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Infraestrutura crítica

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Infraestrutura crítica é um termo usado por governos para descrever ativos e serviços, públicos ou privados, que são essenciais para o funcionamento da sociedade e da economia – a infraestrutura.

Em agosto de 2003, o então presidente Lula, através do Decreto nº 4.801, criou a Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDEN), presidida pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e com o objetivo de formular políticas públicas e diretrizes a respeito de assuntos relacionados a defesa nacional e relações exteriores.[1]

Em outubro de 2007, em sua Resolução nº 2, a CREDEN submeteu ao Presidente da República a proposta de inclusão dos assuntos relacionados a segurança de infraestruturas críticas e também segurança da informação nas competências da CREDEN.[2] Essa mesma Resolução instituiu um Grupo Técnico de Segurança de Infraestruturas Críticas (GTSIC) para propor medidas e ações de segurança para as infraestruturas críticas dos setores de energia, transporte, água e telecomunicações.[2]

Em fevereiro de 2008 foi publicada a Portaria nº 2 do GSI, a qual definiu, em seu artigo 2º, infraestrutura crítica como sendo "as instalações, serviços e bens que, se forem interrompidos ou destruídos, provocarão sério impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança nacional". Essa Portaria também instituiu grupos técnicos para implementarem ações voltadas à segurança das infraestruturas críticas e estabeleceu as seguintes cinco áreas como prioritárias:

  • Energia
  • Transporte
  • Água
  • Telecomunicações
  • Finanças

Em julho de 2018 o GSI publicou sua Portaria nº 53, que incluiu a seguinte área na lista de prioritárias:

Grupos Técnicos

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Em fevereiro de 2008, a Portaria nº 3 do GSI instituiu, por tempo indeterminado, o Grupo Técnico de Segurança de Infraestruturas Críticas de Energia (GTSIC - Energia).

Em agosto de 2019, o ministro Augusto Heleno, publicou a Portaria nº 73 do GSI, que revogou todas as Portarias do GSI que criavam grupos técnicos relacionados à segurança de infraestruturas críticas.

Política Nacional

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Em novembro de 2018 o presidente Michel Temer publicou o decreto nº 9.573, que estabeleceu a Política Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas (PNSIC).[3]

A PNSIC, em seu artigo 13º, delegou à Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Conselho de Governo (CREDEN) a elaboração da Estratégia Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas e do Plano Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas, no prazo de dois anos da data de publicação da PNSIC.

Estratégia Nacional

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Em dezembro de 2020 o presidente Jair Bolsonaro publicou, através do decreto nº 10.569, a Estratégia Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas (Ensic).[4]

Plano Nacional

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Em setembro de 2022 o presidente Jair Bolsonaro publicou, através do decreto nº 11.200, o Plano Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas (Plansic).[5]

União Europeia e Portugal

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Em dezembro de 2006, a União Europeia publicou o Programa Europeu para Proteção das Infraestruturas Críticas (PEPIC) e, em 2008, emitiu a diretiva 2008/114/CE sobre Infraestruturas Críticas.[6] Esta foi transposta na legislação portuguesa pelo Decreto-Lei n.º 62/2011, que dava o fim de dezembro como prazo para a designação de 150 infraestruturas como críticas em dois setores (energia e transportes).[7] No entanto, em julho do mesmo ano, o acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia que forçava a revogação das golden shares do Estado surtia efeito, sob vigilância da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional) e abria as portas às privatizações.[8] Em dezembro de 2011, a China Three Gorges Corporation (CTG) adquiria 21,4% da EDP. Logo em dezembro, o Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência interrompeu o processo de identificação das infraestruturas críticas. Em fevereiro de 2012, 25% da REN era vendida à chinesa State Grid Corporation; no final do mesmo ano, a ANA era vendida à Vinci Airports e, em 2014, 85% da Fidelidade era vendida à Fosun.[7]

O estado tentou reverter a crescente propriedade estrangeira de infraestruturas pelo Decreto-Lei 138/2014 que estabelecia um "regime de salvaguarda de ativos estratégicos essenciais para garantir a defesa e segurança nacional e a segurança do aprovisionamento do País em serviços fundamentais para o interesse nacional, nas áreas da energia, dos transportes e comunicações".[9] Mas, até 2025, o mecanismo nunca havia sido implementado.[10] Um ano após a sua entrada em vigor, a Altice comprava as ruínas da PT. Em 2016, a Fosun adquiria 20% do capital do BCP e o grupo turco Yilport/Yildirim [en] passava a controlar os sete terminais portuários da Tertir. Em 2019, a Morgan Stanley Infrastructure Partners adquiria 49,99% da FTTH à Altice por mais de 4,5 mil milhões de euros, criando a Fastfiber (em 2026, a Fastfiber cobre 90% da rede nacional de fibra ótica). Em 2021, a Floene, maior operador de distribuição de gás em Portugal, também passava a ser maioritariamente detida pela Allianz.[7]

Em 2022, a União Europeia emitiu uma nova diretiva sobre Resiliência de Entidades Críticas (CER).[11] Esta foi transposta na legislação portuguesa pelo Decreto-lei n.° 22/2025 que especifica 11 setores (energia; transportes; bancário; infraestruturas do mercado financeiro; saúde; água potável; águas residuais; infraestruturas digitais; administração pública; espaço; produção, transformação e distribuição de produtos alimentares).[7] Em sete dos onze setores enumerados, os operadores dominantes não são públicos nem nacionais. Nos quatro restantes (águas, resíduos, administração pública e espaço) o Estado mantém controlo pleno.[7]

Referências

  1. «Decreto nº 4.801, de 6 de agosto de 2003». Cópia arquivada em 28 de junho de 2004
  2. 1 2 «Resolução nº 2, de 24 de outubro de 2007». Diário Oficial da União. 31 de outubro de 2007
  3. «Política Nacional de Infraestruturas Críticas dá mesmo mais segurança?». CORREIO. 27 de novembro de 2018. Consultado em 26 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2018
  4. Marcos Urupá (10 de dezembro de 2020). «Governo inclui telecom em Estratégia Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas». TELETIME News. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2020
  5. Bruno do Amaral (16 de setembro de 2022). «Plano Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas inclui responsabilidades do MCom». Teletime. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2022
  6. «Directiva 2008/114/CE do Conselho relativa à identificação e designação das infra-estruturas críticas europeias e à avaliação da necessidade de melhorar a sua protecção». Jornal Oficial da União Europeia. 23 de Dezembro de 2008. Consultado em 11 de abril de 2026
  7. 1 2 3 4 5 Luís Bernardo (Abril de 2026). «O (des)controlo privado das infraestruturas críticas». Le Monde Diplomatique - edição portuguesa. II (234). p. 3-5. Consultado em 11 de abril de 2026
  8. Raquel Almeida Correia (25 de julho de 2011). «Eliminação das golden shares do Estado já está na lei». Público. Consultado em 11 de abril de 2026
  9. «Decreto-Lei n.º 138/2014, de 15 de setembro». Diário da República. 15 de setembro de 2014. Consultado em 11 de abril de 2026
  10. Suzana Tavares da Silva; Marta Vicente (2025). «The Portuguese Investment Screening Mechanism. Not Much of a Weapon». In: Jens Hillebrand Pohl, Steffen Hindelang, Thomas Papadopoulos, Janosch Wiesenthal. The Law and Geoeconomics of Investment Screening. [S.l.]: Springer. pp. 117–140. ISBN 978-3-031-75554-5
  11. «Diretiva (UE) 2022/2557 do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu». Jornal Oficial da União Europeia. 27 de Dezembro de 2022. Consultado em 11 de abril de 2026

Ligações externas

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