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Insurgência Naxalita

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Insurgência Naxalita

Mapa mostrando os distritos onde o movimento naxalita está ativo (2007)
Data1967– presente
LocalCorredor Vermelho
DesfechoConflitos em andamento.
Beligerantes
 Índia
Apoiado por:

Grupos paramilitares de direita:

Naxalitas
Comandantes
Draupadi Murmu
VK Singh
PV Naik
Vikram Srivastava
Ganapathy
Anand
Kosa
Ankit Pandey
Kishenji  
Sabyasachi Panda (capturado)
Prashant Bose (capturado)
Yalavarthi Naveen Babu  
Narmada Akka  
Shamsher Singh Sheri 
Forças
80,000 6,500–9,500 membros da milícia
Baixas
Desde 1999: 2,461 mortos Desde 1999: 2,708 mortos

A insurgência Naxalita é um conflito armado em curso [8] entre os grupos maoístas, conhecidos como naxalitas ou Naxals, e o governo da Índia .[9]

A insurgência começou como uma revolta camponesa no vilarejo indiano de Naxalbari em 1967 e atualmente tem se espalhado para uma grande área na parte central e o leste do país, conhecido como "Corredor Vermelho".[10] O conflito em sua forma atual começou após a formação, em 2004, do Partido Comunista da Índia (Maoista) (PCI-Maoista), um grupo rebelde composto pelo Grupo de Guerra Popular e o Centro Comunista Maoista. Em janeiro de 2005, as negociações entre o governo do estado de Andhra Pradesh e o PCI-Maoista foram interrompidas e os rebeldes acusaram as autoridades de não atender suas demandas por uma trégua escrita, libertação de prisioneiros e redistribuição de terras.[11] O conflito ocorria em um vasto território (cerca de metade dos 29 estados da Índia), com centenas de pessoas sendo mortas anualmente em confrontos entre o PCI-Maoista e o governo todos os anos desde 2005.[11][12]

O braço armado dos naxalitas-maoístas é chamado de Exército de Guerrilha da Libertação do Povo e estima-se que tenha entre 6 500 e 9 500 quadros, a maioria armados com armas de pequeno porte. [11][13]

Em 2006, o primeiro-ministro Manmohan Singh chamou os naxalitas de "o maior desafio de segurança interna único que nunca enfrentado por nosso país." [9] Em 2009, ele disse que o país estava "perdendo a batalha contra os rebeldes maoístas".[14]

A pretensão dos naxalitas é serem apoiados por populações rurais mais pobres, especialmente os dalits e adivasis.[15] Frequentemente atacam a polícia tribal e funcionários do governo em uma ação na qual reivindicam ser uma luta pela melhoria dos direitos à terra e mais empregos para os trabalhadores agrícolas negligenciados e para os pobres,[16] seguindo uma estratégia de revolta rural semelhante ao da guerra popular prolongada contra o governo.[17]

No entanto, são frequentes os assassinatos de aldeões,[18][19][20] que são acusados de proteger operações de mineração ilegal em troca de dinheiro,[21] e ataques a escolas e projetos de infra-estrutura.[22][23][24] Os naxalitas também foram acusados pelas Nações Unidas e outras organizações de recrutamento de crianças de até seis anos de idade.[25] Outras acusações referem-se ao uso de crianças e mulheres como escudos humanos[26] e a estupros cometidos contra mulheres de áreas rurais e tribais. [27]

A guerrilha naxalita conta com um importante apoio nas regiões onde está presente. De acordo com um estudo realizado pelo jornal The Times of India em 2010, 58% das pessoas que vivem nessas áreas têm uma percepção positiva da guerrilha, contra apenas 19% do governo.[28]

Em fevereiro de 2009, o governo central indiano anunciou uma nova iniciativa nacional chamada de Plano de Ação Integrado para amplas operações coordenadas destinadas a lidar com o problema naxalita em todos os estados afetados, nomeadamente Karnataka, Chhattisgarh, Odisha, Andhra Pradesh, Maharashtra, Jharkhand, Bihar, Uttar Pradesh e Bengala Ocidental. Este plano incluía o financiamento de projetos de desenvolvimento econômico grassroots em áreas afetadas pelos naxalitas, bem como o aumento do financiamento especial da polícia para melhor contenção e redução da influência naxalita. [29][30] Após o primeiro ano completo de implementação desse programa nacional, Karnataka foi removido da lista de estados afetados pela atividade naxalita em agosto de 2010.[31] Em julho de 2011, o número de áreas afetadas por naxalitas foi reduzida para (incluindo a inclusão proposta de 20 distritos) 83 distritos em nove estados.[32][33][34] Em dezembro de 2011, o governo nacional informou que o número de mortes e feridos relacionados aos naxalitas em todo o país diminuiu quase 50% em relação aos níveis de 2010.

Em 2010, o ministro do Interior da Índia, Gopal Krishna Pillai, declarou reconhecer que há reivindicações legítimas no que diz respeito ao acesso da população local as áreas florestais e a produção e distribuição dos benefícios da mineração e da energia hidrelétrica, porém afirma que que os naxalitas planejam a longo prazo a criação de um estado marxista. Igualmente afirmou que o governo decidiu confrontar os naxalitas e recuperar grande parte das áreas perdidas.[35]

A insurgência naxalita-maoísta ganhou atenção da mídia internacional depois que um ataque naxalita em 2013 no vale de Darbha resultou na morte de cerca de 24 líderes do Congresso Nacional Indiano, incluindo o ex-ministro de Estado Mahendra Karma e o chefe do Congresso Chhattisgarh Nand Kumar Patel.[36]

Atualmente, a rebelião está em declínio, abalada pelos golpes das forças de segurança. Bastar (em Chhattisgarh, no centro da Índia), cuja população é composta majoritariamente por adivasis – os aborígenes da Índia –, é hoje seu último bastião. Os aborígenes, que estão entre as populações mais pobres e marginalizadas do país, fornecem a maior parte dos combatentes da insurreição. Os insurgentes retiraram-se para densas florestas, onde são perseguidos pelas autoridades. O governo indiano afirma ter circunscrevido a insurreição a cerca de 45 distritos em 2023, contra 96 em 2010.[37]

No entanto, as autoridades cometem frequentes abusos contra a população civil na sua luta contra os naxalitas. Em 17 de maio de 2021, uma manifestação de camponeses indígenas foi brutalmente reprimida, causando 3 mortos e 250 feridos. Em 20 de junho de 2021, a polícia matou 17 aldeões, incluindo sete crianças, durante uma operação antiguerrilha, e depois os apresentou falsamente como rebeldes. Mas as piores atrocidades são atribuídas à milícia Salwa Judum, que entre 2005 e 2011 multiplicou as operações punitivas em certas aldeias consideradas pró-maoístas, saqueando e violando muitas pessoas, antes de ser dissolvida por decisão do Supremo Tribunal.[37]

Uma parte significativa dos combatentes naxalitas são mulheres. Nos estados de Maharashtra e Chhattisgarh, elas representam 40% das forças rebeldes, segundo as autoridades.[38]

Ver também

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Referências

  1. Namrata Goswami (27 de Novembro de 2014). Indian National Security and Counter-Insurgency: The use of force vs non-violent response. [S.l.]: Routledge. pp. 126–. ISBN 978-1-134-51431-1 
  2. «A new twist to Ranvir Sena killings». Cópia arquivada em 30 de Abril de 2018 
  3. Narula, Smita; (Organization), Human Rights Watch (1999). Broken People: Caste Violence Against India's "untouchables". [S.l.: s.n.] ISBN 9781564322289. Cópia arquivada em 25 de dezembro de 2017 
  4. a b c d «Pakistan and the Naxalite Movement in India». Stratfor. 18 de Novembro de 2010. Cópia arquivada em 30 de março de 2018 
  5. a b «A crackdown in Tamil Nadu». Frontline. 20 de dezembro de 2002 
  6. "Philippine reds export armed struggle" Arquivado em 2012-04-14 no Wayback Machine. Atimes.com. 22 April 20104.
  7. «'Bangla Maoists involved in plan to target PM'». The Sunday Guardian. 9 de Junho de 2018. Cópia arquivada em 7 de Setembro de 2018 
  8. «India's Naxalites: A spectre haunting India». The Economist. 12 de abril de 2006. Consultado em 13 de julho de 2009 
  9. a b «Armed Conflicts Report - India-Andhra Pradesh». Ploughshares.ca. Consultado em 13 de julho de 2009 
  10. By FRANCE 24 (with wires)  (text). «Indian Maoists briefly hijack train during national elections». France 24. Consultado em 13 de julho de 2009. Arquivado do original em 2 de novembro de 2009 
  11. a b c Uppsala Conflict Data Program, Conflict Encyclopedia, India: government, Government of India - CPI-Maoist, Formation of CPI-Maoist and continued conflict «Cópia arquivada». Consultado em 20 de julho de 2019. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2013 
  12. Handoo, Ashook. «Naxal Problem needs a holistic approach». Press Information Bureau. Arquivado do original em 8 de setembro de 2009 
  13. «Primer: Who are the Naxalites?: Rediff.com news». Us.rediff.com. Cópia arquivada em 4 de Maio de 2009 
  14. «India is 'losing Maoist battle'». BBC News. 15 de setembro de 2009. Consultado em 20 de maio de 2010 
  15. «Primer: Who are the Naxalites?: Rediff.com news». Us.rediff.com. Consultado em 13 de julho de 2009 
  16. «CENTRAL/S. ASIA - 'Maoist attacks' kill Indian police». Al Jazeera English. 15 de março de 2007. Consultado em 13 de julho de 2009 
  17. «Communists Fight in India « Notes & Commentaries». Mccaine.org. Consultado em 13 de julho de 2009 
  18. 150 Naxals attack village, kill 10 in Bihar - MSN News[ligação inativa] 18 de fevereiro de 2010.
  19. The Hindu | News - National | Naxals kill six villagers in Chhattisgarh 16 de maio de 2010.
  20. Naxals kill 2 villagers - World News 17 de abril de 2011.
  21. NDTV - Naxals turn mining mafia in Jharkhand 20 de abril de 2010.
  22. UN expresses concern over Naxals targetting school - Rediff.com India News 12 de maio de 2011.
  23. Naxals attack school building at Taliya - Times Of India 18 de novembro de 2009.
  24. Naxal attack near tribal school 2 students among 4 killed 8 de outubro de 2010.
  25. Naxals increasingly using child soldiers to swell its ranks | North India Today 8 de maio de 2011.
  26. Maoists Using Children, Women as Shields: CRPF, news.outlookindia.com (25 de maio de 2011)
  27. State to rehabilitate abused naxal women - The Times of India (21 de novembro de 2010)
  28. «58% in AP say Naxalism is good, finds TOI poll». The Times of India. 28 de setembro de 2010 
  29. «Special project for Naxal areas to be extended to 18 more districts». The Times Of India. India. 8 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 29 de Abril de 2013  Times of India describes some details of ongoing nationwide Naxalite containment program, its "Integrated Action Plan".
  30. Co-ordinated operations to flush out Naxalites soon Arquivado em 2009-02-10 no Wayback Machine The Economic Times, 6 de fevereiro de 2009.
  31. «Karnataka no longer Naxal infested». The Times Of India. India. 26 de agosto de 2010. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2011 
  32. Centre to declare more districts Naxal-hit Arquivado em 2014-01-07 na WebCite. Indian Express (2011-07-05).
  33. Press Information Bureau English Releases Arquivado em 2012-09-05 no Wayback Machine. Pib.nic.in. Retrieved on 2014-05-21.
  34. «Development plan for Naxal-hit districts shows good response». The Times Of India. India. 23 de junho de 2011. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2011 
  35. 'Maoists looking at armed overthrow of state by 2050' - The Times of India 6 de março de 2010.
  36. «Kidnapped Chhattisgarh Cong chief, son found dead». The Hindu. 26 de maio de 2013. Cópia arquivada em 10 de Junho de 2013 
  37. a b «On the trail of India's last Maoist rebels» (em inglês). 29 de abril de 2023 
  38. «'40% of armed Maoists in Chhattisgarh, Maharashtra region are women'». Hindustan Times (em inglês). 15 de agosto de 2021