Incêndio florestal

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Incêndio florestal é todo o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo ser tanto provocado pelo homem (provocado ou por negligência), ou por causa natural (como descargas elétricas-raios).

Muitas vezes, é confundido com as queimadas controladas, que se trata de uma prática agropecuária ou florestal onde o fogo é utilizado de forma racional e circunscrita, atuando como um fator de produção ou no manejo de combustível seco (vegetação) para evitar a propagação de incêndios florestais, mesmo sendo uma prática proibida pela lei brasileira (lei 4 771, de 15 de setembro de 1965, artigo 27: "É proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação.").

O comportamento do fogo em um incêndio florestal, ou seja, como se comporta o fogo no terreno em que esta sendo afetado (forma, velocidade, direção, energia calórica liberada, dinamismo de coluna convectiva) depende de características da área afetada, representadas pelos seguintes fatores: topografia, meteorologia e combustíveis.

As perdas ocasionadas pelo fogo anualmente no mundo são ingentes. Os incêndios voluntários (pirômanos) ou não, ocasionam grandes gastos tanto em recursos como em vidas humanas, e semeiam a destruição de lugares naturais que demoram muito tempo em regenerar-se.

A maioria dos países destinam enormes somas de dinheiro a proteger-se do fogo em zonas especialmente sensíveis a ele como são as florestas, com hidroaviões, helicópteros, barreiras para conter incêndios e brigadas especializadas de bombeiros.

Incêndios em Portugal[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Incêndios florestais em Portugal

Causas de incêndio[editar | editar código-fonte]

As causas dos incêndios florestais são várias. Têm, na sua grande maioria, origem humana, quer por descuido e acidente (queimadas, queima de lixos, lançamento de foguetes, cigarros mal apagados, linhas elétricas), quer por intenção. Os incêndios de causas naturais pertencem a uma pequena percentagem do número total de ocorrências.

Segundo J. Sande Silva (2007),[1] as causas de incêndio podem ser classificadas em:

  • Uso do Fogo: Queima do lixo, autárquica, indústria, comércio, actividades clandestinas, núcleos habitacionais permanentes, núcleos habitacionais temporários associados ao recreio, queimadas, limpeza do solo agrícola, limpeza do solo florestal, limpeza de áreas urbanizadas, borralheiras, renovação de pastagens, penetração em áreas de caça e margens dos rios, limpeza de caminhos, acessos e instalações, protecção contra incêndios, outras, lançamento de foguetes, com medidas preventivas, clandestinos, autoignição, fogueiras, recreio e lazer, confecção de comida, aquecimento, reparação de estradas, fumar, em circulação de motorizada, apicultura, fumigação, desinfestação, chaminés, industriais.
  • Estruturais: Caça e vida selvagem, conflitos de caça, danos provocados pela vida selvagem, uso do solo, alterações no uso do solo, pressão para venda de material lenhoso, limitação ao uso e gestão do solo, contradições no uso e fruição dos baldios, defesa contra incêndios, instabilidade laboral nas actividades de DFCI, outras causas estruturais.
  • Incendiarismo: Inimputáveis, brincadeiras de crianças, irresponsabilidade de menores, piromania, outras situações inimputáveis, manobras de diversão, provocação aos meios de combate, conflitos entre vizinhos, vinganças, vandalismo, outras situações dolosas.
  • Indeterminadas: Indeterminadas, prova material, prova pessoal, outras informações.

Fases do incêndio[editar | editar código-fonte]

Fase de propagação de um incêndio florestal

Um incêndio possuiu três fases distintivas: iniciação, propagação e extinção:

  • Iniciação: é o começo do incêndio produzido por causas naturais ou maioritariamente pela ação humana.
  • Propagação: é a extensão do incêndio pela vegetação próxima.
  • Extinção: é a finalização do incêndio por causas naturais (chuva ou falta de vegetação) ou por ação humana (trabalhos de extinção)

A propagação do fogo dependerá das condições atmosféricas, da topografia do lugar no qual ocorre e da vegetação presente no mesmo. Normalmente ocorrem em climas secos ou subsecos, como o mediterrâneo, onde a vegetação sofre estresse (stress) hídrico e, para além disso, algumas espécies vegetais como os pinheiros contêm resinas que ajudam a que o incêndio se propague melhor e seja mais virulento. Do mesmo modo, geralmente também possuem mecanismos de adaptação ao fogo como por exemplo as pinhas serotinas.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A prevenção do fogo baseia-se, por um lado, em intentar evitar que se provoquem incêndios florestais, e por outro lado em minimizar as suas consequências uma vez declaradas. Nesse sentido, podemos falar dos seguintes tipos de medidas:

  • A consciencialização social, com a finalidade de educar a população num uso racional do fogo, evitando situações de risco. Podem-se realizar mediante campanhas informativas e multas coercivas.
  • O cuidado e planificação das massas florestais e dos bosques, mediante a realização de aceiros e uma planificada e extensa rede de caminhos florestais e depósitos de água.
  • A limpeza periódica dos bosques mediante os oportunos trabalhos silvícolas, assim como os trabalhos de desmatamento.
  • A introdução em franjas delimitadoras de espécies com um baixo poder combustível.
  • A realização de queimas preventivas (queima prescrita) durante períodos de baixo risco de incêndio.
  • A adoção de medidas legislativas orientadas para prevenir que existam pessoas ou colectivos que possam sacar benefício dos incêndios.
  • Reforçar a perseguição policial e judicial dos incendiários para evitar que possam ficar impunes.

Logística e medidas preventivas[editar | editar código-fonte]

A logística florestal dá resposta a este flagelo ao planificar o espaço florestal, por meio de projetos florestais, considerando à partida quais os locais mais propícios a ocorrerem incêndios e a evitá-los.

Algumas medidas preventivas a serem tomadas:

  • Manter limpa uma faixa de 50 metros à volta de habitações, estaleiros, armazéns, oficinas ou outras edificações, nos espaços rurais.
  • Manter limpa uma faixa superior a 100 metros à volta dos aglomerados populacionais, parques, polígonos industriais e aterros sanitários, inseridos ou confinantes com áreas florestais.
  • Proteção e combate ao fogo com gel retardante antifogo.[2][3]

Extinção[editar | editar código-fonte]

A defesa contra incêndios florestais experimentou uma contínua tecnificação.[4] Não obstante, não evita a existência de Grandes Incêndios Florestais (GIF). Os GIFs são fogos que mostram de maneira sustentada um comportamento que escapa à capacidade do sistema de extinção, nos quais o seu rápido crescimento exige habilidade na análise do incêndio e a identificação de oportunidades de ataque ao mesmo, e um conhecimento prévio do padrão de propagação que permita definir uma eficaz estratégia de ataque.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Área queimada por um incêndio florestal no Bosque Encantado, Parque nacional de Garajonay, La Gomera, Espanha.

Os incêndios florestais naturais ocorreram desde sempre como um elemento normal no funcionamento dos ecossistemas. O fogo permitiu a regeneração de diversos ecossistemas e a produção de uma serie de habitats nos quais os distintos organismos podem prosperar. Não obstante, a enorme proliferação dos incêndios por causa da atividade humana nestas últimas décadas ultrapassa a capacidade de recuperação natural.

Entre as diversas formas de impacto que produzem os incêndios florestais se podem destacar as siguintes:

  • erosão do solo por desaparecer a capa vegetal. Esta desproteção do solo frente à elevada erosividade das chuvas provoca grandes perdas de solo e nutrientes, mas não é apenas este o efeito sobre o sistema edáfico. As altas temperaturas modificam a composição biológica e química do solo.
  • Morte ou danos físicos a uma parte da população animal da zona, especialmente a que tenha menos mobilidade (invertebrados, crias de aves ou mamíferos, etc.), por queimaduras ou intoxicação respiratória.
  • Em algumas ocasiões, morte ou danos físicos às pessoas que intervém na extinção dos incêndios ou que fiquem presas por ele.
  • Ocasionalmente, morte e/ou prejuízos à saúde das populações humanas próximas.[5]
  • Destruição de bens e infraestruturas (casas, armazéns, postes de eletricidade e comunicações, etc.)
  • Corte temporário de vias de comunicação.
  • Prejuízos económicos pela perda de madeira e/ou produtos alimentícios, assim como os custos dos trabalhos de regeneração das zonas afetadas.
  • Alterações, por vezes de forma irreversível, do equilíbrio do meio natural.
  • Contaminação dos rios que recebem as águas da chuva que atravessam a zona queimada arrastando partículas e cinzas em suspensão.
  • Impacto sobre a paisagem.

Impacto dos incêndios[editar | editar código-fonte]

A floresta tem sido ao longo dos últimos anos alvo de danos significativos quer em termos de áreas ardidas quer em destruição de espécies únicas.

Embora difícil de quantificar, os lançamentos de gases e fragmento libertados durante um incêndio, podem ser responsáveis por alguns impactos ambientais.

Uma área destruída por um incêndio florestal, quando chove com grande intensidade, pode tornar-se mais capaz e originar mais facilmente, outro tipo de riscos tais como deslizamentos e cheias. Com a destruição da camada superficial vegetal os solos ficam mais vulneráveis a fenômenos de erosão e transporte provocados pelas águas pluviais, reduzindo também a sua permeabilidade.

Para além da destruição da floresta os incêndios podem ser responsáveis por:

  • Morte e ferimentos nas populações e animais (queimaduras, inalação de partículas e gases)
  • Destruição de bens (casas, armazéns, postes de eletricidade e comunicações etc.)
  • Corte de vias de comunicação
  • Alterações, por vezes de forma irreversível, do equilíbrio do meio natural
  • Reprodução e difusão de pragas e doenças, quando o material ardido não é tratado

Com o crescimento das áreas residenciais na direção da floresta, os seus habitantes ficam sujeitos a um risco acrescido a este tipo de fenómenos.

Ecologia do fogo[editar | editar código-fonte]

A piroecologia ou ecologia do fogo ocupa-se dos processos que ligam a incidência natural do fogo num ecossistema e os efeitos ecológicos do dito fogo. Muitos ecossistemas, em particular a pradaria, a savana, o chaparral e os bosques de coníferas, evoluíram com o fogo como um elemento necessário para a vitalidade e a renovação do habitat. Muitas plantas germinam muito bem após incêndios e outras brotam (reprodução assexual) de modo eficaz.[6] O pinheiro canário é um bom exemplo como se pode ver na Unidade Operativa de Fogos Florestais da Ilha da Grã Canária. Diversos autores relacionaram os conceitos de piroecologia[7] e biodiversidade. Não é novo o considerar que existe um papel do fogo nos nossos ecossistemas. Há um desenvolvimento teórico e aplicado muito importante e podem-se citar muitos trabalhos. Menção especial merecem autores australianos.[8][9][10][11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. J. Sande Silva (2007), Proteger a floresta - Incêndios, pragas e doenças, Público.
  2. Firefighters say Gel Works, But Don't Expect Rush to Stockpile It. By: Associated Press Originally published: Oct 13, 2007 - 12:25 pm
  3. Avaliação da eficiência de um gel hidroretentor como retardante de fogo
  4. MOLINA, DM; GRILLO-DELGADO, F; GARCIA-MARCO, D, 2006. Uso del fuego prescrito para la creación de rodales cortafuegos: estudio del caso “Las Mesas de Ana López”, Vega de San Mateo, Gran Canaria, España. Invest Agrar: Sist Recur For (2006) 15(3), 271-276, Madrid http://www.inia.es/gcontrec/pub/271-276-(15)-Uso_del_fuego_1166008640062.pdf
  5. Tacconi, Luca. Center for International Forestry Research. «Fires in Indonesia: Causes, Costs, and Policy Implications.» (CIFOR Occasional Paper No. 38) [PDF]; February 2003 [cited 2009-02-06].
  6. Pausas, J. G. 2012. Incendios forestales. Ed Catarata-CSIC (http://www.uv.es/jgpausas/incendios.html)
  7. Molina, D. 2009. «Fuego prescrito.» En: Incendios Forestales: Fundamentos y Aplicaciones (Vélez, R. ed.). McGraw-Hill, pp. 407-411 ISBN 978-84-481-6891-9
  8. Noble, I. R. 1981. «The use of dynamic characteristics in vegetation classification.» CSIRO
  9. Noble & Slatyer, 1978. «The effects of disturbance on plant succession.» Proceedings of the Royal Society of Victoria 10:135:148
  10. Noble & Slatyer 1980. «The use of Vital attributes to predict successional changes in plant communities subject to recurrent disturbance.» Vegetatio, 43:5-21
  11. Noble & Slatyer 1981. Concepts and models of succession in vascular plant communities subject to current fire: Fire and the australian biota, Australia, acad.sci. Camberra ppp 311-335

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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