Igreja Ortodoxa

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Ortodoxia Oriental.
População cristã ortodoxa ao redor do mundo, Alasca contado à parte do resto dos Estados Unidos

A Igreja Ortodoxa (do grego όρθος, transl. órthos: reto, correto, e δόξα, transl. dóxa: opinião, glória;[1] literalmente, "igreja da opinião correta" ou "igreja da glória verdadeira", como traduzido pelos eslavos) ou Igreja Católica Ortodoxa[2] [3] é uma comunhão de igrejas cristãs autocéfalas, herdeiras da cristandade do Império Bizantino, que reconhece o primado de honra do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla desde que a sede de Roma deixou de comungar com a ortodoxia. Reivindica ser a continuidade da Igreja fundada por Jesus, considerando seus líderes como sucessores dos apóstolos.

A Igreja Ortodoxa tem aproximadamente dois mil anos, contando-se a partir da Igreja Primitiva, e aproximadamente mil anos, contando-se a partir do Cisma do Oriente ou Grande Cisma, em 1054.[4] Desde então, os ortodoxos não reconhecem a primazia papal, a cláusula Filioque e não aceitam muitos dos dogmas proclamados pela Igreja Católica Romana em séculos recentes, tais como a Imaculada Conceição e a infalibilidade papal. Também não consideram válidos os sacramentos ministrados por outras confissões cristãs e em geral têm uma história hagiográfica à parte do catolicismo romano.

Apesar de católicos romanos e ortodoxos terem uma história comum, que começa com a fundação da Igreja e com a difusão do cristianismo pelos apóstolos, uma série de dificuldades ocasionou o progressivo distanciamento entre Roma e os Patriarcas. Primeiro veio a quebra da unidade política. Com a divisão do Império Romano em 395, a queda do Império Romano do Ocidente em 476 e o fracasso da tentativa de Justiniano I de reunificar o império a partir de 535, o Oriente e o Ocidente deixaram de ter o mesmo governo. A partir do século VII, com a ascensão do Islamismo, as trocas econômicas e os contatos por via marítima entre o Império Bizantino, de língua grega, e o Ocidente, de língua latina, tornaram-se mais difíceis, e a unidade cultural se deteriorou.

Em que pesem diferenças teológicas, organizativas e de espiritualidade não desprezáveis, a Igreja Ortodoxa é, em muitos aspectos, semelhante à Igreja Católica: preserva os sete sacramentos (ainda que reconheça outros sacramentos e o número exato de sete tenha sido emprestado dos catecismos católicos romanos),[5] o respeito a ícones e o uso de vestes litúrgicas nos seus cultos (denominados de Divina Liturgia). Seus fiéis são chamados de cristãos ortodoxos.

No seu conjunto, a Igreja Ortodoxa é a terceira maior confissão cristã, contando, em todo o mundo, com aproximadamente 250 milhões de fiéis, concentrados sobretudo nos países da Europa Oriental. As igrejas ortodoxas mais importantes são a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Russa.

Em inglês empregam-se dois sinônimos, cada um dos quais corresponde à palavra portuguesa "oriental", para distinguir as Igrejas que aceitam o Concílio de Calcedônia e a sua doutrina do diofisismo das que os rejeitam. As primeiras são chamadas de "Eastern Orthodox" e as outras, "Oriental Orthodox".[6] Os correspondentes nomes em alemão são "östlich-orthodoxe" e "orientalisch-orthodoxe".[7] Em línguas que não dispõem deste par de sinônimos (como o espanhol e o francês), segundo o Conselho Mundial de Igrejas, o termo "ortodoxas orientais" é geralmente reservado às igrejas que rejeitam o Concílio,[8] [9] enquanto que as que o aceitam são chamadas de "ortodoxas bizantinas"[10] ou "ortodoxas calcedonianas"[11] .

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Ícone do Pentecostes.

Até ao século XI, os católicos romanos e ortodoxos têm uma história comum, que começa com a instituição da Igreja por Jesus Cristo e sua difusão por seus discípulos, que, como o relatado nos Atos dos Apóstolos,[12] espalharam-se a partir de Jerusalém, fundando a primeira comunidade denominada cristã em Antioquia e depois se espalhando, ainda pelos mesmos, pela Europa, Ásia e África. Por volta do século IV, a Cristandade já chegara às mais diversas regiões, apesar das perseguições movidas por poderes tradicionalmente pagãos, e diversas escolas exegéticas haviam se desenvolvido, como a Escola de Antioquia e a Escola Catequética de Alexandria. A ortodoxia cristã, no entanto, era ameaçada por diversas heresias, como o arianismo, o novacianismo e o adocionismo. Em 313 d.C., no entanto, o Édito de Milão finalmente instituiu a liberdade religiosa no Império Romano, o que foi seguido por uma progressiva cristianização do Império a partir da conversão do imperador Constantino no ano de 324. Foi então convocado o Primeiro Concílio de Niceia, que buscou a unificação da Cristandade, a solidificação dos preceitos da fé cristã, o anátema das principais heresias da época e a composição de um credo comum ortodoxo, o Credo Niceno. [13]

Neste Concílio, estabeleceu-se que em cada província civil do Império Romano o corpo dos bispos deveria ser encabeçado pelo bispo da capital provincial (o bispo metropolita), mas reconheceu a autoridade super-metropolitana já exercida pelos bispos de Roma, Alexandria e Antioquia. Além disso, decretou que o bispo de Jerusalém tivesse direito a honra especial, embora não a autoridade sobre outros bispos.[14] [15] Quando a residência do imperador romano e o senado foram transferidos para Constantinopla, em 330 d.C, o Bispo de Roma perdeu influência nas igrejas orientais, em benefício do Bispo de Constantinopla. Ainda assim, Roma continuou a ter uma autoridade ecumênica especial devido à sua ligação com São Pedro e seu passado como capital do Império Romano.[16]

No ano de 381 o Oriente realizou o Primeiro Concílio de Constantinopla, que decretou a divindade do Espírito Santo, lançando anátema sobre os macedonianos e tendo suas decisões acatadas pelo Ocidente.[17] Em 431, o Primeiro Concílio de Éfeso proclamou, a despeito dos nestorianos, que a Virgem Maria era a Theotokos, o que gerou a Igreja do Oriente, até hoje separada das grandes comunhões cristãs. A grande maioria dos fiéis habitavam na Índia e na Síria, após uma retração substancial da antes forte presença nestoriana na China e na Ásia Central. Na Índia a maioria dos sucessores deste cisma passaram depois ao catolicismo oriental ou ao miafisismo.[18] Na Síria também muitos passaram ao catolicismo oriental e formaram a Igreja Católica Caldeia.[19] Em 451, o Concílio de Calcedônia condenou o monofisismo. Isto gerou um cisma na Igreja de Alexandria liderado por Dióscoro, que, apesar de não professar a doutrina monofisita de Êutiques, rejeitava a resolução de Calcedônia, gerando a Igreja Copta.[20] [21] Progressivamente, grupos no Levante e na Armênia rejeitariam o Concílio e se uniriam aos coptas, dando origem às chamadas igrejas ortodoxas orientais, que ainda se expandiriam pela África e Índia.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Uma série de dificuldades estimulou um progressivo distanciamento entre Roma e os demais patriarcados. Primeiramente, a quebra da unidade política. Com a divisão do Império Romano (em 395), a queda do Império Romano do Ocidente (em 476) e o fracasso da tentativa de Justiniano I de reunificar o império (a partir de 535), Oriente e Ocidente deixaram de estar sob o mesmo governo. Mais tarde, com a ascensão do Islã, as trocas econômicas e os contatos por via marítima entre o Império Bizantino, de língua grega, e o Ocidente, de língua latina, se tornaram mais difíceis, e a unidade cultural entre os dois mundos deixou paulatinamente de existir. No século VIII, Roma colocou-se sob a proteção do Império Carolíngio, o que criou uma situação em que as Igrejas em Roma e em Constantinopla estavam no seio de dois impérios distintos, fortes e autossuficientes, cada qual com sua própria tradição e cultura.

O primeiro grande cisma entre Roma e o Oriente seria o Cisma Acaciano, a partir de 484, quando a tentativa por parte da Igreja de Constantinopla de reconciliar-se com os não-calcedonianos gerou desaprovação por parte do Papa Félix III, ultimamente levando Acácio de Constantinopla a riscar o nome de Félix de seus dípticos. As tentativas de reconciliação só seriam vitoriosas na Páscoa de 519. No ano de 553, foi convocado o Segundo Concílio de Constantinopla, que aprofundou as decisões do concílio ecumênico anterior. Tentativas posteriores de reconciliação com os não-calcedonianos levariam ao monotelismo e ao monoenergismo, condenados no Terceiro Concílio de Constantinopla em 681. Em 787, dado o surto iconoclasta em Constantinopla, Irene de Atenas convocou o Segundo Concílio de Niceia, para ratificar a ortodoxia da veneração de imagens, especialmente pelo trabalho de São João de Damasco. Este episódio é frequentemente referido como "Triunfo da Ortodoxia".[22]

Além do anteriormente citado, a situação de afastamento ensejou uma escalada de divergências doutrinárias entre Oriente e Ocidente (em particular, a inclusão, pela Igreja Latina, da cláusula Filioque, no Credo niceno-constantinopolitano, considerada herética pelos ortodoxos) e a adoção gradativa de rituais diferentes entre si. Ao mesmo tempo, acentuou-se a pretensão, por parte de Roma, de exercer uma autoridade incontestada sobre todo o mundo cristão, enquanto que Constantinopla aceitava somente que Roma tivesse uma posição de honra. Tais disputas acerrariam-se no Cisma de Fócio, quando, após o Imperador Miguel III depor o Patriarca Inácio I de Constantinopla em benefício de São Fócio em 858, o Papa Nicolau I condenou a Sé de Constantinopla em 863. O cisma só seria resolvido em 867, com a morte de Miguel III, mas, em 879, o Imperador Basílio I convocou o Quarto Concílio de Constantinopla, reabilitando São Fócio e condenando o Filioque como blasfêmia.[23] [24] Alguns autores ortodoxos chegam a considerar este o Oitavo Concílio Ecumênico.

Estas tensões fatalmente levaram à ruptura entre as igrejas, em 1054, com a excomunhão mútua entre autoridades da Igreja Católica no Ocidente e da Igreja Ortodoxa no Oriente (Grécia, Rússia e outras terras eslavas, além de Anatólia, Cáucaso, Síria, Egito, etc., incluindo áreas onde muitos dos cristãos já pertenciam a Igrejas Ortodoxas Orientais). A essa divisão a historiografia ocidental chama Cisma do Oriente ou Cisma do Oriente e do Ocidente, ou simplesmente Grande Cisma.

A relação entre a Igreja Romana e a Oriental fica ainda pior em decorrência da Quarta Cruzada, que sela a divisão entre as igrejas. O saque da Basílica de Santa Sofia e o estabelecimento do Império Latino são até hoje mal vistos. O primeiro foi repudiado pelo Papa Inocêncio II à época, mas só foram emitidas desculpas oficiais por João Paulo II em 2004, estas aceitas por Bartolomeu I de Constantinopla. Tentou-se restabelecer união no Segundo Concílio de Lyon (em 1274) e o Concílio de Florença (em 1439). Foram feitas pressões para uma recomunhão neste segundo, ainda que canonicamente contestáveis e recebidas com oposição por personalidades como São Marcos de Éfeso, mas esta acabou se desfazendo com a Queda de Constantinopla. Algumas jurisdições orientais fatalmente entrariam em recomunhão em períodos diferentes, juntas formando parte da Igreja Católica Oriental.

Entre 1341 e 1351, foi congregada uma série de concílios coletivamente conhecidos como Quinto Concílio de Constantinopla, afirmando a ortodoxia da teologia hesicasta de São Gregório Palamas, condenando o racionalismo do filósofo Barlaão da Calábria. Alguns ortodoxos conhecem este como Nono Concílio Ecumênico.[25]

Idade Moderna e Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Em 1453, Constantinopla cai para o Império Otomano, que fatalmente toma quase todos os Balcãs. O Egito era tomado pelo islamismo desde o século VIII, mas a Ortodoxia ainda era forte na Rússia, que passaria a ser referida como Terceira Roma.[26] O Patriarca de Constantinopla tem autoridade administrativa sobre os rumes do Império Otomano, que permite certa liberdade de culto no Império. No Império Russo, a Igreja Ortodoxa Russa era uma instituição desconectada do Estado até 1666, com a deposição do Patriarca Nikon (conhecido pelas reformas que levaram ao cisma dos velhos crentes), influenciada por Aleixo I.

No século XVIII, a Igreja Ortodoxa volta a estar presente no Hemisfério Ocidental, com a chegada de missionários russos ao Alasca, então 1867 parte do Império Russo. Mesmo no atual estado de Alasca, 12,5% da população é ortodoxa.[27] Em 1721, Pedro I abole o Patriarcado e transforma a Igreja em uma instituição estatal, o que só é interrompido com a Revolução de Outubro. O ressurgimento da posição, no entanto, não duraria muito, com o Patriarcado sendo extinto pelo governo comunista após a morte do Patriarca Tikhon. Em 1943, no entanto, o Patriarcado foi reinstituído por Stalin. Ainda haveria perseguições sob Khrushchev, que chegou a fechar 12 mil igrejas. Menos de 7 mil permaneciam ativas à altura de 1982. [28] Hoje, de acordo com dados de 2016, a Igreja Ortodoxa Russa dispõe de cerca de 35 mil paróquias pelo mundo.[29]

Com o ateísmo de Estado dos regimes comunistas que se implantaram em nações com presença ortodoxa como na Europa Oriental, regiões asiáticas da União Soviética e China, a Igreja Ortodoxa sofreu fortemente com perseguição e censura, o caso mais drástico provavelmente sendo o da Albânia de Hoxha, declarada oficialmente ateísta e tendo sua igreja nacional fechada entre 1967 e 1992.[30] Em outros países, no entanto, como na Romênia, a Igreja teve relativa liberdade, apesar do forte controle por parte da polícia e de experiências como as tentativas de lavagem cerebral de crentes na prisão de Piteşti, o que por fim seria rigorosamente punido pelo Estado.

Com a queda das ditaduras comunistas da Europa Oriental, começando pela Albânia em 1976 e depois por uma queda abrupta de todas as restantes entre 1989 e 1992, as jurisdições da Igreja Ortodoxa oprimidas por estes regimes começaram a tomar mais liberdade. Em 2007, a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, que se separara do Patriarcado de Moscou após o Patriarca Sérgio de Moscou, na prisão, jurar aliança ao Estado comunista, restaurou a comunhão.[31] Em 2016, em Creta, será congregado um Concílio Pan-Ortodoxo, como planejado desde os anos 60.

Comunhão ortodoxa[editar | editar código-fonte]

A Igreja Ortodoxa é formada pela comunhão plena de catorze jurisdições eclesiásticas autocéfalas (mais a Igreja Ortodoxa na América, apenas parcialmente reconhecida) que professam a mesma fé e, com algumas variantes culturais, praticam basicamente os mesmos ritos. O chefe espiritual das Igrejas Ortodoxas é o Patriarca de Constantinopla, embora este seja um título mais honorífico, uma vez que os patriarcas de cada uma dessas igrejas são independentes. Desta forma, diz-se que o Patriarca de Constantinopla é o primeiro entre iguais. A maior parte das igrejas ortodoxas usa o rito bizantino.

Para os ortodoxos, o chefe único da Igreja, e sem intermediários, representantes ou legatários, é o próprio Jesus Cristo. A autoridade suprema na Igreja Ortodoxa é o Santo Sínodo, que se compõe de todos os patriarcas chefes das igrejas autocéfalas e dos arcebispos primazes das igrejas autônomas, que se reúnem por chamada do Patriarca Ecumênico de Constantinopla.

A autoridade suprema regional em todos os patriarcados autocéfalos e igrejas ortodoxas autônomas é da competência do Santo Sínodo local. Uma igreja autocéfala possui o direito a resolver todos os seus problemas internos com base na sua própria autoridade, tendo também o direito de remover qualquer dos seus bispos, incluindo o próprio patriarca, arcebispo ou metropolita que presida esta Igreja.

Jurisdições[editar | editar código-fonte]

Igreja Ortodoxa Russa de Santa Maria Madalena em Jerusalém
Catedral de Nossa Senhora de Kazan, em São Petersburgo, na Rússia
A catedral de San Sava da Igreja Ortodoxa Sérvia em Belgrado

Abaixo, a lista das jurisdições que formam a Igreja Ortodoxa, com algumas das respectivas igrejas autônomas e exarcados. Os quatro primeiros são os antigos patriarcas, que carregam a tradição da pentarquia. Os cinco seguintes são os pequenos patriarcas, posteriormente reconhecidos pelo Patriarca de Constantinopla. As seis últimas igrejas são autocéfalas, mas não têm seus líderes reconhecidos como patriarcas. As que não têm notas referentes a seu reconhecimento estão em plena comunhão.[32] [33] [34] [35] [36]

Entre as igrejas semi-autônomas temos a Igreja Ortodoxa Cretense e a Igreja Ortodoxa Russa no Exterior.

Entre as igrejas não reconhecidas, seja por cisma ou por não reconhecimento de seu auto-governo por nenhuma instituição senão elas mesmas, temos:

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A Igreja Ortodoxa é presente no Brasil tanto por imigrantes e seus descendentes quanto por comunidades inteiras de brasileiros convertidos. A primeira Divina Liturgia do país da qual se tem registro foi celebrada em 1897, com a primeira paróquia, a Igreja da Anunciação à Nossa Senhora, construída em São Paulo em 1904 pela comunidade sírio-libanesa e presidida pelo Arquimandrita Silvestros As-Seghir como vicariato patriarcal da Igreja de Antioquia, emergindo da mesma comunidade. Em 1958, esta comunidade seria elevada ao status de arquidiocese, com Dom Ignatios Ferzli presidindo-a como o primeiro bispo residente no país.[38]

Hoje existem paróquias das igrejas de Antioquia, da Russa, do Patriarcado Ecumênico (tanto pela Arquidiocese Grega quanto pela Eparquia Ucraniana), da Polonesa e da Sérvia no país. As duas últimas comunidades são basicamente compostas por brasileiros convertidos, mas estes também se encontram presentes nas outras, que recebem brasileiros e fazem atividade missionária pelo país. O censo demográfico do Brasil de 2010 contou 131571 cristãos ortodoxos no Brasil,[39] mas a presença da Igreja Ortodoxa Oriental e de grupos em cisma com a Igreja Ortodoxa (em geral tradicionalistas, como a autodenominada Igreja Genuína Ortodoxa da Grécia, ou grupos vagantes como a Igreja Ortodoxa Bielorrussa Eslava) igualmente se autodenominando ortodoxos dificulta qualquer cálculo mais exato.

Há paróquias perfeitamente canônicas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Pernambuco. Há quatro bispos diocesanos residentes no país: Dom Chrisóstomo Muniz Freire, Dom Ambrósio Cubas, Dom Damaskinos Mansour e Dom Jeremias Ferens. Há ainda outros bispos residentes no exterior com jurisdição direta sobre o Brasil, além de um vicariato patriarcal de Antioquia no Rio de Janeiro.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Apesar de toda a Europa Ocidental ser clamada como território canônico próprio pelo Patriarcado Ecumênico, existem em Portugal, além da presença da Igreja Grega sob o omofório deste Patriarca, a Igreja Ortodoxa Búlgara, a Russa da Romena.[40] O XV Recenseamento Geral da População de Portugal contou 56550 ortodoxos no país dentre a população com 15 anos ou mais,[41] apesar de, como no caso do Brasil, fazer-se necessário atentar-se para grupos que não são parte da Igreja, como a dita Igreja Católica Ortodoxa Lusitana. Não há bispos diocesanos residentes em Portugal, apesar de já ter havido no passado, antes de a Igreja Ortodoxa Polonesa no país entrar em cisma.[42]

Em Moçambique[editar | editar código-fonte]

Há paróquias ortodoxas em Moçambique, todas no território eclesial da Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria. Estas paróquias já estiveram, em momentos diferentes, sob a Metrópole de Johannesburgo e sob a Diocese do Zimbábue, mas existe desde 2006 uma Diocese de Maputo, hoje ocupada pelo Bispo João Tsaftarides.[43] A primeira paróquia ortodoxa no sul da África foi edificada no país, o Templo Sagrado da Santa Trindade, a partir de 1876. A maior parte dos ortodoxos do país é de origem grega, mas há nativos convertidos. O Censo de 2007 contabilizou apenas as maiores denominações religiosas no país, deixando de lado a população ortodoxa.[44]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A Greek-English Lexicon: δόξα
  2. Encyclopaedia Britannica. "Eastern Orthodoxy". Encyclopaedia Britannica. "Eastern Orthodoxy, official name, used in British English as well, is Orthodox Catholic Church, one of the three major doctrinal and jurisdictional groups of Christianity. [...] The official designations of the church in its liturgical or canonical texts are either “the Orthodox Catholic Church” or the "Greek Catholic Church" only. Because of the use of the name "Greek Catholics" by the Eastern churches of the Catholic Church and the historical links of the Orthodox Catholic church with the Eastern Roman Empire and Byzantium (Constantinople), however, the exonyms in American English usage referred to it as the “Eastern” or “Greek Orthodox” Church. These terms are sometimes misleading, especially when applied to Russian or Slavic churches and to the Orthodox communities in western Europe and America."
  3. Wendy Doninger (1999). Merriam-Webster's encyclopedia of world religions. Merriam-Webster. p. 309. ISBN 978-0-87779-044-0. Retrieved 2 April 2013. "The official designation of the church in Eastern Orthodox liturgical or canonical texts is "the Orthodox Catholic Church.""
  4. Gilberto Cotrim. História Global Brasil e Geral. Pág.: 157. Volume único. ISBN 978-85-02-05256-7.
  5. Orthodox Church in America: Seven Sacraments
  6. World Council of Churches, "Orthodox churches (Eastern)" e World Council of Church, "Orthodox churches (Oriental)"
  7. Ökumenischer Rat der Kirchen, "Östlich-orthodoxe Kirchen" e Ökumenischer Rat der Kirchen, "Orientalisch-orthodoxe Kirchen"
  8. Consejo Mundial de Iglesias, "Iglesias ortodoxas (orientales)"
  9. Conseil œcuménique des Églises, "Églises orthodoxes orientales"
  10. Consejo Mundial de Iglesias, "Iglesias ortodoxas (bizantinas)"
  11. Conseil œcuménique des Églises, "Églises orthodoxes (chalcédoniennes)"
  12. Atos dos Apóstolos 11:19-26
  13. WARE, Kallistos. The Orthodox Church
  14. Decisões do Concílio de Niceia em italiano
  15. Decisões do Concílio de Niceia em inglês
  16. Radeck, Francisco; Dominic Radecki (2004). Tumultuous Times - Twenty General Councils Of The Catholic Church & Vatican II And Its Aftermath.] St. Joseph's Media, p. 79. ISBN 978-0-9715061-0-7.
  17. NPNF2-14. The Seven Ecumenical Councils | Christian Classics Ethereal Library
  18. Malankara Mar Thoma Syrian Church: Heritage
  19. CNEWA: The Chaldean Catholic Church
  20. Greek Orthodox Archdiocese of America: Fourth Ecumenical Council
  21. Got Questions? "What is Coptic Christianity, and what do Coptic Christians believe?"
  22. Greek Orthodox Archdiocese of America: Seventh Ecumenical Council
  23. Philip Schaff, Conflict of the Eastern and Western Churches
  24. PHOTIOS, St. The Mystagogy of the Holy Spirit
  25. Orthodox Wiki: Nineth Ecumenical Council
  26. Parry, Ken; David Melling (editors) (1999). The Blackwell Dictionary of Eastern Christianity (Malden, MA.: Blackwell Publishing). p. 490. ISBN 0-631-23203-6. 
  27. Pew Research Center, "Religious composition of adults in Alaska"
  28. Ostling, Richard. "Cross meets Kremlin", TIME Magazine, 24 June 2001. Retrieved 7 April 2008. Archived julho 22, 2007 at WebCite
  29. Доклад Святейшего Патриарха Кирилла на Архиерейском Соборе Русской Православной Церкви (2 февраля 2016 года) / Официальные документы / Патриархия.ru
  30. Arquivado em 8 dezembro 2007 no Wayback Machine
  31. David Holley (2007-05-17). «Russian Orthodox Church ends 80-year split» Los Angeles Times [S.l.] [ligação inativa]
  32. Orthodox Wiki
  33. `World Churches
  34. World Council of Churches, "Eastern Orthodoxy"
  35. Consejo Mundial de Iglesias, "Iglesias ortodoxas (bizantinas)"
  36. BBC, "Eastern Orthodox Church"
  37. http://www.orthodox.cn/index_en.html
  38. Igreja Ortodoxa Antioquina - Arquidiocese de São Paulo e de Todo o Brasil
  39. IBGE. Tabela 1.4.1 - População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil - 2010.
  40. Ortodoxia Portugal
  41. INE - Censos 2011: População residente com 15 e mais anos de idade (N.º) por Local de residência (à data dos Censos 2011) e Religião; Decenal
  42. Eparquia Ortodoxa do Brasil: Breve Histórico
  43. Orthodox Wiki: Ioannis (Tsaftarides) of Mozambique
  44. [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]