Imran Khan

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Imran Khan
22.º Primeiro-ministro do Paquistão
Período 18 de agosto de 2018
a atualidade
Presidente Mamnoon Hussain
Arif Alvi
Antecessor(a) Nasirul Mulk
Presidente do Movimento Paquistanês pela Justiça
Período 25 de abril de 1996
a atualidade
Chanceler da Universidade de Bradford
Período 7 de dezembro de 2005
a 7 de dezembro de 2014
Antecessor(a) Betty Lockwood
Sucessor(a) Kate Swann
Dados pessoais
Nascimento 5 de outubro de 1952 (68 anos)
Laore, Punjab Ocidental, Paquistão
Alma mater Universidade de Oxford
Cônjuge Jemima Goldsmith (M. 1995, Div. 2004)
Rehan Kham (M. 2015, Div. 2015)
Bushra Bidi (M. 2018)
Partido Movimento Paquistanês pela Justiça

Imran Ahmad Khan Niazi (em urdu: عمران احمد خان نیازی) (nascido a 5 de outubro de 1952)[1] é o vigésimo segundo primeiro-ministro do Paquistão. É também ex-jogador de críquete. Jogou críquete internacional por duas décadas no final do século XX[2] e, depois de se aposentar, entrou na política, em meados dos anos noventa. Foi o capitão de críquete mais bem-sucedido do Paquistão, levando seu país à vitória na Copa do Mundo de Críquete em 1992, jogando para a equipe de críquete paquistanesa de 1971 a 1992 e atuando como capitão intermitentemente ao longo de 1982 a 1992. Khan liderou, aos trinta e nove anos, sua equipe para a primeira e única vitória da Copa do Mundo em 1992.

É o fundador do Movimento Paquistanês pela Justiça (Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI)) . Antes ele integrou a Assembleia Nacional do Paquistão de 2002 a 2007 e novamente de 2013 a 2018.

Em 2018, Imran Khan ganhou as eleições gerais tornando-se o 22º Primeiro Ministro do Paquistão.[3] [4] Durante a campanha, defendeu públicamente o célebre Artigo 295c, a lei da blasfémia, que estipula que comentários depreciativos em relação a Maomé, orais ou escritos, "por representação visível ou por qualquer imputação, menção ou insinuação, direta ou indireta, deverão ser punido com a morte ou prisão perpétua, e estarão sujeitos a multa." [5][6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Khan nasceu numa família Pashtun em Lahore em 1952.[7]

O seu pai era um proprietário de terras na região a norte do Baluchistão. A sua mãe era uma das três irmãs da família tribal Burki. Tal como os seus primos, Imran nasceu em circunstâncias prósperas, em que podia dedicar tanto tempo quanto desejava ao desenvolvimento do seu críquete. A escola que frequentou, Aitchison College em Lahore, é considerada a mais prestigiada do Paquistão, e ali foi orientado por um dos melhores treinadores do país.[7]

Formou-se no Keble College, Oxford,no Reino Unido, em 1975. Começou a sua carreira internacional no críquete aos 18 anos.[7]

Filantropia[editar | editar código-fonte]

Durante os anos 90, Khan foi Representante Especial da UNICEF para o Desporto [8]e promoveu programas de saúde e imunização no Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e Tailândia. [9] Em 1991, fundou o Shaukat Khanum Memorial Trust, uma organização de caridade com o nome da sua mãe, Shaukat Khanum, uma vítima de cancro. Como primeira tentativa do Trust, Khan criou o primeiro e único hospital contra o cancro do Paquistão, construído com donativos e fundos superiores a 25 milhões de dólares, angariados por Khan em todo o mundo, incluindo também no Paquistão. Sessenta a setenta por cento dos doentes são ali tratados gratuitamente.[10]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Imran Khan é frequentemente descrito como um populista e regularmente criticado pela sua falta de consistência e incoerência política. Há muito visto como um liberal, tornou-se mais conservador ao longo dos anos e é até por vezes visto como um rigorista religioso. Ele próprio diz que extrai as suas referências do Islão mas também da social-democracia escandinava e elogia o Estado Providência. No entanto, critica o marxismo por "retirar a religião da sociedade" e o "feminismo ocidental" por "degradar o papel da mãe". Nos seus discursos públicos e no programa do seu partido, Imran Khan concentra-se na luta contra a elite política dinástica, a corrupção e o clientelismo, e defende o desenvolvimento dos serviços públicos.[11][12]

Para o senador comunista Afrasiab Khattak , Imran Khan "quer ser visto como um homem espiritual e religioso, mas na sua vida privada ele é mais liberal do que o paquistanês mais liberal". É também regularmente acusado de ser influenciado pelo poderoso exército paquistanês, que veria nele um meio de dividir a classe política. [11]

Ë crítico em relação aos Estados Unidos, enquanto multiplica as suas simpatias em relação à China, que investe economicamente muito no Paquistão.[13] Assim, não criticou a China, o primeiro parceiro económico do Paquistão, a propósito dos muçulmanos Uighures internados em campos, mas em 2020 atacou o Presidente francês Emmanuel Macron pela sua defesa das caricaturas de Maomé, tendo mesmo convocado o embaixador francês. [14]Do mesmo modo, a 26 de Junho de 2020, causou controvérsia ao descrever Osama bin Laden como um "mártir ".[15] Contudo, apoiou a absolvição da cristã Asia Bibi em Outubro de 2018 e prometeu garantir a sua segurança. [16]

Imran Khan em 2009, em Berlim

Apela aos países ocidentais para que interditem a blasfémia da mesma forma que a negação do Holocausto e afirma que partilha os objectivos do Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP, ilegalizado em Abril de 2021), rejeitando ao mesmo tempo os seus métodos. [17]

Em JUnho de 2021, em entrevista â HBO, Khan enfureceu as feministas, ao relacionar as violações de mulheres no Paquistão com a maneira como as vítimas se vestem. Afirmou que “se uma mulher leva pouca roupa vestida, terá um impacto nos homens, a não ser que sejam robots. Não foi a primeira vez que Khan fez afirmações deste teor. Para Marriyum Aurangzeb, porta-voz da Liga Muçulmana do Paquistão, partido do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, as palavras de Khan “refletem a sua mentalidade doentia em relação às mulheres".[18] No jornal paquistanês Daily Times, a jornalista Durdana Najam não poupa nas palavras: "Da vagina às unhas dos pés, o seu corpo (da mulher) é um objeto que é suposto ser guardado. Entretanto, os homens permanecem as bestas incontroláveis que precisam de ser domadas."[19] Um editorial do jornal paquistanês Dawn classifica-o como um apologista da violação das mulheres.[20]

Após a tomada de poder e conquista de Cabul em Agosto de 2021 pelos Taliban, Khan afirmou que o movimento tinha “quebrado as grilhetas da escravidão" do povo afegão. [21]

Vida privada[editar | editar código-fonte]

Durante os anos 70 e 80, Khan ficou conhecido como um playboy, sendo presença frequente nas discotecas mais famosas de Londres, apesar de afirmar que odiava pubs ingleses e nunca bebeu álcool. [22] Na lista de suas conquistas estão Susannah Constantine , Lisa Campbell e a artista Emma Sargent.[22]]

Casou-se com Jemima Goldsmith em 1995, na Grande Mesquita em Paris, após a sua conversão ao Islão. Divorciaram-se amigavelmente em 2004 e Imran Khan tem vivido em Islamabad desde então. Em 2015, casa-se pela segunda vez com Reham Khan, jornalista da televisão paquistanesa, mas a união é de curta duração. Em 2018, formalizou a sua união com Bushra Manika , a quem designou como sua "guia espiritual", e que, segundo ele, o afastou do seu passado do jet set. Ele afirma tê-la conhecido completamente velada e ter casado com ela pela sua espiritualidade[23].[24]

Em Agosto de 2018, após a eleição de Khan como Primeiro Ministro , na tomada de posse a primeira dama Bushra Manika optou pelo uso de uma burqa branca. A escolha foi fortemente criticada como "inadequada" para a primeira-dama do país, mas elogiada também por alguns.[25][26]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «#HappyBirthdayIK: PTI Chairman Imran Khan turns 62». DAWN.COM. Dawn. 5 de agosto de 2014. Consultado em 14 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 7 de abril de 2017 
  2. «Imran Khan». ESPN. Consultado em 6 de outubro de 2009 
  3. Barker, Memphis (26 de Julho de 2018). «Imran Khan claims victory in Pakistan elections». The Guardian 
  4. «Burqa of Pakistan's first lady 'unmasks societal biases'». The Express Tribune. 18 de Agosto de 2018 
  5. Barker, Memphis (9 de julho de 2018). «Imran Khan criticised for defence of Pakistan blasphemy laws». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  6. https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,a-verdadeira-blasfemia-no-paquistao-imp-,664057
  7. a b c «Imran Khan». Cricinfo. 1983 
  8. Khan, Imran (24 de janeiro de 2008). «Tobacco Free Initiative». WHO - EMRO 
  9. «UNICEF and the stars». UNICEF. 15 de dezembro de 2007 
  10. Nivat, Anne (19 de agosto de 2014). «Pakistan : L'intriguant Mister Khan» (em francês). Vanity Fair 
  11. a b Gasnier, Paul (19 de julho de 2018). «Le Pakistan s'apprête à élire un Trump bis à sa tête» (em francês). Slate 
  12. Defranoux, Laurence (19 de Fevereiro de 2018). «Au Pakistan, Imran Khan met du people rigoriste dans la politique» (em francês). Libération 
  13. Gonin, Jean-Marc (3 de Agosto de 2018). «Imran Khan, un capitaine aux commandes du Pakistan» (em francês). Le Figaro 
  14. Jolly, Vincent (30 de Outubro de 2020). «Imran Khan: les doubles discours du premier ministre pakistanais» (em francês). Le Figaro 
  15. «Pakistan: le Premier ministre fait scandale en qualifiant Ben Laden de "martyr"» (em francês). Le Point. 26 de junho de 2020 
  16. «PM says Asia Bibi verdict constitutional, warns agitators of stern action» (em inglês). Geo News. 31 de Outubro de 2018 
  17. «TLP and govt have the same objective but our methods are different: PM Imran» (em inglês). Dawn. 19 de abril de 2021 
  18. «Primeiro-ministro paquistanês culpa as mulheres pela sua própria violação». Público. 22 de Junho de 2021 
  19. Najam, Durdana (12 de abril de 2021). «Women, obscenity and Imran Khan». Daily Times (Pakistan) (em inglês) 
  20. «Imran Khan — once cricketer, now prime minister, unbudgeable rape apologist?». Dawn (em inglês). 21 de junho de 2021 
  21. Grewal, Preetinder (Agosto de 2021). «Pakistan Diary: PM Imran Khan says Afghans 'broke shackles of slavery' as Taliban seize power». SBS (em inglês) 
  22. a b Adams, Tim (1 de julho de 2006). «The path of Khan» (em inglês). The Guardian 
  23. «Pakistan : L'intriguant Mister Khan» (em francês). Vanity Fair. 19 de agosto de 2014 
  24. Defranoux, Laurence. «Au Pakistan, Imran Khan met du people rigoriste dans la politique». Libération (em francês). Consultado em 26 de junho de 2021 
  25. Chaudhry, Fahad (18 de fevereiro de 2018). «PTI confirms Imran Khan's marriage to Bushra Maneka in Lahore» (em inglês). Dawn 
  26. «Burqa of Pakistan's first lady 'unmasks societal biases'». The Tribune. 18 de Agosto de 2018