Imigração polonesa no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde setembro de 2011).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde setembro de 2015). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Polónia Polaco-brasileiros Brasil
Dan StulbachRenata SorrahJaime Lerner
Serginho GroismanRicardo LewandowskiFrancisco LachowskiAngélica KsyvickisPaulo LeminskiNathalia TimbergLeopoldo Nachbin
Notáveis Polaco-brasileiros::
Dan Stulbach  · Renata Sorrah  · Jaime Lerner
Serginho Groisman  · Ricardo Lewandowski  · Francisco Lachowski  · Angélica Ksyvickis  · Paulo Leminski  · Nathalia Timberg  · Leopoldo Nachbin
População total

Entre 1,5 e 2 milhões [1]

Regiões com população significativa
Região Sul, Região Sudeste, Goiás
Línguas
Predominantemente português e polonês
Religiões
Predominantemente católicos romanos e judeus

O movimento migratório de poloneses (polacos)[2] para o Brasil ocorreu principalmente nos séculos XIX e XX . A grande maioria dos imigrantes estabeleceu-se na região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Outros grupos, menos numerosos, vieram para a região sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais) e Goiás (principalmente depois da II Guerra Mundial) [3] .

Atualmente, estima-se que haja entre 1,5 e 1,8 milhões de descendentes de polacos no país. [4] [5] É a terceira maior população de ascendência polonesa no mundo, depois dos Estados Unidos e da Alemanha. [6] Na América Latina, o Brasil é o país com mais imigrantes dessa etnia. [7] [8] [1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Casa do Colono Polonês (Bosque do Papa, Curitiba, Paraná).

A vinda de europeus era um objetivo do governo brasileiro. Atrair imigrantes europeus visava ao "branqueamento" da população brasileira, a ocupação de regiões despovoadas do território, o surgimento de uma classe média vinculada à produção de alimentos e ao abastecimento do mercado interno e a substituição da mão de obra escrava. [9]

Muitos colonos vieram de vários países da Europa para trabalhar nas plantações de senhores brasileiros na década de 1820, mesmo antes da proibição da escravidão. No entanto, as precárias condições de vida e trabalho nas fazendas geraram reclamações por parte dos colonos. Repetidas denúncias contra a exploração do trabalho pelos senhores, que haviam optado pelo sistema de parcerias em substituição à escravidão, materializaram-se na Revolta de Ibicaba em 1847.[10] As repercussões fizeram com que, em 1859, o governo da Prússia promulgasse o Rescrito de Heydt (von der Heydtsche Reskript), que dificultou muito a emigração de cidadãos alemães para o Brasil. O decreto proibia a propaganda (brochuras, informação e guias) e a ação de agentes recrutadores de emigrantes para o Brasil. Com a Unificação da Alemanha em 1871, a proibição foi estendida para vários outros estados alemães, só sendo completamente revogada em 1896. [11] (embora a imigração para os três estados sulinos tenha sido permitida antes) [12]

Em decorrência da proibição alemã, o Brasil viu-se obrigado a procurar novas fontes de imigrantes e passou a promover o recrutamento com a promessa de concessão de terras e o custeio da maioria das despesas da viagem e adaptação ao país. Foi nessa esteira que começou a imigração polonesa ao Brasil, [13] motivada principalmente pelo desejo de possuir sua própria terra, de encontrar um trabalho digno e de realizar seus sonhos em liberdade.

Nesta época a Polônia não existia como Estado. Apesar de ter sido independente e soberana e uma das maiores nações europeias nos séculos XVI e XVII, teve seu território dividido no século XVIII entre a Rússia, Áustria e Prússia. A instabilidade territorial e política que correspondeu ao seu desaparecimento do mapa político durante todo o século XIX fez com que milhões de poloneses partissem para o exterior. Apesar dos números expressivos, esta foi chamada de "imigração oculta",[14] dado a dificuldade de identificar os imigrantes por meio da nacionalidade e de estabelecer com propriedade o número de poloneses que vieram para o Brasil, já que as estatísticas da imigração listavam-os como alemães, austríacos ou russos. [15]

Segundo Zdzisław Malczewski SChr, redator-geral da revista de reflexão Brasil-Polônia “Polonicus”, é difícil estimar os números atuais da diáspora polonesa no Brasil, pois faltam dados estatísticos exatos. Alguns autores mencionam aproximadamente 800.000 poloneses e descendentes, enquanto outros se aventuram a dizer que este grupo étnico representa 1% da população brasileira. Estudiosos e líderes da diáspora mostram números mais altos, que chegam a 2 ou 3 milhões de pessoas. [1]

Os imigrantes poloneses não chegaram ao Brasil em grandes contingentes como os italianos e portugueses. Porém, um grande número de imigrantes estabeleceu-se no país entre 1841 e 1971. Calcula-se que em um século [1869-1970] entraram 130.292 imigrantes poloneses no Brasil, dos quais 50% estão radicados ou deixaram descendentes no Paraná, 38% no Rio Grande do Sul, 5% em Santa Catarina, e o restante em outros estados [16] .

A primeira fase da imigração (1869-1871)[editar | editar código-fonte]

Nesse período registra-se a entrada das primeiras 32 famílias polonesas no Brasil. Foram encaminhadas para a atual cidade de Brusque, em Santa Catarina, então povoada sobretudo por imigrantes alemães. Contudo, os poloneses não se adaptaram ao ambiente e mantinham uma relação tensa com os alemães. Em decorrência, optaram por abandonar Brusque e migraram para a região de Curitiba, no Paraná.[17] [18]

A segunda fase da imigração (1873-1891)[editar | editar código-fonte]

Nessa época cresce a imigração para o Paraná. Em 1876, as colônias polonesas ao redor de Curitiba contavam com 3.850 pessoas. Apesar dos esforços do governador Adolfo Lamenha, que acreditava que a imigração traria progresso para o Paraná, apenas 7.030 poloneses entraram no estado entre 1871 e 1889.[18]

A terceira fase da imigração (1895-1908)[editar | editar código-fonte]

A proclamação da República (1889) representou o início de uma imigração maciça de poloneses para o Brasil. O período ficou conhecido como "febre brasileira".[19] Entre 1890 e 1914, 96.116 polacos desembarcaram no Brasil, sendo que o Paraná recebeu 35.116 indivíduos e o Rio Grande do Sul 32.000 imigrantes. Essa imigração foi resultado do agravamento dos problemas sociais na Polônia. De fato, o Estado polonês não existia, pois estava dominado pelos impérios Austro-Húngaro, da Prússia e da Rússia. Nas regiões rurais, assistiu-se à queda do preço do cereal e uma propaganda sobre o Brasil, vendendo o país como uma terra de oportunidades. Assim, fugindo da pobreza, muitos poloneses optaram por emigrar para o Brasil.[18] [17]

A campanha de nacionalização[editar | editar código-fonte]

Durante o Estado Novo (1937-1945), o governo nacionalista do presidente Getúlio Vargas lançou uma campanha de nacionalização que pretendia "assimilar" os imigrantes e seus descendentes na cultura brasileira. Em 1924, em seu relatório sobre a situação do ensino no Paraná, o inspetor-geral César Prieto Martínez constatou que muitos poloneses no estado não sabiam falar o português. Ele creditou esse fato ao "isolamento de algumas colônias", somado à inexistência de escolas brasileiras ("estado lamentável do nosso aparelho escolar"). Em 1938 o governo brasileiro, entre outras medidas, proibiu o uso de línguas estrangeiras em espaço público, vedou aos estrangeiros o exercício de qualquer atividade política e proibiu a circulação de jornais, revistas ou outras publicações na imprensa. Essas ações afetaram diretamente as comunidades polonesas no Brasil, que mantinham diversas escolas, sociedades e associações, que se viram obrigadas a encerrar suas atividades.[17]

O jovem oficial do Exército, Hugo Bethlem, após visita a comunidades polacas do Paraná e Santa Catarina, afirmou ter encontrado "um número imenso de escolas, clubes e associações, cujo objetivo principal era a manutenção irrestrita, nos brasileiros de origem polaca, do mais arraigado espírito patriótico polonês". Mesmo após a invasão da Polônia impetrada pela Alemanha em 1939, as restrições se mantiveram. Inclusive, alguns polacos, por serem confundidos com alemães, foram objeto de atos hostis no Brasil.[17]

Cultura Polonesa no Brasil[editar | editar código-fonte]

O estado do Paraná é o estado com maiores influências da cultura polonesa no Brasil. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Dom Feliciano é a cidade com maior influência polonesa no Rio Grande do Sul, tendo 90% da população descendente de poloneses. Curitiba é a segunda cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes de origem polaca, superada apenas por Chicago, nos Estados Unidos.[20] [21] É a única cidade brasileira a possuir grafia em idioma polonês: Kurytyba.[20] A música e a culinária polonesas são marcas profundas no estado.

Imigração de judeus poloneses[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Judaísmo no Brasil

Até 1920, a maioria dos poloneses que imigraram para o Brasil eram católicos. Estes fixaram-se sobretudo na zona rural do Paraná e na do Rio Grande do Sul. Contudo, a partir dessa década, cresceu o fluxo de judeus poloneses desembarcando no Brasil. Estes rumaram sobretudo para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Entre 1926 e 1937, 42% dos poloneses que entraram no Brasil eram judeus e 77% dos que chegaram entre 1931 e 1935.[17] Entre os anos de 1920 e 1939, 50 mil judeus entraram no Brasil, vindos da Europa Central, dos Bálcãs e do leste europeu, sobretudo da Polônia (a comunidade judaica paulistana, no período entre as duas grandes guerras, foi formada por 64% de judeus advindos da Polônia).[22]

Personalidades brasileiras descendentes de poloneses[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal do Brasil

Referências

  1. a b c Malczewski SChr, Zdzisław (20 de janeiro de 2016). «Os poloneses e seus descendentes: Esboço histórico e situação atual da colônia polonesa no Brasil». Curitiba. Consultado em 10 de abril de 2016. 
  2. dos Santos, Marcio Renato (01 de janeiro de 2011). «“Polaco ou polonês?”, uma questão delicada». Gazeta do Povo. Curitiba. Consultado em 11 de abril de 2016. 
  3. Larissa Warzocha Fernades Cruvinel; Poliene Soares dos Santos Bicalho. (19 a 21 de Outubro de 2010). "Memória e Identidade dos Imigrantes Poloneses em Goiás". Anais V Seminário de Pesquisa dos Professores & VI Jornada de Iniciação Científica da UnUCSEH. Goiás: Unidade Universitária de Ciências Socioeconômicas e Humanas de Anápolis. ISSN 2175-2605. Visitado em 11 de abril de 016.
  4. Ministry of Polish Affairs (September 18th 2015). «Brazil’s Vice President visits Polish MFA». Consultado em 30 de abril de 2016. 
  5. Brudzińska, K. «Overview of the Poland-Brazil Relations» (PDF). Konrad Adenauer Stiftung. Consultado em 30 de abril de 2016. 
  6. J. Łapaj, Poles in Brazil – the historical aspects and the present days, [in:] M. Kucharski, J. Łapaj, T. Okraska, Brazil, Humanistic Scripts, Vol. X, Katowice 2013, pp. 27
  7. Ministerstwo Spraw Zagranicznych (Ministério das Relações Estrangeiras). (2009). "Brazylia" (em Polonês). Raport o sytuacji Polonii i Polaków za granica: 18,70. Varsóvia: Instituto Polonês de Assuntos Internacionais. ISBN 9788389607812. Visitado em 10 de abril de 2016.
  8. Dvorak, Anna (2013). A Hidden Immigration: The Geography of Polish-Brazilian Cultural Identity (Tese PhD) (em inglês). Los Angeles: UCLA. p. 3. Consultado em 10 abril de 2016. 
  9. Schramm Corrêa, Lucelinda. (Julho/Dezembro 2005). "As políticas públicas de imigração europeia não-portuguesa para o Brasil – de Pombal à República". Revista Geo-Paisagem Ano 4 (nº 8). online: Helio de Araujo Evangelista. ISSN X 1677-650 X. Visitado em 10 de abril de 2016.
  10. Fausto, Boris (2000). Fazer a América: a imigração em massa para a América Latina 2ª ed. (São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo). p. 280. ISBN 9788531404849. 
  11. Conrad, Sebastian. Globalisation and the Nation in Imperial Germany (paperback) (em inglês) (Cambridge: Cambridge University Press). p. 283. ISBN 9780521177306. 
  12. Lesser, Jeff. Immigration, Ethnicity, and National Identity in Brazil, 1808 to the Present, Editora Cambridge, 2013
  13. Lesser, Jeff; Zimbres (tradutora), Patricia (2015). A invenção da brasilidade. Identidade nacional, etnicidade e políticas de imigração (São Paulo: Fundação Editora Unesp). p. 296. ISBN 9788539306121. 
  14. Decol,René D.. (2000). "Uma história oculta: A imigração dos países da Europa do Centro-Leste para o Brasil" (PDF). XII Anais Encontro Nacional de Estudos Populacionais. ABEP - Associação Brasileira de Estudos Populacionais. Belo Horizonte: ABEP - Associação Brasileira de Estudos Populacionais. Visitado em 09 de abril de 2016.
  15. Weber, Regina. (jan/dez. 2014). "Instituições da Area de Dominação Austríaca e sua Influência sobre os Imigrantes Poloneses" (PDF). Polonicus :revista de reflexão Brasil-Polônia 9-10 (Ano V): 71-80. ISSN 2177-4730. Visitado em 11 de abril de 2016.
  16. Os poloneses no Paraná. "Revista Etnias no Paraná". Curitiba: Governo do Paraná, 1989.
  17. a b c d e Os poloneses do Paraná (Brasil) e a questão da nacionalização dos imigrantes (1920-1945)
  18. a b c A imigração polonesa no território parananense
  19. http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/viewFile/htu.2012.161.14/831
  20. a b http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=689896&tit=Dante-Mendonca-lanca-livro-sobre-a-historia-e-o-humor-dos-imigrantes-poloneses
  21. [1]
  22. [2]
Ícone de esboço Este artigo sobre o Brasil é um esboço relacionado ao Projeto Brasil. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.