Ikú

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Representação de Ikú sendo encantado pelos gêmeos Ibeji, retirado do livro infanto-juvenil "Ifá, o adivinho[1]" de Reginaldo Prandi.

Ikú[2] (palavra da língua iorubá que significa morte) é o orixá que foi designado por Olodumare a conduzir o ciclo da criação, devendo vir todos os dias ao Aiye levar os homens e mulheres que já cumpriram sua missão e devem reconduzidos ao Orum, retirando o emi (sopro da vida), condição imposta para a renovação da existência, para que mais tarde Olodumare possa decidir sobre seus destinos novamente. Sua celebração no ritual do Axexê comemora a volta do homem ao todo primordial, reafirmando o grande mistério e possibilitando outras vidas. Os vestes brancos neste ritual simboliza a verdade absoluta, morte e vida.

A função de Ikú faz com que ele não seja amado, e consequentemente cultuado, muito menos compreendido. Afinal, a Ikú foi dada a missão de finalizar a existência dos seres do planeta Terra. Por motivos como medo do desconhecido, apego aos entes queridos ou, simplesmente, falta de uma reflexão mais profunda, o ser humano ainda não consegue entender sua belíssima tarefa. É necessário que as existências e os acontecimentos se findem para que novos estágios de existências e situações aconteçam. Como não existe culto direto para Ikú, ele é lembrado através do ritual do Axexê e do culto a Egungun. Ele é o Senhor da Ancestralidade, para ele não tem assentamento ritualístico.

Ikú também é conhecido por "Oníko", que era seu nome quando humano, mas pela ação de matar, que é a perda da vida de tudo que foi criado, incluindo o homem, começaram a chamá-lo pelo que Oníko causava, e também por Oba Ajogun (rei dos Ajogun).

Mitologia[3][editar | editar código-fonte]

Ikú antigamente só levava à morte quem Olodumare ordenava, mas depois de um fato em sua existência, Ikú se tornou cruel. Por um engano, uma injustiça, a mãe de Ikú foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. "Assassinaram a mãe de Ikú!" começaram a gritar. Ikú ouviu e gritou enfurecido. Fez do elefante a esposa do seu cavalo. Ele fez do búfalo a sua corda. Ele fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto pra lutar. Ikú batalhou contra os humanos e matava quantos podia e matava sem piedade, mas uma vez perdeu a luta. Ikú foi julgado, e seus inimigos o obrigaram a comer tudo o que era proibido comer, segundo o conceito do èwò. Os inimigos de Ikú foram a sua casa e chamaram Olójòngbòdú, a mulher de Ikú. Olójòngbòdú foi chamada cedo, pela manhã e os inimigos perguntaram o que seu marido não podia comer, o que ele tinha como èwò. Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ratos, pois as mãos de Ikú tremeriam sem parar. Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer peixe, pois os pés de Ikú tremeriam sem parar. Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ovo de pata pois Ikú vomitaria sem parar. Os inimigos de Ikú o obrigaram a comer todos os alimentos proibidos, isso o enfraqueceu e o impediu de matar sem qualquer critério, ou seja, a morte foi subjulgada apenas depois que seus inimigos conseguiram que ele comesse o que era proibido comer. Ikú nao deixou de ter ódio pelos humanos, e passou a comandar aos Ajogun (guerreiros do mal).

Apesar de ser um dos mais belos dos orixás, Ikú tinha apenas uma única esposa, mas mesmo assim Orunmilá queria arrebatá-la. Orunmilá consultou o oráculo e foi dito para ele fazer um sacrifício, e assim foi feito. Após o feito, Orunmilá conseguiu arrebatar a esposa de Ikú para longe. Ao descobrir, Ikú pegou seu Kumo (bastão em que usa para retirar o sopro de vida), e partiu em direção à casa de Orunmilá. No caminho, encontrou com Exu na frente de uma casa. Depois que trocaram saudações, foi perguntado para onde iria, e respondeu que iria à casa de Orunmilá. Exu perguntou qual era o problema, e Iku respondeu que Orunmilá tinha-lhe roubado a esposa, e por isso tinha de matá-lo. Exu, que era muito amigo de Orunmilá, implorou para que Ikú se sentasse. Após conseguir, deu-lhe de comer e beber. Depois que Ikú comeu até se satisfazer, se levantou, pegou seu bastão e partiu novamente à casa de Orunmilá. Exu perguntou novamente onde ele ia, e tem a mesma resposta de antes. Exu então disse "Como você pode comer a comida de um homem, e querer matá-lo? Você não sabe, mas a comida que a pouco você comeu, pertence à Orunmilá!". De repente, Ikú não soube o que fazer, e disse "Diga a Orunmilá que pode ficar com a mulher". Assim Ikú ficou sozinho, sem filhos e sem esposa, sendo o orixá mais fiel à Olodumare. Por isso, se recebemos uma pessoa em nossa casa, damos abrigo, alimentação, essa pessoa não poderá nos fazer mal, e se o fizer pagará com a própria vida por este ato. Nem Ikú matou Orunmilá depois de comer sua comida, quem somos nós para fazer mal a quem nos alimentou.

Ikú era jovem, forte e muito bonito. Sua beleza era tamanha que impressionava tanto às mulheres quanto aos homens. As mulheres encantavam-se tanto com sua bela figura que onde quer o vissem, começavam a seguí-lo, só para poderem continuar admirando aquele ser encantador. Os homens, embora tentassem disfarçar ou não quisessem admitir que estavam encantados com a beleza de Ikú, também acabavam seguindo-o. Só que Ikú morava no Igbo-iku (Igbo = floresta, Iku = morte, floresta dos mortos) e quem fosse que lá entrasse, nunca mais voltava. Mesmo sabendo disso, as pessoas continuavam a penetrar em Igbo-ikú, onde evidentemente, o rei era o próprio Ikú.

Ikú passou por grandes tristezas. Ikú é apaziguado, mas não é iniciado. Ikú é intimamente ligado a Nanã, Obaluaiye, Ogum, Oya, Egun e às Iyami. Iku se veste de branco, e deve ser respeitado pois todos o encontrarão um dia.

A morte na religião Iorubá[editar | editar código-fonte]

Nas religiões iorubás, a morte constitui o final de um ciclo, onde devemos sempre ter em mente que a passagem no Aiye é temporária, e tem como propósito geral de crescimento espiritual, resumindo-se na missão pessoal de cada indivíduo. Aquele que tem medo da morte não entende a crença ou que a vida é um processo de aprendizagem. A vida é uma experiência momentânea, que quando chega seu fim é porque a aprendizagem está completa. A pessoa poderá assim regressar a seu verdadeiro local de origem e constituir-se em um espírito protetor para seus seres queridos, que permanecerem no Aiye.

Significados

  • Kú - morrer
  • Ikú - morte
  • Òkú - corpo, morto
  • Ikuwô - morreu
  • Okulailai - morto para sempre, antigo (ancestral)

Referências

  1. Prandi, Reginaldo (2002). IFÁ, O ADIVINHO. [S.l.]: Companhia das Letrinhas 
  2. Yorùba: Vobabulário Temático do Candomblé Por Márcio de Jagun (em português)português)português)português)português)
  3. Prandi, Reginaldo (2001). Mitologia dos Orixás. [S.l.]: Companhia das Letras 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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