Igreja Apostólica Armênia

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Igreja Apostólica Armênia
Echmiatsin cathedral 2.jpg
Catedral de Echmiatsin
Fundador Santos Judas Tadeu e Bartolomeu
Independência Segundo Concílio de Dúbio (554)
Reconhecimento Antioquia
Primaz Catolikós Karekin II
Sede Primaz Vagarsapate
Território Armênia
Posses Várias
Língua Armênio clássico
Adeptos 9 milhões[1]
Site Página oficial (em armênio e inglês)

A Igreja Apostólica Armênia (em armênio/arménio: Հայ Առաքելական Եկեղեցի), também denominada Igreja Ortodoxa Armênia, é uma Igreja Oriental Ortodoxa. É a igreja nacional da Armênia e pratica o rito armênio, praticado também pela Igreja Católica Armênia.

É representada no Brasil por uma catedral em São Paulo, onde está sediado o bispo Nareg Berberian, e uma paróquia em Osasco.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Igreja Apostólica Armênia de São Paulo

A ligação da nação armênia com a tradição judaico-cristã, segundo a Bíblia, data do período de Noé, que teria encalhado sua arca no Monte Ararate.[3] Apesar de esta montanha ser hoje parte da Turquia, é um símbolo nacional armênio, e armênios étnicos ainda podem ser encontrados em seus arredores.

O cristianismo foi levado para o país pelos apóstolos São Judas Tadeu e São Bartolomeu, que, após converterem o rei de Osroena, Santo Abgar, foram enviados por este para pregarem na Armênia, onde teriam convertido a filha de Sanatruces I, que seria fatalmente martirizada juntamente a São Judas. São Bartolomeu ainda converteria uma irmã do mesmo rei, que mais tarde martirizaria ambos.[4][5][6] Antes de suas mortes, no entanto, os apóstolos chegaram a consagrar bispos nativos.

A religião foi incorporada por grande parte da população, mas ainda existiam focos consideráveis de paganismo e zoroastrianismo. Em 301, a Armênia tornou-se a primeira nação do mundo a se tornar oficialmente cristã, doze anos antes de Constantino dar liberdade de culto aos cristãos em Roma. Essa conversão deve-se a Gregório, o Iluminador e ao rei Tirídates III. As famílias do monge e do rei eram de dinastias rivais, que há anos vinham brigando pelo poder na Armênia e na Pérsia. Quando Tirídates III foi coroado, Gregório, compareceu na coroação, sendo revelado para todos quem era (adversário do rei e cristão). Tirídates III mandou encarcerar Gregório num poço aos pés do Monte Ararate e lá ele ficou por 15 anos. Conta a tradição que o Tirídates III passou a sofrer de licantropia, passando a agir como um javali. Nenhum dos tratamentos ministrados ou ritos pagãos fizeram efeito. Atendendo aos apelos da irmã do Rei, Gregório foi retirado do poço e colocou-se a orar pelo Rei, fazendo com que este voltasse à sua consciência. Em agradecimento, o Rei proclamou Cristo como único na Armênia e Gregório como chefe da Igreja Apostólica Armênia, construindo perto de Erepuni (atual Erevan, capital da Armênia) uma catedral para ser a Santa Sé Armênia. Esse templo foi chamado de Vagarsapate e foi construído com pedras trazidas diretamente do Monte Ararate.

A Igreja Apostólica Armênia se separou das demais Igrejas do mundo após o Concílio de Calcedônia em 451, por não aceitar as determinações consideradas pró-nestorianistas. Esse cisma a separa tanto das suas irmãs Católicas quanto das suas irmãs Ortodoxas, pois a Igreja Armênia aceita apenas a autoridade dos três primeiros Concílios Ecumênicos, enquanto a Igreja Ortodoxa aceita sete e a Igreja Católica aceita vinte e um. A Igreja Armênia é chamada de monofisista por alguns mas vale lembrar que ela também considerou herética a existência apenas da natureza divina de Cristo, defendida por Eutiques, mas também refutou a existência bem delimitada e não confusa de Humanidade e Divindade na pessoa de Jesus, defendida por Nestório. A Igreja Armênia achou um ponto de equilíbrio entre as duas doutrinas, aceitando que em Jesus há a parte humana e a parte divina, havendo apenas uma natureza do verbo encarnado.

A Igreja Apostólica Armênia mantém-se independente e autônoma na comunhão de Igrejas Orientais Ortodoxas, tendo sua sede patriarcal em Vagarsapate. Ela foi importante instituição para manter a unidade na diáspora armênia, decorrente do genocídio armênio em 1915.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Catholicos of All Armenians». armenianchurch.org. Mother See of Holy Etchmiadzin 
  2. «Diocese da Igreja Apostólica Armênia do Brasil». Consultado em 22 de abril de 2019. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  3. Gênesis 8:4
  4. Christians in Asia before 1500. [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de março de 2015 
  5. A Brief Historical Sketch of the Holy Apostolic Church of Armenia. [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de março de 2015 
  6. The Armenian Church. [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de março de 2015