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Emérico Thököly

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(Redirecionado de Imre Thököly)
Emérico Thököly
Nascimento25 de setembro de 1657
Kežmarok (Reino da Hungria)
Morte13 de setembro de 1705 (47 anos)
ismite (Império Otomano)
Sepultamentoismite
CidadaniaHungria
Progenitores
  • István Thököly
  • Mária Gyulaffy
CônjugeHelena Zrinska
Irmão(ã)(s)Katalin Thököly, Mária Thököly, Éva Thököly
Ocupaçãochefe militar
Títuloconde
ReligiãoIgreja Evangélica Luterana na Hungria

Emérico Thököly ou Emérico Thököly de Késmárk (em húngaro: Késmárki Thököly Imre; em eslovaco: Imrich Tököli; em francês: Emeric Tekeli; em turco: Tököli İmre'c; 25 de setembro de 1657 – 13 de setembro de 1705) foi um nobre húngaro, líder de revoltas anti-Habsburgo como seu pai, o conde Estêvão Thököly, antes dele. Emeric foi Príncipe da Alta Hungria, um Estado vassalo otomano, de 1682 a 1685, e brevemente Príncipe da Transilvânia durante o ano de 1690. Tendo formado uma aliança com os turcos, Thököly auxiliou o Império Otomano na Batalha de Viena em 1683 e liderou a cavalaria turca na Batalha de Zenta em 1697. Recusando-se a se render ao imperador Habsburgo Leopoldo I, Thököly perdeu seu principado da Alta Hungria e finalmente se retirou para Gálata, perto de Constantinopla, com grandes propriedades concedidas a ele por Mustafá II.

Primeiros anos

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Thököly nasceu em Késmárk, na Hungria Real (atual Kežmarok, na Eslováquia), em 25 de setembro de 1657, como o quinto filho do conde Estêvão Thököly e Mária Gyulaffy.[1][2] Seu pai era um dos aristocratas mais ricos da Alta Hungria (na atual Eslováquia); sua mãe era neta de Estêvão Bethlen, que havia sido príncipe da Transilvânia em 1630,[2] e era parente de três príncipes da Transilvânia. Sendo o único filho de seus pais a sobreviver à infância, Thököly herdou, quando ainda era criança, as propriedades de sua mãe no Principado da Transilvânia em 1659.[1] Seu tio, o conde Francisco Rhédey, Príncipe da Transilvânia, que morreu em 1667, também legou seus domínios no Condado de Máramaros a Thököly.[3][4] Uma parte significativa das terras herdadas por Thököly estava localizada no Condado de Máramaros.[5] Estêvão Thököly persuadiu Miguel I Apafi, Príncipe da Transilvânia, a nomear Emeric Thököly como o ispán (ou chefe) do condado em 1667.[6][5] Na verdade, o influente conselheiro de Apafi, Mihály Teleki, administrava Máramaros em nome do ispán menor.[5]

Thököly começou sua educação formal no luterano liceu em Eperjes (atual Prešov, na Eslováquia) em janeiro de 1668.[1][2] Sendo um estudante inteligente, compreendeu rapidamente os principais aspectos da teologia luterana e aprendeu a escrever longos textos em latim perfeito.[2] Ele desempenhou o papel de rei da Hungria em um drama apresentado na escola em outubro de 1669.[5]

Estêvão Thököly foi acusado de participar da conspiração dos principais aristocratas contra o monarca Habsburgo, Leopoldo I, em 1670.[7] Preocupado com a segurança de seu filho, ordenou que ele retornasse a Késmárk.[2] Eles logo se mudaram para o Castelo de Árva (atual Castelo de Orava, na Eslováquia), que ficava perto da fronteira da Hungria com a Polônia.[2] As tropas do rei sitiaram a fortaleza e Estêvão Thököly morreu durante o cerco em 4 de dezembro.[2][8][9] De acordo com uma versão da história do cerco, Emeric Thököly escapou da fortaleza por um túnel depois que seu pai morreu e fugiu primeiro para a Polônia, depois para a Transilvânia.[2] Outras fontes dizem que seu pai o havia enviado ao Castelo de Likava antes do início do cerco de Árva, e ele fugiu para a Transilvânia após saber da morte de seu pai.[2][8]

No exílio

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Os soldados de Leopoldo I suprimiram toda resistência na Hungria Real.[10] Centenas de nobres foram privados de suas propriedades; mercenários estrangeiros substituíram as tropas húngaras nas fortalezas e começaram a saquear as cidades e aldeias próximas.[10][11] Leopoldo I não respeitou as leis fundamentais do reino e nomeou um Diretório para administrar a Hungria em 1673, liderado por Johann Caspar von Ampringen, o Grão-Mestre da Ordem Teutônica.[12] O novo governo adotou uma política violenta antiprotestante e dezenas de pastores protestantes foram condenados à escravidão.[13] Os húngaros perseguidos – nobres expulsos, soldados destituídos e servos fugitivos – buscaram refúgio na Hungria Otomana e no Partium.[11][14] Os refugiados, chamados kuruc, faziam frequentes incursões contra as regiões fronteiriças da Hungria Real.[15]

O patrimônio de Thököly foi confiscado, mas ele permaneceu um homem rico porque manteve suas propriedades transilvanas.[8][16] Ele aceitou o conselho de Mihály Teleki e continuou seus estudos no colégio reformado de Nagyenyed (atual Aiud, na Romênia).[8][4] Diários da época evidenciam que o belo jovem conde encantava facilmente tanto homens quanto mulheres.[17]

Os enviados de Luís XIV da França e Apafi assinaram um tratado em Varsóvia em maio de 1677.[14] Os franceses prometeram enviar um subsídio anual aos kuruc para financiar sua luta contra os Habsburgos.[14] Apafi não declarou guerra a Leopoldo I, mas prometeu garantir o comando profissional das tropas kuruc e oferecer asilo a elas em caso de derrotas.[14] Thököly logo começou a instar Apafi a permitir que ele se juntasse aos refugiados.[18] O enviado de Luís XIV, o abade Dominique Révérend, que se encontrou com Emérico nessa época, descreveu-o como "o senhor mais poderoso e o homem mais honesto da Hungria".[19] O conselho principesco nomeou Emeric Thököly para comandar o exército kuruc em 26 de setembro.[20] Apafi também o autorizou a recrutar tropas voluntárias na Transilvânia.[20]

Thököly e os voluntários transilvanos juntaram-se aos kuruc em Derecske em 27 de novembro de 1677.[20] Suas rendas de suas propriedades transilvanas permitiram que ele melhorasse o equipamento do exército.[21] De acordo com um novo tratado franco-transilvano, Mihály Teleki foi instalado como comandante supremo do exército kuruc em 16 de fevereiro de 1678, mas a nomeação de Teleki não afetou a liderança efetiva de Thököly.[22][21] As tropas kuruc e transilvanas se reuniram perto de Tasnád (atual Tășnad, na Romênia), antes de invadirem a Hungria Real em junho.[23] Thököly capturou as fortalezas de Szendrő e Murány no início de agosto.[23]

Teleki e o exército transilvano atacaram Eperjes, mas abandonaram o cerco assim que foram informados da chegada de um exército de socorro em meados do mês.[23] Thököly continuou a invasão com o apoio de camponeses eslovacos locais.[23] Ele capturou Igló e Rózsahegy (atuais Spišská Nová Ves e Ružomberok, na Eslováquia), e as cidades mineradoras ao longo do rio Garam (Hron).[24] Besztercebánya (atual Banská Bystrica, na Eslováquia) rendeu-se sem resistência em 10 de outubro.[23] Embora tenha tido que abandonar as cidades mineradoras depois de ser derrotado em Barsszentkereszt (atual Žiar nad Hronom, na Eslováquia) em 1 de novembro, ele continuou a controlar 13 condados na Hungria Real.[23][24]

Encorajados por promessas de ajuda de Luís XIV, os rebeldes anti-Habsburgo agora se levantaram "pro libertate et justitia", e escolheram o jovem Thököly como seu líder. A guerra começou em 1678. O Reino da Hungria Oriental e as cidades mineradoras da Hungria central logo estavam em posse de Thököly. Em 1681, reforçado por 10 mil transilvanos e um exército turco sob o Paxá de Nagyvárad (hoje Oradea, Romênia), ele obrigou o imperador a conceder um armistício. Em junho de 1682, casou-se com a condessa croata Jelena Zrinska (em húngaro: Zrínyi Ilona), viúva do príncipe Francisco I Rákóczi.[25]

A desconfiança de Thököly em relação ao imperador agora o levou a buscar ajuda do sultão Maomé IV, o Caçador, que lhe deu o título de "Rei da Alta Hungria" (Ķıralı Orta Macar) – coincidindo em parte com a atual Eslováquia – com a condição de pagar um tributo anual de 40 mil Táleres. No decorrer do mesmo ano, Thököly capturou fortaleza após fortaleza do imperador e estendeu seus domínios até o rio Vág (em eslovaco: Váh). Nas duas Dietas realizadas por ele, em Kassa (hoje Košice, Eslováquia) e Tállya, em 1683, os Estados, embora não imunes a seu charme pessoal, mostraram certa falta de confiança nele, temendo que ele pudesse sacrificar a independência nacional à aliança turca. Eles se recusaram, portanto, a conceder-lhe subsídios ou um recrutamento em massa, e ele teve que tomar o que queria pela força.[25]

Aliança com o Império Otomano

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Thököly auxiliou materialmente os turcos na Batalha de Viena em 1683, e compartilhou o destino do gigantesco exército turco. O Grão-vizir turco, no entanto, atribuiu a culpa pela derrota turca em Viena a Thököly, que então correu para Edirne para se defender diante do sultão turco. Pouco depois, percebendo que a causa turca agora estava perdida, ele buscou a mediação do rei polonês João III Sobieski para reconciliá-lo com o imperador, oferecendo depor as armas se o imperador confirmasse os direitos religiosos dos protestantes na Hungria e lhe concedesse, a Thököly, a Alta Hungria (mais exatamente, 13 condados do nordeste da Hungria Real) com o título de príncipe. Leopoldo recusou esses termos e exigiu uma rendição incondicional. Thököly então retomou a guerra. No entanto, a campanha de 1685 foi uma série de desastres; ele foi derrotado em Prešov (Eperjes) e, quando buscou ajuda dos turcos em Nagyvárad, eles o capturaram e o enviaram acorrentado a Edirne (possivelmente por causa de suas negociações anteriores com Leopoldo), após o que a maioria de seus seguidores fez as pazes com o imperador.[25]

Em 1686, Thököly foi libertado de sua masmorra e enviado com um pequeno exército à Transilvânia, mas tanto essa expedição quanto uma similar em 1688 terminaram em fracasso. Os turcos então novamente passaram a desconfiar dele e o prenderam uma segunda vez. Em 1690, no entanto, eles o enviaram à Transilvânia uma terceira vez com 16 mil homens, e em setembro ele derrotou as forças unidas do general Donat Heissler e do conde Mihály Teleki em Zărneşti. Após essa grande vitória, Thököly foi eleito príncipe da Transilvânia pela Dieta de Kereszténysziget, mas não conseguiu manter sua posição por muito tempo contra os exércitos imperiais. Em 1691, ele abandonou a Transilvânia de vez. Ele liderou a cavalaria turca na Batalha de Slankamen e serviu valentemente, mas em vão, contra a Áustria durante o restante da guerra, destacando-se especialmente na Batalha de Zenta (1697).[25]

Ele foi excluído nominalmente da anistia prometida aos rebeldes húngaros pelo Tratado de Karlowitz (26 de janeiro de 1699). Após mais uma tentativa malsucedida, em 1700, de recuperar o principado, ele se estabeleceu em Gálata com sua esposa. Do sultão Mustafá II, recebeu grandes propriedades e o título de conde de Vidim.[25] Ele morreu em 1705 em Ismite. Ele está sepultado em Kežmarok, no mausoléu da chamada igreja nova.

A estátua de Thököly faz parte da Praça dos Heróis em Budapeste, um Patrimônio Mundial da UNESCO. Por ocasião do 300º aniversário de sua morte, seu nome foi dado a uma rua em İzmit.[26] Um memorial dedicado a ele e sua esposa também está presente em um parque em İzmit.[27]

Referências

  1. 1 2 3 Balogh 2012, p. 242.
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Kovács 2011, p. 6.
  3. ↑ Markó 2006, pp. 119, 121.
  4. 1 2 Kovács 2011, p. 11.
  5. 1 2 3 4 Kovács 2011, p. 7.
  6. ↑ Fallenbüchl 1994, p. 85.
  7. ↑ Kovács 2011, pp. 9–10.
  8. 1 2 3 4 Markó 2006, p. 121.
  9. ↑ Péter 1981, p. 491.
  10. 1 2 R. Várkonyi 1994, p. 364.
  11. 1 2 Cartledge 2011, p. 112.
  12. ↑ Cartledge 2011, p. 111.
  13. ↑ Cartledge 2011, pp. 111–112.
  14. 1 2 3 4 R. Várkonyi 1994, p. 365.
  15. ↑ R. Várkonyi 1994, p. 366.
  16. ↑ Kovács 2011, pp. 10–11.
  17. ↑ Kovács 2011, p. 13.
  18. ↑ Kovács 2011, p. 12.
  19. ↑ Kovács 2011, p. 15.
  20. 1 2 3 Péter 1981, p. 496.
  21. 1 2 Kovács 2011, p. 16.
  22. ↑ Péter 1981, p. 497.
  23. 1 2 3 4 5 6 Péter 1981, p. 498.
  24. 1 2 Kovács 2011, p. 18.
  25. 1 2 3 4 5 Bain 1911, p. 861.
  26. ↑ Sándor Papp. «TÖKÖLİ, İmre (ö. 1705) Osmanlılar'a bağlı Orta Macar kralı ve Erdel prensi.». İslâm Ansiklopedisi (em turco). Cópia arquivada em 25 de setembro de 2026
  27. ↑ «Tökeli İmre, Ölümünün 310. Yılında Anılacak» (em turco). Haberler.com. 13 de setembro de 2015
  • Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  • Balogh, Judit (2012). «Thököly Imre». In: Gujdár, Noémi; Szatmáry, Nóra. Magyar királyok nagykönyve: Uralkodóink, kormányzóink és az erdélyi fejedelmek életének és tetteinek képes története [Encyclopedia of the Kings of Hungary: An Illustrated History of the Life and Deeds of Our Monarchs, Regents and the Princes of Transylvania] (em húngaro). [S.l.]: Reader's Digest. pp. 242–245. ISBN 978-963-289-214-6 
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  • Fallenbüchl, Zoltán (1994). Magyarország főispánjai, 1526–1848 [Heads of the Counties in Hungary, 1526–1848] (em húngaro). [S.l.]: Argumentum Kiadó. ISBN 963-7719-81-4 
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  • R. Várkonyi, Ágnes (1994). «The End of Turkish Rule in Transylvania and the Reunification of Hungary (1660–1711)». In: Köpeczi, Béla; Barta, Gábor; Bóna, István; Makkai, László; Szász, Zoltán; Borus, Judit. History of Transylvania. [S.l.]: Akadémiai Kiadó. pp. 359–411. ISBN 963-05-6703-2 

Ligações externas

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