Inácio Luís Madeira de Melo
| Inácio Madeira de Melo | |
|---|---|
Tenente-Coronel Madeira de Melo, por Filomeno Malheiro-Garcia. | |
| Nome completo | Inácio Luís Madeira de Melo |
| Conhecido(a) por | Recaptura da cidade de Salvador, aquando a Guerra de Independência do Brasil |
| Nascimento | 2 de janeiro de 1775 |
| Morte | 16 de junho de 1834 (59 anos) |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Progenitores | Mãe: Angélica Joana Teixeira Carneiro Pai: Manuel Madeira de Melo Porto Ferreiro |
| Cônjuge | Maria Joana de Fonseca |
| Serviço militar | |
| País | Reino de Portugal |
| Serviço | Exército Português |
| Anos de serviço | 1791 – 1832 |
| Patente | Brigadeiro |
| Comando | Regimento de Infantaria N.º 12 |
| Conflitos | Guerra Peninsular Guerra da independência do Brasil Guerra Civil Portuguesa |
| Religião | Católico Apostólico Romano |
Inácio Luís Madeira de Melo (Santa Maria Maior, Chaves, 2 de janeiro de 1775 – Santa Maria Maior, Chaves, 16 de junho de 1834) foi um militar português.
Notabilizou-se por comandar, no cargo de Governador das Armas,[1] as tropas portuguesas assediadas em Salvador nos combates da Guerra da Independência da Bahia naquela Província até à sua capitulação em 2 de julho de 1823, quando se retiraram para Portugal.[2]
Biografia
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Inácio Luís nasceu a 2 de janeiro de 1775, na freguesia de Santa Maria Maior da cidade de Chaves, província de Trás-os-Montes, e foi baptizado na igreja do mesmo local, a 8 de janeiro do mesmo ano, filho legítimo do capitão Manuel Madeira de Melo Porto Ferreiro e de D. Angélica Joana Teixeira Carneiro.[3]
No contexto que culminou com a Independência do Brasil, os conflitos na Bahia tiveram papel fundamental, devido à importância da comunidade de origem portuguesa na região. Desde a Revolução liberal do Porto (1820) as idéias liberais alcançaram Salvador, ecoando de maneira crescente (ver Independência da Bahia).
O tenente-coronel Madeira de Melo fora nomeado pelo governo português em fevereiro de 1822 para exercer o cargo de comandante das armas na Província da Bahia. Este cargo havia sido criado pelas Cortes em decreto de setembro de 1821, como forma de restabelecer o controle militar do novo governo constitucional português sobre o Brasil, após o retorno do rei D. João VI para Portugal, em 26 de abril de 1821. De acordo com este decreto, o encarregado das armas nas províncias responderia unicamente perante as Cortes em Lisboa, sendo expressamente independente das Juntas Provinciais de Governo.
No início de 1823, um contingente de tropas portuguesas chegou a Salvador para reforçar o efetivo militar leal a Portugal ali estacionado. O Príncipe-regente D. Pedro nomeou Manuel Pedro, para comandar as tropas leais ao Brasil, mas estas foram batidas pelos portugueses, recuando táticamente para a região do Recôncavo Baiano, uma vez que ali os habitantes eram defensores da independência.

Iniciou-se assim um cerco a Salvador, onde estavam concentrados os comerciantes e os militares portugueses. Sob o assédio, a cidade ficou incomunicável, sem receber alimentos e munições. Nesse contexto, Madeira de Melo solicitou auxílio a Portugal, enquanto que D. Pedro enviava o general francês Pedro Labatut para reforçar as tropas brasileiras.
Numa tentativa de romper o bloqueio, Madeira de Melo assumiu a ofensiva, ferindo-se a batalha de Pirajá (8 de novembro de 1822), favorável aos brasileiros, obrigando as tropas de Madeira de Melo a recuar para Salvador.
No início de 1823, a situação da capital cercada deteriorou-se rapidamente: sem alimentos, as doenças começaram a disseminar-se entre a população. Diante desse quadro, Madeira de Melo permitiu a saída dos moradores de Salvador, tendo cerca de dez mil pessoas abandonado a cidade. Em fins de maio, uma frota brasileira sob o comando do inglês Thomas Cochrane bloqueia Salvador. Compreendendo ser inútil a resistência, as tropas portuguesas rendem-se, deixando a cidade. A 2 de julho, as forças brasileiras entraram vitoriosas em Salvador.
A 16 de junho de 1834, falece, na mesma freguesia que o vê nascer, com 59 anos de idade.[4]
Referências
- ↑ Duarte, Paulo de Queiroz (1985). Lecor e a Cisplantina, 1816-1828. Brasília: Biblioteca do Exército Editora. p. 465
- ↑ Silva, Maria Beatriz Nizza da (2008). Semanário Cívico: Bahia, 1821-1823. Salvador: EDUFBA. p. 113
- ↑ «Livro de registo de baptismos 1592/1856 (Paróquia de Santa Maria Maior)». Digitarq ANTT
- ↑ «Digitarq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 9 de outubro de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- TAVARES, Luís Henrique Dias Tavares. A independência do Brasil na Bahia", Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
- SILVA, Arlenice Almeida da. As guerras da independência. São Paulo: Ática, 1995.
- TEIXEIRA, Francisco M. P.. Brasil, História e Sociedade. São Paulo: Ática, 2000.
| Precedido por Manuel Pedro de Freitas Guimarães |
Governador das Armas da Província da Bahia 1822 — 1823 |
Sucedido por Miguel Calmon du Pin e Almeida |