Império do mal

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Reagan falando na Associação Nacional dos Evangélicos (1983).

A expressão império do mal foi inicialmente aplicada à União Soviética, em 1983, pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que assumiu uma postura agressiva e linha-dura em relação à União Soviética favorecendo a competição e a superação das capacidades militares estratégicas e globais da URSS. Uma estratégia de rollback iria, segundo Reagan, "escrever as páginas finais da história da União Soviética." Essa fala irritou os líderes soviéticos.

Segundo o acadêmico G. Thomas Goodnight, o discurso do "Império do Mal", representou juntamente com a da "Opção Zero" (eliminação de todas as armas nucleares) e do programa "Star Wars", o lado retórico da escalada dos Estados Unidos na chamada Segunda Guerra Fria.

No primeiro caso, Reagan descrevia a guerra nuclear como uma extensão da "velha batalha entre o bem eo mal",[1] argumentando que o aumento do arsenal nuclear, assim como o progresso da ciência e da tecnologia, era necessário para evitar um conflito global. Através desse argumento, a administração Reagan pretendia modificar as opiniões e atitudes da população em relação às armas nucleares.[1]

Discurso na Câmara dos Comuns[editar | editar código-fonte]

O principal redator dos discursos de Reagan, na época, era Anthony R. Dolan, que teria cunhado a frase para o uso exclusivo de Reagan.[2] Algumas fontes[3] incorretamente referem-se ao discurso de junho de 1982 na Câmara dos Comuns no Reino Unido, mas Reagan se refere principalmente ao totalitarismo no seu discurso em Londres. Em vez disso, a frase "monte de cinzas da história" apareceu neste discurso, usado por Reagan para prever o que ele viu como o fracasso e colapso mundial do comunismo. Ironicamente, está frase foi cunhada por um bolchevique revolucionário Leon Trotsky em novembro de 1917, usando-a contra os seus opositores (os mencheviques), e sugerindo que o comunismo era o futuro, esta ironia não foi perdida até mesmo para os escritores dos discursos de Reagan.[4]

Primeiro uso registrado[editar | editar código-fonte]

O discurso de Ronald Reagan em 8 de março de 1983 aconteceu na Associação Nacional de Evangélicos em Orlando, Flórida, onde aparece o primeiro registro do uso da expressão "império do mal". Reagan disse:

No discurso do "império do mal", também tratou de assuntos domésticos, como a implantação de mísseis nucleares da OTAN na Europa Ocidental como uma resposta aos soviéticos que instalaram novos mísseis nucleares na Europa Oriental. Eventualmente, os mísseis da OTAN foram criados e usados como moeda de barganha nas negociações de armas com o líder soviético Mikhail Gorbachev, que assumiu o cargo em 1985. Em 1987, Reagan e Gorbachev concordaram em ir mais longe do que um congelamento nuclear. Em uma Era Atômica em primeiro lugar, eles concordaram em reduzir seus arsenais nucleares. Mísseis intermediários e de curto alcance foram eliminados.

Reação global[editar | editar código-fonte]

Michael Johns escrevendo para o Heritage Foundation e a revista Foreign Policy, destacou apoiando a afirmação de Reagan. Em seu livro, Seventy Years of Evil: Soviet Crimes from Lenin to Gorbachev, Johns cita os 208 atos executados pela União Soviética que, segundo ele, demonstrou más inclinações a liderança soviética.[6]

Yuri Maltsev, um economista de alto escalão da União Soviética sob o comando de Gorbachev na década de 1980, acreditava que Reagan estava definitivamente certo. Ele rotulou a URSS como um "império do mal", na introdução de seu livro Requiem for Marx, publicado em 1993, e em um ensaio que ele escreveu para o Instituto Ludwig von Mises. Em seu ensaio, ele apelidou a URSS como um "império do mal", usando palavras exatas.[7] Maltsev tinha o conhecimento de primeira mão do funcionamento interno da União Soviética, e concordou com Reagan.

A União Soviética, por sua vez, alegou que os Estados Unidos eram uma superpotência imperialista, que procurava dominar o mundo inteiro, e que a URSS estava lutando contra os EUA em nome da humanidade. Em Moscou, a agência de imprensa soviética ATUS, disse que a rotulação de "império do mal" demonstrou que a administração Reagan "pode pensar apenas em termos de confronto bélico, lunático e anticomunista[8] ".

Durante seu segundo mandato, em maio-junho de 1988, mais de cinco anos após o uso do termo "império do mal", Reagan visitou o novo reformista e secretário-geral da União Soviética Mikhail Gorbachev em Moscou. Quando perguntado por um repórter se ele ainda pensava que a URSS era um "império do mal", Reagan respondeu que não mais, e que quando ele usou o termo pela primeira vez era uma "época diferente", isto é, antes do período de Gorbachev e suas reformas como a Perestroika e a Glasnost. Ainda assim, Reagan permanceu um crítico aberto do regime soviético pela ausência de instituições democráticas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Goodnight, G. Thomas (November 1, 1986). "Ronald Reagan's Re-formulation of the Rhetoric of War: Analysis of the "Zero Option," "Evil Empire," and "Star Wars" Addresses". Quarterly Journal of Speech [S.l.: s.n.] 72 (4): 390. doi:10.1080/00335638609383784. 
  2. "The Battle of the Evil Empire," by Frank Warner, The Morning Call, Allentown, Pa., March 5, 2000.
  3. Modern History Sourcebook, Ronald Reagan: Evil Empire Speech, June 8, 1982.
  4. Salisbury, Harrison E. (1985-06-30). "A Reagan Antecedent In Revolution". letter to the editor, New York Times The New York Times [S.l.] Consult. 17-11-2011. 
  5. "President Reagan's Speech Before the National Association of Evangelicals," The Reagan Information Page, March 8, 1983.
  6. "Cite Soviets' Dark Side While Holding U.S. to High Standards," by Howard Means, The Orlando Sentinel, November 17, 1987.
  7. The Decline and Fall of Gorbachev and the Soviet State. Por Yuri N. Maltsev. Mises Daily, 17 de outubro de 2008
  8. President Ronald Reagan at Britannica.com.