Indie pop

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Indie pop
Origens estilísticas
Contexto cultural Final da década de 1970 no Reino Unido
Formas derivadas
Subgêneros
Outros tópicos

Indie pop (em português: pop independente) é uma subcultura musical e complemento do indie rock[6] que, em sua definição original, combina "pop de guitarra" com a ideologia ética DIY,[4] em oposição ao estilo e tom da música pop mainstream.[7] O estilo é derivado do post-punk britânico e teve origem no final da década de 1970.[5] De acordo com o site AllMusic, o Indie pop "reflete o lado mais doce e suave do underground, com uma maior ênfase em harmonias, arranjos e composição."[6] O indie pop não só incorpora a "qualidade singela do punk e sua ética DIY", mas também "a doçura e atratividade do pop mainstream".[8]

Segundo a publicação online Pitchfork, "Indie pop não é apenas [música] indie que é pop. Não muitas pessoas percebem isso, ou realmente se importam de qualquer maneira. Mas você pode ter certeza que os fãs de indie pop sabem disso. Eles têm seus próprios apelidos, a música que eles ouvem, seu próprio cânone de bandas e gravadoras lendárias, suas próprias estrelas pop, seus próprios zines, sites, Mailing lists, estética, festivais, iconografia, acessórios de moda e piadas. Em suma, sua própria cultura."[1] Atualmente, a definição de indie pop têm bifurcado para também significar artistas e bandas de movimentos não relacionados ao DIY com tendências pop e que apresentam um estilo considerado fora dos padrões do mainstream.[5]

Os artistas deste gênero musical desejam percorrer um caminho mais distante do mercado musical de natureza predominantemente comercial. Eles fazem questão de preservar sua autonomia e o domínio integral de sua música e da carreira profissional.[9]

História e definições[editar | editar código-fonte]

Tanto indie quanto indie pop se referiam originalmente à mesma coisa durante o final da década de 1970. Inspirado mais pela ética DIY (sigla de Do It Yourself - "Faça você mesmo") do punk rock do que seu estilo musical, bandas de guitarra foram formadas no intuito de gravar e liberar sua própria música em vez de ter que adquirir um contrato com uma grande gravadora. De acordo com Emily Dolan, o indie se baseia na música distorcida do Velvet Underground, o "grito rebelde" do punk inicial e "algumas das figuras mais peculiares e excêntricas do rock", como Jonathon Richman. O indie pop era um contraste sem precedentes dos tons duros e sérios dos estilos de rock underground anteriores, além de ser um afastamento do glamour da música pop mainstream.[8]

O conceito de música indie não se consolidou até o final da década 1980 e início dos anos 90. O álbum de estréia homônimo do Beat Happening, de 1985, também foi influente no desenvolvimento do som do indie pop, particularmente na América do Norte. No início da década de 1990, o indie pop britânico influenciou e se ramificou para uma grande variedade de estilos. Os Estados Unidos tiveram muitos entusiastas do indie pop por meados dos anos 90. A maior parte da noção moderna de música indie provém da compilação C-86, de 1986, da revista NME, que reúne muitas bandas de guitarra inspiradas nos primeiros sons psicodélicos do rock de garagem dos anos 60.[1] A fita C-86 inclui músicas de bandas como McCarthy, The Wedding Present, Primal Scream e Bodines - influenciadas em igual medida, pelo pop de guitarra dos The Smiths e pelas músicas de três acordes dos Ramones. Também chamado de "pop anorak" e "pop desajeitado" pela imprensa britânica, o C-86 foi um movimento de vida curta, mas influenciou várias bandas novas, de ambos os lados do Atlântico, que absorveram as lições fundamentais da cena de simplicidade e honestidade de forma impressionante.[10][11]

"Dentro dos gêneros indie, as questões de autenticidade são especialmente proeminentes: o indie nasceu em uma tentativa utópica de parar o ciclo inevitável de bandas sendo corrompidas pelo mainstream."

— Emily I. Dolan, Popular Music.[8]

Outra característica da cena original era sua temática não-sexual, muitas vezes dita ingênua. O jornalista e critico musical Simon Reynolds, falando sobre o aspecto político e cultural do indie pop, se refere a uma "revolta na infância": "A inocência infantil e assumida ingenuidade permeiam a cena: suas roupas são assexuadas, suas mangas têm franjas, suas cores são em tons pastéis."[12]

Contudo, com o passar do tempo a ideologia inicial do indie pop perdeu sua força, restando apenas o legado em nome da simplicidade e honestidade musical no universo pop, em contraposição à exuberância e aos exageros do chamado pop mainstream. Na Europa, um dos maiores sucessos de crítica do gênero nos anos 1990 foi alcançado pela banda Belle and Sebastian.[13][14] Nos Estados Unidos, vários artistas de indie pop foram lançados pela K Records. No Brasil, bandas geralmente citadas como influenciadas pelo estilo são Ludov e Pato Fu.

O crítico musical Dave Heaton, do PopMatters, escreveu o seguinte (sobre o uso do termo indie pop):[5]

Musicalmente, o indie pop é caracterizado pela estrutura de música pop e instrumentação típica do rock (bateria, guitarra, baixo), embora alguns artistas do gênero desviem disso, incluindo instrumentação eletrônica, além de piano e instrumentos de corda.[15] O indie pop difere do indie rock na medida em que é mais melódico.[16] Canções do gênero têm letras com foco em temas além do habitual (muitas vezes podem abordar temas mais obscuros em comparação com o pop mainstream). Além disso, muitos artistas do gênero fazem uso de instrumentos eletrônicos e sintetizadores com vários graus de destaque, embora nem todos músicos do gênero o façam.[16]

Gêneros relacionados[editar | editar código-fonte]

Twee pop[editar | editar código-fonte]

Twee pop é um subgênero do indie pop que se originou da fita C86 . Caracterizado por sua simplicidade e inocência percebida, algumas de suas características definidoras são harmonias garoto-garota, melodias cativantes e letras sobre o amor. Durante muitos anos, a maioria das bandas foi distribuída por Sarah Records (no Reino Unido) e K Records (nos EUA).[17]

Chamber pop[editar | editar código-fonte]

Chamber pop é um subgênero do indie pop que apresenta uma orquestração elaborada. O chamber pop (também chamado ork-pop, abreviação de "pop orquestral") é um estilo de música caracterizado por uma ênfase na melodia e textura, o uso intrincado de cordas, piano e harmonias vocais e outros componentes extraídos da lounge music.[18]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Twee as fuck: The history of indie pop Pitchfork
  2. Indie pop history Jstor.org
  3. 80s Music: Jangle pop
  4. a b 10 canadian jangle and indie pop bands Aux TV
  5. a b c d e The Best of Indie-pop 2013 PopMatters
  6. a b AllMusic Guide
  7. Google Books
  8. a b c Dolan, Emily. «…This little ukulele tells the truth': indie pop and kitsch authenticity.». Cambridge University Press. Popular Music. Consultado em 6 de fevereiro de 2017 
  9. Música indie Info Escola
  10. AllMusic: "Twee Pop "
  11. AllMusic: "C-86"
  12. Redhead, Steve (1990). End-of-the-Century Party, Youth and Pop Towards 2000. [S.l.]: Manchester University Press. 82 páginas 
  13. Popular music and the state in the U.K. Google Books
  14. Modern Scottish Culture Google Books
  15. Indie pop
  16. a b Indie pop TV Trope
  17. «Twee Pop». AllMusic 
  18. Marmoro, Gianfranco. «The Ocean Tango». Ondarock (em italiano)