Ida Pfeiffer

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Ida Pfeiffer.

Ida Laura Pfeiffer (Viena, 14 de outubro de 1797 - Viena, 27 de outubro de 1858) foi uma exploradora e escritora de livros de viagens austríaca.[1]

Até os 45 anos era uma dona-de-casa que sonhava em viajar. Quando conseguiu criar seus filhos, vendeu seu casa e seu piano, e com esse dinheiro começou suas viagens de exploração do mundo. Ao retornar lançou um livro de viagens com as anotações de seu diário, o que lhe rendeu alguma notoriedade. Conforme foi se tornando mais conhecida, obtinhas passagens gratuitas em navios estadunidenses e alemães. Geralmente viajava com pouco dinheiro, dormia e comia na casa de pessoas comuns, fazia anotações sobre as coisas que via, usando como base para posteriores livros de viagem e visitava lugares fora das rotas turísticas tradicionais, algumas vezes explorando regiões perigosas. Foi a primeira mulher a ser aceite como membro honorário nas sociedades geográficas de Berlim e Paris. foi laureada pelo rei da Prússia com uma medalha de ouro por sua contribuição às artes e às ciências.[2]

Primeira viagem ao redor do mundo[editar | editar código-fonte]

Em 1846 iniciou uma viagem ao redor do mundo, visitando o Brasil, o Chile e outros países da América do Sul, Tahiti, China, Índia, Pérsia, Ásia Menor e Grécia e chegando em casa em 1848. Os resultados foram publicados em Eine Frauenfahrt um die Welt ("Viagem de uma mulher ao redor do mundo"), publicado em Viena em 1850. A tradução inglesa, A Woman's Journey round the World foi publicada em Londres em 1850.

Nessa viagem Ida Pfeiffer visita o Rio de Janeiro, onde desembarca a 17 de setembro de 1846 após permanecer dois meses e meio a bordo de um veleiro. De todos os viajantes estrangeiros que estiveram no Rio no século XIX, Ida Pfeiffer talvez ofereça a imagem mais negativa da cidade. “Talvez resida nessa atitude crítica e em grande parte depreciativa do país a razão do fato de ser o seu nome e a sua obra menos conhecidos e considerados por estudiosos brasileiros, apesar dos valiosos dados que contém.”[3] Mas embora ache a Praia dos Mineiros (entre o Largo do Paço, atual Praça XV, e o Arsenal da Marinha), onde desembarcou, “suja e repugnante, habitada por umas dúzias de negros igualmente sujos e repugnante”, o Paço Imperial um “edifício grande mas prosaico, como uma casa particular, sem pretensão a gosto ou beleza arquitetônica”, o Largo do Paço, “sujo, servindo à noite de local de dormir para muitos negros pobres e livres, que de manhã fazem ali suas necessidades, sem nenhum pudor, na frente de todos” e o Campo de Sant’Ana “o mais sujo de todos os lugares”, onde viu “corpos de cães e gatos em decomposição” e lavadeiras na fonte “lavando e secando e berrando”, de modo que "uma pessoa se sente feliz de deixar o lugar", Ida reconhece a beleza e imponência do aqueduto, semelhante a uma “obra romana”, admite que “o destino dos escravos não é tão ruim como muitos europeus acreditam” e que “a vida dos escravos no todo é melhor que a dos camponeses russos, poloneses ou egípcios que sequer consideramos escravos”, reconhece que a cidade é “muito bem iluminada” e que é seguro andar nas ruas à noite e surpreende-se com o interior do Teatro da Ópera (o Imperial Teatro de São Pedro de Alcântara, onde fica o atual Teatro João Caetano), com suas “salas amplas e magníficas, um palco grande e profundo, capacidade para mais de 2 mil pessoas e quatro lances de camarotes espaçosos”. Ida descreve a imponência das festas, entre elas a do batizado da princesa imperial e do aniversário do imperador. Passeia nos arredores da cidade – Alto da Boa Vista, Jardim Botânico, Corcovado (onde “se descortinou diante de nossos olhos um panorama semelhante ao qual o mundo tem poucos a oferecer”), Palácio de São Cristóvão – e excursiona até cidades próximas naquela época recém-criadas por colonos europeus como Petrópolis e Nova Friburgo. Se a urbe carioca em si não a impressionou tanto, Ida reconhece os tesouros "com que a natureza adornou de forma realmente abundante os arredores desta cidade ”.[4]

Segunda viagem ao redor do mundo[editar | editar código-fonte]

Em 1851 ela foi para a Inglaterra e para a África do Sul, com a intenção de penetrar no interior. Isso se revelou impraticável, mas ela foi para o arquipélago Malaio, passando dezoito meses nas Ilhas da Sonda, onde visitou os Dyaks de Bornéu e foi uma das primeiras pessoas a relatar o comportamento dos Bataks em Sumatra e dos habitantes das Ilhas Molucas. Depois de uma visita à Austrália, Madame Pfeiffer passou para a Califórnia, Oregon, Peru, Equador, Nova Granada e voltou para o norte até os Grandes Lagos, chegando em casa em 1854. Sua narrativa, Meine zweite Weltreise ("Minha segunda viagem ao redor do mundo") , foi publicado em Viena em 1856. A tradução inglesa, Second Journey round the World, foi publicada em Londres em 1857.

Referências

  1. PFEIFFER, Ida Laura. The Last Travels of Ida Pfeiffer (em inglês). Nova Iorque: Harper & Brothers, 1861.
  2. WATT, Helga Schutte. The German Quarterly : Ida Pfeiffer: A Nineteenth-Century Woman Travel Writer (em inglês). Nova Iorque: Wiley-Blackwell, 1991.
  3. Bispo, A.A.(Ed.). “Ida Pfeiffer (1797-1858) no Brasil e no Madagáscar sob o signo dos problemas da Imigração/Colonização e do Colonialismo.Costumes, dança e música como indicadores de processos transculturais”. Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 154/11 (2015:02).http://revista.brasil-europa.eu/154/Ida_Pfeiffer_Brasil_Madagascar.html.
  4. Citações extraídas de Ida Pfeiffer, Eine Frauenfahrt um die Welt. Mais detalhes sobre as impressões de Ida acerca do Rio de Janeiro podem ser obtidos no artigo da Revista Brasil-Europa citado na nota anterior.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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