Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (São Luís)

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Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Fachada da igreja
Estilo dominante Gótico
Início da construção 1719 (construção original)
Diocese Arquidiocese de São Luís do Maranhão
Geografia
País Brasil Brasil
Cidade Maranhão São Luís

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios está localizada em frente à Praça Gonçalves Dias, no centro de São Luís, e é uma das igrejas católicas mais importantes da cidade.

História[editar | editar código-fonte]

A primeira referência à Igreja dos Remédios aparece em uma escritura pública datada de 23 de fevereiro de 1719 na qual o superior dos religiosos franciscanos, João da Silva Cutrim, doou ao capitão Manoel Monteiro de Carvalho as terras localizadas na chamada ponta do Romeu, onde se comprometeu a construir uma ermida. O capitão tomou posse de uma área quadrada de 50 braças de lado, que achou ser o espaço necessário para a construção, que foi iniciada em 16 de julho de 1719 e terminada em setembro do mesmo ano.[1]

Em um documento escrito em Roma, localizado na câmara eclesiástica e datado de 8 de julho de 1725, o cardeal Paulutius aprova e confirma a cessão do lote de terra a Manoel Monteiro de Carvalho. A pequena capela, construída no meio dos matos, inicialmente atraía os fieis apenas pelo espírito religioso. Porém, a ocasião em que um escravo se escondeu na capela e matou seu senhor que o procurava, afugentou os devotos.[1] Em 1775, o governador Joaquim de Mello e Póvoas abriu uma estrada de acesso à ponta do Romeu, ligando a capela à Estrada Real (atual Rua Grande) e novamente atraindo os fieis. Hoje esta estrada corresponde à Rua Rio Branco.[2]

No final do século XVIII, arruinada, a capela desabou. Foi reedificada através de doações obtidas do comércio e navegação pelo ermitão Francisco Xavier.[3] No início do século XIX, a igreja se encontrava grandiosamente enriquecida pelas doações de negociantes do Maranhão, que tomaram Nossa Senhora dos Remédios como protetora do comércio.[4] Em frente à igreja se situava uma das melhores praças da cidade, cercada por grades de ferro e com uma escadaria que descia diretamente para o mar, feita pelo governador João Silveira de Sousa com recursos próprios em 1860. A igreja, novamente em ruínas, recebeu reparos neste mesmo ano. As obras tiveram custo de Rs. 12:000$000 réis e incluíram cinco grandes arcos (um separando a capela-mor do corpo da igreja e dois em cada uma das paredes laterais), quatro salões mobiliados correspondentes aos arcos laterais, a renovação do altar e a substituição da grade de madeira do coro por uma de ferro.[1]

A igreja é palco do festejo de Nossa Senhora dos Remédios, um dos mais tradicionais do Maranhão, sobre o qual César Marques escreve, em 1870:[1]

Todos os annos celebra-se ahi com muita ostentação e pompa a festividade de N. S. dos Remedios.

A localidade sobre o mar, a circumstancia d'estar n'um arrebalde da cidade, e a lua que n'este tempo parece ser mais linda e espalhar seus raios mais brilhantes sobre esse largo, faz com que seja immensa a concorrencia no novenario e dia da festa.

Durante as noites quasi sempre tocam duas bandas de musica marcial, armam-se barracas para pequenos hoteis e alguns divertimentos para o publico, na vespera embandeira-se todo o largo, e no dia da festa no alpendre trocam-se registros, medalhas, e fitas ou medidas.

No seguinte dia, ainda costuma haver musica à tarde e à noite, e o alpendre continua aberto à concorrência publica.

É semelhante à N. S. das Neves na Paraíba, do Senhor do Bonfim na Bahia, e de N. S. de Nazaré no Pará, e nunca se lamentou ahi um facto criminoso

Características[editar | editar código-fonte]

Ilustração de 1874 do monumento a Gonçalves Dias. Percebe-se que a igreja, ao fundo, não tinha as características físicas da construção atual

Dentre as maiores igrejas católicas de São Luís, esta é a única construída em estilo gótico. A igreja não possui mais elementos da primeira ermida, construída em 1719, e talvez nem mesmo da segunda, datada de 1860 e que tinha apenas um corpo de fachada, 4 janelas no segundo pavimento e duas torres laterais de base quadrangular. A igreja atual tem três corpos de fachada, com janelas em formato ogivado. Possui uma única torre sineira, ao centro, com base quadrangular e duas aberturas em cada lado, encimadas por óculo e rosácea. No topo da torre há uma pirâmide octogonal sobre a qual se eleva uma cruz de ferro. As fachadas laterais também possuem óculos e rosáceas, e são encimadas por cruzes de ferro ladeadas pelas estátuas dos Evangelistas: Lucas, João, Mateus e Marcos, esculpidas por Teixeira de Lopes e posicionadas em 1907. Os vitrais que ornam a igreja são alemães, do século XX. O interior possui três altares, sendo o principal em mármore.[3]

Referências

  1. a b c d Marques, Cesar Augusto (1870). Diccionario historico-geographico da provincia do Maranhão. Maranhão: Tipografia do Frias. p. 482-483. Consultado em 2 de fevereiro de 2014 
  2. Germano, Nivaldo. «A administração portuguesa em São Luís do século XVIII». p. 13. Consultado em 2 de fevereiro de 2014 
  3. a b Brasil, Ministério do Interior; Fundação Projeto Rondon (1979). Monumentos Históricos do Maranhão. São Luís: SIOGE. p. 122 
  4. Gaioso, Raimundo José de Sousa (1818). Compêndio histórico-político dos princípios da lavoura do Maranhão. Paris: Oficina de P.-N. Rougeron. p. 145. Consultado em 2 de fevereiro de 2014 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]