Ibrahim Vargas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde abril de 2013)
Por favor, melhore este artigo inserindo fontes no corpo do texto quando necessário.
Ibrahim Vargas
Nascimento
Flag of Spain.svg Espanha, Hornachos
Etnia mourisco
Ocupação Governador de Salé, a Nova, corsário
Gravura de Salé num mapa da época de Ibrahim Vargas

Ibrahim Vargas ou Brahim Vargas foi um mourisco (mouro de Espanha) nascido em Hornachos, na Estremadura que foi o primeiro governante da entidade política que deu origem à chamada República do Bu Regregue (ou de Salé).

Era filho dum corregedor mourisco de Hornachos que, juntamente com os restantes mouriscos de Hornachos, se antecipou à expulsão que viria a ser decretada por Filipe III em 1609 e abandonou a sua terra natal para se instalar no que é hoje Rabat, a capital de Marrocos. Tendo-se convertido à fé cristã em Espanha, abraçou de novo o Islão pouco depois de chegar a Marrocos.

Além de governador da então chamada Salé, a Nova, Ibrahim Vargas foi também um corsário. A pirataria ou (ou guerra de corso na medida em que era feita com a autorização dos sultões saadianos) era a principal atividade económica de Salé, a Velha, cujos piratas eram conhecidos em inglês como Sale Rovers, Sallee Rovers ou ainda Sally Rovers, e por vezes também como hornacheros.

A família Bargach (corruptela de Vargas), descendente de Ibrahim, ainda hoje é uma das mais influentes de Rabat, como foi ao longo de mais de quatro séculos.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

A instalação dos hornacheros na foz do rio Bu Regregue foi apoiada pelo sultão Abdal Malique (r. 1576–1578), que «os autorizou a que se acostumassem em Salé com as mesmas graças e privilégios que costumavam desfrutar os naturais do país.». Nesse tempo, a povoação mais importante da região era Salé, uma cidade localizada na margem direita (norte) do Bu Regregue, conhecida pela sua religiosidade e dominada por marabutos (místicos islâmicos que também eram líderes religiosos). Os estremenhos instalaram-se na margem esquerda, no arrábita (fortaleza) praticamente abandonado que tinha sido erigido pelo califa almóada Abde Almumine (r. 1128–1163) e reforçado pelo neto Iacube Almançor (r. 1184–1199), conhecido atualmente como Casbá dos Oudaias. A localidade repovoada começou então a ser conhecida como Salé, a Nova, para a distinguir da cidade no outro lado do rio, que passou a ser também conhecida como Salé, a Velha.

Os atritos entre os mouriscos recém-chegados as gentes de Salé, a Velha foi aproveitada pelo sultão Moulay Zidane (r. 1613–1628) para contrabalançar o poder crescente e tendências independentistas de Salé, a Velha, cujo líder Sidi Mohammed el Ayachi foi um dos protagonistas na guerra civil que se seguiu à morte de Mulei Almançor em 1603. Em 1608, Moulay Zidane organizou os hornacheros em milícias, e formou com eles uma guarnição na casbá, sob a autoridade simbólica dum caïd xerifiano (ou seja, um governador fiel ao sultão).

Referências[editar | editar código-fonte]