Ion Antonescu

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Ion Antonescu
Presidente da Romênia
Período 4 de Setembro de 1940
a 23 de agosto de 1944
Antecessor(a) Ion Gigurtu
Sucessor(a) Iuliu Maniu
Dados pessoais
Nascimento 15 de junho de 1882
Piteşti
Morte 1 de junho de 1946 (63 anos)
Jilava
Cônjuge Maria Antonescu
Partido nenhum, aliado à Guarda de Ferro
Profissão militar

Ion Victor Antonescu (Piteşti, 15 de junho de 1882Jilava, 1 de junho de 1946) foi um político romeno, primeiro-ministro e "conducător" (condutor) de seu país durante a Segunda Guerra Mundial de 4 de setembro de 1940 a 23 de agosto de 1944.[1][2]

Vida e carreira militar[editar | editar código-fonte]

Antonescu nasceu em uma família burguesa de tradições militares. Ele serviu em escolas militares em Craiova e Iaşi, graduou-se na Escola de Cavalaria em 1904 e na Academia Militar em 1911.[2]

Como tenente, Antonescu participou da repressão de uma revolta de camponeses em 1907 nos arredores da cidade de Galati. Em 1913 lutou na Guerra dos Balcãs contra a Bulgária. Nesse momento o exército búlgaro lutava contra os sérvios e gregos, a entrada a Romênia forçou a Bulgária a pedir a paz. Como resultado da guerra o território do quadrilátero (parte meridional da Dobruja) passou a fazer parte da Romênia. Antonescu recebeu a mais alta condecoração militar da Romênia.[2]

Antonescu atuou no exército romeno durante a Primeira Guerra Mundial. Em agosto de 1916 o exército romeno cruzou as montanhas do Cárpatos, numa tentativa de capturar a Transilvânia (território que pertencia ao Império Austro-Húngaro, porém era majoritariamente habitado por romenos), mas sua ofensiva foi interrompida pelo exército austro-húngaro com ajuda alemã.[2]

O desastre na batalha,mostrou que as tropas romenas não estavam prontas para a guerra. As tropas alemãs e búlgaras pressionavam por Dobruja e as tropas russas recuava,(suas ordens eram para proteger a linha do Danúbio) o que acabou por forçar as tropas romenas a se retirarem da Transilvânia e defender as bordas do Cárpatos.[2]

Depois que inimigo cruzou as montanhas, Antonescu recebeu ordens para criar um plano de defesa para a capital romena, Bucareste. A batalha na capital foi perdida - o exército inimigo capturou um oficial romeno que possuía os planos para a batalha. A corte real romena, o exército e políticos foram forçados a recuarem para a Moldávia. Antonescu participou da defesa da Moldavia em 1917, quando o exército romeno, liderado pelo General Alexandru Averescu e instruído pelos franceses, tentava parar o avanço das tropas alemãs, lideradas pelo marechal-de-campo Mackensen.[2]

Naquele outono, a Revolução de Outubro na Rússia removeu do conflito o principal aliado da Roménia, o Governo Provisório Russo. Seu sucessor, a Rússia bolchevique, fez as pazes com as Potências Centrais sob o Tratado de Brest-Litovsk, deixando a Roménia como o único inimigo das Potências Centrais na Frente Oriental. Diante disso, a Romênia se vê obrigada a fazer a paz com a Alemanha e suas aliadas. Em 1918, um dia antes da rendição alemã, a Romênia rompe o tratado de paz e novamente declara guerra aos Impérios Centrais. A guerra para a Romênia continuou até 1919. Aproveitando-se do caos que se passava no Império austro-húngaro, a Romênia recuperou a Transilvânia.[2]

Entre 1922 e 1926 Antonescu ocupou cargos diplomáticos na França e no Reino Unido. Após retornar a Romênia ele foi comandante da "Şcoala Superioară de Război" (Escola Superior de Guerra) entre 1927 a 1930, foi do Estado-Maior entre 1933 e 1934 e Ministro da Defesa entre 1937 e 1938.[2]

Política[editar | editar código-fonte]

Ascensão[editar | editar código-fonte]

O general Antonescu foi indicado ao cargo de primeiro-ministro pelo rei Carol II em 4 de setembro de 1940 depois que Romênia perdeu territórios reclamados pela URSS, Hungria e Bulgária. Em 5 de setembro, aceitando o pedido de Antonescu, o rei Carol suspendeu a constituição de 1938, dissolveu o parlamento e deu amplos poderes a Antonescu. No mesmo dia ele forçou o rei Carol II a abdicar e deixar o país. O príncipe Miguel I é proclamado o novo rei, porém seus poderes eram essencialmente cerimoniais. Antonescu proclama-se o conducător (condutor) e assume com poderes ditatoriais.[2]

Os partidos democráticos da Romênia se recusaram a fazer parte do novo governo, então Antonescu aproxima-se da Guarda de Ferro oferecendo vagas no seu governo (15 de setembro de 1940). Antonescu queria a Guarda de Ferro sob seu controle direto, porque suas atividades paramilitares estavam prejudicando a autoridade do estado. O período que se seguiu ficou conhecido como Estado Nacional Legionário. Em 21 de janeiro de 1941 depois que as demandas de maiores poderes para a Guarda de Ferro foram recusadas por Antonescu esta rebelou-se e com ajuda da Alemanha a revolta foi rapidamente reprimida e seus líderes aprisionados.[2]

Aliança com a Alemanha[editar | editar código-fonte]

Antonescu aliou-se ao Terceiro Reich, garantindo assim a estabilidade de materiais estratégicos como as grandes reservas de petróleo da Romênia que puderam ser usadas pelo Eixo. Alem disso, Antonescu estava satisfeito com os rumos da guerra contra a URSS e esperava reconquistar os territórios da Bessarábia e Bucovina. Ao participar da guerra na frente do leste Antonescu esperava persuadir Hitler a entregar parte da Transilvânia quando as hostilidades cessassem. Ele foi informado por Hitler sobre a Operação Barbarossa dez dias antes de ser iniciada.[2]

As tropas romenas se juntaram a Wehrmacht em seu ataque contra a União Soviética (21 de junho de 1941) e recuperaram os territórios perdidos. A província de Transnístria também ficou sob domínio romeno.[2]

Depois da captura da Bessarábia e Bucovina, Antonescu mandou o exército romeno para dentro do território da União Soviética, determinado a seguir as tropas alemãs até a conquista completa do exército vermelho.[2]

A decisão foi recebida com desaprovação pelos políticos romenos (dos partidos tradicionais) e pelos Aliados. Embora Antonescu tenha dedicado a maior parte do seu tempo para os assuntos militares ele falhou ao preparar o exército romeno para uma campanha prolongada. Depois que os alemães e romenos sofreram grandes perdas na Batalha de Estalingrado e os russos iniciaram sua ofensiva que só terminaria em Berlim, a popularidade de Antonescu caiu rapidamente.

Queda[editar | editar código-fonte]

Em 1943, representantes de Antonescu (membros dos partidos tradicionais) aproximaram-se dos britânicos e norte-americanos para discutir a possibilidade de paz, mas os Aliados exigiram que Antonescu primeiro fizesse a paz com os russos. Antonescu recusou a rendição incondicional aos russos, mas continuou a negociar com eles através de seus representantes em Estocolmo. Em agosto de 1944, quando os russos já tinham entrado no território romeno, Antonescu recebeu uma proposta de cessar-fogo através da Madame Kolontay (Agente de Stalin em Estocolmo). Esse cessar-fogo propunha que a Alemanha teria quinze dias para deixar a Romênia, os Russos passariam apenas pelo norte do país (o sul e a capital ficaria livre de interferência russa) e oferecia reconhecimento sobre a ocupação romena na Hungria e norte da Transilvânia. Considerando a superioridade das forças soviéticas, essa oferta generosa seria interpretada de duas maneiras; permitiria os exército soviético continuar sua ofensiva contra o exército alemão ou era um blefe.[2]

Em 22 de agosto de 1944 o exército soviético atacou territórios romenos, determinado a ocupar a capital antes que qualquer acordo de cessar-fogo pudesse ser assinado. Antonescu preparou nove divisões de elite para que lutassem contra a ofensiva do exército soviético durante semanas até que um acordo pudesse ser aprovado por ambas as partes. O telegrama de Estocolmo chegou em 22 de agosto, mas foi interceptado pelo líder da oposição Iuliu Maniu, que planejava junto com o rei Miguel, membros opositores e com o Partido Comunista da Romênia a queda do regime de Antonescu.[2]

Em 23 de agosto de 1944, Miguel convidou Antonescu para ir ao seu palácio real. Depois de explicar sobre a situação na frente de guerra, o rei perguntou se ele assinaria a rendição incondicional com os russos. Antonescu contou ao rei sobre o cessar-fogo que estava prestes a assinar, embora ele não tivesse provas disso (como o telegrama). Ele também declarou que “assinar a rendição incondicional com os russos é como pular de um avião sem um pára-quedas”. O rei dispensou Antonescu de seu gabinete, ao mesmo tempo soldados prenderam Antonescu e seu ministro, Mihai Antonescu. Depois eles foram entregues aos comunistas.[2]

Nesse momento, o rei Miguel declarou o cessar-fogo do lado romeno. Porém o exército soviético não estava interessado em interromper a luta, ao romper a linha defensiva romena os russos aprisionaram cerca de seiscentos mil soldados. Os alemães não reconheceram a autoridade do novo governo e atacaram a capital. Alguns dias depois os soviéticos ocuparam Bucareste. O tratado de paz, de facto, a rendição incondicional só foi assinada em 12 de setembro de 1944.[2]

Julgamento e morte[editar | editar código-fonte]

Execução de Antonescu

Em maio de 1946 Antonescu estava sob julgamento pelo Tribunal Popular de Bucareste, dominado pelo governo comunista. Foi culpado de aliciar o povo romeno aos benefícios da Alemanha Nazista, subjugação política e econômica da Romênia à Alemanha Nazi, cooperação com a Guarda de Ferro, assassinato de opositores políticos, assassinato em massa de civis, crimes contra a paz e por participar da invasão na União Soviética. Antonescu foi condenado à morte e executado em 1 de junho de 1946 na prisão de Jilava.

Quando um país está em guerra, o exército desse país deve ir até o fim do mundo para vencer. Esse é um dos princípios básicos da guerra, que foi aplicado desde o tempo dos romanos até os dias de hoje. Procure-se na história das guerras, qualquer nação, qualquer século e se poderá ver que ninguém pára o exército nas fronteiras, mas vão adiante, com o objetivo de destruir o exército inimigo. Assim fez Cipião Africano quando levou seu exército para destruir Cartago, assim fez Napoleão quando se dirigia para o centro da Rússia, assim fez Alexandre I quando ia para Paris.
— Declaração de Antonescu sobre a invasão da Rússia durante seu julgamento

Referências

  1. Komandoko, Gamal (2010). Ensiklopedia Pelajar dan Umum (em indonésio). Jacarta: Pustaka Widyatama. p. 510 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q Roszkowski, Wojciech; Kofman, Jan (2016). Biographical Dictionary of Central and Eastern Europe in the Twentieth Century (em inglês). Abingdon-on-Thames: Routledge. p. 29 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Ion Gigurtu
Primeiro-ministro da Romênia
1940 - 1944
Sucedido por
Iuliu Maniu