Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano

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Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano
Tipo Instituto histórico regional
Inauguração 28 de janeiro de 1862 (156 anos)
Website http://www.iahgp.com.br/
Geografia
País  Brasil
Cidade Recife,  Pernambuco
Coordenadas 8° 3' 42" S 34° 53' 4" O

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) é uma entidade de fomento da pesquisa e preservação histórico-geográfica, cultural e de ciências sociais do estado brasileiro de Pernambuco, localizada na cidade do Recife. Inaugurado no dia 28 de janeiro de 1862, é o mais antigo instituto histórico regional do Brasil, e a segunda instituição dedicada à história no país, após o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.[1][2][3]

A entidade guarda recordações do passado de Pernambuco, como das primeiras guerras ocorridas no estado — a exemplo da Batalha dos Guararapes.[4]

O instituto preserva, também, o exemplar do Preciso, único documento impresso pelos revoltosos da Revolução Pernambucana, no qual se detalham as ações a serem realizadas pelo governo recém-constituído, além da prensa usada para imprimi-lo.[4]

História[editar | editar código-fonte]

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano teve suas origens, segundo pesquisadores, a partir de críticas feitas pelo Imperador Pedro II, quando da sua visita ao Recife, em 1859, sobre o descaso e a indiferença dos intelectuais pernambucanos quanto ao passado histórico do estado.[1]

A instituição foi fundada por um grupo de intelectuais progressistas da Faculdade de Direito do Recife no ano de 1862 constituindo-se no primeiro instituto regional do Brasil.[5] O primeiro presidente eleito foi o Monsenhor Francisco Muniz Tavares.[6] Conserva em seu vasto acervo, documentos e objetos relativos à memória de Pernambuco, com destaque para a biblioteca, composta por cerca de 16 mil volumes, entre livros, mapas e outras raridades, como um exemplar do Atlas Vingboons, uma coluna em pedra com o brasão que serviu como marco divisório entre as captanias de Pernambuco e Itamaracá, os bustos de Frei Caneca, retratos a óleo e quadros de personalidades como Maurício de Nassau entre outras preciosidades.[5] A sessão magna do IAHGP ocorre anualmente no dia 28 de janeiro e celebra a Restauração Pernambucana.[1]

No início, funcionou em dependência do Convento do Carmo, posteriormente na Biblioteca Pública Provincial do mosteiro de São Francisco e depois em um prédio na praça da Concórdia, que hoje é chamada de praça Joaquim Nabuco. De 1912 a 1919, se instalou no Ginásio Pernambucano e que depois se mudou, definitivamente, para o prédio número 130, na Rua do Hospício. Um casarão patriarcal com dois andares, porta larga na entrada, três janelas e varanda, e se localiza próximo ao Teatro do Parque.[6]

O museu guarda documentos e relíquias que são consideradas importantes para a memorização da história pernambucana. Como por exemplo: o marco que serviu como divisão entre as capitanias de Pernambuco e Itamaracá, os bustos de Frei Caneca, Mário Melo, Alfredo de Carvalho e Oliveira Lima, estampas preciosas do Recife Antigo e muito mais. Todo esse acervo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[5]

Foi arquitetado um elevador para melhorar o acesso de pessoas que são portadoras de necessidades especiais de locomoção. Sem ele, a maior parte das relíquias estavam inacessíveis, pois ficavam no segundo andar da construção. A Presidente do instituto, Margarida Cantarelli, reproduziu, após a reforma, um ambiente hospitaleiro e acessível para a rede pública. [1]

O Instituto contém peculiaridades, como a xícara que o político João Pessoa segurava no momento em que foi assassinado, no Recife, e o equipamento de impressão para a primeira edição do Diário de Pernambuco, em 1930. Além das obras do elevador, construíram rampas na parte de trás e os banheiros e os pisos ficaram aptos às necessidades dos deficientes e idosos.

As reformas, a fim de aprimorar a acessibilidade do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano, foram finalizadas. Os móveis e vitrines receberam modificações técnicas para assegurar que pessoas com dificuldade de locomoção e com adversidade na visão possam usufruir de todo o conjunto. Comemorando 155 anos em 2017, é o Instituto mais antigo do país, pois deu início em pesquisas científicas e na conservação de objetos antigos.[2]

A maior parte da sede do instituto já está restaurada, contudo, ainda existem reformas a serem feitas e finalizadas. [3][7]

Revista do Instituto[editar | editar código-fonte]

Desde 1863, o Instituto produz e edita uma revista autoral, que leva o nome de Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. A periodicidade da publicação foi irregular até o ano de 1920. Apenas durante alguns anos, entre 1920 e 1936, manteve-se uma periodicidade de duas edições por ano, uma em janeiro e outra em dezembro.[8]

Comemoração aos 150 anos[editar | editar código-fonte]

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco completou, em 2012, 150 anos. Para prestar uma homenagem a esse aniversário, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), juntamente e por intermédio da sua biblioteca, a Biblioteca Central Blanche Knopf, disponibilizaram um inventário bibliotecário sobre a história do Instituto entre os anos de 1862, quando foi inaugurado, até 2012. O objetivo de tal feito era, além de comemorar o aniversário de 150 anos e homenagear o Instituto, contribuir para o registro de sua memória institucional e divulgar melhor seu acervo, democratizando e facilitando o acesso aos pesquisadores mais interessados.

O inventário disponibilizado foi organizado cronologicamente e inclui livros, folhetos, matérias e artigos publicados em diversos periódicos, mas principalmente aqueles publicados pela revista do próprio IAHGP. Todos os documentos foram mantidos em sua ortografia original.[9]

Em 2017, em parceria com a Academia Pernambucana de Letras (APL), o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco promoveu sessão solene em homenagem ao Bicentenário da Revolução pernambucana de 1817. De entrada gratuita, as palestras foram ministradas pelo acadêmico Vamirech Chacon.[10]

Ainda em 2017, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, em parceria com o Museu da Cidade do Recife, localizado no Forte das Cinco Pontas, ponto turístico de Pernambuco, realizou exposição em homenagem a Revolução Pernambucana de 1817 e que tem duração de 12 de março até o final do ano. A exposição é dividida em cinco "eixos", e tem como objetivo caracterizar a Pernambuco de 1817, transmitindo as ideias que influenciaram a revolução.[11]

Obras e Peças[editar | editar código-fonte]

O museu obtém algumas obras e peças significativas para a história de Pernambuco[5], dentre elas estão:

  • Uma lápide com o brasão e a coroa portuguesa, que serviu de divisão entre as capitanias de Pernambuco e Itamaracá;
  • O busto de Frei Caneca;
  • O brasão de munições de Duarte Coelho;
  • O primeiro prelo no Jornal de Pernambuco;
  • O busto de Oliveira Lima;
  • Um canhão holandês feito em bronze;
  • O retrato de Maurício de Nassau;[5]
  • O busto de Alfredo de Carvalho;
  • Painéis sobre a Primeira e a Segunda Batalha dos Guararapes;
  • O retrato de Dom Pedro II;
  • Uma coleção numismática;
  • O busto de Mário Melo;
  • O retrato do Bispo Azeredo Coutinho;
  • Estampas do Recife Antigo;
  • Mobiliário Pernambucano de XIX;
  • O retrato de João Alfredo;
  • Manuscritos Raros de Pernambuco;
  • Pilares do Arco de Santo Antônio, que foi demolido;
  • O retrato do Conde da Boa Vista.

Em 2015, o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano iniciou um projeto que consiste na instalação de painéis nos bairros das Graças, Espinheiro, Boa Vista e Santo Antônio. Os painéis, feitos de azulejos, demarcam oito históricas ruas da cidade de Pernambuco. Além de informar o nome das ruas, as placas também contam com informações básicas, como um breve resumo sobre o significado e a origem dos nomes. Os painéis tem apoio cultural, e é financiado por empresas ou pessoas físicas.[12]

Referências

  1. a b c «Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano». Fundaj. Consultado em 25 de janeiro de 2017. 
  2. «A história de Pernambuco no Museu do Instituto Arqueológico» 
  3. Casseb Continentino, Marcelo (15 de abril de 2017). «A Revolução Pernambucana e os dilemas constitucionais, do passado e do presente». "Consultor Jurídico". Consultado em 28 de abril de 2017. 
  4. a b Barros, Isabella (7 de janeiro de 2017). «Revolução Pernambucana de 1817 inspira artistas a criar obras em homenagem ao movimento libertário». "Diário de Pernambuco. Consultado em 27 de abril de 2017. 
  5. a b c d e «Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 27 de abril de 2017. 
  6. a b «Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 30 de abril de 2017. 
  7. Menezes Ferreira, Lucio. «VESTÍGIOS DE CIVILIZAÇÃO: O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO E A CONSTRUÇÃO DA ARQUEOLOGIA IMPERIAL (1838-1870)» 
  8. «REVISTA DO INSTITUTO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO E GEOGRÁFICO PERNAMBUCANO.». Consultado em 30 de abril de 2017. 
  9. «Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, 1862-2012: uma bibilografia aos 150 anos.». Consultado em 30 de abril de 2017. 
  10. «Bicentenário da Revolução de 1817 ganha evento na APL - Roberta Jungmann - Acontece - Acontece». Folha - PE. Consultado em 1 de maio de 2017. 
  11. «História em quadrinhos, literatura e exposição celebram a revolução pernambucana». Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo 
  12. «Instituto Arqueológico identifica nome de ruas com placas de azulejo» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]