Imigração no estado do Rio de Janeiro

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Página referente a imigração do estado brasileiro do Rio de Janeiro. Contendo uma amostra geral dos maiores grupos de imigrantes que vieram ao Rio de Janeiro e ao Estado da Guanabara, especialmente a partir do século XIX.

Europa[editar | editar código-fonte]

Imigração Germânica[editar | editar código-fonte]

Os alemães chegaram no estado a partir de 1808, se estabelecendo a princípio na cidade do Rio de Janeiro, Anos mais tarde, outros alemães viriam para a Região Serrana do estado (onde a presença germânica é fortíssima). Primeiro em Nova Friburgo (para ocupar o lugar de muitossuíços que haviam saído da cidade), a partir de 1828 e mais tarde em Petrópolis, a partir de 1837.

Em Petrópolis também ocorre a Bauernfest, segunda maior festa de cultura alemã do Brasil, atrás apenas da Oktoberfest, realizada no sul do país.[1].

Já os suíços começaram a chegar só após 1818, com destino à Nova Friburgo, na Região Serrana do Estado, construindo lá a primeira colônia suíça do país. [2]


Imigração Portuguesa[editar | editar código-fonte]

Paço de São Cristóvão, bairro tradicional da comunidade portuguesa no Rio de Janeiro

Os portugueses foram sem dúvida, o maior grupo de imigrantes no Rio de Janeiro.[3] Ao longo dos séculos XIX e XX, os portugueses constituíram a maioria esmagadora de imigrantes no estado, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, sendo o maior grupo étnico do estado.

Os portugueses começaram a migrar para o estado em número mais expressivo a partir de 1808, quando a corte portuguesa se transferiu para o Rio de Janeiro, e anos mais tarde a cidade se tornaria capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A comunidade portuguesa no estado contava com diversos setores da sociedade, desde a elite lusitana até camadas operárias da sociedade.

A cidade de Niterói, também recebeu muitos imigrantes portugueses, sobretudo no bairro de Portugal Pequeno, antigo reduto português. A importância da imigração portuguesa para a cidade se impõe quando observamos a atuação da colônia nos anos 20 e 30 deste século, estreitamente ligada à urbanização e ao crescimento de Niterói. Uma boa parte dos portugueses recém chegados a Niterói procurou se fixar no bairro de Ponta d'Areia, aproveitando o mercado de trabalho que se formou em torno dos estaleiros da região; a comunidade lusitana cresceu tanto que o bairro passou a ser chamado de Portugal Pequeno (hoje existe um colégio estadual com este nome na rua Visconde de Itaboraí).[4]

Os portugueses também estavam em forte presença na Região Serrana (devido ao seu clima mais ameno), sobretudo em Petrópolis, onde a realeza passava os seus verões e marcas da arquitetura lusitana cercam a cidade com enormes casarões e palácios.

Dentre os principais legados lusitanos para o Estado do Rio de Janeiro estão: o Club de Regatas Vasco da Gama, a Associação Atlética Portuguesa, o Real Sociedade Clube Ginástico Português, a Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, o Liceu Literário Português, o Real Gabinete Português de Leitura, o Palácio Imperial, entre outros.

Outros Grupos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Imigração finlandesa no Brasil

Os italianos no estado, se fixaram na Região Metropolitana (especialmente Rio de Janeiro e Niterói), na Região Serrana, no Noroeste Fluminense, e no município de Porto Real, no sul do estado.

A imigração finlandesa para o Rio de Janeiro foi um movimento migratório ocorrido na primeira metade do século XX de finlandeses para a região do Vale do Paraíba, no sul do Rio de Janeiro, no Brasil, onde criaram um povoado chamado Penedo ao pés do Parque Nacional de Itatiaia, na cidade de Itatiaia.[5]

Os ingleses também tiveram papel fundamental na formação da identidade fluminense, apesar de serem em maior parte comerciantes e donos de fábricas, foram os ingleses que foram responsáveis por boa parte das linhas férreas do estado. Culturalmente, os ingleses foram muito importantes para o estado, em especial pela introdução da prática do futebol (que ocorreu na Fábrica Bangu), Anos depois, os ingleses fundaram o Fluminense Football Club, primeiro clube do Rio de Janeiro dedicado inteiramente à prática do esporte. [6]

A imigração espanhola com destino ao Rio de Janeiro aconteceu de forma mais expressiva do final de 1890 a 1940. Foi constante, embora menor, se comparada com o número de portugueses e italianos que chegaram na mesma época. Os espanhóis vinham das regiões mais pobres do país, como Galícia e Andaluzia. Não se sabe ao certo quantos eram, mas, no Brasil, estima-se que somavam cerca de meio milhão de pessoas. A emigração se devia à pobreza no meio rural e, a partir de 1930, também à destruição e às dificuldades trazidas pela Guerra Civil Espanhola. Na virada do século XIX para o XX, os espanhóis, como todos os imigrantes que chegavam ao porto do Rio de Janeiro, eram registrados pela Agência Central de Imigração e encaminhados para a hospedaria da Ilha das Flores, com o objetivo de se restabelecerem da longa travessia do Atlântico. [7]

África[editar | editar código-fonte]

O estado do Rio de Janeiro possui cerca de 45% da sua população negra (preta ou parda), resultado dos quase 400 anos de escravidão em que o Brasil viveu. Estes negros que desembarcavam no Rio de Janeiro em navios negreiros vinham geralmente de Angola e eram geralmente utilizados como mão de obra escrava em plantações de café no Vale do Paraíba. Com a abolição da escravatura em 1888, muitos ex- escravos sem amparo do estado formaram ocupações irregulares conhecidas como favelas.

Os negros também tiveram forte influência na música fluminense com a criação das rodas de samba e capoeiras.

A comunidade negra é espalhada por todo o estado com menor influência na Região Serrana e maior influência na Baixada Fluminense. Além da Pequena África, na região Portuária da cidade, onde se localizam o Cais do Valongo (cais onde chegavam escravos na cidade), o Morro da Providência (primeira favela do Brasil, formada por ex-escravos) e a Pedra do Sal (um dos principais redutos do samba carioca).

Ásia[editar | editar código-fonte]

Imigração Japonesa e Chinesa[editar | editar código-fonte]

O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a receber imigrantes chineses, ainda no século XIX. Entre 1812 e 1819, cerca de 300 deles foram trazidos de Macau pelo Governo Real Português, a fim de iniciar o plantio de chá, que não foi bem-sucedido. Posteriormente mais levas de chineses vieram à cidade trabalhando em setores urbano, especialmente no comércio. Hoje estima-se que cerca de 10% das lojas da SAARA são propriedades de chineses.[8]

Os imigrantes japoneses na Região Norte Fluminense se estabeleceram basicamente em Macaé – localidade onde houve o núcleo colonial pioneiro de imigrantes japoneses no Brasil –, e Conceição de Macabu. Já na Região da Costa Verde encontramos a presença nipônica em Angra do Reis, localidade onde os japoneses atuaram no trato industrial do pescado de forma significativa. Outras regiões como a Baixada Fluminense e o Vale do Paraíba também tiveram grande número de colonos, em especial no município de Itaguaí, onde esses colonos mais prosperaram. [9] [10]

Imigração sírio-libanesa[editar | editar código-fonte]

Até 1920 se estabeleceram na região da Rua da Alfândega, no centro da cidade. Depois começaram a se interiorizar. Na capital, eles seguiram o ritmo de crescimento da cidade. Então, nos anos 30, vão para a Tijuca e depois para Copacabana, etc. A imigração árabe no Brasil é urbana, não houve um movimento de pessoas que vieram trabalhar na terra, mas alguns adquiriram propriedades rurais. Quando os árabes chegaram, o centro da cidade já era um núcleo de comércio, mas os árabes acabaram tomando conta porque possuíam estratégias eficazes, como a venda a crédito em grande escala.[11] [12] Segundo pesquisas, aproximadamente 60% dos armarinhos da SAARA pertenciam a imigrantes árabes em 1926. Na Baixada, em especial Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nilópolis e São João de Meriti (bairro de São Nicolau) também havia comunidades árabes. Os imigrantes mais ricos moravam em Copacabana e Tijuca. [13]

Muitos imigrantes sírio libaneses também se estabeleceram no município de Campos do Goytacazes, no Norte Fluminense, onde tinham praticamente o mesmo perfil dos árabes no Rio de Janeiro, eram em sua maioria comerciantes nas áreas centrais da cidade. [14]

Judeus[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Judaísmo no Rio de Janeiro

Na Praça Onze – região desvalorizada da cidade e compartilhada com a população negra da Pequena África –, sinagogas, escolas, oficinas tipográficas, jornais, clubes, alfaiatarias e lojas marcaram a identidade judaica nas primeiras décadas do século XX. o Centro Israelita do Subúrbio da Leopoldina, criado em 1929, teve sede própria em Olaria e servia de referência para a comunidade que se estabeleceu ao longo dos trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, como em Ramos, Penha e Bonsucesso. No processo de migração dentro da cidade, Copacabana é um capítulo à parte. O Clube Israelita Brasileiro, por exemplo, foi fundado ali em 1921. E quando a prefeitura liberou os gabaritos para os prédios até 12 andares, em 1946, pequenos empresários da construção civil de origem judaica aproveitaram a oportunidade de crescer junto com o bairro. Com o aumento do poder aquisitivo, Leblon, Barra da Tijuca e São Conrado se tornaram opções bastante atraentes para a comunidade.[15] Além da capital, o município de Nilópolis, na Baixada Fluminense também teve grande colônia judaica. A comunidade judaica de Nilópolis foi formada em grande parte por imigrantes judeus de origem polonesa e russa, pertencentes ao grupo dos asquenazitas, maior contingente de imigrantes judeus para terras brasileiras. [16]


América do Sul[editar | editar código-fonte]

A imigração sul-americana no estado é a mais recente dentre as outras. Os imigrantes geralmente são bolivianos, colombianos, peruanos, venezuelanos, paraguaios e argentinos. Normalmente trabalham no comércio das áreas urbanas e imigraram ao Rio de Janeiro em busca de melhores empregos.

O município de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos é um dos municípios com maior número de argentinos percentualmente. Estes argentinos vêm para o município atraídos pelas belas paisagens do balneário, nos meses do verão, os hotéis da cidade ficam cheios de turistas portenhos. A maioria dos imigrantes é oriundo da província de Buenos Aires. [17]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «História da Colonização alemã de Petrópolis». www.petropolis.rj.gov.br. Consultado em 23 de dezembro de 2017 
  2. http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/brasil-monarquico/88-a-corte-no-rio-de-janeiro/8857-a-col%C3%B4nia-su%C3%AD%C3%A7a-de-nova-friburgo
  3. http://wpro.rio.rj.gov.br/revistaagcrj/wp-content/uploads/2016/11/e06_a12.pdf
  4. http://www.labhoi.uff.br/sites/default/files/dssan.pdf
  5. «Como uma colônia vegana finlandesa se tornou a 'cidade do Papai Noel' no Brasil». BBC. 2 de Agosto de 2016. Consultado em 13 de Julho de 2018 
  6. https://www.efdeportes.com/efd159/a-influencia-inglesa-na-cultura-do-carioca.htm
  7. http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/719-espanhois-no-brasil-inicio-da-luta-por-uma-jornada-de-trabalho-mais-humana
  8. http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/795-os-chineses-no-rio-de-janeiro
  9. www.anaisdosappil.uff.br/index.php/VISAPPIL-Ling/article/download/278/192
  10. https://pinba.files.wordpress.com/2016/07/1_a-imigrac3a7c3a3o-asic3a1tica-na-baixada-fluminense.pdf
  11. https://www.icarabe.org/entrevistas/comunidade-de-descendentes-de-arabes-no-rio-de-janeiro-tem
  12. http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/786-a-farta-cultura-arabe-no-rio-de-janeiro
  13. https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-influencia-arabe-na-formacao-do-rio
  14. http://www.seer.perspectivasonline.com.br/index.php/humanas_sociais_e_aplicadas/article/view/126
  15. http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/742-judeus-no-rio-de-janeiro-uma-experiencia-plural
  16. http://www.encontro2014.rj.anpuh.org/resources/anais/28/1400098016_ARQUIVO_XVIEncontroRegionalDeHistoria_ANPUHRJ_NilopolisJudaica_FernandaCapriRaposo.pdf
  17. http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/viewFile/15663/8862