Igreja da Misericórdia (Angra do Heroísmo)

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Igreja da Misericórdia, Angra do Heroísmo.
"Cidade de Angra - Egreja da Misericórdia" (Álbum Açoriano, 1903).
Igreja da Misericórdia: interior.

A Igreja da Misericórdia localiza-se no Pátio da Alfândega, na confluência das ruas Direita e do Santo Espírito, no Centro Histórico de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Está implantada no local onde foi fundado o primeiro hospital do arquipélago, por compromisso da Confraria do Santo Espírito, datado de 15 de Março de 1492. Um de seus fundadores foi João Vaz Corte Real, capitão do donatário de Angra e descobridor da Terra Nova.

A primeira edificação da Misericórdia encontra-se descrita na carta de Jan Huygen van Linschoten, com uma orientação Oriente-Ocidente, ligada ao edifício do Hospital na Rua do Santo Espírito, por uma ponte que passa sobre esta. Um relato do século XVI descreve a antiga Igreja da Misericórdia como localizada "...À saída do cais da cidade, frente à Porta do Mar...".

O atual templo[editar | editar código-fonte]

O atual templo data do século XVIII, tendo a sua pedra fundamental sido lançada em 21 de Outubro de 1728, pelo Bispo de Angra, D. Manuel Álvares da Costa. As obras prolongaram-se por quase duas décadas, sendo consagrada em 4 de Junho de 1746, pelo Vigário-geral Manuel dos Santos Rolim (SANTOS, 1904).

No século XVIII esta igreja abrigava a Ordem de Nossa Senhora do Carmo, com a respectiva imagem, em virtude de contrato firmado em 22 de Fevereiro de 1766 com a Mesa da Misericórdia. A 17 de Março de 1804, esta foi transferida para a Igreja do Colégio de Angra, após despacho favorável da Junta da Fazenda, na pessoa do general conde de Almada, datado de 12 do mesmo mês, e concessão do bispo D. José Pegado de Azevedo (SANTOS, 1904).

No século XIX transferiu-se o hospital para o Convento das Concepcionistas, à Guarita.

O templo pertence atualmente à Santa Casa de Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, de 12 de Setembro, classificação consumida por inclusão no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme a Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e artigo 10.º e alínea a) do artigo 57.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.

Características[editar | editar código-fonte]

Apresenta planta retangular com duas torres ladeando a fachada, cada uma delas encimada por um zimbório de pedra.

O pórtico foi considerado "acanhado e desproporcionado com a grandeza do templo" (SANTOS, 1904). Acima do pórtico, inscrevem-se as Armas Reais, encimadas por um nicho a meio do frontão (atualmente sem imagem), por um relógio e, em remate, uma pequena sineira que suporta uma cruz de ferro. O frontão é ladeado por duas pequenas torres sineiras quadrangulares, culminando cada uma num pequeno zimbório de pedra.

O seu interior é de uma só nave, possuindo, ao fundo uma espaçosa capela-mor (onde se encontra unicamente o Sacramento), seis capelas laterais, sobre as quais corre uma galeria com varandas sobre o interior do templo. São elas (SANTOS, 1904):

  • Do lado do Evangelho:
    • Capela do Espírito Santo
    • Capela de Nossa Senhora da Natividade
    • Capela da Santa Cruz
  • Do lado da Epístola:
    • Capela do Senhor Cristo da Misericórdia
    • Capela da Divina Pastora
    • Capela do Senhor Jesus das Chagas

No altar do Senhor Cristo da Misericórdia venera-se uma escultura do Senhor Santo Cristo, padroeiro da cidade.

Sobre o paravento da igreja desenvolve-se um largo coro alto, com órgão próprio.

Por detrás da capela-mor encontrava-se a sala das sessões da Misericórdia.

Nesta igreja destaca-se ainda um belo quadro a óleo representando a descida dos Apóstolos, e as chamadas "catacumbas", galerias abertas por baixo do piso para a instalação de colunas de aço para a sustentação do templo.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angra do Heroísmo: Janela do Atlântico Entre a Europa e o Novo Mundo. Horta (Faial): Direcção Regional de Turismo dos Açores, s.d..
  • Diário dos Açores, 1955.
  • SANTOS, Alfredo da Silva. Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo: Imprensa Municipal, 1904.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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