Ildefons Cerdà

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Ildefons Cerdà
Nome nativo Ildefons Cerdà
Nascimento 23 de dezembro de 1815
Centelles, Barcelona
Morte 21 de agosto de 1876 (60 anos)
Los Corrales de Buelna
Cidadania Espanha
Filho(s) Clotilde Cerdà i Bosch
Ocupação engenheiro, arquiteto, urbanista, político
Assinatura
Firma Cerdá.svg

Ildefons Cerdà i Sunyer (Sant Martí de Centelles, 23 de dezembro de 1815Caldas de Besaya, 21 de agosto de 1876) foi um engenheiro urbanista e político catalão responsável pelo plano de extensão e reforma (Plan de Ensanche) da cidade de Barcelona. Formou-se engenheiro de caminhos em Madrid no ano de 1841. Um dos fundadores do urbanismo moderno.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de uma família de proprietários liberais, entre os anos de 1833-1835 seguiu os cursos de desenho, arquitetura e matemática em Barcelona. Em 1835, muda-se para Madrid para estudar na Colegio de Ingenieros de Caminos, onde se forma em 1841. Entre sua formatura e 1846, trabalhou em diversos projetos de construção de estradas. Em 1844 vê pela primeira vez o funcionamento de uma estrada de ferro, fato que o deixa bastante impressionado. Passa a dedicar-se ao estudo das cidades, principalmente aquelas que serão servidas pela sistema ferroviário.

Em 1851 inicia sua vida política, sendo eleito deputado no Parlamento, sob plataforma progressista. Nas décadas de 1850 e 1860 será também Conselheiro Municipal de Barcelona. Durante a década 1850, Cerdà começa seus estudos sobre a cidade de Barcelona e seu ensanche (extensão). A cidade estava então limitada pelas muralhas antigas, que uma vez a protegeram mas que agora impediam seu crescimento. Em 1854, o governo decide oficialmente derrubar as muralhas, o que abre caminho para realização de um novo plano para a cidade.

O Plano Cerdá de extensão da cidade de Barcelona foi finalmente aprovado em maio de 1860, após concurso realizado em 1859. Em 1859 Cerdá prepara a sua "teoria da construção das cidades", uma versão revisada e ampliada da teoria apresentada na memória de seu plano. Em 1860 recebe permissão para um estudo sobre o desenvolvimento e extensão da cidade de Madrid, onde recentemente havia sido aprovado outro plano de extensão o Plan Castro. Sua "teoria da viabilidade urbana" (resultado deste estudo) é publicada em 1861. Em 1867 publica sua Teoria Geral da Urbanização onde reformula e perfecciona suas teorias anteriores. Este estudo é considerada por alguns como o primeiro tratado moderno de urbanismo.

Sobre o termo urbanismo[editar | editar código-fonte]

Apesar de jamais ter usado o termo urbanismo, Cerdá usou o termo urbe para designar de modo geral os diferentes tipos de assentamento humano e cunhou o neologismo urbanização (urbanización) designando a ação sobre a urbe. Destes termos muito próximos surgirá o nome urbanismo no início do século XX. Cerdà publicou extensos estudos sobre as cidades de Barcelona e Madri, que versavam sobre os mais diversos aspectos da cidade indo desde questões técnicas (como a análise da rua e seus sistemas de infraestrutura) até questões teóricas e territoriais (i.e.: como ligar as cidades em uma grande rede nacional?). Um compêndio expandido e revisado, a Teoria Geral da Urbanização, publicado em 1867, resulta de seus estudos anteriores e é a publicação mais notória de Cerdà.

Plano de extensão de Barcelona[editar | editar código-fonte]

Barcelona: Plano de Extensão.

O Plano de Extensão (Ensanche) de Barcelona é considerado a principal obra de Ildefons Cerdà. A decisão oficial de derrubar as muralhas, em 1854, abre caminho para a transformação da cidade de Barcelona. Em 1855 uma comissão da qual Cerdá faz parte inicia os estudos de um plano de extensão para a cidade. A comissão apresentará um ante-projeto em dezembro do mesmo ano.

O principal objetivo do plano foi o de aumentar a área total da cidade, permitindo sua expansão além dos limites da antiga muralha, e fornecer uma alternativa mais ordenada de ruas e quadras em comparação à confusa trama da do centro histórico de Barcelona. A contenção da cidade nestes limites havia aumentado grandemente sua densidade e criado problemas de comunicação com o exterior.

A base do plano é um sistema de vias e quadras que poderia se estender indefinidamente, à medida que a cidade fosse crescendo. Cerdá cria uma hierarquia viária onde pequenas ruas "desaguam" em ruas maiores que por sua vez "desaguam" em grandes avenidas. Para explicar este conceito hierárquico, Cerdá utiliza a analogia de pequenos rios desaguando em rios cada vez maiores e mais largos. Cerdá chama de intervias os espaços entre o sistema viário. As quadras, portanto, são os espaços contidos entre as vias. Assim, Cerdá reforça a noção de que quadras e vias formam uma estrutura única e inter-dependente.

O Plano é conhecido hoje principalmente por sua representação gráfica com sua retícula característica. Esta, no entanto, é mal compreendida e vista como uma grelha simples, que se estende a partir dos limites da cidade antiga. O plano apresenta um sistema completo que distribui parques, indústria, comércio e residências de forma equilibrada. As avenidas principais formam estruturas que coordenam a expansão das quadras. Os quarteirões, hoje preenchidos em todos os seus lados, foram idealizados como quadras abertas, que permitiam o maior fluxo de pessoas e de ar pela cidade, assim como poderiam ser preenchidos por áreas verdes. Tão importante quanto os desenhos é, também, o sistema teórico desenvolvido por Cerdá e apresentado na memória da proposta.

Fundamentos teóricos do plano de Cerdà[editar | editar código-fonte]

  • A cidade funciona em torno do duplo conceito: movimento e repouso
  • A rua deve fornecer redes de infraestrutura, permitir o transporte e possibilitar a melhor aeração e iluminação das casas.
  • O conceito de inter-vias representa a importância da quadra e do sistema viário na estrutura da cidade
  • O sistema de transportes é um elemento fundamental para o funcionamento da cidade
  • O plano deve possibilitar a extensão ilimitada da cidade
  • Deve haver a união entre a cidade antiga e a nova zona de extensão

Estudos principais[editar | editar código-fonte]

  • 1859 - Teoría de la Construcción de Ciudades (TCC): Análise teórica que fundamenta sua proposta de plano de extensão e reforma da cidade de Barcelona, iniciado em 1855.
  • 1861 - Teoría de la Viabilidad Urbana y Reforma de la de Madrid (TVU); Estudo analítico da situação Madrilena seguindo as bases estabelecidas na TCC. Estabelece um estudo crítico do plano de extensão realizado por Carlos Maria de Castro em 1859.
  • 1863 - Teoría del Enlace del Movimiento de las Vías Marítimas y Terrestres
  • 1867 - Teoría General de la Urbanización (TGU). Reformula e reordena os princípios estabelecidos nos estudos anteriores. A TGU é reeditada em 1885 e 1971 (facsimile).
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