Império do Benim
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Império do Benim
Edo • Império Edo Império | |||||||||
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Extensão aproximada do Império do Benim em 1625
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| Continente | África | ||||||||
| Região | África Ocidental | ||||||||
| Capital | Edo (atual Cidade do Benim) | ||||||||
| País atual | Nigéria | ||||||||
| Língua oficial | Língua edo | ||||||||
| Forma de governo | Monarquia sagrada | ||||||||
| Obá | |||||||||
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| Período histórico | Idade Média – Idade Moderna | ||||||||
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O Império do Benim (também denominado Reino do Benim ou Império Edo) foi um estado africano pré-colonial localizado no atual sudoeste da Nigéria. Desenvolveu-se a partir das tradições políticas do povo edo e consolidou-se, entre os séculos XV e XVII, como uma das formações estatais mais complexas da África Ocidental, destacando-se por sua organização política centralizada, arquitetura urbana monumental e produção artística em bronze, marfim e ferro.[1]
O Império do Benim não possui relação histórica direta com a atual República do Benim, antigo Daomé.
História
[editar | editar código]Origens e período Ogiso
[editar | editar código]As tradições orais edo atribuem a fundação do antigo reino de Igodomigodo a uma dinastia mítica de governantes conhecidos como ogisos (“reis do céu”). Esse período teria estabelecido as bases religiosas, territoriais e sociais que moldaram o Estado beninense posterior.[2]
Segundo essas tradições, o último ogiso foi deposto após crises internas, abrindo caminho para uma reorganização política que culminaria na formação da monarquia dos obás.
Fundação da monarquia obá
[editar | editar código]Por volta do século XIII, Eweka I ascendeu ao trono como o primeiro obá do Benim, inaugurando uma nova dinastia. A legitimação dessa monarquia está associada, em versões distintas, a vínculos com Ifé e à figura de Oraniã, tema amplamente debatido pela historiografia moderna.[3]
A nova monarquia instituiu um sistema político centralizado, apoiado por conselhos de chefes hereditários e por uma burocracia palaciana altamente estruturada.
Expansão e apogeu
[editar | editar código]O auge do Império do Benim ocorreu entre os séculos XV e XVII, sobretudo durante o reinado de Ewuare, o Grande. Nesse período, o Estado expandiu seu território, consolidou uma capital planejada e construiu vastos sistemas defensivos de fossos e muralhas.[4]
As escavações arqueológicas revelaram milhares de quilômetros de obras de terra, conhecidas como Muros do Benim, consideradas uma das maiores intervenções humanas pré-industriais do mundo.[5]
Arte e cultura material
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O império desenvolveu uma produção artística altamente especializada, destacando-se os chamados Bronzes do Benim, que incluem placas narrativas, esculturas régias, objetos rituais e representações de estrangeiros europeus.[6]
Essas obras eram produzidas por guildas artesanais ligadas diretamente ao palácio real e desempenhavam funções políticas, rituais e historiográficas.
Contato com europeus
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Os primeiros contatos europeus ocorreram com navegadores portugueses no final do século XV. Posteriormente, ingleses e holandeses mantiveram relações comerciais e diplomáticas com o império, registrando descrições detalhadas de sua capital.[7]
Apesar dessas interações, o Benim preservou sua soberania até o final do século XIX.
Conquista britânica de 1897
[editar | editar código]Em 1897, uma expedição militar britânica atacou a Cidade do Benim, depôs o obá Ovonramwen e saqueou o palácio real. Milhares de obras de arte foram levadas para a Europa, onde passaram a integrar coleções museológicas.[8]
O episódio marcou o fim da soberania do império e sua incorporação ao domínio colonial britânico.
Período pós-imperial
[editar | editar código]Após a conquista, a monarquia foi restaurada como instituição tradicional sem soberania política. Os obás continuaram a exercer funções simbólicas, culturais e religiosas, especialmente na Nigéria contemporânea.[9]
Império ou reino: debate historiográfico
[editar | editar código]A designação do Estado pré-colonial do Benim como império ou reino é objeto de debate historiográfico. Ambas as denominações são utilizadas na literatura acadêmica e refletem critérios analíticos distintos.[1]
Enquanto o termo reino enfatiza a monarquia sagrada e a continuidade dinástica dos obás,[3] a designação império destaca a extensão territorial, a diversidade de povos submetidos ao poder edo e a capacidade de controle político e simbólico exercida pelo Estado, sobretudo entre os séculos XV e XVII.[10]
Organização política
[editar | editar código]O obá era considerado uma figura sagrada, concentrando autoridade política, judicial e ritual. O governo era auxiliado por conselhos de chefes hereditários e por uma administração palaciana altamente estruturada.[3]
Religião e rituais
[editar | editar código]A religião tradicional edo articulava o culto aos ancestrais reais, divindades locais e rituais de renovação do poder. Práticas como sacrifícios humanos, frequentemente enfatizadas por relatos coloniais, são analisadas criticamente pela historiografia contemporânea.[11]
Arquitetura
[editar | editar código]A Cidade do Benim apresentava planejamento urbano avançado, com vias largas, sistemas de drenagem, pátios com implúvios e extensas muralhas defensivas.[4]
Legado
[editar | editar código]O Império do Benim é reconhecido como uma das civilizações mais complexas da África pré-colonial. Seu legado permanece central nos debates contemporâneos sobre patrimônio, colonialismo e restituição cultural.
Referências
- ↑ a b Iliffe, John (1995). Africans: The History of a Continent. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 91–94
- ↑ Egharevba, Jacob U. (1968). A Short History of Benin. [S.l.]: Ibadan University Press. pp. 1–4
- ↑ a b c Bradbury, R. E. (1973). Benin Studies. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 1–10
- ↑ a b Connah, Graham (2001). African Civilizations: An Archaeological Perspective. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 154–162
- ↑ Ogundiran, Akinwumi (2005). «Four Millennia of Cultural History in Nigeria». Journal of World Prehistory. 19 (2): 133–168
- ↑ Ezra, Kate (1992). Royal Art of Benin. [S.l.]: Metropolitan Museum of Art. pp. 14–22
- ↑ Ryder, A. F. C. (1969). Benin and the Europeans, 1485–1897. [S.l.]: Humanities Press. pp. 23–45
- ↑ Igbafe, Philip A. (1979). Benin under British Administration. [S.l.]: Longman. pp. 55–73
- ↑ Bradbury, R. E. (2013). History and Social Anthropology. [S.l.]: Routledge. pp. 221–235
- ↑ Bondarenko, Dmitri M. (2005). «A Homoarchic Alternative to the Homoarchic State». Social Evolution & History. 4 (2): 18–88
- ↑ Law, Robin (1985). «Human Sacrifice in Pre-Colonial West Africa». African Affairs. 84 (334): 53–87
Ligações externas
[editar | editar código]- Edo at Genealogical Gleanings
- The Story of Africa: Ife and Benin — BBC World Service
