Intervenção militar no Iêmen em 2015
| Intervenção militar no Iêmen | |||
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| Parte da Guerra Civil Iemenita e da Rebelião Houthi no Iêmen | |||
Situação do Iêmen:
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| Data | Operação Tempestade Decisiva: 25 de março de 2015 - 21 de abril de 2015 Operação Restaurando a Esperança: 22 de abril de 2015 - presente |
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| Desfecho | Em andamento | ||
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| Entre 760 e 1 080 pessoas mortas no período da intervenção[24] [25] 150 000 pessoas deslocadas de suas casas[26] |
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A Intervenção militar no Iêmen (português brasileiro) ou Iémen (português europeu) é uma ação armada feita por uma coalizão (coligação, em português europeu) de países (liderados pela Arábia Saudita) no Iêmen, começando em março de 2015. Os sauditas deram à ação o codinome (nome de código, em português europeu) Operação Tempestade Decisiva (em árabe: عملية عاصفة الحزم).[27] Desde 2011, após uma revolução que acabou com a ditadura do marechal Ali Abdullah Saleh, o Iêmen vive em profunda instabilidade interna. O país quase que imediatamente mergulhou em um profundo caos, onde a violência política, sectária e religiosa se espalhou pela nação. Entre setembro de 2014 e fevereiro de 2015, a milícia xiita houthi lutou e conseguiu derrubar o governo do general Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi. O presidente fugiu da capital, renunciando ao seu cargo, tomando refúgio na cidade costeira de Áden. Frente à aproximação de forças houthis, Hadi fugiu novamente, na virada do dia 25 para 26 de março de 2015, para a Arábia Saudita. Imediatamente, militares sauditas lançaram uma série de ataques aéreos contra o oeste e o norte do Iêmen, mirando os houthis e em milícias simpatizantes (ou antigoverno).[28] [29]
Após os primeiros ataques aéreos sauditas, uma coalizão se formou. Aviões de guerra do Egito, Marrocos, Jordânia, Sudão, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Bahrain também lançaram seus próprios ataques. Em apoio à Arábia Saudita, que enviou também soldados de infantaria para a região, os egípcios e jordanos também mobilizaram forças terrestres. O Paquistão, apesar de nutrir hostilidade contra os houthis, decidiu permanecer neutro mas tacitamente apoiou a intervenção.[2] O governo do Irã condenou os ataques. Segundo fontes de inteligência locais e do Ocidente, os iranianos apoiam, militar e financeiramente, as milícias houthis.[30]
Os ataques aéreos da coalizão árabe atingiram alvos dos houthis em várias localidades no Iêmen, mas principalmente nas regiões oeste e norte. A capital Saná, que está em mãos dos rebeldes xiitas desde o começo de 2015, foi uma das cidades mais atingidas nos bombardeios. Os aliados afirmaram que expandiriam suas ações militares na região, sob o pretexto de trazer novamente a estabilidade ao Golfo Pérsico.[29]
Somente no dia 27 de março, já haviam morrido mais de 34 civis nos bombardeios.[31] No começo de abril, apesar dos intensos ataques aéreos e de altas fatalidades infligidas, o sucesso da intervenção parecia longe de certo, já que os houthis continuavam avançado. Enquanto isso, grupos extremistas como a Ansar al-Sharia (ligada a al-Qaeda) exploravam a situação caótica no país para aumentar sua área de influência e controle.[32]
Em meados de abril, com a intensificação dos ataques aéreos, o Irã, principal aliado dos rebeldes Houthis, enviaram para a região pelo menos nove navios de guerra para a região que supostamente levariam armas aos seus aliados. Os Estados Unidos, em apoio aos países do Golfo que combatem os Houthis, enviaram o porta-aviões USS Theodore Roosevelt (CVN-71), junto com outros dois navios, para tentar barrar a chegada das embarcações iranianas, em um movimento que ameaçava escalar o conflito.[33] Dias depois, o comboio de navios iranianos deu meia volta e retornaram ao seu porto de origem sem desembarcar sua carga no Iêmen.[34]
Em 21 de abril de 2015, a Arábia Saudita anunciou que encerraria suas missões de combate no Iêmen,[35] afirmando que seus objetivos de garantir a segurança da península já haviam sido alcançados.[36] A Coalizão regional afirmou que substituiria as investidas militares por esforços de paz por meio de ações políticas e sociais, mas não descartaram novos bombardeios no futuro. A nova missão foi batizada de Operação Restaurando Esperança (em árabe: عملية إعادة الأمل). [37] [38] Enquanto isso, o conflito no Iêmen não diminuía de intensidade, com diversas facções se digladiando por supremacia.
Apesar das autoridade sauditas terem dito que o fim da operação tempestade decisiva encerraria os bombardeios, eles se reservariam ao direito de atacar o país vizinho, se necessário. De fato, ataques aéreos contra o Iêmen por aviões da Arábia Saudita e seus aliados do golfo pérsico voltaram a acontecer logo em seguida a declaração de que o conflito havia entrado em uma nova fase.[39]
Crise humanitária[editar | editar código-fonte]
Segundo a Human Rights Watch, a coalizão liderada pela Arábia Saudita e integrada por Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Qatar e Sudão realizou ataques aéreos indiscriminados a alvos civis, como um laticínio, onde morreram 31 trabalhadores. Além de fábricas dedicadas a fins civis, os ataques também destruíram bairros residenciais. Um centro de armazenamento da Oxfam, onde eram guardados mantimentos e material para ajuda humanitária, também foi atingido.[carece de fontes]
Durante a Operação Tempestade Decisiva, 1.080 pessoas foram mortas, sendo a maioria constituída de civis; outras 4.352 pessoas ficaram feridas e cerca de 150.000 foram deslocadas dos seus lares, o que cria uma situação de crise humanitária de grande escala no país.[26] [37]
Referências
- ↑ a b c d e Gulf Arabs say they are defending Yemen against aggression The Daily Star. Visitado em 30 de março de 2015.
- ↑ a b c d e f "Egypt, Jordan and Sudan ready for ground offensive in Yemen.: report", 26 de março de 2015. Página visitada em 28 de março de 2015.
- ↑ "U.S. Confirms It Is Supporting Saudi Military Operations In Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Pakistan agrees to send ships to block arms shipments to Yemen rebels". Página acessada em 22 de abril de 2015.
- ↑ "Iran-Backed Houthi Militants Seize Sensitive US Intelligence Documents In Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ ‘Decisive Storm’ besieges Houthis The Daily Star Newspaper - Lebanon. Visitado em 28 de março de 2015.
- ↑ a b "Saudi Arabia launches airstrikes in Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ a b c d e f "Saudi ‘Decisive Storm’ waged to save Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Four Egyptian warships en route to Gulf of Aden", Ahram Online. Página visitada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Egypt navy and air force taking part in military intervention in Yemen: Presidency", Ahram Online. Página visitada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Sudan denies plane shot down by Yemen's Houthis", 28 de março de 2015. Página visitada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Thousands Expected to die in 2010 in Fight against Al-Qaeda". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "'122 Saudis' killed, 'over 1000' injured in Yemen war".
- ↑ "Saudi soldier killed by Yemen fire, one dead in crash".
- ↑ "U.S. Rescues Two Saudi Fighter Pilots After Splashdown Near Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Saudi Soldier Killed in Exchange of Fire With Yemen Rebels".
- ↑ "Two Saudi pilots killed in crash near Yemen".
- ↑ WAM. UAE loses another soldier in Saudi-led Operation Hope – Khaleej Times khaleejtimes.com.
- ↑ "Moroccan F-16 jet from Saudi-led coalition in Yemen crashes", Reuters UK. Página visitada em 11 de maio de 2015.
- ↑ "Yemeni air defense unit downs Saudi jetfighters". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "اسقاط طائرة سودانية في صنعاء والقبض على الطيار". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Houthis shoot down 'hostile' drone in Yemen's capital". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "20 dead as rebels advance in heart of Yemen's Aden". Página acessada em 28 de abril de 2015.
- ↑ "Saudi tightens mall security after alert – Yemen violence death toll tops 1,000". Página acessada em 24 de abril de 2015.
- ↑ "U.S. trying to restrain Saudi Arabia on deadly Yemen airstrikes". Página acessada em 24 de abril de 2015.
- ↑ a b "Former president defiant as humanitarian toll mounts in Yemen war". Página acessada em 22 de abril de 2015.
- ↑ "Saudi warplanes bomb Houthi positions in Yemen", Al Arabiya, 25 de março de 2015. Página visitada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Yemeni's Abed Rabbo Mansour Hadi arrives in Saudi capital". Página visitada em 26 de março de 2015.
- ↑ a b "Arábia Saudita inicia ataques contra rebeldes xiitas no Iêmen". Página acessada em 30 de março de 2015.
- ↑ "Iran condemns Saudi Arabia's air strikes in Yemen". Página acessada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Yemen: Saudi-Led Airstrikes Take Civilian Toll", HRW. Página visitada em 29 de março de 2015.
- ↑ "Saudi Leaders Have High Hopes for Yemen Airstrikes, but Houthi Attacks Continue". Página acessada em 7 de abril de 2015.
- ↑ "U.S. aircraft carrier sent to Yemen in response to Iran". Página acessada em 20 de abril de 2015.
- ↑ "Iranian Ships Turn Back From Yemen After Standoff". Página acessada em 23 de abril de 2015.
- ↑ "Yemen conflict: Saudi Arabia ends air campaign", BBC, 21 de abril de 2015.
- ↑ "Yemen conflict: Iran urges aid effort as Saudi air strikes end", BBC. Página visitada em 22 de abril de 2015.
- ↑ a b Arábia Saudita bombardeia Iêmen e depois oferta "ajuda" milionária. Carta Maior, 27 de abril de 2015
- ↑ With military objectives achieved, focus shifts to the political process. Visitado em 22 de abril de 2015.
- ↑ "Yemen conflict: Saudis launch new air strikes on rebels", BBC, 23 de abril de 2015.