Igreja da Graça (Coimbra)

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Igreja da Graça
Colégio da Graça
Nomes alternativos Igreja de Nossa Senhora da Graça
Estilo dominante Renascimento
Arquiteto Diogo de Castilho
Início da construção 1543
Fim da construção século XVII
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 1997
Património da Humanidade
Critérios (ii)(iv)(vi)
Data 2013
Descrição en fr
Geografia
País Portugal
Cidade Coimbra

A Igreja da Graça, também conhecida como Colégio da Graça ou Igreja de Nossa Senhora da Graça localiza-se na rua da Sofia, freguesia de Santa Cruz, concelho e distrito de Coimbra, Portugal.

Da autoria de Diogo de Castilho, a Igreja (ou Colégio) da Graça é um dos mais importantes monumentos do renascimento em Portugal; encontra-se classificada como Monumento Nacional (1997) e integra o conjunto "Universidade de Coimbra – Alta e Sofia" classificado como Património Mundial (UNESCO).[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

O Colégio da Graça segue o modelo conventual fundado na arquitetura religiosa e insere-se no plano inicial idealizado por Frei Brás de Barros para a construção de um campus universitário na cidade de Coimbra. Pertenceu à Ordem dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho e foi fundado por D. João III em 1543, datando desse ano o início da construção e incorporando-se seis anos mais tarde na Universidade de Coimbra. O claustro foi edificado em dois períodos distintos (séculos XVI e XVII). Sendo na origem o centro vital da comunidade estudantil e ponto convergente de todo o edifício, permitia a ligação aos dormitórios, refeitórios, espaços de estudo e ao templo.[3][4]

Entre 1828 e 1834 o Colégio da Graça serviu de hospital ao serviço das tropas absolutistas. Na sequência do encerramento ditado pela extinção das Ordens Religiosas em 1834, o conjunto seria nacionalizado e incorporado na Fazenda Nacional. Na posse da Câmara Municipal de Coimbra, em 1836 passou a acolher um aquartelamento militar, uma instituição de assistência social e outras repartições públicas. Em 1998 as instalações passaram a ser ocupadas pela Liga dos Combatentes e por alguns serviços sociais e administrativos do Exército.[4]

O mais recente regresso da Universidade de Coimbra à Rua da Sofia - para instalação do Centro de Documentação 25 de Abril e algumas equipas de projetos de investigação do Centro de Estudos Sociais (CES) - inclui a reocupação do Colégio da Graça, "primeiro através da aquisição de parte da ala do antigo dormitório e depois pela perspetiva de ocupar a restante totalidade do edifício e da cerca, até então pertencentes ao Ministério da Defesa Nacional, ficando apenas excluídos os espaços atualmente afetos ao culto, geridos pela Irmandade do Senhor dos Passos".[4]

Características[editar | editar código-fonte]

O Colégio da Graça de Diogo de Castilho fixou o modelo para os restantes colégios universitários conimbricenses desse período, constituindo-se "como uma verdadeira e erudita tipologia". Com decoração austera, tanto o claustro como a igreja apresentam aspetos inovadores, tratando-se de uma das primeiras edificações portuguesas desenhadas segundo o novo estilo renascentista. Foi nesta igreja que se fez a implementação original da planta de nave única com capelas intercomunicantes; e o claustro inspirou-se no Claustro da Hospedaria do Convento de Cristo em Tomar, de João de Castilho.[2][5]

A fachada da igreja localiza-se num plano recuado relativamente às edificações contíguas e divide-se em três registos; o primeiro, a nível inferior, assenta sobre um patamar a que se acede através de uma escadaria. "Ao centro abre-se o portal principal de vão retangular ladeado por duas colunas toscanas e rematado por entablamento, sobre o qual assenta um nicho com a imagem da Virgem com o Menino. Em cada um dos lados do portal foram rasgados dois janelões retangulares. O segundo registo tem ao centro um janelão, e o terceiro é constituído pelo remate do edifício, um frontão triangular que ostenta a pedra de armas com os emblemas régios e uma inscrição alusiva à fundação do colégio. Do lado esquerdo da fachada ergue-se um campanário com porta de acesso no primeiro registo, um janelão no segundo e dois vãos sineiros no último". A fachada oeste do conjunto, que constitui a frontaria do colégio, não é coincidente com o alinhamento da fachada da igreja; "apresenta portaria com dois arcos e vão retangular intermédio, sobreposta por dois registos de três janelas cada. Encimando os arcos estão o escudo da ordem, à esquerda, e o escudo de Portugal, à direita; sobre o vão central foi colocada uma inscrição que data o conjunto de 1548. Os átrios da portaria são cobertos por abóbadas de aresta e decoradas por painéis de azulejos com motivos vegetalistas".[2]

O interior da igreja é de planta longitudinal, com nave única coberta por abóbada de pedra de caixotões e ladeada por seis capelas laterais. A capela-mor, quadrada, tem largura igual à da nave e acolhe um retábulo de talha maneirista da primeira metade do século XVII com pinturas alusivas à Vida da Virgem (maioritariamente da autoria de Baltasar Gomes Figueira). De cada lado da nave dispõem-se três capelas, comunicantes entre si, decoradas com altares de talha policromada. O cadeiral do coro-alto, em madeira, data da primeira metade do século XVII e integra pinturas de época posterior. O claustro começou a ser edificado cerca de 1548; de planta quadrada e ângulos cortados, "apresenta uma estrutura de dois pisos, com três tramos por banda. O piso térreo possui arcada geminada e é coberto por abóbada de berço, cujos arcos torais estão apoiados em mísulas. O andar nobre terá sido edificado somente no século XVII. Os capitéis do claustro foram desenhados à semelhança dos capitéis esculpidos nas pilastras da igreja".[2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «University of Coimbra – Alta and Sofia». UNESCO. Consultado em 14 de fevereiro de 2017 
  2. a b c d Catarina Oliveira. «Igreja da Graça». DGPC. Consultado em 14 de fevereiro de 2017 
  3. «Rua da Sofia / Rua da Sofia, no seu conjunto». SIPA. Consultado em 14 de fevereiro de 2017 
  4. a b c «Colégio de N. Sra. da Graça». Universidade de Coimbra. Consultado em 14 de fevereiro de 2017 
  5. Serrão, Vítor – História da Arte em Portugal: o renascimento e o maneirismo. Lisboa: Editorial Presença, 2002, pp. 70-72