Iracema - Uma Transa Amazônica

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Iracema - Uma Transa Amazônica
Cartaz do filme, destacando a atriz Edna de Cássia.
 Brasil
 Alemanha Ocidental

1976 •  cor •  91 min 
Direção Jorge Bodanzky
Orlando Senna
Roteiro Jorge Bodanzky
Hermano Penna
Elenco Paulo César Peréio
Edna de Cássia
Género drama
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Iracema - uma transa amazônica é um filme teuto-brasileiro de 1976, do gênero drama documental, dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna. O filme esteve proibido no país e só foi lançado oficialmente no Brasil em 1981. É a história do impacto nas populações da selva amazônica provocado pela rodovia Transamazônica. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[1]

A história narrada em estilo semidocumental segue a trajetória de um caminhoneiro e uma prostituta, que viajam juntos pela Rodovia Transamazônica recém-construída. O caminhoneiro, apelidado de Tião "Brasil Grande", fala sempre da sua confiança no progresso do Brasil e de quão bem a construção da rodovia em plena floresta ajudará a isso acontecer. Seu caminhão tem o famoso adesivo "Brasil, ame-o ou deixe-o" (popularizado pelo regime militar da época) no parabrisa e no parachoque está escrito "Do destino ninguém foge".

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O filme começa com a família de Iracema chegando de barco em Belém no Pará, para a festa do Círio de Nazaré. Mesmo com apenas quinze anos, ela permanece na cidade e começa a se prostituir, recebendo as orientações das mulheres mais velhas. Num cabaré, ela conhece o caminhoneiro Tião "Brasil Grande", que cruza a rodovia Transamazônica transportando madeira. Tião leva Iracema para suas viagens, até que se cansa dela e a deixa num prostíbulo de beira de estrada. Tempos depois, os dois se reencontram rapidamente. Tião parece ter melhorado de vida, está com um caminhão novo e agora transporta gado. Já Iracema está completamente entregue à prostituição e à miséria.

Elenco principal[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

A idéia do filme, segundo Bodanzky, surgiu quando ele trabalhava para a revista Realidade, da editora Abril, nos anos 1960, e teve de fazer uma reportagem sobre a rodovia Belém—Brasília, e viu "a movimentação dos caminhões e das prostitutas".[2] A produção foi uma encomenda para a televisão alemã e realizada em 1974, mas a censura da ditadura militar proibiu sua exibição no país por muitos anos, alegando que era uma produção estrangeira; tudo porque o filme contrariava a propaganda oficial, que dizia que a rodovia levaria o progresso à região. Bodanzky retratou grilagem de terras, desmatamento, queimadas, a prostituição e miséria.[2] Por causa da fama de "mulherengo" do ator Paulo César Peréio, o diretor tomou cuidado adicional de não deixá-lo sozinho com a atriz em momento algum, não por falta de confiança no ator, mas provavelmente pela dificuldade que houve em contratá-la, pois era menor de idade e a família resistiu muito à idéia. A canção que Tião e Iracema dançam na cena do cabaré é "Você é doida demais", interpretada por Lindomar Castilho.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O filme foi exibido em diversos países da Europa durante os anos em que esteve proibido no Brasil pela censura e, clandestinamente no Brasil, em 1978, numa mostra de filmes proibidos em Minas Gerais. O filme foi lançado em circuito comercial no Brasil no dia 30 de março de 1981, no cinema Caruso, no Rio de Janeiro, e no Cinema1, em Niterói.

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Festival de Brasília 1980 (Brasil)

  • Venceu nas categorias de melhor filme, melhor atriz (Edna de Cássia), melhor atriz coadjuvante (Conceição Senna) e melhor edição (Eva Grundman e Jorge Bodanzky).

Associação de Críticos Cinematográficos de Minas Gerais 1978 (Brasil)

  • Eleito o melhor filme do ano, durante uma mostra de filmes proibidos.
Outros prêmios
  • Ganhou o Prix George Sadoul (Paris), o Adolf Grimme Preis (Alemanha), o Encomio Taormina (Itália) e o 12º Reencontre Film et Jeunesse (Prêmio Especial – Festival de Cannes Melhor Filme 78 – ACCMG).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». Abraccine. abraccine.org. Consultado em 26 de outubro de 2016 
  2. a b Entrevista à revista Veja São Paulo em março de 2006

Ligações externas[editar | editar código-fonte]