Insuficiência respiratória

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Insuficiência respiratória
Classificação e recursos externos
CID-10 J96
CID-9 518.81
DiseasesDB 6623
eMedicine med/2011
MeSH D012131

O termo insuficiência respiratória, em medicina, é usado para descrever a troca inadequada de gases pelo sistema respiratório, resultando numa incapacidade de manter os níveis de oxigénio e dióxido de carbono arteriais dentro dos níveis normais. Uma quebra na oxigenação é conhecido como hipoxemia: um aumento dos níveis arteriais de dióxido de carbono denomina-se hipercapnia.

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

A insuficiência pode ser classificada entre Tipo I (hipoxêmica), na qual a PaO2 é menor que 60 mmHg, e Tipo II (hipercápnica), quando a PaCo2 é maior que 50 mmHg. Pode ser encontrada também a IRP Tipo III, quase sempre em pós-operatórios, geralmente de cirurgias abdominais e torácicas, além da Tipo IV, associada a quadros de choque circulatório[1].

Insuficiência Respiratória Tipo I[editar | editar código-fonte]

É também conhecida como insuficiência alveolocapilar é caracterizada por hipoxemia, quando o a Pa02 é menor que 60 mmHg, no entanto a ventilação está normal, ou seja, o nível de PaCo2 está normal ou baixo. É a forma mais comum de IRP e podem estar associadas a todas as doenças que colapsem as unidades alveolares.

Algumas causas: Asma, fibrose pulmonar, bronquiectasia[1].

Pode-se diferenciar a IRP Tipo I em duas:

  1. Distributiva - Ocorre quando há uma desigualdade na relação Ventilação/Perfusão, tanto para mais quando para menos.
  2. Difusional - Ocorre quando o fenômeno de difusão está comprometido, podendo ser causada por aumento da espessura da barreira alveolocapilar, diminuição da área de troca gasosa, ou ainda pela diminuição da diferença da pressão parcial de oxigênio entre alvéolo e o sangue capilar pulmonar.

Insuficiência Respiratória Tipo II[editar | editar código-fonte]

É caracterizada por hipoventilação, ou seja, aumento da PaCo2 para mais de 45 mmHg, devido a falência respiratória. A hipoxemia é comum em pessoas com IRP tipo 2 que estejam respirando em ar ambiente. A diminuição da ventilação alveolar pode ser causada por redução do volume-minuto ou por aumento do espaço morto, sendo que a redução do volume minuto pode ser observada principalmente nas doenças neuromusculares e na depressão do sistema nervoso central e o aumento do espaço morto pode ser observada, principalmente, na enfisema pulmonar, quando há perda perda de áreas pulmonares disponíveis para troca gasosa[1].

A IRP Tipo II pode ser divida em:

  1. Neuromuscular - Ocorre quando algum dos componentes que integram o comando neuromuscular da ventilação está alterado, comprometendo a ventilação;
  2. Restritiva - se dá por limitação da biomecânica da caixa torácica, ou por perda da complacência do parênquima pulmonar;
  3. Obstrutiva - ocorre por obstrução da via aérea por corpo estranho, tumores, edema, ou por outras causas que bloqueiem essas vias.

Diferença entre IRP Tipo I e Tipo II[editar | editar código-fonte]

Tipo I Tipo II
Hipoxêmica Hipercapnica
PaO2 < 60 mmHg PaO2 normal ou baixa
PaCO2 normal ou baixa PaCo2 > 45 mmHg
Efeito Shunt Efeito Espaço Morto
Distúrbio Alveolocapilar Distúrbio de Ventilação

Insuficiência Tipo III[editar | editar código-fonte]

Conhecida também como IRP pós-operatória, geralmente de cirurgias torácicas e abdominais, é causada por problemas como atelectasia, devido a baixa capacidade residual, decorrente da alteração da mecânica toracoabdominal, além do efeito anestésico causado no sistema respiratório.

Insuficiência Tipo IV[editar | editar código-fonte]

Conhecido como IRP Circulatória, é causado pelo quadro de choque (cardiogênico, séptico e hipovolêmico), resultando na insuficiência na oferta de oxigênio aos principais órgãos e ao diafragma que, associado ao quadro de aumento de demanda metabólica, leva à sobrecarga da musculatura respiratória.

Alguns mecanismos da que envolvem a circulação podem estar alterados, acarretando déficits de remoção de CO2 ou principalmente, na entrega de O2 aos tecidos. O débito cardíaco pode estar diminuído, a concentração de hemoglobina pode estar reduzida e a capacidade de se ligar ao oxigênio estar comprometida[1].

Classificação[editar | editar código-fonte]

A Insuficiência pode ser classificada quanto ao tempo de instalação e a condição clinica[1]:

  • IRP Hipercápnica aguda - pode se desenvolver em minutos a horas, sendo o pH menro que 7,35. Clinicamente, a pessoa apresenta dispneia importante com sinais de desconforto respiratório, com uso da musculatura acessória, batimento da asa do nariz;
  • IRP Hipercápnica crônica - desenvolve-se ao longo de dias, permitindo tempo para a compensação renal e aumento de bicarbonato, desse modo, o pH é discretamente diminuído. Esse quadro é pouco perceptível e não altera de forma significativa a gasometria arterial, diferentemente da aguda, que é mais grave e altera de forma discrepante a gasometria. Alguns pacientes podem exacerbar o quadro e apresentar uma IRP Hipercapnica crônica agudizada, com sinais e sintomas do quadro agudo;
  • IRP Hipoxêmico aguda e crônica - não pode ser facilmente detectados baseando-se apenas na gasometria e o quadro clínico é mais intenso na forma aguda assim como a hipercapnica.

Causas[editar | editar código-fonte]

Raio-x torácicomostrando Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA)

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Ventilador Mecânico

O tratamento de emergência seque os princípios da ressuscitação cardiopulmonar. O tratamento da causa subjacente é necessário intubação endotraqueal e ventilação mecânica podem ser necessários. Estimulantes respiratórios como o doxaprampodem ser usados, e se a insuficiência respiratória resultou de uma overdose de drogas sedativas como opioides ou benzodiazepinas, então um antídoto como a naloxona ou oflumazenil deverá ser dado

Pode ser utilizado a ventilação não Invasiva, por meio de suporte de pressão positiva nas vias aéreas[3].

Referências

  1. a b c d e Sarmento, George Jerre Vieira. Tratado de fisioterapia hospitalar: Assistência integral ao paciente Editora Atheneu. 1ª Edição [S.l.] pp. 35 – 42. ISBN 9788538802181. 
  2. Johnson SB (2008). «Tracheobronchial injury». Seminars in Thoracic and Cardiovascular Surgery [S.l.: s.n.] 20 (1): 52–57. doi:10.1053/j.semtcvs.2007.09.001. PMID 18420127. 
  3. M.A. SCARPINELLA-BUENO, C.M. LLARGES, A.M. ISOLA, M.A. HOLANDA, R.T. ROCHA, J.E. AFONSO. . "Uso do suporte ventilatório com pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP) por meio de máscara nasofacial no tratamento da insuficiência respiratória aguda". Rev Ass Med Brasil 1997; 43(3): 180-4.