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Iporanga

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Iporanga
Município do Brasil
Vista parcial da cidade
Vista parcial da cidade
Vista parcial da cidade
Hino
Gentílico iporanguense
Localização
Localização de Iporanga em São Paulo
Localização de Iporanga em São Paulo
Localização de Iporanga em São Paulo
Iporanga está localizado em: Brasil
Iporanga
Localização de Iporanga no Brasil
Mapa
Mapa de Iporanga
Coordenadas 24° 35′ 09″ S, 48° 35′ 34″ O
País Brasil
Unidade federativa São Paulo
Municípios limítrofes Ribeirão Grande, Guapiara, Barra do Turvo, Apiaí, Eldorado, Itaoca e estado do Paraná
Distância até a capital 360 km
História
Fundação 1576 (439 anos)
Administração
Prefeito(a) Alessandro Mendes Rodrigues (PTB, 2021–2024)
Características geográficas
Área total [1] 1 152,06 km²
População total (Censo IBGE/2022[2]) 4 046 hab.
Densidade 3,5 hab./km²
Clima tropical úmido
Altitude 81 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 18330-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,703 alto
PIB (IBGE/2021[4]) R$ 63 459,36 mil
PIB per capita (IBGE/2021[4]) R$ 15 181,67
Sítio iporanga.sp.gov.br (Prefeitura)
www.camaraiporanga.sp.gov.br (Câmara)

Iporanga é um município do estado de São Paulo, no Brasil. Sua população segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 4.046 habitantes.

Toponímia

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"Iporanga" é um vocábulo de origem tupi que significa "rio bonito", através da junção dos termos 'y (rio) e porang (bonito)[5]. É uma referência ao Ribeirão Iporanga, na foz do qual se localiza o município.

História

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Iporanga, originalmente, constituiu arraial na lavra de ouro do ribeirão Iporanga - nome de origem tupi, que significa água de rio bonito. Entre 1571 e 1755 os mineradores Garcia Rodrigues Pais, José Rolim de Moura, Antônio Leme de Alvarenga e Nuno Mendes Torres ergueram uma capela de taipa no local de outra mais antiga que era de sapé, construída pelos antigos moradores.[6]

Dessa época restou apenas vestígios de casas, valas e os desvios do ribeirão, pois em fins do século XVIII, a população transferiu-se para a confluência do Iporanga com o Ribeira de Iguape, lá se dedicando à lavoura de subsistência, sobretudo de cana-de-açúcar e arroz.[6]

Porto do Ribeirão Iporanga.

Uma nova capela, construída anteriormente a 1821, permanece como um marco na cidade e integra-se ao conjunto de casas de pau-a-pique, que ainda se conserva devido ao isolamento geográfico a que foi submetida a cidade.[6]

A produção de aguardente, rapadura e farinha de mandioca, bem como o fato de ser ponto de encontro, esporádico, entre as canoas que vinham do litoral e as tropas de muares que desciam do planalto, permitiram a Iporanga um período de relativa riqueza, em meados do século XIX, quando em 1873 foi elevada à condição de Vila.[6]

A implantação da ferrovia e da rodovia no planalto golpeou a relativa prosperidade Iporanguense, pois a atividade comercial concentrou-se naquela região prejudicando a movimentação fluvial, da qual dependia.[6]

Formação territorial-administrativa

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Histórico da formação do município:[7][8]

  • Freguesia criada no município de Apiaí pelo Decreto Imperial de 09/12/1830.
  • Vila criada pela Lei nº 39, de 03/04/1873.
  • Município reconduzido à categoria de distrito, incorporado ao município de Apiaí, pelo Decreto nº 6.448, de 21/05/1934.
  • Município reinstalado pela Lei nº 2.780, de 23/12/1936.
  • Pelo Decreto nº 9.775, de 30 de novembro de 1938, é criado o distrito de Barra do Turvo.
Mapas de Iporanga (1944).
  • A Lei nº 8.092, de 28/02/1964, desmembra do município de Iporanga o distrito de Barra do Turvo, elevado à município.

Geografia

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Centro Histórico de Iporanga.

Localizado na região do Vale do Ribeira a uma latitude 24º35'09" sul e a uma longitude 48º35'34" oeste, estando a uma altitude de 81 metros.

Hidrografia

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Rio Ribeira de Iguape em Iporanga.

Em Iporanga, efetuaram-se diversos estudos de mapeamento geológico e pesquisa mineral, sobretudo pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil. A seção geológica mais conhecida é o famoso perfil Apiaí-Iporanga.[9]

Os principais acessos a cidade de Iporanga são:[10]

Demografia

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Viela no centro histórico com a Igreja Matriz ao fundo.

População

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Crescimento populacional
Ano População Total
18722 237
18903 37550,9%
19004 20824,7%
19103 650−13,3%
19205 76357,9%
19256 2248,0%
19377 042
19407 87311,8%
19469 71523,4%
19507 943−18,2%
19588 2393,7%
19608 5363,6%
19703 917−54,1%
19804 72420,6%
19914 614−2,3%
20004 562−1,1%
20104 299−5,8%
20224 046−5,9%
Est. 20244 091[11]1,1%
Fontes:[12][13][14][15]
Censos Demográficos IBGE e Estimativas SEADE

Infraestrutura

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Comunicações

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Inauguração da central telefônica de Iporanga (1974).

O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade pela Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP) em 1974.[16] Já o sistema de discagem direta à distância (DDD) foi implantado em 1988 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), com o código de área (0155).[17]

Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (015), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.[18]

A concessionária de energia elétrica que atende o município é a Neoenergia Elektro, antiga CESP.[19]

Saneamento

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O serviço de abastecimento de água é feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP).[20]

Cultura e lazer

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Museu Histórico de Iporanga.

Quilombos

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A cidade possui cerca de 70% de sua população afrodescendente, devido à ocupação humana ocorrida no século XVII através da mão de obra escrava trazida pelos europeus. Nhunguara,[21] Pilões[22] e Bombas[23] estão entre as dezenas de comunidades quilombolas do município.

O puxirão, danças e a roça de coivara são eventos da cultura quilombola. A procissão fluvial do dia 31 de dezembro é um importante evento cultural da cidade.[24]

Vista do Petar e a Gruta Casa de Pedra.

O município de Iporanga é um destino turístico privilegiado porque é cercado por unidades de conservação, dentre as quais se destacam o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – Petar e o Parque Estadual Caverna do Diabo. O Turismo de Aventura e o Ecoturismo são as marcas da cidade.[25]

Município de Interesse Turístico

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Desde abril de 2018 Iporanga foi transformado em Município de Interesse Turístico – MIT, e assim pode avançar e aprimorar sua atividade turística com a melhoria de suas infraestruturas.[25]

Preservação da Mata Atlântica

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Entrada de caverna em plena Mata Atlântica.

A cidade lidera na preservação da Mata Atlântica, uma vez que a Revista Fapesp divulgou o senso Inventário Florestal 2020 e, na relação dos municípios que mais a preservam, o destaque foi para Iporanga, onde estão áreas do PETAR, Intervales e o PECD. São mais de 90% de área do município com Mata Atlântica.[26]

Capital das Cavernas

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Caverna Temimina.

O município é conhecido como “Capital das Cavernas”, pela grande incidência de cavernas calcárias na área do município. São cerca de 360 cavernas catalogadas.[25] Na região há famosas cavernas da Formação Iporanga e Formação Votuverava.[9]

Cachoeiras

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Cachoeira das Arapongas.

Iporanga é a cidade que possui o maior número de cachoeiras em todo o Brasil, nas 365 cavernas cadastradas. O turista poderá praticar nelas esportes radicais como o rapel, canyonismo e trekking.[9]

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

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Com cerca de 36 mil hectares, o Petar abriga um valioso patrimônio natural, composto por sítios espeleológicos, paleontológicos, arqueológicos e históricos, além da grande diversidade biológica característica da Mata Atlântica preservada em toda sua extensão. Situa-se junto às margens do rio Ribeira de Iguape e na foz do Ribeirão Iporanga.[25] Em 1999, essa região foi reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.[27]

Vale ressaltar que o Petar conta com cavernas, dezenas de cachoeiras, trilhas, comunidades tradicionais e quilombolas, sítios arqueológicos, paleontológicos, mostrando-se como um verdadeiro paraíso escondido entre vales e serras. Criado por um decreto de 1958 do governo do estado de São Paulo, tornou-se depois da década de 90 um dos locais mais perfeitos e procurados para a prática de esportes de aventura com espeleo, rapel, bóia cross, cascading, bike, e de algumas atividades como educação ambiental, fotografia e observação da natureza, ou seja, são inúmeros os atrativos.[25]

Caverna no Petar.

O parque é dividido em quatro núcleos: Santana, Caboclos, Casa de Pedra e Ouro Grosso. No bairro da Serra, a 14 quilômetros do centro, ficam as melhores pousadas e o acesso ao Núcleo Santana, com as cavernas mais visitadas.

Cachoeira do Couto.

Entre elas estão a do Couto, que abriga uma queda-d'água de quatro metros, a da Água Suja, com salões e um rio com cachoeira, e a que dá nome ao núcleo, com uma imensa variedade de espeleotemas (nome genérico de todas as formações rochosas que ocorrem tipicamente no interior de cavernas como resultado da sedimentação e cristalização de minerais dissolvidos na água). Para chegar às grutas é preciso caminhar por diversas trilhas, passando por muitas cachoeiras.[25]

Reserva Betary

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Vale do rio Betary.

A Reserva Betary é uma área de 60 hectares de Mata Atlântica preservada, onde os visitantes podem conhecer as maravilhas naturais e entender o significado da biodiversidade local.

Na Reserva Betary há um centro de pesquisas do IPBio - Instituto de Pesquisas da Biodiversidade, onde são realizados projetos relacionados à fauna e flora da Mata Atlântica.[28]

Religião

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O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:[29]

Igreja Católica

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Igrejas Evangélicas

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Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:[31][32]

Ver também

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Referências

  1. «Área territorial oficial». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 21 de julho de 2024 
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «População censo 2022 do IBGE». Consultado em 21 de julho de 2024 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Cidades e Estados. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2010. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2021». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 21 de julho de 2024 
  5. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
  6. a b c d e «IBGE | Cidades@ | São Paulo | Iporanga | História & Fotos». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  7. «Municípios Paulistas». www.al.sp.gov.br. Consultado em 1 de julho de 2024 
  8. Seade, Fundação. «Histórico da formação dos municípios do Estado de São Paulo». Fundação Seade. Consultado em 1 de julho de 2024 
  9. a b c «Iporanga - SP». Guia do Turismo Brasil. Consultado em 25 de março de 2025 
  10. «DER/SP: Mapas» (PDF). www.der.sp.gov.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  11. «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação (2024) | IBGE». www.ibge.gov.br 
  12. «Censos Demográficos (1991-2022) | IBGE». ibge.gov.br 
  13. «Censos Demográficos (1872-1980) | IBGE». biblioteca.ibge.gov.br 
  14. «Evolução da população segundo os municípios (1872-2010) | IBGE» (PDF). geoftp.ibge.gov.br 
  15. «Biblioteca Digital Seade | Fundação Seade». bibliotecadigital.seade.gov.br 
  16. «Telesp vai servir mais 86 cidades do estado». Folha de S.Paulo. 12 de março de 1975. Consultado em 20 de julho de 2024 
  17. «Área de operação da Telesp». web.archive.org. 14 de janeiro de 1998. Consultado em 20 de julho de 2024 
  18. «Telesp - Código DDD e Prefixos». web.archive.org. 14 de janeiro de 1998. Consultado em 20 de julho de 2024 
  19. «Arsesp - Concessionárias de energia elétrica». www.arsesp.sp.gov.br. Consultado em 24 de março de 2025. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2025 
  20. «Arsesp - Perfil do setor de Saneamento Básico». www.arsesp.sp.gov.br. Consultado em 24 de março de 2025 
  21. «Nhunguara | Quilombos do Ribeira». www.quilombosdoribeira.org.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  22. «Pilões | Quilombos do Ribeira». www.quilombosdoribeira.org.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  23. «Bombas | Quilombos do Ribeira». www.quilombosdoribeira.org.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  24. «Home | Quilombos do Ribeira». www.quilombosdoribeira.org.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  25. a b c d e f Paulo, Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São. «Conheça o Município Turístico de Iporanga». www.turismo.sp.gov.br. Consultado em 25 de março de 2025 
  26. «Iporanga lidera na preservação da Mata Atlântica – Petar Online». 24 de julho de 2020. Consultado em 25 de março de 2025 
  27. «Conheça Iporanga | Dados Geográficos». Consultado em 25 de março de 2025 
  28. «Reserva Betary». IPBio. Consultado em 25 de março de 2025 
  29. O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
  30. «Sul 1 Region of Brazil [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 14 de março de 2025 
  31. Cross, F. L.; Livingstone, E. A., eds. (1 de janeiro de 2009). «The Oxford Dictionary of the Christian Church». Oxford University Press (em inglês). ISBN 978-0-19-280290-3. Consultado em 13 de maio de 2025 
  32. «Tabela 2094: População residente por cor ou raça e religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 13 de maio de 2025 
  33. «Campos Eclesiásticos». CONFRADESP. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 14 de março de 2025 
  34. «Arquivos: Locais». Assembleia de Deus Belém – Sede. Consultado em 14 de março de 2025 
  35. «Localidade - Congregação Cristã no Brasil». congregacaocristanobrasil.org.br. Consultado em 14 de março de 2025 

Ligações externas

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O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Iporanga