Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo

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Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo
Empresa de capital fechado
Slogan fides · honor · labor
Indústria frigorífica, metalúrgica, têxtil, química, bebidas, navegação, ferroviária, cosmética, eletricidade, comércio, …
Fundação 1891
Fundador(es) Francesco Matarazzo
Encerramento 1987 (96 anos)
Sede São Paulo, São Paulo
Pessoas-chave Francisco Matarazzo, Hermelino Matarazzo, Francisco Matarazzo Júnior
Empregados c. 30 mil, no auge

As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), com sede na cidade de São Paulo, foi o maior grupo empresarial da América Latina, chegando a englobar em torno de 350 empresas de diversos ramos, como têxtil, químico, comercial, bancário e alimentício. Empregou cerca de 6% da população da Grande São Paulo e possuía a quarta maior renda bruta do Brasil.[1] Tinha unidades em vários municípios brasileiros, com a maior concentração em São Paulo.[2] Seu fundador foi o imigrante italiano Francesco Matarazzo,[3] que era considerado o homem mais rico do país.[4][5]

Ruínas de uma unidade da IRFM, em Iguape

Matarazzo começou com uma pequena casa comercial que vendia banha, em Sorocaba (São Paulo). Na década de 1940, durante seu apogeu, contava com mais de 350 empresas, nos ramos de alimentos, tecidos, bebidas, transportes terrestres e marítimos, portos, ferrovias, estaleiros, metalúrgicas, agricultura, energia, bancos, imóveis, entre outros.

Ao fim dos anos 1980, pediu concordata, sob o comando de Maria Pia Matarazzo, neta do fundador, indo à falência logo em seguida. A única fábrica que restou do antigo complexo, sobrevivendo ao século XXI, era a de sabonete da marca Francis, vendida para o grupo Bertin, que por sua vez revendera a marca para o grupo JBS, que por sua vez é dono da Flora Higiene e Limpeza.[6] Detém ainda diversos imóveis e terrenos espalhados pelo país, como também arrenda fábricas de papel, usinas de açúcar e álcool.

Surgimento[editar | editar código-fonte]

Em 1891, um ano após mudar-se de Sorocaba para São Paulo, com os irmãos Giuseppe e Luigi, Francesco Matarazzo cria a Companhia Matarazzo S.A., que conta com 41 acionistas minoritários, principalmente italianos. A principal atividade da empresa era a importação de farinha de trigo e algodão, dos Estados Unidos.[6]

Locomotiva da IRFM

Com a Guerra Hispano-Americana, em 1898, que envolveu alguns colônias da América Central, a importação de farinha fica comprometida. Matarazzo então decide começar a produzir farinha no Brasil. Com a ajuda de crédito do banco inglês The London and Brazilian Bank (mais tarde Bank of London and South America), ele constrói um moderno moinho em São Paulo, na rua Monsenhor Andrade, no Pari, em 1900[7]

O Moinho Matarazzo, como passou a ser chamado, era a maior unidade industrial da cidade de São Paulo na época. [8] A fábrica processava 2.500 sacos de farinha por dia, cada um pesando 44 quilos.[9]

Logo em seguida, Francesco decide começar a produzir também as latas de embalagem, abrindo uma metalúrgica. Mantendo-se fiel à prática de investir em diversos ramos da cadeia produtiva, cria uma tecelagem de algodão a partir da seção de sacaria do moinho.[10] 

Em 1911 as unidades industriais que atendiam as variadas atividades de Matarazzo, se reuniram numa organização formal, nascendo assim a IRFM - Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo,[11] uma sociedade anônima. O lema da empresa era Fides, Honor, Labor (, Honra, Trabalho). 

Ascensão[editar | editar código-fonte]

O conjunto de indústrias rapidamente obteve grande êxito. Sob o lema de “O bom negócio se faz na compra, e não na venda”,[12] Francesco Matarazzo expandia cada vez mais seu conjunto de unidades fabris e sua gama de produtos.

Em 1920 foi inaugurado o complexo industrial da Água Branca, na Zona Oeste de São Paulo, em uma área com 100 mil metros quadrados. Local caracteriza-se por suas imensas chaminés de tijolos, que podiam ser avistadas a centenas de metros de distância. Este foi o primeiro parque industrial paulista com noção verticalizada de produção.[13]

Canos no interior da Casa das Caldeiras, local que produzia energia para o complexo industrial da Água Branca - São Paulo

Ali instalaram-se fábricas de diversos ramos, como serraria, refinaria, destilaria, frigorífico, fábrica de carroças, de sabões, perfumes, adubos e inseticidas, velas, pregos, vilas operárias, armazéns, banco, distribuidora pioneira de filmes, fábrica de licores, que funcionavam com a energia de uma usina própria (Casa do Eletricista e Casa das Caldeiras, únicos edifícios remanescentes até os dias de hoje de todo o complexo industrial). [14][15]

Durante os anos 30, as Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo tinham um faturamento e um alcance colossais. Os produtos do conjunto industrial eram presentes no dia a dia de quase todos os brasileiros. A receita da IRFM era menor apenas do que a do Governo Federal, do Departamento Nacional do Café e do Estado de São Paulo.

Em 1937, teve início a instalação do complexo industrial na cidade de Marília. A unidade beneficiava algodão e arroz, chegando a empregar em seu período auge, cerca de 400 funcionários. A IRFM teve grande importância no desenvolvimento do então jovem município, que passou a ser conhecido como a "capital da Alta Paulista". O complexo chegou a possuir acesso particular à linha férrea para a carga e descarga de seus produtos. Em 1975, a IRFM foi completamente desativada, tendo parte do conjunto sido tombado pelo Condephaat em 1992.[16]

Também em 1937, morre seu fundador, Francesco Matarazzo, que chegou a possuir a quinta maior fortuna do mundo, com patrimônio estimado em 20 bilhões de dólares atualmente.[17] 

Nova era[editar | editar código-fonte]

Exterior da Casa das Caldeiras, um dos únicos prédios remanescentes do complexo industrial

Após esta morte, quem assumiu o conjunto industrial foi seu filho, Francesco Matarazzo Júnior, ou Conde Chiquinho, como era conhecido. Ele ficou 40 anos no comando, e neste tempo expandiu ainda mais os ramos de produção das indústrias, inaugurando uma nova era.[18]

Ele construiu fábricas nos ramos de química, alimentos e álcool. Dentre os novos produtos, estavam celulose, celofane, biscoitos, margarina vegetal, sulfeto de carbono, óleo de mamona, inseticidas etc. 

Na década de 60 novas fábricas são abertas, como perlon, fibras sintéticas, laminados plásticos e fibra de café solúvel. Entretanto, as Indústrias Matarazzo começam a sentir os primeiros sinais de seu declínio. [13]

Decadência[editar | editar código-fonte]

Em 1969, a pressão das empresas multinacionais, que possuíam técnicas de administração e publicidade avançadas, começa a afetar as vendas da IRFM. Causando o primeiro balanço negativo de toda história da empresa no fim deste mesmo ano.[19]

Preocupado com os abalos recentes, Francesco Matarazzo Júnior contrata a consultoria internacional Deloitte para melhorar os rumos da empresa, mas a ação não dá resultado. 

Ruínas de edifício que pertenceu ao parque industrial da Água Branca - São Paulo

O Conde Chiquinho falece em 1977, após 40 anos sob o comando das IRFM. Quem assume é Maria Pia Esmeralda Matarazzo, com 32 anos de idade. As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo ainda eram o maior conglomerado empresarial do país, e Maria decide concentrar a produção nos ramos de maior sucesso: papel, químico e álcool

Ela faz uma reforma administrativa e começa a desativar antigas unidades que eram deficitárias. Em 1981 todo o setor têxtil da IRFM é vendido para a empresa Cianê. Entre 1981 e 1983, a situação só piora. Maria enfrenta uma disputa de poder com os irmãos e a arrecadação cai ainda mais, motivada por seguidos abalos na economia.[13]

Em 1983 o grupo tenta fazer um acordo com 27 empresas para evitar a falência, que é suspenso pela justiça após dois anos. Afundada em dívidas devido a empréstimos não saldados, a IRFM tem vários prédios penhorados, incluindo todo o parque industrial da Água Branca. Em 1990, todo o complexo químico, localizado em São Caetano do Sul é desativado. Após dois anos, com a IRFM à beira da falência, Maria Matarazzo, abre mão do controle das principais empresas do grupo como as Cerâmica Matarazzo, Matarazzo Papéis e Matarazzo Embalagens.[20] Em 2013, a penúltima fábrica era fechada em São Paulo.[21]

Espaços aproveitados para lazer e cultura[editar | editar código-fonte]

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A história das Indústrias Reunidas permanece na memória de todos e seus antigos complexos, deram espaço a novos empreendimentos, dentre eles:

  • Shopping Cidade São Paulo, localizado na Avenida Paulista, que foi  inaugurado no dia 30 de abril de 2015 no local onde ficava a antiga mansão do conde italiano Francesco Matarazzo.
  • Praça Conde Francesco Matarazzo Junior, localizada na região da Barra Funda, onde funcionava a antiga fábrica de perfumes e pregos. A praça encontra-se fechada por grades, para prevenir a degradação.
  • Cidade Matarazzo, que será o mais novo espaço de turismo cultural da cidade de São Paulo. Seu projeto foi aprovado em 2014, e prevê a demolição de um dos edifícios do antigo Hospital Umberto Primo, mais conhecido como Hospital Matarazzo, localizado na região da Bela Vista. Nesse espaço será construido um hotel de luxo, restaurante, galeria de arte, cinema e teatro, dentre outros.[22]
    Centro Cultural Matarazzo - Presidente Prudente/SP
  • Rio Claro - SP recebeu a Fábrica têxtil Matarazzo na década de 1930, no bairro Vila Paulista. A fábrica Matarazzo funcionou até os anos 60, sendo substituído pela Cianê que continuou com a produção têxtil até o final dos anos 80. Depois disso, o local ficou abandonado até o ano de 1993, quando se iniciaram as reformas para a construção do Shopping Center Rio Claro.[23]
  • Presidente Prudente - SP têm as antigas instalações das Indústrias Matarazzo compradas pelo poder público municipal e transformado em Complexo Cultural com museu, teatro, coreto, igreja, centro de exposições, salas de exibições e atividades.[24]

Referências

  1. «A prefeitura e o colecionador das memórias das Indústrias Matarazzo na cidade - São Paulo para Curiosos» 
  2. «Matarazzo: Colosso Brasileiro» (PDF) 
  3. Revista Época. «Escombros do império». Consultado em 25 de junho de 2010 
  4. «- Indústrias Matarazzo» 
  5. «O maior do Brasil, um dos maiores do mundo | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 17 de julho de 2017 
  6. a b «Revista de História». Consultado em 24 de novembro de 2016. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016 
  7. analeca (13 de maio de 2016). «Francesco Matarazzo» 
  8. «Apresentação». webcache.googleusercontent.com 
  9. «-Revista de História». Consultado em 24 de novembro de 2016. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016 
  10. «O Maior Empreendedor do Brasil - Francesco Matarazzo». 5 de agosto de 2014 
  11. http://www.rep.org.br/pdf/10-5.pdf
  12. «Faculdade do Guarujá - Processo de Sucessão nas IRFM» (PDF) 
  13. a b c «Indústrias Matarazzo - Histórias de empresas». historiadeempresas.wordpress.com 
  14. MARCOVITCH, Jaques (2012). Pioneiros e Empreendedores Vol.3: A Saga do Desenvolvimento no Brasil. São Paulo: EDUSP – Editora da Universidade de São Paulo 
  15. «Site Casa das Caldeiras» 
  16. «Marília – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo | infopatrimônio». www.infopatrimonio.org. Consultado em 21 de maio de 2018 
  17. «Francesco Matarazzo foi de mascate a 5º mais rico do mundo» 
  18. «Guia do Estudante Abril» 
  19. «Comunita Italiana» 
  20. «Em Jornal - Estudo analisa queda do império» 
  21. «Penúltima fábrica do Grupo Matarazzo fecha as portas - Economia - Estadão» 
  22. A prefeitura e o colecionador das memórias das Indústrias Matarazzo na cidade São Paulo para curiososMarcelo Duarte, 2 de janeiro de 2017
  23. Comunicação, Macrolink e Allta. «Visite Rio Claro: Cultura, Lazer, História, Turismo, Notícias, Lugares». www.visiterioclaro.com.br. Consultado em 5 de janeiro de 2018 
  24. «Revista Videre. A História de um Patrimônio» (PDF)