Igreja São Gonçalo (São Paulo)

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Igreja São Gonçalo
Matriz Paroquial Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo e Matriz Paroquial Nossa Senhora da Assunção e São Paulo
Fachada da Igreja de São Gonçalo
Tipo Igreja
Estilo dominante Barroco e Rococó
Arquiteto Nicolau Alves da Fonseca
Fim da construção 1840
Proprietário inicial Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e São Gonçalo Garcia
Função inicial Religiosa
Proprietário atual Arquidiocese de São Paulo
Função atual Religiosa
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo
Coordenadas 23° 33' 1" S 46° 38' 3" O
Geolocalização no mapa: Brasil
Igreja São Gonçalo está localizado em: Brasil
Igreja São Gonçalo

A Igreja São Gonçalo é um templo católico localizado na Praça Dr. João Mendes, no centro da cidade de São Paulo, sede da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção e São Paulo e da Paróquia Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo.

Com origem no séc. XVIII, a igreja foi tombada em 1971 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). [1]

Desde o final do século XIX, a igreja é administrada pelos jesuítas e frequentada, em grande parte, pela comunidade nipônica paulistana. Todos os domingos, às 8h (horário de Brasília), é celebrada na paróquia uma tradicional missa na língua japonesa

A Igreja foi construída no período colonial brasileiro[2], partes dela foram salvas da destruição e reconstruídas[3]. Seu estilo dominante é o barroco que um dos seus elementos é a luz e sombra, dando um efeito de contraste. E também o rococó com seu estilo de arte decorativa, representando a natureza, com cores como ouro, prata e entre outras cores leves.[4]

História[editar | editar código-fonte]

A origem da Igreja de São Gonçalo remonta ao século XVIII, mais precisamente o ano de 1756, quando o frei Antônio da Madre de Deus Galvão financiou a construção de uma capela na Praça Dr. João Mendes por parte da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e São Gonçalo Garcia. A construção impulsionou a urbanização daquela área da cidade, que até então era isolada do Páteo do Colégio, onde estavam concentradas a maioria das construções paulistanas. [5]

O nome dado a igreja provém de São Gonçalo Garcia. Nascido em Baçaim, na Índia, era filho de uma indiana e de um português. Pertenceu a ordem dos franciscanos e , em 1579, morreu crucificado em Nagasaki, no Japão, juntamente com outros 22 missionários. Em 1627, foi beatificado por Urbano VIII e, em 1852, foi canonizado por Pio IX.

Igreja de São Goçalo

Com o tempo, a ermida fora se deteriorando. Diante disto, fora construída, em 1840, a Igreja de São Gonçalo. Nicolau Alves da Fonseca, ou Carranca, fora seu construtor. Há registros de que a igreja, ao ser construída, avançou em terrenos não concedidos a irmandade e, por isso, ocorreu uma disputa judicial com a Câmara. [6]

Em 1893, a Igreja de São Gonçalo foi entregue aos jesuítas da Companhia de Jesus[7], devido a extinção da Irmandade. Estes trabalharam promovendo as Congregações Marianas e a Catequese dos Japoneses.[8]

No mesmo ano, o padre César de Angelis, juntamente com João Mendes de Almeida – consagrado hoje no nome da praça onde se localiza a igreja – conduziu uma reforma na igreja.[9] [10] [11]

Em 1966, com o crescimento da participação da comunidade nipônica na Igreja de São Paulo, o arcebispo de São Paulo Dom Agnelo Rossi criou a Paróquia Pessoal de São Gonçalo, confiando-a novamente aos jesuítas. Criou-se, então, a Matriz Paroquial Pessoal Nipo-Brasileira de São Gonçalo, destinada especialmente aos descendentes dos imigrantes japoneses de São Paulo[12]. [13]

Arte e Construção[editar | editar código-fonte]

A igreja inicialmente, de aspecto mais modesto, sofreu diversas reformas externas ao longo do tempo com o auxílio do governo e de particulares. As reformas que deram o aspecto atual à igreja aconteceram principalmente durante a segunda metade do século XIX. O frontispício atual, com torre, data de 1878. [9] [14]

Interior da Igreja de São Gonçalo

A construção externa da igreja é de grande simplicidade, provocando simpatia naqueles que a observam. “Admirável fachada é a dessa igreja onde o moderno se mistura com o colonial num sincretismo arquitetural que desperta simpatia pela sua simplicidade e pelo contraste que forma com as altas pedras da catedral à sua frente e com as linhas verticais dos arranha-céus que por ali existem na Praça João Mendes”, conforme descreve Arroyo (1966). [9]

A igreja conserva elementos do Barroco e do Rococó característico de muitas das igrejas paulistanas. O retábulo consagrado a N. Sra. da Conceição, por exemplo, apresenta influências das composições arquiteturais italianas, elementos do joanino e ainda elementos assimétricos no estilo rocaille. [11]

Após concluída uma das reformas na igreja em 1893, dois altares laterais foram erguidos. Estes altares são provenientes da antiga igreja de N. Sra. Aparecida, em Aparecida. Há ainda casos de outras peças originárias de outras igrejas, que hoje encontram-se na igreja de São Gonçalo, como a pedra fundamental da antiga igreja do Colégio dos Jesuítas, uma imagem de São João Batista e algumas relíquias levadas para a igreja em 1901. [11]

Por se tratar de um patrimônio arquitetônico e histórico da cidade de São Paulo, a igreja de São Gonçalo foi tombada pelo CONDEPHAAT em 1971. [1]

Paróquias[editar | editar código-fonte]

No dia 15 de abril de 1966, Dom Agnelo Rossi criou a Paróquia Pessoal de São Gonçalo para os japoneses e seus descendentes. [15]

A igreja de São Gonçalo, situada na Praça João Mendes, passou a ser a Matriz da Paróquia. Nesta época, se encontrava na Arquidiocese cerca de 120.000 imigrantes e descendentes de japoneses, dos quais 60.000 eram católicos.

Oração a São Gonçalo[editar | editar código-fonte]

"Ó admirável São Gonçalo! Glória de Portugal, Luz de Amarante e de toda a Santa Igreja, apóstolo com todos os predicados e cheio da gloria de Deus, mártir do desejo, virgem puríssimo, vaso ungido de celestial pureza, espelho de perfeita humildade e sabedoria, é o gozo dos coros angelicais, terror dos hereges e dos espíritos infernais que o teu nome temem e tremem e com seus estupendos milagres e graças, é o refúgio e consolo de seus devotos. Hoje dou mil graças por tão singulares excelências que foi adornada tua alma puríssima e me alegro que agora sejas glorificado na pátria celestial em companhia do coro dos anjos. Ó milagroso Santo! Que por sua virtude o Divino Infante deu a vida temporal e espiritual a tantos mortos, vista a tantos cegos, ouvidos a tantos surdos, pernas aos aleijados, fala aos mudos e saúde a inúmeros enfermos, converte a nós para que se retire dos nossos corações as culpas que são a morte da alma e para que possamos ouvir as divinas aspirações e caminhemos com fervor a cumprir a Divina Vontade e a proferir o seu santo nome.

Interior da Igreja de São Gonçalo

Cure os doentes, sossega o rio, suste a ira do Senhor, redime os encarcerados, a miséria, recupere bens e membros perdidos, e dê saúde aos anciãos e afasta o perigo.

São Gonçalo, eu tenho confiança na tua intercessão. Peça por mim junto ao Senhor para que eu consiga a graça de (diga aqui a graça que necessita), e ainda me consiga a especial graça da salvação de minha alma. Tudo para a maior glória de Deus. Assim seja."[16]

Informações[editar | editar código-fonte]

Tendo sua origem ligada à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e São Gonçalo Garcia, a igreja de São Gonçalo é, na verdade, a igreja de Nossa Senhora da Conceição, legítimo orago do templo. Devido à insistência dos devotos de São Gonçalo Garcia durante o séc. XVIII, a igreja é até hoje chamada de igreja de São Gonçalo. [9] Uma curiosidade é que igreja São Gonçalo possui missas em japônes todos os domingos às 08:00 da manhã. [17]

Tombamento[editar | editar código-fonte]

  • Tombado por: CONDEPHAAT [18]
  • Informação do Processo: tombamento 25428/71
  • Endereço: Rua Rodrigo Silva, 45 - Praça Dr. João Mendes
  • Distrito: Sé
  • Subprefeitura: Sé
  • Resolução: 20/09/1971
  • Data de Publicação DOE: de 24/09/1971, Poder Executivo, Seção I, p. 34 [1]
  • Livro do Tombo: Histórico
  • Inscrição Livro do Tombo: n.58, p. 03, 24/09/1971

Referências[editar | editar código-fonte]

<references> [1] [11] [9] [10] [14] [18] [19] [5] [13]

Referências

  1. a b c d Padilha, Pedro (24 de setembro de 1971). «Resolução de 20-9-71» 1971 ed. Diário Oficial do Estado de São Paulo 
  2. Brasil, Portal. «Colônia». Portal Brasil. Consultado em 2 de maio de 2017 
  3. Tirapeli, Percival (2003). «Igrejas paulistas: barroco e rococó» (PDF). Consultado em 29 de abril de 2017 
  4. «Rococó». Historia das Artes. Consultado em 2 de maio de 2017 
  5. a b Edison Loureiro. «A Igreja de São Gonçalo». Consultado em 13 de setembro de 2016 
  6. «A Igreja de São Gonçalo». São Paulo Passado. 4 de agosto de 2016. Consultado em 29 de abril de 2017 
  7. «Companhia de Jesus - Educação». InfoEscola 
  8. «Paróquia São Gonçalo - Matriz Paroquial Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo» 
  9. a b c d e Leonardo Arroyo (1966). Igrejas de São Paulo: Introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional 
  10. a b «Paróquia Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo». Região Episcopal Sé. Consultado em 11 de setembro de 2014 
  11. a b c d Percival Tirapeli (2003). Igrejas paulistas: Barroco e Rococó. São Paulo, SP: Editora UNESP 
  12. «Consulado Geral do Japão em São Paulo - Comunidade Nipo-Brasileira - Histórico». www.sp.br.emb-japan.go.jp. Consultado em 2 de maio de 2017 
  13. a b «Matriz Paroquial Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo». Arquidiocese de São Paulo. Consultado em 13 de setembro de 2016 
  14. a b «Igreja de São Gonçalo». Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 11 de setembro de 2014 
  15. «Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo». Arquidiocese de São Paulo (em inglês) 
  16. «Oração a São Gonçalo | Blog Católicos». catolicos.vialumina.com.br. Consultado em 28 de abril de 2017 
  17. http://www.arquisp.org.br/regiaose/paroquias/paroquia-pessoal-nipo-brasileira-sao-goncalo/matriz-paroquial-pessoal-nipo-brasileira-sao-goncalo
  18. a b «Lista de bens tombados por município» (PDF). Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 11 de setembro de 2014 
  19. «Transferência de Sede Paroquial» (PDF) 2005 ed. O São Paulo. 5 de outubro de 2005. Consultado em 23 de setembro de 2014