Insurgência talibã

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Guerra atual
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Insurgência talibã
Guerra no Afeganistão (2001-presente),
Guerra Civil do Afeganistão
Insurgents Lay Down Weapons.jpg
Antigos insurgentes talibãs entregando suas armas.
Data 2002 - presente
Local Afeganistão
Desfecho Conflito em curso
Combatentes
 Afeganistão

Milícias aliadas:

Coalizão:


 Estados Unidos
 Reino Unido
 Canadá
 Austrália
Afeganistão Taliban

Apoiado por:
 Paquistão[5] [6]

 Irã[8] [9] (disputado)[10]


Grupos aliados:


Grupos dissidentes do Taliban:

Comandantes
Estados Unidos William J. Fallon,
Estados Unidos Dan McNeill,
Alemanha Egon Ramms,
Países Baixos Ton van Loon
Canadá Guy Laroche,
Afeganistão Bismillah Khan Mohammadi,
Afeganistão Hamid Karzai,
Afeganistão Mohammed Fahim,
Afeganistão Abdul Rashid Dostum
Afeganistão Ashraf Ghani
Flag of Taliban.svg Mohammed Omar
Flag of Taliban.svg Akhtar Mansoor,
Flag of Taliban.svg Obaidullah Akhund,
Flag of Taliban.svg Mulá Dadullah,
Flag of Taliban.svg Jalaluddin Haqqani,
Flag of al-Qaeda in Iraq.svg Osama bin Laden,
Flag of Jihad.svg Ayman al-Zawahiri,
Gulbuddin Hekmatyar
Baixas
Coalizão:
1.895 mortos
1 capturado (EUA)
11.190+ feridos
Forças de segurança afegãs: 6.500+ mortos, centenas capturados
15.000+ mortos, 1.000+ capturados (est.)[12]

A insurgência talibã iniciou-se logo após queda do regime Talibã na sequência da Guerra no Afeganistão em 2001. Os talibãs continuaram a combater as tropas do novo governo afegão, e outras tropas dos Estados Unidos e da OTAN sob a ISAF, além de muitos incidentes terroristas atribuídos a eles serem registados. A Al-Qaeda está estreitamente associada à sua atividade. A insurgência também se espalhou em certa medida ao longo da fronteira da Linha Durand para o vizinho Paquistão, em particular a região do Waziristão e Khyber Pakhtunkhwa, na Guerra no Noroeste do Paquistão. O Talibã conduz uma guerra de baixa intensidade contra civis, as forças de segurança afegãs e seus instrutores da OTAN. Países da região, particularmente o Paquistão e o Irã, são frequentemente acusados de financiar e apoiar os grupos insurgentes.[13] [14] [15] [16] [17] [18] [19]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Talibã surgiu na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão no final da década de 1980 como um grupo armado, período em que o Afeganistão estava sob ocupação soviética (1979-1989), reunindo pashtuns (maioria étnica da população afegã) que resistiam à presença soviética no Afeganistão. O governo paquistanês esteve diretamente envolvido na fundação e fortalecimento do Talibã. No período, Islamabad deu apoio direto e indireto ao movimento radical e treinou combatentes no Afeganistão; os Estados Unidos visando prejudicar a União Soviética, devido a Guerra Fria, forneceram apoio financeiro ao movimento.

O Talibã chegaria ao poder em 1996, vitorioso na guerra civil entre grupos islâmicos que se seguiu à retirada soviética, em 1989; e instauraria um governo de terror, impondo a sharia: oprimindo mulheres, perseguindo minorias étnicas, promovendo expurgos e implodindo as estátuas dos Budas de Bamiyan, patrimônio da humanidade.

Em 2001, após os atentados de 11 de setembro, o regime foi deposto por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar membros da al-Qaeda, incluindo seu líder Osama bin Laden. [20]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Após fugir das forças dos Estados Unidos durante todo o verão de 2002, os talibãs remanescentes começaram gradualmente a recuperar a sua confiança e lançar a insurgência que Mulá Mohammed Omar havia prometido durante os últimos dias do Talibã no poder. Durante setembro de 2002, as forças talibãs iniciaram uma campanha de recrutamento em áreas pashtuns no Afeganistão e no Paquistão para lançar uma "jihad" renovada ou lutar contra o governo afegão e a coalizão liderada pelos Estados Unidos. Panfletos distribuídos secretamente à noite também começaram a aparecer em muitas aldeias no antigo reduto talibã no sudeste do Afeganistão. Pequenos campos de treinamento móveis foram estabelecidos ao longo da fronteira com o Paquistão por fugitivos da al-Qaeda e do Talibã para treinar novos recrutas em táticas de guerra de guerrilhas, segundo fontes afegãs e um relatório das Nações Unidas. A maioria dos novos recrutas foram retirados das madrassas ou escolas religiosas das áreas tribais do Paquistão, de onde o Talibã tinha inicialmente surgido. As principais bases, algumas com cerca de 200 homens, foram criadas nas áreas tribais montanhosas do Paquistão no verão de 2003. A determinação dos paramilitares paquistanesas estacionados nos postos fronteiriços para evitar essa infiltração foi posta em causa, e as operações militares paquistanesas provaram de pouca utilidade.

O desvio de foco e de atenção por parte da administração de George W. Bush devido a Guerra do Iraque, a topografia e o isolamento do local, a profunda desconfiança paquistanesa com os Estados Unidos, e o fortalecimento da al-Qaeda na região, favoreceram o aumento da insurgência talibã, o que tornou-se um empecilho para os Estados Unidos. Outro problema é a produção ópio, uma vez que a atual insurreição depende da venda de ópio para comprar armas, formar os seus membros, e comprar apoio. Em 2001, o Afeganistão produziu apenas 11% do consumo mundial de ópio, e atualmente produz 93% da produção mundial, e o comércio de drogas é responsável por metade do PIB do Afeganistão. [21]

A porosa região fronteiriça entre o Afeganistão e o Paquistão, controlada por lideres tribais da etnia pashtun, é um bastião do grupo islâmico Talibã e da al-Qaeda, e o Paquistão é acusado de fazer "vista grossa" aos extremistas islâmicos do Talibã. Os Estados Unidos estão insatisfeitos com a permissividade na fronteira afegã-paquistanesa, onde há focos de militantes do Talibã e al-Qaeda agindo livremente, bem como as operações militares paquistanesas que se revelaram de pouca utilidade. O ISI (serviço secreto paquistanês) é acusado de manter estreitos laços com radicais islâmicos e de colaborar com os insurgentes.

O Afeganistão tem enfrentado um aumento da violência sem precedentes. A ONU calcula que em 2007 cerca de 1500 civis foram mortos em bombardeios, 50% a mais que no ano anterior. Entre 2007 e 2008, houve um aumento de 40% no número de mortos.

Com a eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, mudou-se o foco da ação militar global da Guerra ao Terror do Iraque para a fronteira Afeganistão-Paquistão. O "Plano Obama" previa a derrota da al-Qaeda no Afeganistão e Paquistão, ajuda financeira ao Paquistão, aumento da presença militar dos Estados Unidos no Afeganistão e negociar com os membros moderados do Talibã com o objetivo de torná-los um partido político. [22] [23]

O líder do Talibã, Mulá Omar, lidera o Quetta Shura. A Rede Haqqani, Hezbi Islami, e grupos menores da al Qaeda também se juntaram à insurgência. [24] Eles costumam usar ataques terroristas em que as vítimas são geralmente civis afegãos. De acordo com relatórios das Nações Unidas e outros, os insurgentes foram responsáveis por 75-80% das mortes de civis entre 2009 e 2011. [25] [26] [27]

Após maio de 2011, a morte de Osama bin Laden no Paquistão, muitas figuras afegãs proeminentes foram assassinadas pelos insurgentes, incluindo Mohammed Daud Daud, Ahmed Wali Karzai, Jan Mohammad Khan, Ghulam Haider Hamidi, Burhanuddin Rabbani e outros.[28] Em resposta a isso, as grandes operações foram iniciadas dentro do Afeganistão contra os insurgentes. Estas destinam-se a interromper as redes dos insurgentes e forçá-los à mesa de negociação.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b "Afghanistan's warlord vice-president spoiling for a fight with the Taliban". The Guardian. 4 August 2015. 
  2. Ibrahimi, Niamatullah. 2009. ‘Divide and Rule: State Penetration in Hazarajat (Afghanistan) from Monarchy to the Taliban’, Crisis States Working Papers (Series 2) 42, London: Crisis States Research Centre, LSE
  3. "News – Resolute Support Mission". 
  4. The Taliban’s new leadership is allied with al Qaeda, The Long War Journal, July 31, 2015
  5. "How Pakistan Is Tightening Its Grip on the Taliban". The National Interest. 15 August 2015. 
  6. "Pakistani intelligence helping Taliban: NATO report". ABC. 2 February 2012. 
  7. "Afghanistan: Pakistan army denies backing Taliban". ABC. 27 October 2011. 
  8. "Iran Backs Taliban With Cash and Arms". The Wall Street Journal. 11 June 2015. 
  9. "Why the Taliban murdered their own leader and the terrifying fallout now threatening the West". The Mirror. 21 August 2015. 
  10. "Envoy Says Tehran Doesn't Give Afghan Taliban Weapons or Funding". The Wall Street Journal. 18 June 2015. 
  11. "Central Asian groups split over leadership of global jihad". The Long War Journal. 24 August 2015. 
  12. Eric Schmitt e Tim Golden (17 de maio de 2008). "U.S. Planning Big New Prison in Afghanistan". The New York Times [S.l.: s.n.] Consultado em 24-5-2010. 
  13. "Isaf Seizes Iranian Weapons in Nimroz". rawa.org. 
  14. "Is Iran Supporting the Insurgency in Afghanistan?". The Jamestown Foundation. 
  15. "Iran still supporting Afghan insurgency-U.S.". Reuters. 
  16. "U.S. blames Pakistan agency in Kabul attack" Reuters [S.l.] 22 September 2011. 
  17. "U.S. links Pakistan to group it blames for Kabul attack" Reuters [S.l.] 17 September 2011. 
  18. "Clinton Presses Pakistan to Help Fight Haqqani Insurgent Group" Fox News [S.l.] 18 September 2011. 
  19. "Pakistan condemns US comments about spy agency" [S.l.: s.n.] Associated Press. 23 September 2011. 
  20. Guerra no Afeganistão fortaleceu Taleban; saiba mais sobre o grupo - Folha de S. Paulo
  21. July 27, 2008. Taliban Insurgency Funded by Poppy and Marble
  22. Obama quer "estratégia de saída" do Afeganistão - Folha de S. Paulo
  23. Taleban pode virar partido, dizem EUA - Folha de S. Paulo
  24. Our Man in Kabul? by Michael Crowley, tnr.com, 9 de março de 2010
  25. "UN: Taliban Responsible for 76% of Deaths in Afghanistan". The Weekly Standard [S.l.: s.n.] 10 de agosto de 2010. 
  26. "Citing rising death toll, UN urges better protection of Afghan civilians". United Nations Assistance Mission in Afghanistan [S.l.: s.n.] 9 de março de 2011. 
  27. Haddon, Katherine (6 de outubro de 2011). "Afghanistan marks 10 years since war started" AFP [S.l.] 
  28. "President Karzai Address to the Nation on Afghanistan's Peace Efforts". The Embassy of Afghanistan in Washington, DC.