registrada -4°C.

Fontes dão conta de que Ibiúna foi igualmente atingida pela fortíssima onda de frio registrada em 1975. Inclusive, há relatos de que a neve que caiu em algumas cidades da região, como Tapiraí e Apiaí, também atingiu pontos de Ibiúna, em virtude de sua elevada altitude.

Rede Bancária[editar | editar código-fonte]

Ibiúna conta com 7 agências bancárias, dos seguintes bancos: Banco do Brasil (2) Bradesco (1) Caixa Econômica Federal (1) HSBC (1) Itaú (1) Santander(1) Além de vários postos de auto-atendimento localizados em, postos de combustíveis, supermercado, Prefeitura e casas lotéricas. A estância conta também com o Banco do Povo , que auxilia as micro e pequenas atividades econômicas e informais, com juros subsidiados e um sistema desburocratizado, operacionalizado pelo Banco do Brasil.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo de 2010

População Total: 100.217

(Fonte: IPEADATA)

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

  • Rio Una
  • Rio Sorocabuçu
  • Rio Sorocamirim

Rodovias[editar | editar código-fonte]

  • SP-250
  • Rodovia Tancredo Neves (vicinal)
  • Rodovia Julio Dal Fabbro (vicinal)
  • Rodovia Quintino de Lima

Referências

  1. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de número 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  2. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2013». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 jan. 2016.  Texto "ibiuna" ignorado (Ajuda); Texto "produto-interno-bruto-dos-municipios-2013 " ignorado (Ajuda)
  5. [1]
  6. [2]
  7. «Caravana da Anistia homenageia estudantes presos em Ibiúna em 1968». Agência Brasil. 10/10/2008. Consultado em 28 de Março de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]