Igreja Ortodoxa Ucraniana

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Igreja Ortodoxa Ucraniana
L'viv Orthodox Church of Moscow Patriarchate.JPG
Paróquia em Lviv
Fundador Santo André (tradicional), São Vladimir, o Grande (de fato), Gedeon (instituição atual)
Independência 1685 (autonomia), 1921 (exarcado), 1990 (autonomia reinstituída)
Reconhecimento Igreja Ortodoxa Russa
Primaz Metropolita Onofre de Quieve
Sede Primaz Quieve, Ucrânia
Território Ucrânia, Crimeia
Posses Nenhuma (os ortodoxos ucranianos no exterior estão sob outras jurisdições)
Língua Língua eslava litúrgica, ucraniano, romena
Adeptos 17,4%[1]-20,85%[2] da população religiosa ucraniana
Site Ukrainian Orthodox Church

A Igreja Ortodoxa Ucraniana (em ucraniano: Українська Православна Церква; em russo: Украинская Православная Церковь) é uma igreja autônoma, que esteve sob a proteção canônica do Patriarcado de Moscou até janeiro de 2019.Em termos absolutos,é a maior denominação cristã na Ucrânia, com 11.393 paróquias, 10.963 padres, 219 mosteiros e 53 eparquias.[1] Sua sede fica no monastério conhecido como Pechersk Lavra, em Kiev.

Em razão de disputas políticas locais, aconteceram dois cismas dentro da Igreja Ortodoxa Ucraniana, originando duas novas grandes jurisdições ortodoxas, porém sem reconhecimento do seu status canônico por parte das igrejas ortodoxas mundiais:

  • Igreja Ortodoxa Ucraniana, do Patriarcado de Kiev, que, embora não seja canônica, está em comunhão com as outras jurisdições não canônicas e é a segunda maior do país, com 21 eparquias, 14 monastérios e 1.977 paróquias;
  • Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia, canonicamente isolada, tem presença mais significativa na diáspora que na própria Ucrânia

História[editar | editar código-fonte]

A história da Cristandade na Ucrânia está intimamente ligada à história da Igreja Ortodoxa Russa, tradicionalmente começando quando Santo André teria chegado onde hoje é Quieve e profetizado a construção de uma grande cidade cristã, erigido uma cruz onde seria hoje a Igreja de Santo André.[3][4] A efetiva cristianização da região, no entanto, começaria no século IX, quando o Império Bizantino enviou bispos ao então Caganato de Rus e os santos irmãos Cirilo e Metódio fizeram missões lá. Em 988, o cristianismo foi oficializado por Vladimir I, grão-duque de Quieve, em evento conhecido como Batismo da Rus.[5]

Com a invasão mongol da Rússia, no século XIII, a sé do Metropolita de Kiev,foi transferida para Vladimir, e posteriormente para Moscou, dando origem ao que é conhecido atualmente como o Patriarcado de Moscou. No século XIV, o Grão-Duque Algirdas da Lituânia tentou o retorno dessa sé para Kiev, que estava sob seu controle. Em 1620, a União de Brest transferiu esta sede para Igreja Católica Romana, gerando a Igreja Greco-Católica Ucraniana, mas a sé ortodoxa seria reinstituída pelo Patriarcado Ecumênico no mesmo ano;

Em 1685, as então seis eparquias em território ucraniano foram transferidos para a jurisdição da Igreja Ortodoxa Russa, com Gideão (Svyatopolk-Chetvertynsky) sendo escolhido como Metropolita de Quieve, Galícia e Pequena Rússia. Esta sé, no entanto, progressivamente perdeu força, com suas eparquias sendo transferidas para outras jurisdições, culminando na limitação do título do Metropolita Arsênio a Metropolita de Kiev e Galícia em 1767 por édito de Catarina II da Rússia.[6] Com sua morte três anos depois, a sé foi reduzida a uma simples diocese administrativa. A Igreja da Ucrânia se tornou provisoriamente um Exarcado em 1921, e, após um duro período de duras perseguições sob a União Soviética, finalmente restaurou sua autonomia em 1990.

O intenso clima político durante e após o período comunista,acabou causando dois cismas na igreja, com o surgimento da Igreja Autocéfala Ucraniana e do Patriarcado de Kiev, nenhum dos dois foi reconhecido por nenhum dos 9 patriarcas. Em tempos recentes, primazes ortodoxos mundiais, com participação ativa dos patriarcas de Constantinopla e Moscou, não têm poupado esforços para sanar os cismas locais. O ex-presidente da Ucrânia Viktor Yushchenko reafirmou publicamente a importância da Ucrânia unida, pedindo o fim das divisões entre ortodoxos ucranianos. A recente intervenção militar russa no país polarizou a situação, principalmente entre o Patriarcado e a Metrópole sob Moscou. O Patriarca Filareto de Quieve, por exemplo, apoia abertamente a inclusão da Ucrânia na OTAN, enquanto figuras importantes da Igreja Ortodoxa Russa como o Arcipreste Vsevolod Chaplin expressaram posicionamentos positivos quanto à presença russa no país.[7][8]

Reconhecimento da Autocefalia[editar | editar código-fonte]

Em 5 de Janeiro de 2019, o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, assinou em Istambul o "tomos" (decreto) que outorga à Igreja Ortodoxa da Ucrânia sua total independência relacionada a Rússia.

A entrega do "tomos" (decreto) foi realizada na catedral de São Jorge e foi realizada na presença de Epifânio, o patriarca da recém-criada Igreja Ortodoxa da Ucrânia, e do presidente ucraniano, Petro Poroshenko.[9].

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a comunidade ortodoxa ucraniana em diáspora encontra-se sob jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Seu arcebispo é Dom Jeremias Ferens, que reside em Curitiba, Paraná. Além do Brasil, Dom Jeremias é responsável pelos ortodoxos ucranianos da Argentina, do Paraguai e da Venezuela. Há paróquias ortodoxas ucranianas no país nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Станом на 31 жовтня 2014 року (em ucraniano)
  2. Most of population of Ukraine considers itself predominantly of the Ukrainian Orthodox Church (Kiev Patriarchate) Arquivado em 17 de abril de 2015, no Wayback Machine.. (em inglês)
  3. Damick, Andrew S. «Life of the Apostle Andrew». Chrysostom. Consultado em 25 de junho de 2007. Arquivado do original em 27 de julho de 2007 
  4. Voronov, Theodore (13 de outubro de 2001). «The Baptism of Russia and Its Significance for Today». Orthodox. Clara. Consultado em 25 de junho de 2007. Arquivado do original em 18 de abril de 2007 
  5. Theophanes Continuatus, Ioannes Cameniata, Symeon Magister, Georgius Monachus. Ed. I. Becker. Bonnae, 1838 (CSHB), p. 196.
  6. Arseniy na Pravoslavnaya Entsiklopediya (em russo)
  7. Simons, Greg; Westerlund, David (2015). Religion, Politics and Nation-Building in Post-Communist Countries. [S.l.: s.n.] p. 31-35. ISBN 1317067150 
  8. Gavrilyuk, Paul L. The President and the Patriarch (em inglês)
  9. «Igreja ortodoxa da Ucrânia separa-se da Rússia 300 anos depois»